Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um dia de teatro

O dia de hoje foi preenchido por dois espectáculos dramáticos vocacionados para os alunos do 9º e 12º anos, integrados no plano anual de actividades da disciplina de Português. Desta forma, enquanto os primeiros se deslocaram ao Teatro de Vila Real para assistir ao Auto da Barca do Inferno pela companhia Filandorra, os segundos tiveram a oportunidade de presenciar a dramatização de Felizmente há Luar!, pelo TEP, no Centro Cultural do Olival, em Vila Nova de Gaia.
Momento da representação do "Auto da Barca do Inferno", pela Filandorra, no auditório da escola. ( Junho de 2005)
(foto João Costa - arquivo particular)

Teatro de Vila Real ( foto: João Costa - 2010)


Felizmente há Luar! pelo TEP.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Azevinho

No dia 19 de Fevereiro de 2010, os alunos do 8ºC foram plantar azevinhos no espaço exterior da escola em colaboração com a associação Quercus – Núcleo de Vila Real.


O azevinho, à semelhança da mãe natureza, deve ter a protecção do homem.


Informação enviada
por Dulce Mesquita

New York, New York


Memorial a John Lennon.

Por todo o mundo sobre rodas...


Mais Portugal.


A Igreja da " Guerra dos Mundos".



A Camilo em N.Y.

Fotografia: Fernando Gomes

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Concurso - Tokio Hotel

És fã dos Tokio Hotel e gostarias de os ver actuar ao vivo em Portugal? Então participa no passatempo organizado pelo Instituto de Alemão e ganha bilhetes duplos para o concerto!
Data limite: 07 de Março de 2010
Participa!
Mach mit!

Consulta : http://www.goethe.de/ins/pt/lis/ver/pt5592957v.htm

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval - Face à Arte

Sob a organização da Mediateca, um grupo de alunos do curso de Artes e alguns professores participaram no concurso e desfile de máscaras, mostrando uma outra face daquela que transportamos no dia-a-dia. Apreciemos, então, este jogo de cores, sorrisos e boa disposição.
Além da face vencedora, todas estão de parabéns.
Composição vencedora.

2º Prémio
3º Prémio


1º Prémio - Professores





Texto e imagem
João Costa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Entrevista a uma aluna universitária de Enfermagem


Na disciplina de Português, foi proposto aos alunos do 10º I realizarem uma entrevista. Optámos por entrevistar Ana Isabel Monteiro Faceira Rua, que está a frequentar o 4º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem, na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real.
A entrevista tem como objectivo dar a conhecer um pouco da vivência no Ensino Superior e as mudanças do Ensino Secundário para o Ensino Superior.


M&C: Em que medida os seus pais, familiares e/ou amigos condicionaram a escolha do Curso que está a frequentar?
A.R.: Tive um bom apoio familiar, quando disse que ia seguir o Ensino Superior. Sempre foi desejo dos meus pais que eu fosse para o Ensino Superior. Nunca disse o que é que gostaria de seguir, porque não sabia muito bem, era uma grande responsabilidade… Mas, quando chegou a altura, e eu disse que gostava de ir para Enfermagem, ficaram todos contentes como é óbvio, não é? É um excelente Curso. Alguns colegas/amigos ainda disseram “Atenção que está cheio…”, e essas coisas todas, mas ninguém me impediu. Tenho dois tios, enfermeiros, de quem me sinto muito próxima, são como uns segundos pais, com quem convivia bastante, e o seu trabalho sempre me cativou um bocadinho, digamos assim. Sempre olhei para aquilo com certo carinho. Depois, quando chegou o 12º ano e tive de escolher um curso, escolhi Enfermagem.

M&C: Sabendo que, à entrada do Ensino Superior, os alunos têm de enfrentar múltiplos obstáculos, nunca pôs em causa a decisão de seguir um Curso Superior?
A.R.: O Ensino Superior é um obstáculo por várias razões. Nó temos de ter casa, temos de ter sítio, não é? … Há Cursos que não existem na nossa cidade e há as propinas que serão sempre um grande senão, porque não são baratas. Depois também temos as exigências do Curso em si. São três factores que, se nos deixarmos afectar por eles, nos podem impedir de fazer seja o que for. Temos é que saber trabalhá-los. Por exemplo, ninguém chega ao 12º ano e se lembra de dizer de repente “Ah!!, afinal vou para o Ensino Superior!” É uma coisa que tem de ser pensada. Depois vamos vendo as opções e trabalhando de forma a podermos estar preparados para isso. Só é um obstáculo se nós deixarmos que seja. Se estivermos realmente motivados, não é.

M&C: O Ensino Secundário é já um nível de ensino exigente. Sabendo isto, não teve receio em relação às exigências que o Ensino Superior lhe viria a colocar?
A.R.: O Ensino Secundário é exigente, quando chegamos lá (risos). Aí, achamos que o Ensino Básico até era fácil… Chegamos ao Ensino Secundário e dizemos: “Ai, meu deus, o Ensino Secundário é tão difícil!”. Mas depois chegamos ao Ensino Superior e “Ai, meu deus, o Ensino Secundário era tão fácil!”. Quando frequentava o Secundário, sabia que o Ensino Superior ia ser mais exigente. Ninguém no Secundário nos vai dizer que o degrau seguinte é fácil, muito pelo contrário, os professores dizem que se o Ensino Secundário é difícil, então o Ensino Superior mais difícil é, ou melhor, mais exigente é. Apesar de tudo, não tive medo, porque era aquilo que eu queria. Sabia que não ia ser fácil, mas também sabia que não ia ter dificuldades, tive foi de ter um ritmo diferente… Se um aluno, no Secundário, tiver um ritmo de estudo regular, quando chegar ao Ensino Superior tem apenas de aumentar esse ritmo. O segredo é não pensarmos que o Ensino Superior é um quebra-cabeças. Se soubermos isto e já levarmos um ritmo de trabalho do Secundário, é só mantê-lo e reforçá-lo. Quem se esteve sempre a baldar no Secundário e, mesmo assim, conseguiu entrar numa Universidade, dificilmente irá adquirir ritmo de trabalho. O Ensino Superior é uma coisa que fazemos por nós mesmos, porque queremos, por isso a responsabilidade é nossa. Tudo o que fazemos é por opção pessoal, daí a responsabilidade que temos que assumir. Por isso é exigente, é, mas não é nenhum bicho, nem nenhum monstro.

M&C: Que diferenças encontrou entre os dois níveis de ensino – o Secundário e o Superior?
A.R.: Como respondi na pergunta anterior, o Secundário é mais fácil. Para aquela disciplina, temos aqueles livros e é a única coisa que precisamos de estudar. No Ensino Superior já não é bem assim. As aulas são diferentes (na forma como são dadas), os horários são diferentes: no Secundário, estava habituada a um horário fixo durante todo o ano lectivo. Agora, não: há semanas em que tenho bastantes aulas e outras em que consigo ter uns furos, digamos assim. A exigência é diferente, é mais… é um nível superior… O ensino é muito mais especializado e virado para uma área específica. À partida, sabemos que o Ensino Superior vai ser diferente e mais exigente. Mas se queremos atingir os nossos objectivos, não podemos desanimar logo à primeira, não é? Normalmente, o primeiro ano nunca é fácil, porque é uma grande mudança, mas uma pessoa habitua-se e acaba por conseguir lidar com essas diferenças todas.

M&C: E quanto aos métodos de ensino? São distintos dos métodos utilizados no Secundário? Se sim, quais prefere?
A.R.: Não há um que eu prefira, porque são diferentes. No Ensino Superior, temos as aulas que os professores nos dão, com uso de PowerPoint ou textos, e a bibliografia facultada; depois, orientados pela bibliografia, vamos pesquisar o que queremos. Sobretudo agora, com Bolonha, os professores dão-nos a base e nós temos de ir procurar o resto. Há um grande trabalho por parte do aluno. Essa parte é particularmente diferente.

M&C: Como são as relações entre professores e alunos?
A.R.: As relações são boas. Os professores disponibilizam-se para nos ajudar, mas o Bolonha veio exigir de nós uma grande autonomia e sentido de responsabilidade. De vez em quando, temos de nos dirigir aos professores para tirar dúvidas. Até agora, nunca tive um professor que se recusasse a responder a uma pergunta. Claro que eles não nos vão dizer onde está a solução, apenas nos ajudam a chegar lá. Um dia, mais tarde, quando estiver no meu trabalho, não vou poder pegar no telefone para perguntar “Professor, olhe, estou com uma dúvida, o que vou fazer?”. No Ensino Superior, os professores dão-nos as bases, nós temos que fazer o resto.

M&C: Em que mediada a relação entre colegas constitui um factor favorável no processo de aprendizagem?
A.R.: Se tivermos amigos, eles vão puxar por nós, não é? Um amigo que nos passe a mão pelas costas e nos diga “Pronto, não te preocupes”, não é um amigo. Amigo é aquele que nos avisa “Olha que estás a fazer asneira…”. Claro que ter amigos melhora as coisas, mas não são os amigos que vão fazer o trabalho por nós, temos que ser nós a fazê-lo. As relações… criamos amigos para toda a vida. Aquilo que se diz na Universidade é verdade: aqui, nós fazemos amigos para toda a vida, especialmente no período de estágio, que é quando nos apercebemos melhor disso. Os amigos são uma grande ajuda, mas o trabalho tem de ser essencialmente nosso.

M&C: Em que consiste a vertente prática do seu Curso?
A.R.: A vertente prática é realizada em contexto de ensino clínico, ou seja, no estágio, onde o intenso ensino clínico vai corresponder às temáticas que foram leccionadas nas unidades curriculares. Não é a matéria que eu aprendi nas aulas que vai ser trabalhada no final de cada ano no hospital ou num Centro de Saúde…

M&C: Como lida diariamente com o sofrimento dos doentes?
A.R.: Esta pergunta não é propriamente fácil (risos). Como é que se lida com o sofrimento de alguém? Tentamos fazer o melhor para aliviar esse sofrimento e às vezes basta estar disponível para ouvir o doente, porque aquilo de que muitos precisam é de alguém que os ouça, que esteja um bocadinho, cinco, dez minutinhos, a falar com eles, a ouvi-los. Há pessoas com dores, que estão em fase terminal… nunca é fácil… Mas o facto de terem alguém que lhes dê um pouco de atenção durante cinco minutos, pode significar tudo para uma pessoa doente. Claro que não podemos ir para casa a pensar no senhor x que está como está, ou na senhora y. Embora não seja fácil, nós também temos que criar defesas e saber separar as coisas.

M&C: Quando contactou pela primeira vez com um doente, qual foi a sua reacção?
A.R.: A primeira vez que me atribuíram um doente estava nervosa e ao mesmo tempo ansiosa. Acho que é normal, porque se trata de uma pessoa de quem vamos cuidar. Nesse dia temos verdadeiramente a noção da responsabilidade que é fazer uma assistência. Além disso, queremos fazer o melhor, queremos dar sempre o melhor, não é? Queremos que esse doente, e todos os outros doentes que vamos ter dali para a frente, tenham sempre o melhor que lhes podemos dar enquanto profissionais de saúde.

M&C: Recorda-se de algum doente, ou situação, que a tenha marcado particularmente? Porquê?
A.R.: Assim, de repente, não me recordo de nenhuma situação em particular, porque são tantas pessoas…mas lembro-me de uma senhora, no meu primeiro ano: quando eu e os meus colegas nos fomos embora (estávamos a estagiar) a senhora virou-se para nós, a chorar, e disse “Obrigada pela vossa atenção. Obrigada pelo carinho”. Como já tive oportunidade de referir, o que as pessoas querem, muitas vezes, é um pouco de carinho, alguém que esteja um bocadinho com elas, não é? As pessoas não têm que nos agradecer, nós estamos lá para trabalhar, mas o facto de fazerem isso, às vezes melhora o nosso dia em muitos aspectos. Quando conseguimos arrancar um sorriso de alguém que está a sofrer, a nossa auto-estima melhora, porque um sorriso não se dá de qualquer forma, sobretudo por parte de alguém que sofre.

M&C: O facto de lidar com pessoas doentes faz com que tenha uma visão diferente do mundo?
A.R.: Não, em particular. Acho que qualquer pessoa que esteja frente a frente com alguém que esteja doente fica diferente. Não começa a ver flores nem um mar de rosas em todo o lado, mas tem a noção de que, se calhar, precisa de reavaliar as coisas a que dá importância. Se vivêssemos um pouco mais o dia de hoje, em vez de estarmos constantemente a pensar no amanhã, a nossa existência seria um bocadinho melhor. Todos os dias vemos nos telejornais imagens de pessoas que sofrem, mas ver as pessoas a sofrer mesmo à nossa frente é diferente, toca-nos de tal forma que nunca mais esquecemos. Aconteça o que acontecer, vamos sempre lembrar-nos disso.

M&C: Em que medida o Curso que está a frequentar está, ou não, a corresponder às suas expectativas.
A.R.: Agora que estou no 4º ano, na fase final do meu Curso, posso dizer que está a corresponder àquilo de que eu estava à espera. Se calhar foi um bocadinho mais exigente do que esperava, exige muito de nós a vários níveis, mas sinto que as coisas correram bem e que o Curso nos prepara para o que nos vai acontecer lá fora, no mundo do trabalho. Há experiências que, claro, são independentes do Curso em si. Passámos por ensinos clínicos para que ninguém nos prepara mas, no geral, acho que o Curso nos dá as bases necessárias para podermos ser bons profissionais.

M&C: Em termos profissionais, quais são as suas expectativas?
A.R.: Uma pergunta complicada. Toda a gente sabe que a Enfermagem não está nos seus melhores dias (a comunicação social tem falado disso e recentemente houve mais uma greve). Parece haver enfermeiros a mais, os hospitais estão cheios... Quais as minhas expectativas profissionais? Não penso ficar em Vila Real, porque quero trabalhar e não vou ficar à espera de uma vaga para poder ficar em casa. O que não quero é ficar desempregada. Se arranjar trabalho por cá, óptimo, se não, paciência. Portugal é grande e o Mundo lá fora ainda maior. Vou começar a pensar seriamente em ir para fora, porque, já que tenho de sair, então que saia mesmo. Mas só quando tiver os papéis na mão a dizer que sou licenciada em Enfermagem e estiver em condições de me puder candidatar aos hospitais, Centros de Saúde e outras instituições é que realmente vou tomar uma decisão.

M&C: Obrigado pela sua colaboração e pelo tempo dispensado para a entrevista.

Cláudia Sofia Cigre Fernandes, nº 8, 10º I
Mónica Isabel Teixeira da Fonseca, nº 17, 10º I

ENTREVISTA COM A Dra. FERNANDA BOTELHO

“Se os jovens podiam viver sem filosofia? Sim, podiam. Mas não seria a mesma coisa! …”


A nossa entrevistada é nossa professora de Filosofia e Directora de Turma. A Dra. Fernanda Botelho formou-se na Universidade do Porto. Começou a leccionar aos 21 anos, tendo agora 15 anos de serviço. Escolhemos esta docente da Camilo por acharmos ser uma pessoa cuja experiência profissional pode interessar a alunos da nossa faixa etária.

Rafael e Vanessa - Nutriu desde sempre um interesse especial pela Filosofia ou despertou tardiamente para esta área do saber?
Fernanda Botelho
- O meu interesse pela filosofia nasceu da sabedoria popular, das histórias que a minha mãe me contava em criança e que me levavam a fazer perguntas. Claro que na altura desconhecia o que era a filosofia, pelo que esta é uma reflexão que só posso fazer a posteriori, mas terão sido essas histórias que me levaram a sentir curiosidade pelo saber.

RV - Houve alguém (ou algo) na sua vida que a tenha influenciado na opção pela docência e, em particular, pelo ensino de Filosofia?
FB - Já em criança gostava de brincar “às escolas”, facto que, confesso, não agradava muito aos meus amigos, que preferiam outro tipo de brincadeiras.
Como não é fácil decidir um caminho profissional, também tive as minhas indefinições. Cheguei a pensar em Direito, História, Relações Internacionais, mas o interesse pela filosofia, desenvolvido ao longo do Ensino Secundário, acabou por ser determinante. Ingressei por vocação no curso de Filosofia, mas não se tratou de uma escolha pacífica, pois sofri muitas pressões no sentido de alterar a minha decisão. O ataque de que a filosofia era alvo no plano institucional (na década de 90 chegou a falar-se da extinção da Filosofia do currículo do Ensino Secundário) fragilizava ou ameaçava o meu futuro profissional e fundamentava a opinião de amigos e familiares que contestaram, à época, a minha escolha profissional.

RV - Alguma vez pensou em leccionar outra disciplina que não fosse Filosofia? Se sim, qual?
FB - Sempre gostei muito de História, pelo que também me veria a leccionar esta disciplina. Mas a ausência de barreiras em Filosofia, o facto de não possuir um objecto de estudo bem delimitado, tal como acontece no campo das ciências, significa, a meu ver, uma mais-valia, que o professor de Filosofia deve saber aproveitar. Ainda que por vezes sejamos acusados de “falar de tudo, sem saber especificamente nada”, ou então se diga que “A filosofia é a disciplina com a qual, ou sem a qual, se fica tal e qual”.

RV - Sendo professora de Filosofia, considera que possui uma visão diferente do Mundo?
FB - Pelo menos tento… A postura de flexibilidade e abertura e a prática constante de uma atitude não dogmática deverão ser as linhas de força de qualquer projecto de vida.

RV - A nível profissional, como encara os problemas que se colocam na sua vida?
FB - Encaro os problemas como oportunidades de afirmação da liberdade pessoal e não como obstáculos intransponíveis.

RV - Já alguma vez pensou ter sido um erro ter optado pelo ensino? Se sim, porquê?
FB - Confesso que os últimos tempos não têm sido fáceis mas, apesar de tudo, considero ter feito a opção correcta.

RV - Participou em alguma das manifestações levadas a cabo pelos professores contra as políticas do governo anterior, no âmbito da Educação? Se sim, quais as razões que a moveram?
FB - Participei em duas manifestações de professores, uma de âmbito nacional e outra regional. Entendi, na altura, que os professores estavam a ser alvo da arrogância e prepotência do Ministério da Educação, incapaz de entender que é impossível efectuar quaisquer reformas sem o apoio dos professores.
Afirmações do género “Perdi os professores, mas ganhei os portugueses” suscitaram a minha indignação e conduziram-me a tais protestos.
No entanto, também considero que houve, por parte dos Sindicatos e Movimentos associados à contestação das políticas do governo anterior, erros estratégicos e excessos de linguagem, que em nada dignificaram a profissão docente. Por isso, afastei-me das contestações e decidi seguir o meu próprio caminho.
Ao fim de quatro anos de contestações e com a assinatura do acordo de entendimento entre Sindicatos e o actual Ministério da Educação, acentuou-se o meu niilismo em matéria de reivindicações sindicais…

RV - Neste momento o ensino não vive os seus melhores dias. Acha, mesmo assim, que os jovens que pretendem vir a enveredar pela docência devem continuar a alimentar o seu sonho? O que lhes aconselharia e porquê?
FB - Freud terá dito um dia que há três tarefas impossíveis: educar, governar e psicanalizar. Mas tal não o impediu de aplicar o método psicanalítico, conduzir a formação de psicanalistas e optar pelo governo inglês, em detrimento do governo da Alemanha nazi. Não quererendo enveredar por pessimismos educativos ou por pedagogias românticas, questiono: Não deverá um professor ficar contente quando um jovem adolescente afirma ter o sonho de ser professor? Por que razão, de imediato, o disssudimos de tal intento?

RV - Na sua opinião, em que medida a disciplina de Filosofia é importante para a formação dos jovens?
FB - A Filosofia tem vivido ameaçada pela possibilidade de desaparecer do currículo do Ensino Secundário, o que a meu ver seria um erro grosseiro. É evidente a existência de um certo mal-estar por parte de alguns sectores socioprofissionais, uma recusa, uma crítica e, frequentemente, uma avaliação preconceituosa da Filosofia e da Filosofia enquanto disciplina escolar.
Claro que a minha convicção é outra: a escola é o espaço privilegiado para a concretização de uma filosofia enraizada, para a concretização do papel vigilante e actuante da Filosofia na sociedade. Neste sentido, os conteúdos filosóficos a ensinar não devem constituir um fim em si mesmo, mas devem estar direccionados para algo mais, para um impacto vital na formação dos alunos.
Se os jovens podiam viver sem filosofia? Sim, podiam. Mas não seria a mesma coisa! …

RV - Acha que a Filosofia deveria ser abordada desde o 7º ano, não de uma maneira tão específica como no 10º ano, mas de uma maneira mais geral ou talvez como disciplina opcional?
FB - Defendo que a Filosofia pode e deve ser desenvolvida desde muito cedo, logo no ensino pré-escolar, com comprovadas vantagens em termos de autonomia de pensamento e sentido crítico. Matthew Lipman deu início, na década de 70 do século XX, ao Movimento da Filosofia para crianças, que inspirou muitos professores, que levaram a cabo projectos destinados a desenvolver as competências básicas de raciocínio.

RV - Há quatro anos que lecciona nesta escola. Na sua opinião, quais são os aspectos positivos e negativos deste estabelecimento de ensino em relação às condições de que dispõe para trabalhar?
FB - Quanto aos aspectos positivos selecciono aquilo a que chamo uma “cultura de escola” assente no valor essencial da entreajuda e para a qual procuro activamente contribuir.
Em termos de aspectos negativos, saliento a necessidade urgente de obras, quer no edifício principal, quer nos “provisórios, mas mais do que definitivos” anexos. A falta de salas é também um problema, que urge superar para que seja possível concretizar projectos extracuriculares, como Clubes.

Rafael Silva, nº24
Vanessa Guerra, nº27, do 10ºB
Fotografia: Rafael e Vanessa

Entrevista a ex-aluna

“vale mais não conseguir de que nunca chegar a tentar. Portanto: tentem!”

Conceição Aleixo é uma ex-aluna da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Tendo escolhido a área de Humanidades, entrou para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro no ano de 2002. Licenciou-se em Línguas Estrangeiras Aplicadas, vertente de Comunicação. Apesar de ter estagiado e trabalhado alguns anos em jornalismo, é actualmente professora de Espanhol numa escola do Porto. Esta é a nossa entrevistada.

D&V - Com que idade entrou no então chamado Liceu Camilo Castelo Branco?
R: Entrei com 15 anos.
D&V- Que área escolheu? Porquê?
R: Na altura, escolhi Humanidades, não para fugir à Matemática, mas para entrar na Universidade. Queria ir para Direito ou Jornalismo. É claro que com o tempo acabou por não ser bem assim.

D&V- Gostou de andar no liceu?
R: Muito. Foi dos melhores tempos da minha vida. Apesar dos altos e baixos, normais na adolescência, e de alguns problemas por que a minha turma passou, nomeadamente o falecimento de uma colega, consegui aproveitar bem o tempo de liceu, tanto nos estudos como no lazer.

D&V - Fez parte da Associação de Estudantes?
R: Não fiz directamente parte da A.E, visto que não fazia parte da lista, mas o meu melhor amigo sim e, no meu 12º ano, acabei por trabalhar e cooperar com a Associação.

D&V - Gostou de colaborar com a A.E.?
R: Gostei muito. Foi uma experiência diferente, e acho que é sempre importante os jovens aderirem a várias actividades, principalmente aquelas que têm um carácter organizativo e implicam o assumir de responsabilidades.

D&V- Quando entrou para a faculdade teve algum receio em relação ao curso que escolheu?
R: Bastante. Aliás, eu acho que os jovens têm de escolher a área de estudos muito cedo, o que condiciona a posterior escolha do curso. Eu escolhi Humanidades, apesar de adorar Matemática. Acabei por não entrar em Jornalismo, e entrei num curso que me pareceu mais adequado aos meus objectivos. Entrei no curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas, na UTAD, que é um curso de línguas mas com vertente empresarial, direccionado para a comunicação, mas, obviamente, tive receio de que aquilo não fosse bem o que queria.

D&V- Enquanto frequentou esse curso, em algum momento pensou mudar?
R: Várias vezes pensei nisso, mas estava a gostar do curso, portanto decidi terminar e depois tirar outro.

D&V - Do que gostou mais na Faculdade? Quais as suas disciplinas preferidas?
R: As disciplinas de que gostei mais foram aquelas que representavam um desafio maior, ou seja, aquelas nas quais era difícil tirar boa nota, tipo Direito, Inglês (último nível) e Economia. Ou seja, soube-me melhor tirar 17 a Direito de que 20 a Informática, porque foi a disciplina mais difícil do nosso curso.
Quando ao que gostei mais na faculdade, é difícil de dizer… gostei muito do que aprendi em termos curriculares, mas gostei ainda mais do que aprendi socialmente. A Faculdade faz-nos crescer muito e, é claro, gostei muito da diversão que também faz parte da vida de um estudante universitário.

D&V- Quando fez o seu estágio, como foi lidar com os alunos?
R: Eu não fiz estágio na área do ensino. Apenas fiz estágios curriculares durante o tempo lectivo, no meu primeiro ano. Mas fiz estágio em jornalismo numa revista que saía com o Jornal de Notícias. Após isso, fiz vários outros estágios também relacionados com a comunicação e o turismo. Ou seja, comecei a aprender o que é trabalhar mal entrei para a Universidade, com 18 anos.

D&V- Quando acabou o estágio, foi fácil arranjar emprego?
R: Quando acabei o curso, consegui logo trabalho, como assistente editorial numa revista de vinhos. Mais tarde, saí dessa revista e fiquei três meses no desemprego. Foi então que o ensino entrou na minha vida, ao ser convidada para dar aulas de Inglês nas actividades extra-curriculares a alunos do 1º ao 4º ano do 1º Ciclo.

D&V- Neste momento ainda está a exercer a sua profissão como professora?
R: Sim, este ano fiquei colocada numa escola no Porto, a leccionar Espanhol.

D&V- Teve algumas dificuldades em ensinar e lidar com os alunos?
R: Sim, eu passai quatro anos a trabalhar em jornalismo, e quando comecei a dar aulas, como não tinha formação em ensino, foi complicado.

D&V- Prefere leccionar no Básico ou no Secundário?
R: Depende das turmas. Infelizmente, o mau comportamento e o desinteresse existe quer no Básico, quer no Secundário. Mas, quando os alunos sabem o que quer em relação ao futuro e são ambiciosos, é possível criar um bom ambiente de trabalho e construir uma relação de amizade entre professor e alunos. No Secundário, devido à minha idade, tenho de ser mais firme no início, mas depois consigo conquistar a confiança dos alunos, muitos dos quais têm quase a minha idade.

D&V- Como é leccionar uma língua estrangeira?
R: Por vezes não é fácil. O Inglês é uma disciplina em que os alunos sentem muitas dificuldades, e o Espanhol é uma disciplina relativamente nova em termos curriculares e pouco divulgada. Para além disso, como a nível fonético é parecida com o Português, há a tendência de se pensar que é fácil, e não é bem assim...

D&V- Quais são os seus objectivos para o futuro?
R: Neste momento estou a tirar o Mestrado em Ensino de Inglês e Espanhol, o que me vai dar habilitação própria para leccionar. Mas quero também tirar outro curso.

D&V- Actualmente, muitos professores estão sem colocação. Tem receio de ficar desempregada?
R: Por enquanto não, visto que há poucos professores de Espanhol, mas continuo a trabalhar para ter cada vez mais opções e evitar o desemprego.

D&V- Tem preferência por alguma escola? Porquê?
R: Eu gosto muito da escola em que estou e não me importava de ficar lá novamente no próximo ano lectivo. Mas, se for outra, não me importo. Gosto de desafios.

D&V- Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário?
R: Aconselhava-os a serem ambiciosos (que é o que falta actualmente) e a não se contentarem com o mínimo; a trabalharem e não desistirem daquilo que querem. Não aceitem o Não. Como costumo dizer, vale mais não conseguir de que nunca chegar a tentar. Portanto: tentem!

Daniela Mourão, nº11, 10º I
Virgília Camões, nº22 , 10º I
Fotografia: Virgilia Camões

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Entrevista a um antigo aluno

“Foram anos importantes que ajudaram a definir a pessoa que sou hoje.”

Antigo aluno da escola Camilo Castelo Branco, de Vila Real, sempre ligado às raízes escolares que lhe forneceram os ensinamentos de suporte para a vida, Sérgio Reis, de 22 anos, falou-nos um pouco do seu percurso escolar e profissional.

J&T - Como antigo aluno do Liceu, que recordações levou desta escola?
-
Essencialmente boas recordações. Relembro a maioria de todos os professores e funcionários, que ainda hoje me cumprimentam e me conhecem, e especialmente a memória de todos os amigos/as que fiz durante a minha passagem pela escola secundária. Foram anos importantes que ajudaram a definir a pessoa que sou hoje. Tentei aprender com todos e a retirar o melhor de cada um. Todos os professores foram importantes na minha formação e todos os meus colegas me ajudaram a crescer. Sem dúvida que passei muitos momentos divertidos durante esses anos.

J&T - Já teve oportunidade de visitar a escola? Acha que algo poderia ser melhorado?
- Já tive oportunidade de visitar a escola após a minha saída e penso que ela tem melhorado a nível das condições. Na minha opinião, ao nível de estruturas é das melhoras escolas das proximidades e penso que actualmente está ainda melhor. Em relação a esta questão, penso apenas que a possibilidade de as turmas serem menores poderia ajudar a melhorar os resultados. De resto, penso que os alunos têm todas as condições para atingir um bom nível de ensino.

J&T - Seguiu para a universidade?

- Sim, posteriormente ao Secundário segui para o Ensino Superior, tendo entrado na UTAD, por opção pessoal.

J&T - As bases que adquiriu no Secundário foram adequadas às exigências do Ensino Superior?
- Por culpa minha, talvez não tenham sido as mais adequadas, uma vez que queria seguir Letras e não optei por essa área no Secundário, apesar de ter tido essa hipótese. Mas penso que, de uma ou outra forma, todos os professores me ajudaram. Como é natural, uns mais que outros, mas todos conseguiram despertar em mim o hábito de estudo que me tem sido muito útil e indispensável no meu curso. Por isso encontro-me agradecido a todos eles. E tendo em conta o que vejo na universidade, penso que o Ensino Superior necessitava de muitos deles.

J&T - Que curso está a frequentar?
- Sou finalista do curso de Ciências da Comunicação.

J&T - Qual é a profissão que pretende exercer no futuro? Porquê?
- Neste momento já estou a estagiar como jornalista. É a profissão com que sonhava quando era mais novo, a par de jogador de futebol (risos), e por isso estou motivado por as coisas estarem a correr bem. Porquê? Porque acho que os profissionais desta área desempenham um papel fulcral na sociedade actual, porque a comunicação sempre me despertou muita curiosidade e porque dizem que tenho jeito (risos).

Texto:
João Moreira, Nº17, 10ºB
Tiago Relvas, Nº25, 10ºB