Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

domingo, 14 de março de 2010

“A Mulher na literatura transmontana” no "À conversa com… Hercília Agarez”

No âmbito do plano das actividades da sala de estudo realizou-se no passado dia 8 de Março “À conversa com… Hercília Agarez” subordinada ao tema “A Mulher na literatura transmontana” . A sala encheu-se de alunos do secundário (10ºH,11ºE e 12ºG) e de professores da escola. Contagiados pela boa disposição e extraordinária exposição da escritora Hercília Agarez, antiga aluna e professora desta escola, ouviram-se poemas lidos com muita expressividade por alunos e professores que deram a conhecer ou fizeram relembrar belíssimos textos de poetas transmontanos :António Cabral, Miguel Torga, Barros Ferreira, Vaz de Carvalho e de professores da Camilo Hercília Agarez, António Fortuna e Henrique Morgado, ao som dos acordes da viola de Carlos Santelmo. Viveram-se momentos emocionantes e que ficarão decerto na memória dos presentes, principalmente pelo civismo e interesse demonstrados pelos alunos. Não foram esquecidas as pintoras transmontanas Graça Morais e Chi Pardelinha cujas mulheres, por elas pintadas, animaram os expositores da sala e os marcadores com os poemas dos poetas referidos e que foram oferecidos a todos.
Teve também um especial destaque o retrato a carvão de uma anciã transmontana pintado e cedido por Leonor Ribeiro e que fez não só as delícias de todos os presentes como inspirou o “nosso poeta da bicicleta” cognome dado carinhosamente por Hercília Agarez ao professor poeta desta escola António Fortuna que logo “rabiscou” um poema no livrinho que sempre o acompanha.
Agradece-se a todos os que se disponibilizaram para podermos concretizar esta actividade, nomeadamente a Direcção da Escola e à Senhora Directora Dra. Fátima Rodrigues que deu as boas vindas à nossa ilustre convidada; os professores António fortuna, Victor Lousada, Carlos Santelmo, Fátima Assunção, Ana Maria Ferreira e a excelente colaboração das alunas de Artes 12ºG) Assunção e Raquel que apesar do trabalho de final de período, ajudaram na elaboração dos marcadores, na montagem dos expositores da sala e fizeram a reportagem fotográfica.

Texto : Brízida Azevedo
Fotografias: Assunção Vaz e Raquel Laranjeiro ( 12ºG)


quinta-feira, 11 de março de 2010

Divulgação da "Camiliana"


Poesia no Dia Internacional da Mulher


Decorreu, no passado dia 8 de Março, a comemoração do Dia Internacional da Mulher, através de poesia dita pelos alunos de Língua Portuguesa do 9ºano de escolaridade.

Foram interpretados poemas de Carlos Drummond de Andrade, Miguel Torga, Florbela Espanca, Boris Vian, Cecília Meireles, Eugénio de Andrade e António Gedeão que apresentam a mulher como protagonista.

PARLAMENTO DOS JOVENS DO ENSINO BÁSICO


O Parlamento dos Jovens é uma esplêndida iniciativa da Assembleia da República (AR), que tem por objectivo permitir a participação de jovens, do 5.º ao 12.º ano, na actividade política do nosso país e dar-lhes a conhecer o funcionamento dos órgãos políticos, estimulando também a cidadania e a democracia.
O tema a debater no parlamento deste ano é Educação Sexual, sem aspas, sem nada, pois assim estaria a tornar o tema tabu.
Os jovens deputados da Camilo, vitoriosos da sessão Escolar em 22 de Janeiro e acompanhados pela professora Ana Rocha, representaram a escola na Sessão Distrital, realizada na passada terça-feira, no Instituto Português da Juventude dia 2 de Fevereiro, onde se encontraram as 19 escolas envolvidas no programa.
A sessão iniciou-se com a apresentação da “Mesa”, dirigida pelo Deputado José João Bianchi, que respondeu às perguntas dos jovens deputados. Seguiu-se a apresentação dos devidos Projectos de Recomendação de cada escola, a fim de, depois de um debate, eleger um Projecto Base para representar o distrito na Sessão Nacional. O projecto mais votado foi o da Escola Camilo Castelo Branco, pois as nossas deputadas defenderam da melhor maneira o nosso projecto. Entrementes, chegara a hora de almoço, momento em que todos os deputados recarregaram energias na cantina da Escola Diogo Cão. Foi a parte do dia em que os deputados tiveram a melhor oportunidade de conviver e travar amizades.
Às 14.30H, a sessão teve continuidade com a organização de grupos de trabalho, no âmbito da criação de duas propostas de eliminação, alteração ou aditamento de medidas ao Projecto Base. As nossas deputadas deram o seu melhor, revelando capacidades e qualidades de argumentação. Depois de mínimas alterações ao Projecto Base, e de concluídos todos os trabalhos, chegou a hora de votar nas três melhores escolas que representarão Vila Real, na sessão Distrital.
Apesar de a nossa deputada Inês Caldas não ter sido porta-voz de Vila Real, estaremos mais uma vez a representar o distrito na Sessão Nacional, na Assembleia de República, com a escola Secundária de S. Pedro e Escola Secundária Fernão de Magalhães - Chaves, em 24 e 25 de Maio.


Júlio Dinis, 9ºC

Ver escolas e deputados eleitos:

http://app.parlamento.pt/webjovem2010/documentos/Escolas_deputados_eleitos_Basico.pdf

À descoberta de Santa Maria da Feira

Os alunos do 9º G e do 10º L, acompanhados pelos professores Elza Pinto, Luísa Cardoso, Marília Martins, Pedro Oliveira e Roberto Pertalta, realizaram uma visita de estudo ao Visionarium e ao Castelo de Santa Maria da Feira.
Partiram às 8h30 e seguiram viagem rumo a Santa Maria da Feira.
Começaram por visitar o Visionarium. A visita foi guiada por uma funcionária que distribuiu um inquérito para melhor se compreender os objectivos da visita. Os alunos interagiram com os diversos equipamentos existentes, o que lhes permitiu desenvolver competências no âmbito das TIC, da Física e da Química e da Língua Portuguesa.
De seguida dirigiram-se ao “Feira Nova” local, onde, devido à chuva, fizeram um piquenique na área da restauração.
Pelas 14h30 dirigiram-se para o Castelo de Santa Maria da Feira, considerado peça única da arquitectura militar portuguesa. Assistiram à projecção de um filme relativo à História do referido monumento e visitaram o mesmo.
Regressaram a Vila Real pelas 17h30, sendo de salientar que a viagem decorreu com normalidade. Os alunos comportaram-se com correcção, tendo sido atingidos todos os objectivos da visita.

quarta-feira, 10 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Entrega de Prémios do Concurso de Máscaras

Dia 4 de Março, na Mediateca, decorreu a entrega dos prémios pela Sra. Directora da Escola, Dra. Fátima Rodrigues, relativos ao Concurso de Máscaras, promovido pela Mediateca e realizado no dia 12 de Fevereiro de 2010.
O primeiro prémio foi atribuído à aluna Carla Machado, o segundo à aluna Márcia Moura, ambas da turma H, do 11º ano, o terceiro à aluna Inês Pereira Pinto da turma G, do 12º ano.
O prémio relativo às participações de outros membros da comunidade foi atribuído à professora de Matemática, Dra. Elisabete Pardal.

A Coordenadora da Mediateca
Rosa Canelas

segunda-feira, 8 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Conferência - O Vampiro de Botticelli

(Clicar para aumentar)

Entrevista a uma Educadora de Infância recém-formada

“Em que outro lugar receberias um sorriso do tamanho do mundo todas as manhãs?”

Uma Educadora de Infância marca uma criança indelevelmente, uma vez que o primeiro contacto com esta figura é essencial para um desenvolvimento escolar saudável e com sucesso.
Para podermos saber um pouco mais sobre esta profissão, convidámos Sílvia Matias, uma Educadora com pouca experiência mas com uma grande vontade de trabalhar e pôr em prática tudo o que aprendeu.
Sílvia tem 23 anos, e está a terminar o mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico. Ainda não está a exercer a profissão, mas já teve contacto com crianças, em várias instituições, nas quais estagiou.

- Que razões a levaram a optar pelo Curso de Educação Pré-escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico?
- Quando entrei para a universidade, frequentei o antigo curso de Educação de Infância. No decorrer do 3º ano, e com a entrada em vigor do Tratado de Bolonha, o curso mudou de nome, passando a designar-se de Curso de Educação Básica. Não ficando satisfeita com a licenciatura, e como tinha a oportunidade de tirar o Mestrado, optei pelos dois níveis de ensino – Pré-Escolar e 1º Ciclo. Sempre gostei muito de crianças, e considero este tipo de trabalho louvável e dos mais importantes. Em que outra profissão poderia pôr laços no cabelo, fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs? Em que outro local te diriam todos os dias “és linda!”? Em que outro trabalho te abraçariam para te dizerem o quanto te querem? Em que outro lado te esquecerias das tuas tristezas para atender ao joelho esfolado ou ao coração afligido? Onde receberias mais flores? Onde mais poderias iniciar na escrita uma mãozinha, que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro? Onde poderias ensinar a ler? Em que outro lugar receberias um sorriso do tamanho do mundo todas as manhãs? Em que outro sitio te fariam um retrato grátis? Em que outro lugar as tuas palavras causariam tanta admiração? Em que outro trabalho te receberiam de braços abertos mesmo depois de teres faltado um dia? Onde poderias assistir no 1ª fila à execução de grandes obras de arte? Onde poderias aprofundar os teus conhecimentos sobre a Ciência? Em que outro lugar derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes? Enfim…. os que menos têm são os que mais nos dão!

- Que Universidade frequentou? Ficou satisfeita com as condições que aí lhe foram proporcionadas?
- Frequentei a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). De um modo geral, sim, fiquei satisfeita. Contudo, o plano de estudos da antiga Licenciatura, no meu entender, estava melhor elaborado, no que diz respeito às unidades curriculares, ou seja, tinha disciplinas devidamente orientadas para a prática. Além disso, penso que temos pouca metodologia.

- Quais foram as maiores dificuldades que sentiu no decorrer do Curso? Conseguiu superá-las?
- Não lhes vou mentir, nunca tive dificuldades que me tirassem o sono. Embora tenha deixado uma cadeira para trás (Matemática 3), muito por culpa do professor, que foi posteriormente retirado da leccionação, consegui melhorar a nota no momento do exame.

- Visto que com o Tratado de Bolonha teve a oportunidade de contactar durante o estágio com crianças dos dois níveis de ensino (Pré-Escolar e 1º Ciclo), em que nível gostou mais de trabalhar?
- No Pré-Escolar, claro. De facto, no 1º Ciclo as coisas são mais fáceis devido aos documentos publicados pelo Ministério da Educação (competências essenciais e programas), que nos indicam todos os passos a tomar, e aos livros que vêm já com complementos de fichas de trabalho. Quanto ao Pré-Escolar, as únicas publicações do Ministério da Educação são as orientações curriculares, tudo o resto é elaborado por nós. No que concerne ao trabalho propriamente dito, as crianças dos 3 aos 6 anos são muito mais puras, mais verdadeiras no que fazem e no que dizem.

- Qual foi o pior momento a que esteve sujeita durante o estágio?
- Antes de mais, quero referir, que nunca tive medo de estar à frente de uma turma e de ser observada pelas professoras. Contudo, conseguir controlar o grupo/turma e impedir que o caos se instalasse, foi um aspecto que demorou algum tempo a dominar e que requereu da minha parte a utilização de múltiplas estratégias.

- Em que instituições estagiou?
- Graças a Deus, um dos motivos que me leva a ter alguma consideração pela UTAD foi o esforço desta em conseguir inserir-nos, logo no segundo ano, em instituições. Nesse ano e no seguinte, tive a oportunidade de passar em observação e cooperação pela Biblioteca infanto-juvenil do CIFOP, pelo Bairro São Vicente Paula (Jardim de Infância e 1º Ciclo), pela Santa Casa da Misericórdia, pelo Jardim de Infância de Mateus e pelo Jardim de Infância de Nogueira. No que diz respeito ao estágio, em 1º Ciclo, estive na Escola Carvalho Araújo, e, em Pré-escolar, no Jardim de Infância da Araucária.

- Pelo que acabou de nos dizer, já colaborou, então, com instituições de Solidariedade social (IPSS), e de rede pública. Que diferenças notou entre elas?
- Relativamente ao grau de profissionalismo das professoras/educadoras, nada tenho a dizer, todas elas agiram adequadamente, não olhando ao tipo de instituição em que estavam a leccionar. Quanto às infra-estruturas e materiais existentes, de facto as IPSS estavam melhor ornamentadas.

- O que espera encontrar nesta profissão?
- Espero encontrar muito trabalho, não só com as crianças, mas também com os adultos pertencentes à comunidade envolvente, que muitas vezes, ao não entenderem o nosso trabalho, nos colocam obstáculos. Paralelamente, haverá também o trabalho de secretária, de papelada. Espero ter momentos bons e maus, que irão marcar a minha vida, embora continue a considerar aliciante que o desenvolvimento e aprendizagem de muitos pequeninos me digam respeito a mim.

- Quais são as suas expectativas para o futuro?

- Neste momento, como devem saber, não são as melhores. Mas não vou perder a esperança nem desesperar por não leccionar. A formação que tenho neste momento e as expectativas de fazer uma formação contínua permitem-me ser competente noutros tipos de serviços, ligados à educação (que não apenas a leccionação), por exemplo, trabalhar em Câmaras Municipais, hospitais, cadeias, museus, centros de estudo, segurança social, etc.



Após termos entrevistado Sílvia Matias, sabemos um pouco mais sobre o Curso de Educação Pré-escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico e o mundo do trabalho a que dá acesso. Ficámos também a conhecer as ideias e os ideais desta jovem recém licenciada. Desejamos-lhe um futuro promissor.


Marta Pinho
Daniela Alves, 10º I

Entrevista a Ana P.C. Ribeiro

“Envelhecer não existe, só para quem tem medo.”


Ana Paula Carvalho Ribeiro, Encarregada de Educação, mãe e gerente de uma empresa, a Lubrinor, fala-nos em primeira mão de alguns dos pormenores da sua vida.

Como se sente com 36 anos?
Bem, a idade ainda não pesa.

A ideia de envelhecer não a preocupa?
Não, envelhecer não existe, só para quem tem medo.

Com o tempo, o que aprendeu sobre si própria?
Aprendi a conhecer-me e aperfeiçoar-me para enfrentar novos desafios.
Que balanço faz da sua vida?
Positivo.

É ambiciosa?
Sim.

Como vê a sua família as suas ambições profissionais?

Vê bem, pois se não fosse ambiciosa não teria o que tenho hoje.

Isso deu-lhe motivação para seguir em frente?
Sim.
Alguma vez se sentiu desencorajada e com vontade de desistir?
Não.

Gosta do que faz?
Sim, muito.

O que sente quando fazem elogios ou criticas ao seu trabalho?
Desde que as críticas ou elogios tenham fundamento e que sejam construtivas, aceito-as.

Houve algum momento em que sentiu que estava a realizar um sonho?
Sim, sempre gostei de ter uma empresa (e consegui) e de fazer profissionalmente aquilo de que gosto. Em relação à vida pessoal sinto-me realizada.

Quando chega ao fim do dia e vai para casa em que pensa?
Fazer o jantar e estar junto da minha família. Mais tarde, planeio o dia seguinte.

Além da família e do trabalho, quais são os seus outros prazeres na vida?
Viajar e passear, gosto muito de conhecer novas culturas e lugares.

E o que não dispensa, por mais sobrecarregada que tenha a sua agenda?
Um apelo das minhas filhas.

É perfeccionista?
Tento ser.

Um defeito e uma qualidade que a definam.
Um defeito é ter pouca paciência, qualidade é saber perdoar.

Andreia Matos
Inês Martins, 10ºE

quarta-feira, 3 de março de 2010

Visita ao Vaticano em 3D

Depois de acederem a

http://www.vatican.va/various/basiliche/san_paolo/vr_tour/index-it.html


escolham o que querem ver. Quando a imagem abrir, passem o rato pela imagem - para cima, para baixo, esquerda, direita...
Os ícones abaixo (+ e -) dão o zoom.

Boa Viagem!

À conversa com...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Vasco da Gama Navega

O livro "Vasco da Gama Navega" da escritora romena Diana Adamek, traduzido por Tanty Ungureanu, professora da Universidade do Porto, foi ontem apresentado no auditório da Escola, pela Drª Ana Paula Fortuna e Drª Tanty Ungureanu. Esta obra apresenta a chancela da Editora Tartaruga.
A sessão iniciou com a interpretação de dois trechos musicais pelo doutor Radu Ungureanu, violinista da Orquestra Nacional da Casa da Música.
No final, foi servido um porto de honra na biblioteca.

DrªAna Paula Fortuna, Dr. José Luís Ventura, Drª Tanty Ungureanu e Drª Manuela Morais.

Momento musical pelo violinista Radu Ungureanu.

O Dr. José Luís Ventura, elemento do corpo directivo da Escola, no momento de abertura da sessão, destacando estas iniciativas culturais como um marco distintivo da escola.


Drª Ana Pula Fortuna na sua prelecção sobre as "Viagens" de "Vasco da Gama Navega".


A Drª Tanty Ungureanu depois de ter apresentado uma mensagem da própria autora, presente na Roménia, realçou a importância da tradução e o domínio da língua, destacando a enorme riqueza da língua portuguesa.

Já no momento do Porto-de-Honra, o maestro Adérito Silveira teceu algumas palavras de elogio e agradecimento ao doutor Radu Ungureanu, pela sua prestação musical.

Texto e Imagem: João Costa

Entrevista a Manuel da Silva Grilo ao serviço da ONU, no Chade

“Por duas vezes a viatura em que seguia esteve na mira de roquetes das milícias que nos abordaram em plena savana, no meio do nada”


A ONU é uma organização internacional, cujos objectivos são a protecção dos direitos humanos, a manutenção da paz e a ajuda à autodeterminação dos povos.
No nosso país, a actividade desta organização é pouco divulgada. Dela apenas se conhece o que os media transmitem: grandes títulos e imagens que muitas vezes parecem distorcer a realidade. Para tentarmos conhecer um pouco melhor as actividades desta organização internacional, resolvemos entrevistar alguém que esteve no terreno ao serviço da ONU.
A pessoa escolhida para a nossa entrevista é o oficial superior da PSP, Manuel da Silva Grilo, cuja última missão no estrangeiro foi precisamente ao serviço da ONU, no Chade, República Centro Africana, de Junho 2008 a Junho de 2009.

P. Senhor Subintendente, pode-nos apresentar um breve resumo do seu trajecto profissional?
R. Sou um oficial superior da Polícia, actualmente na PSP de Vila Real. Entrei para a Corporação em 1980, com a categoria de agente e fui subindo na hierarquia, até ao actual posto de Subintendente. Desempenhei funções de comando de Esquadra, em várias cidades, prestei serviço no Corpo de Intervenção e fui docente na Escola de Polícia. Tenho uma licenciatura em Filosofia, pela Universidade Católica, outra em Direito pela Universidade de Coimbra e um Mestrado em Patologias Psicossociais. Fui Adido de Segurança na Embaixada Portuguesa na República de S. Tomé e Príncipe e a minha última missão no estrangeiro teve lugar no Chade, ao serviço da ONU.

P. Quando era mais novo, alguma vez se imaginou a participar numa missão da ONU?
R . Quando era mais novo, nunca pensei participar em missões da ONU. Primeiro, porque a organização nunca foi muito divulgada no nosso país (e portanto é pouco conhecida); depois, porque a selecção para as missões, no caso das forças de segurança, é feita pela hierarquia, de entre um universo de centenas de indivíduos que reúnem condições para serem seleccionados. Estes pressupostos, contribuíram para um certo alheamento da minha parte, relativamente às missões da ONU.

P. Quais foram as razões que o levaram a participar nesta missão?
R. A juventude de todas as épocas tem sempre latente o sonho de partir à aventura, conhecer novas culturas, novas gentes. As missões da ONU são uma oportunidade de aventura e ao mesmo tempo desenvolvem os valores de solidariedade, liberdade, espírito de sacrifício, respeito pelos direitos humanos, contra o racismo e a discriminação. Enquanto jovem, não consegui materializar esse sonho, no entanto não ficou esquecido. Quando surgiu a oportunidade, o espírito de aventura veio ao de cima e ofereci-me para servir nas missões da ONU.

P. Antes de partir para o Chade teve algum treino específico?
R. Cada missão tem a sua própria especificidade: se é humanitária ou de manutenção de paz; se se localiza no continente europeu ou em África. Assim, é ministrada uma formação teórica, sobre os cenários possíveis que se podem encontrar. Quanto ao treino para lidar com as situações, esse faz parte da formação policial de base. Mas, quando se chega à missão, durante o primeiro mês, a estrutura da missão ONU ministra o treino necessário, desde a condução de veículos todo o terreno, em ambientes hostis, até à orientação no terreno desértico.



P. Quais eram as condições em que se encontrava o contingente da ONU no Chade?
R. Uma missão é constituída por uma parte logística, assegurada pelo staff internacional, ou seja, pelos funcionários permanentes da ONU, e uma parte operacional, constituída pelos vários contingentes, dos diversos países, representados na missão. Assim, se houver dez nacionalidades, há dez contingentes, ou seja, as nacionalidades presentes agrupam-se em contingentes. Porém, as funções são distribuídas de acordo com as qualificações de cada um e não por se pertencer a um contingente de determinado país. Quando cheguei ao Chade, o pessoal da ONU ainda se encontrava concentrado na capital, N´djamena, a dar formação aos futuros polícias chadianos que iriam dar protecção aos refugiados. Depois da minha chegada, foram-me atribuídas as funções de Chefe das Operações e desde logo comecei a planear o envio dos polícias da ONU para os campos de refugiados e, em poucas semanas, a maioria deixou a capital em direcção aos campos de refugiados.

P. Em que medida se pode afirmar, ou não, que o contingente em que se encontrava era um contingente multi-cultural?
R. As missões da ONU, para além dos funcionários permanentes e contratados, são sempre constituídas por pessoas de várias nacionalidades. No meu gabinete, por exemplo, tinha dois adjuntos, um coronel de Madagáscar e um coronel do Senegal, para além de um comissário da Costa do Marfim e um capitão do Iémen; todos eles eram muçulmanos.

P. Quando chegou ao Chade, em que condições encontrou a população residente nos campos de refugiados?
R. Os refugiados, aproximadamente meio milhão, são quase na totalidade oriundos do Sudão, mais propriamente da região do Darfur, e por isso são considerados estrangeiros no Chade. Sem a protecção da ONU, a maioria destas pessoas não sobrevivia devido ao ambiente hostil, à falta de recursos e aos ataques das milícias muçulmanas sudanesas. Quando cheguei à zona de missão, grande parte dos refugiados já tinha assistência de organizações humanitárias voluntárias, que prestavam assistência. No entanto, a segurança daquelas populações era praticamente inexistente, havia inúmeras queixas de violações, homicídios, roubos e muita violência, dentro dos campos de refugiados. A partir da chegada da ONU, só muito esporadicamente ocorriam crimes.

P. O Darfur, juntamente com outras regiões adjacentes, é considerado uma das zonas mais violentas do Mundo. Durante a missão, alguma vez se encontrou numa situação perigosa, na iminência de ser ferido ou mesmo em risco de perder a vida?
R. Uma das minhas funções era inspeccionar o serviço prestado pelos polícias da ONU nos campos de refugiados. A deslocação era feita por avião durante duas horas para uma cidade secundária do Chade e a partir daí por helicóptero para a localidade mais próxima; depois continuava em viatura todo o terreno até aos campos de refugiados. Um dos campos de refugiados estava situado a cerca de 50 quilómetros da localidade mais próxima e o trajecto era feito em terra batida. Por duas vezes a viatura em que seguia esteve na mira de roquetes das milícias que nos abordaram em plena savana, no meio do nada, porém acabaram por deixar passar a viatura depois de verificarem que não transportávamos armas pesadas.

P. Os rebeldes Janjaweed cometem crimes muito violentos, como aconteceu em Março de 2004, em que 16 raparigas foram violadas por vários homens na cidade de Kutum. Enquanto esteve no Chade, alguma vez presenciou actos desumanos?
R. A esse nível, nunca presenciei tais atrocidades. No entanto, presenciei comportamentos violentos para com as crianças nas escolas corânicas. Por diversas vezes, vi crianças de 4 e 5 anos a serem chicoteadas violentamente por adultos por não saberem recitar os versículos do Corão. Este tipo de violência é tolerada pelas sociedades islâmicas, faz parte da sua cultura. Outro comportamento estranho para nós, ocidentais, é o facto de obrigarem os alunos das escolas corânicas a mendigar pelas ruas durante um período do dia, sendo o produto da mendicidade distribuído pelo professor e pelo pai do aluno.

R. Esteve no Chade um ano. Durante esse período fora de Portugal do que é que sentiu mais falta?
P. Durante a missão, aquilo de que senti mais falta foi da minha família.

P. Como avalia o resultado da intervenção da ONU no Chade?
R. A intervenção da ONU no Chade foi extremamente importante para a protecção do meio milhão de refugiados sudaneses que se encontravam no Chade. Sem essa intervenção, milhares de pessoas não teriam sobrevivido. Para além disso, a ONU muito tem contribuído para encontrar uma solução política para o regresso dos refugiados ao seu país.

Guilherme Fontinha, nº 15, 10º B
Tiago Grilo, nº 26, 10ºB

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um dia de teatro

O dia de hoje foi preenchido por dois espectáculos dramáticos vocacionados para os alunos do 9º e 12º anos, integrados no plano anual de actividades da disciplina de Português. Desta forma, enquanto os primeiros se deslocaram ao Teatro de Vila Real para assistir ao Auto da Barca do Inferno pela companhia Filandorra, os segundos tiveram a oportunidade de presenciar a dramatização de Felizmente há Luar!, pelo TEP, no Centro Cultural do Olival, em Vila Nova de Gaia.
Momento da representação do "Auto da Barca do Inferno", pela Filandorra, no auditório da escola. ( Junho de 2005)
(foto João Costa - arquivo particular)

Teatro de Vila Real ( foto: João Costa - 2010)


Felizmente há Luar! pelo TEP.