Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

João Duns Escoto

À boleia da visita de Bento XVI ao Reino Unido, evoco, hoje, a figura de João Duns Escoto, eminente filósofo/sacerdote/professor da segunda metade do séc.XIII e início do séc.XIV, provavelmente nascido na fronteira da Escócia, na vila de Duns, personagem determinante nos debates da Reforma que tiveram protagonistas como Lutero e Calvino, conhecido como “doutor subtil”, e cujo excesso desta última qualidade – a subtileza – o terá afastado do (re) conhecimento da generalidade do público.
No entanto, vale a pena pensar nisto: se Escoto foi determinante para os debates posteriores – “durante a Reforma, os debates entre Lutero e Calvino e os seus adversários católicos tiveram como pano de fundo, fundamentalmente, teses escotistas pretensamente verdadeiras”, escreve Anthony Kenny, no volume de Filosofia Medieval, da sua Nova História da Filosofia Ocidental, que a Gradiva vem editando, entre nós – como explicar que os manuais e as aulas de História – nomeadamente no Ensino Secundário - omitam o seu contributo, silenciem os seus escritos, ignorem que polémicas seguintes resultaram da ancoragem em postulados seus? Mais uma vez, a formação dos docentes, a qualidade dos manuais, a indagação última dos fundamentos dos problemas colocados aos alunos ficam em equação. E se, hoje, a filosofia é parente pobre dos currículos escolares, que pensar de qualquer melhoria futura, quanto ao conhecimento mais aturado de outros autores, de outras teses fundamentais? É também desafio a pais e alunos: um cepticismo prudente deverá levar os mais exigentes a seguir novas leituras, a consultar outras obras, a nunca se contentar na procura irrenunciável do autêntico conhecimento: a escola não basta.
De regresso a Escoto, é, ainda, indispensável dizer que “a estrutura na qual Descartes faria assentar os fundamentos da filosofia moderna era, em todos os aspectos essenciais, uma construção erguida em Oxford, por volta de 1300” (A.Kenny). Espaço e tempo onde situamos Escoto. Depois de Oxford, Duns Escoto iria para Paris, à época a principal universidade – que Oxford, então, pretendia mimetizar (dado também curioso, à luz dos rankings universitários actuais…o que mostra como a Terra se move).
Um ponto liga umbilicalmente a viagem de Bento XVI ao Reino Unido (quer nos seus discursos, quer na aceitação mediática da mesma), à evocação de Escoto, à história da filosofia, e, em particular, à filosofia medieval: a necessidade de, sem cessar, questionarmos o bem fundado dos nossos preconceitos, submetê-los à razão e verificar se se justificam. O agnóstico Anthony Kenny reconhece que “havia nos meios académicos a crença generalizada de que a filosofia medieval não merecia ser estudada. Via de regra, esta crença não se baseava em qualquer conhecimento próximo dos textos importantes: era algo mais parecido com uma herança não questionada de um preconceito religioso ou humanista”. E, no entanto, “o estudo da filosofia foi mais profissionalizado durante a Idade Média do que em qualquer outro dos tempos anteriores ao nosso”. Mais: “o quarto de século que separa a Summa Theológica de Aquino, da Lectura de Escoto foi um dos períodos mais importantes da história da filosofia”. E sobre geografia, uma outra lição: “uma história da filosofia ocidental da Idade Média tem de incluir filósofos que não são «ocidentais» em nenhum dos sentidos que o termo tem modernamente, pois as fronteiras da Europa Latina medieval eram, felizmente, porosas a influências do mundo muçulmano e das minorias que viviam no seu seio. A influência de versões latinas de textos de Avicena e Averrois na grande escolástica não foi menor que as obras dos seus predecessores cristãos”.
Registar, igualmente, o trabalho paciente e rigoroso, inevitavelmente longo, que guardar e fixar um texto e um pensamento, proceder a uma verdadeira edição crítica, reclama: “em 1938, a ordem dos Franciscanos criou, em Roma, uma comissão de especialistas com a finalidade de produzir uma edição crítica das obras de Escoto. Este importante texto seria publicado pela imprensa do Vaticano entre 1950 e 1993, com o título Lectura I-II. O volume Lectura III, publicado em 2003, corresponde, com grande probabilidade, ao curso dado por Escoto, em 1303, em Oxford, após se ter exilado em Paris”. Hoje, os estudiosos do pensamento medieval e, especificamente, de Escoto, os filósofos ou teólogos que a ele se dedicam, recorrem, sem qualquer objecção ou obstáculo, à edição do Vaticano. Quanto ao curso ministrado no início do séc.XIV, ficamos ainda a saber que “na Idade Média, um curso universitário adquiria a sua forma definitiva quando o professor comparava os seus próprios planos das lições com os apontamentos dos alunos e fundia estes materiais num texto único e aprovado, conhecido por Ordenatio”.
De entre as asserções de Duns Escoto, reflectidas por (e à luz de) Kenny, gostaria, neste curto espaço, de partilhar a sua ideia acerca da felicidade, deixando-a à consideração do ouvinte. Escoto concorda com Aristóteles e São Tomás de Aquino em que os seres humanos têm uma tendência natural para procurarem a felicidade (affectio comodi), mas, indica, além disso, uma tendência natural para a justiça (affectio iustitiae). “A propensão natural para a justiça é uma tendência para obedecer à lei moral, independentemente das consequências que isso tenha para o nosso bem-estar” (como que a ideia de imperativo categórico, avant la lettre). “A liberdade humana consiste no poder de pôr na balança as exigências incompatíveis da moralidade e da felicidade”. Para lá do questionamento da real incompatibilidade de termos proposta, para aquele que foi Presidente da Academia Britânica, “Escoto tem certamente razão quando sustenta que a própria felicidade não é o único desígnio possível na vida. Uma pessoa pode planear a vida de modo a estar ao serviço da felicidade de outrem ou da promoção de uma determinada causa cujo triunfo seja pouco provável no decurso da sua vida. Uma filha pode prescindir da perspectiva de casar, de ter uma companhia agradável e de uma carreira criativa para dar assistência a um familiar acamado. Afirmar que essas pessoas procuram a sua própria felicidade porque estão a fazer o que querem fazer não é convincente”. Note-se como aqui está em causa a própria noção de altruísmo como (im) possibilidade - a negação da mesma vê o altruísmo como forma particular de egoísmo. Talvez os que neguem o ser do altruísmo tenham lido Sartre e pensem o amor como forma de coisificação do outro, determinando, pois, que o inferno são os outros. Talvez quem tenha lido Pascal Bruckner pense que se pode estar num estádio contrário ao de Perpétua Euforia e que, em muitos casos, os amigos, a família, o outro são o apelo irrecusável, maior mesmo do que a felicidade própria. E essa liberdade de escolha (de vida) não deve ser tiranizada, desde logo pela sua ridicularização.

Pedro Seixas Miranda

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Continuar

Continuar é a arte da esperança,
É a obra do coração.
É a obra da coragem.
Apenas o verdadeiro esperançoso continua,
Continua na esperança não de acabar,
Mas apenas de continuar.
Apenas o verdadeiro amante continua,
Continua na esperança não de acabar,
Mas apenas de continuar
A amar.
Apenas o verdadeiro corajoso continua,
Continua na esperança de continuar,
Mas sabendo que mais tarde ou mais cedo, irá acabar.

André Machado, 11ºB

Dia europeu das línguas

Irão decorrer algumas actividades para comemorar este dia. Posteriormente, divulgaremos esses trabalhos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FÉRIAS E TRABALHO

Nas viagens que as férias por vezes propiciam, há quem aceite integralmente o menu disponibilizado pela agência onde tratamos de tudo, pelos guias oficiais, pelos locais obrigatórios, onde serão vistas e ouvidas as imagens e palavras obrigatórias e indispensáveis. Há quem preferira a aventura solitária, mais ou menos programada, à descoberta de locais virgens que o folheto turístico deixa de lado e com que se surpreende os que por ali passaram sem terem visto. Há quem prefira a terceira via e encontre um equilíbrio perfeito entre as duas tendências anteriormente descritas. Mas muitos menos serão, creio, aqueles que, em férias, quando se deslocam a uma cidade/vila/aldeia o fazem para…ver trabalhar. Surpreendido?
Aceitemos a sugestão de Alain de Botton (Alegrias e Tristezas do Trabalho) e pensemos nessa categoria especial que são os observadores de navios cargueiros. Pensem bem neste prazer: ir a uma cidade, em busca de um porto, para, sem qualquer finalidade ou utilidade (eminentemente prática), perceber, estudar, captar, minuciosamente, todos os passos, tudo o que diz respeito a estes navios. Como um coleccionador.
Porque há tão poucos interessados em descobrir os segredos dos navios cargueiros? Botton não é supérfluo na explicação: “tal não se deve apenas ao facto de serem difíceis de localizar e assustadoramente difíceis de identificar. Algumas Igrejas de Veneza também se encontram situadas em locais recônditos, o que não impede que sejam visitadas por um grande número de pessoas. O que torna os navios e os portos invisíveis é um preconceito descabido que leva a que se considere peculiar expressar sentimentos fortes de admiração por um petroleiro ou por uma fábrica de papel, ou, na realidade, por quase todos os aspectos do mundo do trabalho”.
Por isso, os que correm os museus de nome para dizerem que lá estiveram, que por lá passaram – como dizia Carrilho, muito na senda de Lipovetsky, quando tudo é cultura então nada é cultura, e hoje o desconhecimento da grande cultura e, simultaneamente, a sua veneração é uma marca do tempo – não se julguem em outro patamar quando comparados com os observadores de navios. Bem pelo contrário: “Como parecem frívolos os frequentadores de museus, quando comparados com eles, na procura impaciente da cafetaria, na atracção que sentem pelas lojas de recordações, na prontidão com que utilizam os assentos. Muito raramente alguém terá passado duas horas sob uma chuvada intensa diante de Hendrickje banhando-se no rio munido apenas de uma garrafa-termo com café para se aquecer”.
Estes observadores de navios cargueiros são, ainda, detentores de uma resistência psicológica anti-mundana que os faz especialmente atractivos a quem não verga perante todas as normas comunitárias/culturais/societárias: “tão-pouco receiam parecer excêntricos quando a sua curiosidade o exige. Não hesitam em se agachar para poder observar os propulsores dos navios. Adormecem a pensar em que ponto do oceano é que um determinado petroleiro se encontrará naquele momento. O poder de concentração destas pessoas lembra o de uma criança pequena que pára no meio de uma rua de comércio muito movimentada e se baixa para poder examinar, com a atenção de um erudito bíblico que folheia as páginas de um livro em pergaminho velino, um resto de pastilha elástica colado ao pavimento ou o modo de fechar da algibeira do seu casaco. Também são como as crianças pequenas a maneira como fazem tábua-rasa das ideias convencionais sobre o que poderá constituir um bom emprego, valorizando sempre o valor intrínseco de uma profissão, sobrepondo-se aos benefícios relativos em termos materiais, considerando que a função de operador de guindaste num terminal de contentores é particularmente invejável em virtude da posição vantajosa que lhe permite um bom posto de observação dos navios e docas”.
Talvez a paixão sobre a qual vimos falando pareça agora, a uns tantos, um impulso vanguardista. Do que se trata, ao invés, é de um regresso ao passado: “o passatempo dos observadores de navios remonta aos hábitos dos viajantes anteriores à época moderna, que, quando chegavam a um novo país, tinham tendência para mostrar uma curiosidade muito particular pelos seus celeiros, aquedutos, portos e oficinas, convictos de que a observação do trabalho podia ser tão estimulante como assistir a qualquer coisa num palco ou observar o mural de uma capela”.
Não é apenas nas próximas férias e revisão do seu conceito que falamos: falamos, sobretudo, do repensar o trabalho – aqui concebido em forma de beleza, seu valor intrínseco e, no homem, como continuidade da Criação.

Pedro Seixas Miranda

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Partida

( Clique para aumentar)
Enviado por Paulo Santos

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cerimónia de Entrega do Diploma e Prémio de Mérito

Dr. Vitor Lousada no discurso de abertura.

O local do reencontro e da cerimónia.

12ºA

12ºB

Drª Fátima Manuela, Directora da Escola, e Francisco António Nogueira Gonçalves, Prémio de Mérito.

12ºC

12ºD

12ºE


12ºF

12ºG

12ºH

12ºI

12ºJ



Drª Fátima Manuela, Directora da Escola, e Tânia Elisa Carvalho Correia, Prémio de Mérito ( Curso Profissional ).
Felicidades a todos
Fotos e legendas: João Costa

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dia do Diploma

Dia 8 de Setembro, pelas 10 horas, decorrerá a cerimónia de entrega dos Diplomas relativos aos cursos do ensino secundário terminados no ano lectivo 2009-2010.

sábado, 21 de agosto de 2010

Palavras

OS SONS ANDAM NO AR
À ESPERA DE QUEM OS AGARRE,
VOU GUARDÁ-LOS NAS PALAVRAS
À PROCURA DA MÚSICA DOS MEUS SENTIDOS.


torce por isso

torce por isso,
não vá o enguiço,
fazer-te submisso
e de improviso
sem lei nem siso
pernicioso juízo
riso indeciso
toque impreciso
ledo sorriso,
prolixo
sem compromisso
estaladiço,
sem fé nem juízo
falta de aviso
conciso
torce por isso!

Toque impreciso

A. Andrés

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Fotografia

Os Abandonos do Verão!
Nota: Este cão é muito bem tratado. O seu olhar de tristeza dirige-se a todos que o não são.
Obrigado, Simba, pela foto e pelo olhar.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Miguel Torga

Busto do poeta junto ao que resta do Negrilho, na praça central de S. Martinho de Anta.

12 de Agosto, aniversário do nascimento de Miguel Torga.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ivan Lins

Teatro de Vila Real, em 7 de Agosto de 2010.

domingo, 8 de agosto de 2010

Alternativas

Um céu de energias.
Foto: João Costa
Data: 7 de Agosto de 2010.
Local: Algures no Alvão
Nota: Depois de um dia de incêndios.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nessebar


Nessebar - Bulgária
Património da Humanidade

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cristina Branco


Fotos de João Costa
Cristina Branco - Auditório Exterior - Teatro de Vila Real
17-07-2010

A casamento e baptizado...

Protagonista de um jantar de confraternização da comunidade escolar realizado no dia 8 de Julho. Pela ousadia de ter invadido o espaço sem ser convidado e ter realizado alguns voos mais acrobáticos junto de pratos, talheres e afins, ficou retido (até novo voo de recuperação), num copo vazio (para sua desgraça). Como não recuperou, foi expulso do recinto. Espera-o agora uma Nova Oportunidade, num próximo encontro.
Texto e imagem: João Costa

Sargacinha

Flor da sargacinha (Alimium calycinum L.)
Foto de João Costa
Local: Vila Velha - Vila Real
Data: 28-06-2010

Céu da Bila

Vila Real
20-7-2010
21.30
Foto: João Costa

EDUCAÇÃO COMPORTAMENTAL

A nossa sociedade é regida por pessoas que têm grande poder, e a autoridade é uma simples fonte de poder. É a base de qualquer tipo de organização hierarquizada, sobretudo no sistema político. Transmite a mensagem de ordem sem dar razões ou algum argumento de justificação; e os indivíduos, sujeitos a esta autoridade, aceitam e obedecem sem questionar.
Quando alguém resolve abusar do seu poder de autoridade e usa critérios particulares para fazer valer a sua vontade, muitas vezes é pessoal e não baseada em critérios justos. Alguns exemplos disso são o abuso da autoridade com base na mesma ou no preconceito; políticos que acham que podem tomar decisões de autoridade sem consultar democraticamente o povo que os elegeu, não percebendo que só têm essa autoridade, porque foi o povo quem os colocou lá e, por conseguinte, deve-lhes explicações. Tipicamente, o abuso de poder é uma forma de ditadura. O poder dos pais sobre os filhos na família, o professor sobre os alunos na escola, o poder de um empresário sobre os seus funcionários, o poder de um chefe militar sobre os seus soldados, entre outros, são também alguns desses exemplos.
Devido à educação e a outros factores, as crianças mimadas tornam-se caprichosas e pouco sociáveis. Isto há-de trazer-lhes problemas de aceitação entre os amigos na escola, e irá dificultar a sua maturidade psicológica. A criança que é bem aceite pelos companheiros, pelas suas qualidades pessoais, tem uma grande percentagem de probabilidade de um bom amadurecimento psicológico no futuro.
No então, o castigo é inevitável, pois é moralmente impossível que as crianças não cometam alguma falta. O castigo deve facilitar à criança o caminho da honradez, da obediência, da aplicação, etc., para fazer dele um homem moral. O castigo, mais do que para pagar pela falta cometida, deve servir para a correcção. Para que assim seja, não é necessário que a criança reconheça a falta e a justiça do castigo. O castigo tem muito mais valor quando a criança o aceita voluntariamente, ou quando é ele mesmo quem o impõe.
É preciso ter tacto para corrigir com eficácia. Pouco se consegue com apenas ferir e humilhar. É preciso despertar o sentido da própria estima. Uma correcção eficaz deve deixar sempre aberta uma porta à esperança de superação.
Se é importante para uma boa educação saber manejar o castigo, não o é menos, saber utilizar um elogio. A recompensa pedagógica pode revestir-se de muitas formas: um olhar de aprovação, um gesto carinhoso, uma palavra, a concessão de uma autorização desejada, uma prenda, etc. Mas também não se deve ser excessivo nos prémios e louvores, pois perderiam eficácia e correr-se-ia o perigo de tornar a criança egoísta, levando-a a fazer o bem apenas com intenção de ganhar o prémio e a recompensa.
O estímulo é mais eficaz que a repreensão. A criança não deve ser demasiado mimada, pois toda a arte da pedagogia consiste em saber sorrir e dizer não aos filhos no momento certo e da maneira exacta. Caso contrário, as crianças mimadas em vez de se tornarem pessoas adultas maduras e preparadas para as dificuldades da vida tornar-se-ão adultos bebés, pois nunca crescerão ao ponto de serem independentes e granjearem amizades e laços com outros. Nunca saberão lidar com os problemas de uma forma positiva e consequentemente ultrapassá-los. Assim, essas pessoas irão tornar-se egoístas e centrar-se-ão somente na sua vida e nos seus próprios objectivos.
A palavra egoísmo é derivada de um ego doentio que faz com que a pessoa passe a pensar apenas em si mesma, a desconsiderar os pontos de vista dos outros, valendo-se, unicamente, do que entende e acredita como sua, a verdade. Sendo assim, é incapaz de se colocar na posição e situação de outrem, de agir de forma desinteressada, já que os seus pensamentos, sentimentos e atitudes são sempre voltados para a satisfação dos seus próprios interesses.
O egoísta traz dentro de si a necessidade urgente de ser sempre o melhor em tudo que faz, de ser a pessoa mais interessante do grupo a que pertence, de obter o sucesso incondicional em todos os seus empreendimentos. É sempre movido por más intenções, sente inveja dos outros, cobiça as coisas alheias e, por isso, não hesita em buscar sempre uma forma de destruir aquele que escolheu como “rival”, utilizando inúmeras artimanhas, que não apresentam moral. Odeia ser contrariado. Para se afirmar como pessoa, necessita vencer, a qualquer preço e, para atingir seu objectivo, não apresenta o menor escrúpulo ou remorso em utilizar mentiras.
Trata-se de um ser humano que está sempre voltado para a conquista do poder, pouco se importando com a forma como ele poderá ser conseguido; pensa e age de forma racional e nunca permite ser levado pelas emoções; não se preocupa jamais com os danos e prejuízos que possa causar a quem quer que seja. Deduz que é um ser predestinado ao sofrimento, pois, pouco aprende com a dor e com o sofrimento, já que as suas escolhas são normalmente ditadas pelo seu ego centrado apenas em si mesmo, não sendo capaz de se envolver e de desenvolver sentimentos maiores e positivos, como a solidariedade, a fraternidade e a humildade.
Conviver com as diferenças é um desafio inerente a todo o ser humano. Para se criar, crescer e aprender, todo o indivíduo precisa que outra pessoa lhe ensine as práticas da vida como comer, andar, falar, etc. A educação comportamental tem um grande papel na criação da pessoa como ser humano. Nenhuma pessoa é uma "ilha" para viver isolado do resto mundo, portanto conviver com outros seres humanos é necessário, surgindo então o desafio de se conviver com as diferenças, pois não existe uma pessoa igual à outra, cada indivíduo é único no universo.
É certo que o desafio de conviver com as diferenças é uma tarefa árdua, mas precisa ser encarado como uma necessidade humana, pois ao respeitar o próximo, certamente abriremos espaços para que as nossas diferenças também sejam respeitadas. Ao entender e compreender o outro, abrimos uma porta para que a outra pessoa também tente entender e compreender-nos.
É preciso que entendamos que cada pessoa tem a sua forma de ser, as suas particularidades são o que a torna diferente das demais pessoas, portanto essa pessoa não é obrigada a ver a vida da mesma maneira que nós. O outro tem o direito de ver a vida, e avistar situações de uma maneira diferente da nossa.
Quando aprendemos a entender o outro como um ser que tem gostos, experiências e sentimentos peculiares, que são diferentes, mas não menos nobres e importantes do que os nossos. Quando aprendermos a enxergar o outro como um ser diferente, mas especial, teremos então um mundo mais justo, de igualdade e com menos violência, e consequentemente pessoas mais felizes.

Texto de
Marina Ribeiro, EFA C7;CLC
Enviado por A.Andrés

quinta-feira, 15 de julho de 2010

15 de julho

REFLEXÃO SOBRE A EDUCAÇÃO

Nos dias de hoje, é cada vez mais difícil impor disciplina a uma criança por parte dos pais. São estes que servem como base para a aprendizagem da criança sobre o que é aceitável ou não, e para tal têm de se mostrar compreensivos, mas ao mesmo tempo firmes, como mestres de si próprios. Decerto que essa imposição é dolorosa, pois são exercidas em momentos em que se sente a angústia da criança, mas o mais importante é verificar que após este momento se está num bom caminho. Deve-se recuperar o sentido da transmissão de gerações dos valores familiares. É necessário, para as crianças, terem referências seguras dos pais, para deste modo se poderem orientar na construção da sua personalidade. Por se dar neste momento demasiada liberdade às crianças de tenra idade, muitos jovens não respeitam os limites e valores da sociedade em que estão inseridos, fazendo asneiras e transgredindo as regras impostas. São estas crianças mimadas que podem levar a um futuro cheio de adultos com pouca maturidade. Assim, transformam-se em pessoas egocêntricas, considerando que tudo gira ao seu redor, preocupando-se apenas com o que lhes apetece. Diante disso, utilizam o ego para satisfazer as suas necessidades, que são meramente superficiais e não passam de simples desejos. Durante a fase em que frequentam o ensino escolar, não se sentem estimulados para o estudo devido à sua falta de interesse, e por esse motivo não adquirem competências ao nível linguístico e científico. Desse modo, não têm bons resultados escolares, e por vezes vêem como uma hipótese o abandono escolar. No meu ponto de vista, é necessário impor alguma ordem desde cedo, fornecendo os valores morais desde a fase da infância.

Rute, EFA C7, CLC

Enviado por Arinda Andrés