Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DIZEM QUE É CORAGEM

Dizem que é coragem. Que é coragem a Elisabete, de 11 anos, só beber meio copo de leite por dia, com sede de mais. Dizem que é coragem. Que é coragem a Elisabete e a irmã viverem numa casa insalubre, húmida, propícia a todo o tipo de doenças. Dizem que é coragem. A Elisabete e a irmã terem mudado, entretanto, para casa dos avós, onde mora a tia e a outra tia, e o tio e o outro tio. E o cão. Dizem que é coragem. A Elisabete continuar na escola, no quarto ano aos 11 anos, depois de ter chumbado. Chumbado de faltas, também, daquelas em que fica(va) em casa a tomar conta da irmã. Dizem que é coragem. O Ricardo, de 13 anos, ver os cereais a esgotarem-se, à espera que a mãe traga comida da Igreja. Dizem que é coragem. O Ricardo tomar banho uma vez por semana, em casa da madrinha, porque não há dinheiro para o gás, em casa, durante a semana. Dizem que é coragem. O Ricardo ter por sonho ser operado à anca. Dizem que é coragem. O Vítor, de 8 anos, ir buscar comida ao Banco Alimentar Contra a Fome. Dizem que é coragem. O Vítor ter vivido numa barraca, com buracos no tecto e água a entrar pelo chão. Dizem que é coragem. O Vítor ter por sonho ter uma bola de futebol. Dizem que é coragem. A Ana, de 10 anos, não ter ido à praia, este Verão, por a mãe não ter dinheiro para o bilhete de comboio. Dizem que é coragem. O Tiago, de 9 anos, viver no mesmo quarto dos pais e irmãos, no qual quem se levanta primeiro tem mais hipóteses de primeiro pisar o outro, sem querer. E o Tiago para quem a colecção de cromos do Mundial ficou para o Brasil 2014.
Dizem, e dizem os comentadores, os fiscalistas, os economistas, os especialistas e os experts, todos os istas que passam na tvcabo que por acaso não há em casa da Elisabete, do Ricardo, do Vítor, da Ana e do Tiago que assim não ouvem tão sábias criaturas, que houve coragem em reduzir as despesas. Não sei se os istas, não sei se os bárbaros de que falava Gasset, se apercebem de que as despesas são também com as famílias que ganham mais de 628€ e deixam, agora, de receber abono de família; ou com os que ganham menos de 420€, e que recebiam 43€ por cada filho com mais de um ano, e vão deixar de receber, pelo menos, esse exacto montante; ou, ainda, que os que recebem, em média, 88,92€ de RSI vêem, com apreensão, os cortes em 20% neste instrumento de uma reduzidíssima mitigação da pobreza. Sei que os istas, se conhecessem a Elisabete, o Ricardo, o Vítor, a Ana e o Tiago não falavam assim.
Dizem que a melhor, ou mais eficaz forma de demagogia é trazer casos concretos e generalizar. Em Portugal, há 23% de crianças pobres. Não se trata de generalizar, em nome de qualquer meia-dúzia de casos concretos. Trata-se de dar nome e de personalizar, o que alguns gostam de tratar em gráficos e estatística. Houve coragem, sim, mas por parte da revista Sábado, que este fim-de-semana publicou uma reportagem de leitura obrigatória. Que é mais um murro no estômago da cidadania, e honra o jornalismo. Responsabilize-se quem permitiu que chegássemos aqui, desde logo. E, se estamos realmente preocupados com os desvalidos, apoiemos plataformas políticas – para além das ajudas particulares - que procurem não apenas na denúncia, mas na construção de soluções, que este grupo de pessoas não sofra ainda mais. Que isso se faça já, relativamente a este orçamento de Estado. Que se negoceie em nome deles e por eles. Que não se recuse toda e qualquer negociação em nome de uma virgindade política que não ajuda a resolver nenhum problema, nem, por outro lado, em nome de um tacticismo obsceno.
Uma antropologia em que a primazia do outro fosse uma realidade, trar-nos-ia, diariamente, a epifania do rosto do indigente (para citar Levinas), o outro que é estrangeiro, órfão, viúva, pedinte, o outro que me olha de cima, que exige e tem direito a exigir. Nas relações interpessoais e na vivência política, não devemos esquecer a advertência de Gevaert (em O Problema do Homem): “Sejamos concretos: amar um ser humano significa fazer o possível para que ele possa comer, vestir-se, ter uma casa, aceder à educação e à cultura, ter segurança social e desenvolver livremente as dimensões fundamentais da existência. Nenhum amor autêntico pode esquecer que o ser humano tem um corpo, é indigente e é chamado a realizar-se no mundo com os outros. Por isso, o amor cria também estruturas de direito e de justiça”.
Longe das egologias que centram o homem em si (mesmo), na sua consciência, na sua relação com a matéria; longe dos colectivismos, onde o EU não passa de uma peça numa engrenagem e está despersonalizado em função de uma grande sociedade, o TU é o caminho de cumprimento do homem-ser-com-e-para-os-outros-necessitado-de-amar-e-ser-amado. Muitas das nossas discussões públicas deviam partir da antropologia que temos subjacentes: que é para ti o homem? Para Adriano Moreira, texto tão lúcido ainda esta semana no DN, o homem ocidental, se quer dar lições noutras/para outras paragens, tem que começar por se concretizar agora e aqui. E isso passa, e cito-o, pela aplicação da “principiologia do Estado Social”. Quem conhece o pensamento democrata-cristão não se espanta que na memória do tempo de vésperas de um dos últimos moicanos – como explica Tony Judt – a Bragança dos meninos descalços a irem para a escola na neve invernosa, não seja modelo a imitar tantas décadas depois.


Pedro Seixas Miranda

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Día de la Hispanidad


La tortilla ... ¡ que maravilla !

domingo, 10 de outubro de 2010

POLÓNIA

Excelente iniciativa do grupo de estudos alemães da UTAD: a proposta de reflexão sobre a Polónia, através de uma exposição sobre o movimento Solidariedade (patente, até finais de Outubro, nos Paços do Concelho e, mais tarde, na biblioteca da UTAD), a conferência que teve lugar na semana que passou, na universidade, sobre a mudança/transição/conversão da Polónia à UE e suas regras político-económicas, o ciclo de cinema polaco previsto para o teatro municipal entre Janeiro e Fevereiro e, ainda, o programa de rádio, nesta casa, dedicado àquele país – a ir para o ar em Dezembro - mostra um grupo de estudos alemães atento a um conjunto muito importante de realidades: a necessidade da universidade não ser uma ilha, antes devendo comunicar – mostrando o melhor – sobre uma dada cultura, as questões prementes de uma época, ajudando, assim, a qualificar o espaço público; a urgência de reflectir sobre um tempo, ainda próximo, que significou muito de reconfiguração do mapa europeu, suas lutas, economia, mentalidades, combate cultural (e a proximidade temporal com os factos faz com que eles ainda não estejam suficientemente explorados nos manuais de história, no ensino secundário, pelo que, por exemplo, a ignorância do movimento solidarnosc é quase total entre a população universitária); a percepção de que a parte Oriental da Europa, em virtude do expansionismo estalinista, tornou-se reduto quase impenetrável e insondável para os ocidentais europeus (um desconhecimento mútuo que durou cerca de meio século); a compreensão de que o movimento erasmus está a ser determinante neste reencontro, contribuindo, decisivamente, iniciativas como esta, para nos ambientarmos com outra naturalidade (o outro passa a ser um não total desconhecido); a constatação de que Vila Real deve receber com hospitalidade e conforto os alunos polacos e, também, com eles, poder aprender.
Na experiência recente polaca, poderemos notar como a maturidade da sociedade civil foi indispensável para que a solução de liberdade pudesse emergir de modo não violento: o primeiro regresso de João Paulo II a casa teve uma reacção contida, mas desembocaria mais tarde, um ano depois, na criação do movimento solidarnosc (o solidariedade) de resistência – mais do que política, cultural – ao regime comunista; como um movimento sólido, com fundamentos claros e apoio societário é exemplo e pode contagiar países vizinhos: foi assim que sucedeu, com o sucedâneo movimento Sajudis, na Lituânia; como a memoria é um ingrediente extremamente interessante de racionalizar: desde o museu Solidarnosc, à perseguição daqueles que foram membros do regime comunista e passaram para a função pública do novo regime, até sondagens em que uma percentagem considerável dizia ser preferível a vida anterior (dados de 1998), tudo se encaminha para a radicalidade da dúvida: somos seres capazes de aprender com a memória, o regresso à história consegue mesmo impelir-nos a não trilhar caminhos errados e tortuosos de novo? (e aí viajaríamos com Reinhart Koseleck em busca de respostas); como, após décadas de partido único, se semearam partidos até à exaustão (em 1991 existiam, note-se, 105 partidos oficiais na Polónia); mas, como a normalização democrática foi levando, ao invés e sucessivamente, menos gente às urnas; tendência novamente invertida sempre que uma figura especialmente carismática se abalançava a eleições (algo que o culto de personalidade patente nas sociedades do chamado Leste europeu, durante décadas, potenciou); como o mais importante, talvez, que a identidade de um povo e de um país – no fim do sec.X, Mieszko I criou um estado polaco e, com a sua conversão ao cristianismo fortaleceu notavelmente as suas bases identitárias, que assentariam raízes mesmo quando populações e territórios foram despedaçados pelos vizinhos, russos sobretudo, desde logo no séc.XVIII, mesmo com os terríveis sofrimentos (deportações, execuções) durante a II Guerra Mundial – não poder ser traída ou negada por qualquer tipo de arrivismo, lideranças torpes e impreparadas, ignorância ou ambição desmedida. Hoje, Portugal bem precisa de aprender esta lição. E ao grupo de estudos alemães, após o ciclo dedicado à queda do muro de Berlim, deve ainda ser creditada a tal visão de universia, de integrum, de conjunto, de uma universidade que é, que deve ser mais do que as técnicas e a linguagem de cada oficio. E na Universidade Moderna, como dissemos na última semana, a ideia da literatura como sendo o elo de ligação para uma cultura comum como que se impôs a filosofia. Algo que o prémio Nobel da Literatura 2010, Vargas Llosa explicava assim num artigo na New Republic, (ler na íntegra e em português em www.tirodeletra.com.br) em 2001: "Vivemos numa época de especialização do conhecimento, causada pelo prodigioso desenvolvimento da ciência e da técnica, e da sua fragmentação em inumeráveis afluentes e compartimentos estanques. A especialização permite aprofundar a exploração e a experimentação, e é o motor do progresso; mas determina também, como consequência negativa, a eliminação daqueles denominadores comuns da cultura graças aos quais os homens e as mulheres podem coexistir, comunicar-se e se sentir de algum modo solidários. A especialização leva à incomunicabilidade social, à fragmentação do conjunto de seres humanos em guetos culturais de técnicos e especialistas, aos quais a linguagem, alguns códigos e a informação progressivamente setorizada relegam naquele particularismo contra o qual nos alertava o antiquíssimo adágio: não é necessário se concentrar tanto no ramo nem na folha, a ponto de esquecer que eles fazem parte de uma árvore, e esta de um bosque. O sentido de pertença, que conserva unido o corpo social e o impede de se desintegrar em uma miríade de particularismos solipsistas, depende, em boa medida, de que se tenha uma consciência precisa da existência do bosque. E o solipsismo - de povos ou indivíduos - gera paranóias e delírios, as deformações da realidade que sempre dão origem ao ódio, às guerras e aos genocídios. A ciência e a técnica não podem mais cumprir aquela função cultural integradora em nosso tempo, precisamente pela infinita riqueza de conhecimentos e da rapidez de sua evolução que levou à especialização e ao uso de vocabulários herméticos. A literatura, ao contrário, diferentemente da ciência e da técnica, é, foi e continuará sendo, enquanto existir, um desses denominadores comuns da experiência humana, graças ao qual os seres vivos se reconhecem e dialogam, independentemente de quão distintas sejam suas ocupações e seus desígnios vitais, as geografias, as circunstâncias em que se encontram e as conjunturas históricas que lhes determinam o horizonte. Nós, leitores de Cervantes ou de Shakespeare, de Dante ou de Tolstoi, nos sentimos membros da mesma espécie porque, nas obras que eles criaram, aprendemos aquilo que partilhamos como seres humanos, o que permanece em todos nós além do amplo leque de diferenças que nos separam. E nada defende melhor os seres vivos contra a estupidez dos preconceitos, do racismo, da xenofobia, das obtusidades localistas do sectarismo religioso ou político, ou dos nacionalismos discriminatórios, do que a comprovação constante que sempre aparece na grande literatura: a igualdade essencial de homens e mulheres em todas as latitudes, e a injustiça representada pelo estabelecimento entre eles de formas de discriminação, sujeição ou exploração."

Pedro Seixas Miranda

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Da minha janela

A paisagem que observo localiza-se em grande parte no centro de Vila Real, nas encostas das Serras do Marão e do Alvão.

Da minha janela vejo uma deslumbrante paisagem: uma vasta vegetação, muitas casas, a Serra do Marão e a do Alvão…

Em primeiro plano vejo três vivendas, duas amarelas e uma cor-de-rosa. Têm, em cada uma, um bonito jardim com muitas flores. À frente, as casas escondidas por entre as grandes e altas árvores verdes, que se manifestam como se fossem um Império! As casas são de diversas e variadas cores: vermelhas, pretas, cinzentas, etc. Também vejo os carros a passar.

Em segundo plano, a bela serra do Alvão, como se fosse um muro impenetrável. Na encosta da serra, vêem-se aglomerados de casas que compõe o distrito de Vila Real.

À direita, o “Continente”, o quartel militar, e uma Cooperativa de Habitação (muitas casas iguais como se fossem um bairro).

Desviando o meu olhar para a esquerda, vejo a Torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e, mais uma vez, muitas casas, o Centro Comercial e a ponte de ferro, já muito antiga, sobre o rio Corgo.

Em terceiro plano, as nuvens não estão presentes, o céu está limpo, e o Sol brilha forte.

É esta a magnífica vista que eu tenho da minha janela.

Nesta paisagem, é normal ver a vasta vegetação e as serras, pois estamos numa região do Norte de Portugal. A restante paisagem já sofreu a intervenção humana.

Em suma, é uma paisagem tipicamente transmontana, que no Inverno está frequentemente coberta de neve. E é uma paisagem humanizada, pois nota-se claramente a intervenção do Homem: as casas, os edifícios construídos e também os aerogeradores no cume da serra do Alvão.Texto e imagem: João Ricardo Vaz Lopes, 7ºE

CIÊNCIA VERSUS LITERATURA PARA O NOBEL VARGAS LLOSA

Pela actualidade da atribuição do Nobel da Literatura a Vargas Llosa publicamos aqui um excerto do seu ensaio "Para quê o romance" (todo aqui, o original saiu na "New Republic", em 2001) em que elogia a função integradora da literatura apontando o dedo à demasiada especialização da ciência e da técnica:



"Vivemos numa época de especialização do conhecimento, causada pelo prodigioso desenvolvimento da ciência e da técnica, e da sua fragmentação em inumeráveis afluentes e compartimentos estanques. A especialização permite aprofundar a exploração e a experimentação, e é o motor do progresso; mas determina também, como consequência negativa, a eliminação daqueles denominadores comuns da cultura graças aos quais os homens e as mulheres podem coexistir, comunicar-se e se sentir de algum modo solidários.
A especialização leva à incomunicabilidade social, à fragmentação do conjunto de seres humanos em guetos culturais de técnicos e especialistas, aos quais a linguagem, alguns códigos e a informação progressivamente setorizada relegam naquele particularismo contra o qual nos alertava o antiquíssimo adágio: não é necessário se concentrar tanto no ramo nem na folha, a ponto de esquecer que eles fazem parte de uma árvore, e esta de um bosque. O sentido de pertencimento, que conserva unido o corpo social e o impede de se desintegrar em uma miríade de particularismos solipsistas, depende, em boa medida, de que se tenha uma consciência precisa da existência do bosque. E o solipsismo - de povos ou indivíduos - gera paranoias e delírios, as deformações da realidade que sempre dão origem ao ódio, às guerras e aos genocídios. A ciência e a técnica não podem mais cumprir aquela função cultural integradora em nosso tempo, preci-samente pela infinita riqueza de conhecimentos e da rapidez de sua evolução que levou à especialização e ao uso de vocabulários herméticos.
A literatura, ao contrário, diferentemente da ciência e da técnica, é, foi e continuará sendo, enquanto existir, um desses denominadores comuns da experiência humana, graças ao qual os seres vivos se reconhecem e dialogam, independentemente de quão distintas sejam suas ocupações e seus desígnios vitais, as geografias, as circunstâncias em que se encontram e as conjunturas históricas que lhes determinam o horizonte. Nós, leitores de Cervantes ou de Shakespeare, de Dante ou de Tolstoi, nos sentimos membros da mesma espécie porque, nas obras que eles criaram, aprendemos aquilo que partilhamos como seres humanos, o que permanece em todos nós além do amplo leque de diferenças que nos separam. E nada defende melhor os seres vivos contra a estupidez dos preconceitos, do racismo, da xenofobia, das obtusidades localistas do sectarismo religioso ou político, ou dos nacionalismos discriminatórios, do que a comprovação constante que sempre aparece na grande literatura: a igualdade essencial de homens e mulheres em todas as latitudes, e a injustiça representada pelo estabelecimento entre eles de formas de discriminação, sujeição ou exploração."

Mario Vargas Llosa


Enviado por Pedro Seixas Miranda

NA ESCOLA, de Jorge Cramez

Jorge Cramez, na Mediateca, em 4-11-2009, respondendo a muitas questões solicitadas pelos alunos presentes. ( foto J. Costa)

A ante-estreia de NA ESCOLA (2010), de Jorge Cramez, realiza-se quinta-feira, dia 14 de outubro de 2010, pelas 21,30h, na Cinemateca Portuguesa.

Se puder, não falte à apresentação de mais esta obra do realizador de O Capacete Dourado e Erros meus.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

“Da minha janela”

Da minha janela consigo observar a cidade de Vila Real e arredores, algumas aldeias como a de Agarez, Adoufe, Relva, entre outras.

Também observo a serra do Alvão. Por cima da serra estão os aerogeradores que produzem energia eléctrica e que nos oferecem muita energia não poluente. O vento é uma grande fonte natural de energia que não tem custos para nós.

A paisagem que observo é urbana e rural, porque quando olho lá para fora consigo ver a cidade e o campo. No campo consigo observar as casas distribuídas pela encosta da serra do Alvão, assim como consigo identificar campos agrícolas e zonas de floresta.

Da minha janela, na cidade de Vila Real, aquilo que observo na paisagem urbana, que é a mais bonita e a que mais me agrada, é a ponte de ferro. Na paisagem rural, o que observo é a serra do Alvão.

As imagens que se seguem são exemplo de paisagens humanizadas:

1. A ponte de ferro que une as duas margens do rio Corgo.

2. O Centro Comercial, parte da cidade de Vila Real e a serra do Alvão.

3. Os aerogeradores na Serra do Alvão.

Texto e imagens: João Miguel Vaz Tello da Gama Amaral, 7º E

domingo, 3 de outubro de 2010

Comemoração do dia Europeu das Línguas.



A 26 de Setembro comemorou-se, na sala de estudo, o dia Europeu das Línguas.
Para além de expositores alusivos às diversas línguas do mundo, os alunos que por lá passaram puderam folhear livros, BD, mapas, roteiros de diversas capitais europeias representativos das línguas portuguesa, francesa, espanhola, alemã e inglesa; puderam consultar sítios e fazer jogos em suporte informático, referentes aos diversos idiomas.
A exposição contou ainda com alguns trabalhos de alunos dos ensinos Básico e Secundário nas disciplinas de português, francês, espanhol e alemão.
Um louvor a todos os alunos e professores que participaram na divulgação deste dia, com magníficos trabalhos expostos no átrio da escola e com a parceria da biblioteca.

A responsável pela sala de estudo
Brízida Azevedo (Texto e imagem)

DA UNIVERSIDADE

1- Certo dia, contou-se esta parábola: “Uma vez, um rei do Norte da Índia reuniu todos os cegos da cidade. Depois, fez passar um elefante diante deles. Deixou que uns tocassem na cabeça e disse: “Um elefante é assim”. Outros puderam tocar na orelha ou no dente, na tromba, no lombo, no casco, na traseira, nos pêlos da cauda. O rei, em seguida, perguntou a cada um: “Como é um elefante?”. E, segundo a parte que tinham tocado, respondiam: “é como um cesto entrançado…”, “é como um vaso…”, “é como um arado…”, “é como um armazém…”, “é como um pilar…”, “é como uma giesta…”. Então – continua a parábola – começaram a discutir, gritando: “O elefante é assim”, “não, é assim”, atiraram-se uns aos outros e começaram a lutar” (Ratzinger, na Sorbonne, 1999).
2- Não sei se no início de cada ano lectivo, nas universidades portuguesas, alunos e professores dão continuidade a uma conversação tão interminável quanto indispensável: o diálogo sobre a missão, o papel, o objecto e os objectivos, o desígnio da instituição onde se encontram.
3- Em primeiro lugar, constatar que a universidade é, historicamente, uma instituição tipicamente europeia. Significa, isto, pois, que face a outras potências e faculdades – que não a inteligência – o homem europeu decidiu viver da sua inteligência e a partir dela. E essa não foi, durante séculos, a opção de outros povos.
4- A Universidade surge na Idade Média. Na sua evolução histórica, sempre diríamos que “comparada com a medieval, a universidade contemporânea complicou o ensino profissional que aquela em gérmen proporcionava, e agregou a investigação, retirando por completo o ensino ou transmissão da cultura”. Como escrevia, já em 1930, Ortega e Gasset, sobre a Missão da Universidade, “isto foi evidentemente uma atrocidade. Funestas consequências disso que agora paga a Europa. O carácter catastrófico da situação presente europeia deve-se a que o inglês médio, o francês médio, o alemão médio são incultos, não possuem o sistema vital de ideias sobre o mundo e o homem correspondentes ao seu tempo. Essa personagem média é o novo bárbaro, atrasado em relação à sua época, arcaico e primitivo em comparação com a terrível actualidade e data dos seus problemas. Este novo bárbaro é principalmente o profissional, mais sábio do que nunca, mas mais inculto também – o engenheiro, o médico, o advogado, o cientista”.
5- Em terceiro lugar, olhando de novo para as origens da Universidade na Idade Média, dizer que esta não investigava. Ocupava-se muito pouco da profissão. Nela, tudo é cultura geral – teologia, filosofia, artes. Se a filosofia oferece panorâmica geral, por sobre todos os outros saberes, assim que as ciências se autonomizam, assim que o conhecimento e a informação passam a ser pouco domesticáveis, assim que a especialização predomina na divisão do trabalho obrigatória, a fragmentação passa a ser norma.
6- Claro que ainda assim, como nota Bill Readings, em A Universidade em Ruínas, na ideia moderna de Universidade estiveram presentes a razão (kantiana) – capaz de questionar a tradição e a natureza – a ideia de cultura – com os idealistas alemães, com Humboldt aqui a ser decisivo, procurando com a wissenchaft, com a ciência especulativa que é unidade subjacente a todas as actividades dos saberes específicos, a busca especulativa da unidade do conhecimento que marca um povo cultivado. Essa unidade de saberes integrados era, claro, propriedade dos gregos e está agora perdida – e a cultura literária – onde os anglo-saxónicos veriam a tal possibilidade de unidade (literatura que substitui a filosofia, nessa ordem unitária, e que cavará o fosso para as ciências enquanto outra cultura, como reflectiu C.P. Snow). A Universidade contribuía para a formação de uma cultura nacional, dela se esperava a formação de um conjunto de referências comuns que entretanto a eclosão da globalização tornou desnecessária ou impraticável, contribuindo, deste modo, também – ao lermos Readings, assim cremos – para a tal a sociedade liquefeita, estilhaçada e fragmentada (onde será já a ideia de excelência, à escala planetária, feita de rankings e top´s, empresa burocratizada em que a figura do Administrador se imporá sobre a do aluno ou o professor, a ilustrar a Universidade dos nossos dias).
7- Podemos sempre actualizar o programa de Gasset – e ele pressupunha uma imagem física do mundo (Física), os termos fundamentais da vida orgânica (Biologia), o processo histórico da espécie humana (História), a estrutura e funcionamento da vida social (Sociologia), o plano do Universo (Filosofia) – mas do que certamente precisamos de fixar dele é esta ideia da cultura como o sistema vital de ideias de cada tempo, reportório de convicções que deve dirigir efectivamente a existência de cada homem e lhe permite estar à altura dos tempos, algo para o qual a universidade é (era) fundamental. Sem este reportório actualizado, estaríamos certamente amputados, mais pobres, menos livres, mais manipuláveis, sem podermos fazer uso devido da cidadania que nos incumbe mesmo, ou sobretudo, em tempos sombrios como estes – tempos em que a sociedade deve também esperar da universidade um contributo para a tal cultura comum – de referencias éticas e estéticas, onde a ética, aliás deve ser uma estética, para citar Miguel Veiga – onde consigamos o integrum que impeça parecermos e sermos os cegos a apalpar e definir o elefante-metáfora do mundo complexo em que vivemos e para o qual estamos tantas vezes (intelectualmente) desarmados e perdidos. O contributo da Universidade é, ainda, por esta via, o do uso renovado da razão, da cultura, da inteligência para o renovar, também, da esperança, no – neste – caos.

Pedro Seixas Miranda

domingo, 26 de setembro de 2010

João Botelho e o "desassossego" no cinema

João Botelho no Museu da Vila Velha - Vila Real, em 31-5-2010. ( foto: João Costa)

A adaptação para cinema d'O Livro do Dessasossego, de Fernando Pessoa (Bernardo Soares), terá a sua estreia no dia 29 de Setembro, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, com a presença do cineasta.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Luta Contra a Pobreza


INFORMAÇÃO REAPN NÚCLEO DISTRITAL DE VILA REAL


Na sequência da realização do projecto “Escolas contra a Pobreza”, a Escola Camilo Castelo Branco de Vila Real realizou um conjunto de vídeos no âmbito do Ano Europeu de Luta contra a Pobreza. Neste sentido, o Núcleo Distrital de Vila Real vem por este meio informar que os vídeos podem ser vistos a partir do link:

http://www.youtube.com/eapnportugal

ou indo à pagina da REAPN (www.reapn.org) clicando na imagem do ano europeu e indo ao fundo da página e clicar no símbolo do You tube.

Sala de Estudo - Dia Europeu das Línguas

( Clique na imagem para aumentar)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

João Duns Escoto

À boleia da visita de Bento XVI ao Reino Unido, evoco, hoje, a figura de João Duns Escoto, eminente filósofo/sacerdote/professor da segunda metade do séc.XIII e início do séc.XIV, provavelmente nascido na fronteira da Escócia, na vila de Duns, personagem determinante nos debates da Reforma que tiveram protagonistas como Lutero e Calvino, conhecido como “doutor subtil”, e cujo excesso desta última qualidade – a subtileza – o terá afastado do (re) conhecimento da generalidade do público.
No entanto, vale a pena pensar nisto: se Escoto foi determinante para os debates posteriores – “durante a Reforma, os debates entre Lutero e Calvino e os seus adversários católicos tiveram como pano de fundo, fundamentalmente, teses escotistas pretensamente verdadeiras”, escreve Anthony Kenny, no volume de Filosofia Medieval, da sua Nova História da Filosofia Ocidental, que a Gradiva vem editando, entre nós – como explicar que os manuais e as aulas de História – nomeadamente no Ensino Secundário - omitam o seu contributo, silenciem os seus escritos, ignorem que polémicas seguintes resultaram da ancoragem em postulados seus? Mais uma vez, a formação dos docentes, a qualidade dos manuais, a indagação última dos fundamentos dos problemas colocados aos alunos ficam em equação. E se, hoje, a filosofia é parente pobre dos currículos escolares, que pensar de qualquer melhoria futura, quanto ao conhecimento mais aturado de outros autores, de outras teses fundamentais? É também desafio a pais e alunos: um cepticismo prudente deverá levar os mais exigentes a seguir novas leituras, a consultar outras obras, a nunca se contentar na procura irrenunciável do autêntico conhecimento: a escola não basta.
De regresso a Escoto, é, ainda, indispensável dizer que “a estrutura na qual Descartes faria assentar os fundamentos da filosofia moderna era, em todos os aspectos essenciais, uma construção erguida em Oxford, por volta de 1300” (A.Kenny). Espaço e tempo onde situamos Escoto. Depois de Oxford, Duns Escoto iria para Paris, à época a principal universidade – que Oxford, então, pretendia mimetizar (dado também curioso, à luz dos rankings universitários actuais…o que mostra como a Terra se move).
Um ponto liga umbilicalmente a viagem de Bento XVI ao Reino Unido (quer nos seus discursos, quer na aceitação mediática da mesma), à evocação de Escoto, à história da filosofia, e, em particular, à filosofia medieval: a necessidade de, sem cessar, questionarmos o bem fundado dos nossos preconceitos, submetê-los à razão e verificar se se justificam. O agnóstico Anthony Kenny reconhece que “havia nos meios académicos a crença generalizada de que a filosofia medieval não merecia ser estudada. Via de regra, esta crença não se baseava em qualquer conhecimento próximo dos textos importantes: era algo mais parecido com uma herança não questionada de um preconceito religioso ou humanista”. E, no entanto, “o estudo da filosofia foi mais profissionalizado durante a Idade Média do que em qualquer outro dos tempos anteriores ao nosso”. Mais: “o quarto de século que separa a Summa Theológica de Aquino, da Lectura de Escoto foi um dos períodos mais importantes da história da filosofia”. E sobre geografia, uma outra lição: “uma história da filosofia ocidental da Idade Média tem de incluir filósofos que não são «ocidentais» em nenhum dos sentidos que o termo tem modernamente, pois as fronteiras da Europa Latina medieval eram, felizmente, porosas a influências do mundo muçulmano e das minorias que viviam no seu seio. A influência de versões latinas de textos de Avicena e Averrois na grande escolástica não foi menor que as obras dos seus predecessores cristãos”.
Registar, igualmente, o trabalho paciente e rigoroso, inevitavelmente longo, que guardar e fixar um texto e um pensamento, proceder a uma verdadeira edição crítica, reclama: “em 1938, a ordem dos Franciscanos criou, em Roma, uma comissão de especialistas com a finalidade de produzir uma edição crítica das obras de Escoto. Este importante texto seria publicado pela imprensa do Vaticano entre 1950 e 1993, com o título Lectura I-II. O volume Lectura III, publicado em 2003, corresponde, com grande probabilidade, ao curso dado por Escoto, em 1303, em Oxford, após se ter exilado em Paris”. Hoje, os estudiosos do pensamento medieval e, especificamente, de Escoto, os filósofos ou teólogos que a ele se dedicam, recorrem, sem qualquer objecção ou obstáculo, à edição do Vaticano. Quanto ao curso ministrado no início do séc.XIV, ficamos ainda a saber que “na Idade Média, um curso universitário adquiria a sua forma definitiva quando o professor comparava os seus próprios planos das lições com os apontamentos dos alunos e fundia estes materiais num texto único e aprovado, conhecido por Ordenatio”.
De entre as asserções de Duns Escoto, reflectidas por (e à luz de) Kenny, gostaria, neste curto espaço, de partilhar a sua ideia acerca da felicidade, deixando-a à consideração do ouvinte. Escoto concorda com Aristóteles e São Tomás de Aquino em que os seres humanos têm uma tendência natural para procurarem a felicidade (affectio comodi), mas, indica, além disso, uma tendência natural para a justiça (affectio iustitiae). “A propensão natural para a justiça é uma tendência para obedecer à lei moral, independentemente das consequências que isso tenha para o nosso bem-estar” (como que a ideia de imperativo categórico, avant la lettre). “A liberdade humana consiste no poder de pôr na balança as exigências incompatíveis da moralidade e da felicidade”. Para lá do questionamento da real incompatibilidade de termos proposta, para aquele que foi Presidente da Academia Britânica, “Escoto tem certamente razão quando sustenta que a própria felicidade não é o único desígnio possível na vida. Uma pessoa pode planear a vida de modo a estar ao serviço da felicidade de outrem ou da promoção de uma determinada causa cujo triunfo seja pouco provável no decurso da sua vida. Uma filha pode prescindir da perspectiva de casar, de ter uma companhia agradável e de uma carreira criativa para dar assistência a um familiar acamado. Afirmar que essas pessoas procuram a sua própria felicidade porque estão a fazer o que querem fazer não é convincente”. Note-se como aqui está em causa a própria noção de altruísmo como (im) possibilidade - a negação da mesma vê o altruísmo como forma particular de egoísmo. Talvez os que neguem o ser do altruísmo tenham lido Sartre e pensem o amor como forma de coisificação do outro, determinando, pois, que o inferno são os outros. Talvez quem tenha lido Pascal Bruckner pense que se pode estar num estádio contrário ao de Perpétua Euforia e que, em muitos casos, os amigos, a família, o outro são o apelo irrecusável, maior mesmo do que a felicidade própria. E essa liberdade de escolha (de vida) não deve ser tiranizada, desde logo pela sua ridicularização.

Pedro Seixas Miranda

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Continuar

Continuar é a arte da esperança,
É a obra do coração.
É a obra da coragem.
Apenas o verdadeiro esperançoso continua,
Continua na esperança não de acabar,
Mas apenas de continuar.
Apenas o verdadeiro amante continua,
Continua na esperança não de acabar,
Mas apenas de continuar
A amar.
Apenas o verdadeiro corajoso continua,
Continua na esperança de continuar,
Mas sabendo que mais tarde ou mais cedo, irá acabar.

André Machado, 11ºB

Dia europeu das línguas

Irão decorrer algumas actividades para comemorar este dia. Posteriormente, divulgaremos esses trabalhos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FÉRIAS E TRABALHO

Nas viagens que as férias por vezes propiciam, há quem aceite integralmente o menu disponibilizado pela agência onde tratamos de tudo, pelos guias oficiais, pelos locais obrigatórios, onde serão vistas e ouvidas as imagens e palavras obrigatórias e indispensáveis. Há quem preferira a aventura solitária, mais ou menos programada, à descoberta de locais virgens que o folheto turístico deixa de lado e com que se surpreende os que por ali passaram sem terem visto. Há quem prefira a terceira via e encontre um equilíbrio perfeito entre as duas tendências anteriormente descritas. Mas muitos menos serão, creio, aqueles que, em férias, quando se deslocam a uma cidade/vila/aldeia o fazem para…ver trabalhar. Surpreendido?
Aceitemos a sugestão de Alain de Botton (Alegrias e Tristezas do Trabalho) e pensemos nessa categoria especial que são os observadores de navios cargueiros. Pensem bem neste prazer: ir a uma cidade, em busca de um porto, para, sem qualquer finalidade ou utilidade (eminentemente prática), perceber, estudar, captar, minuciosamente, todos os passos, tudo o que diz respeito a estes navios. Como um coleccionador.
Porque há tão poucos interessados em descobrir os segredos dos navios cargueiros? Botton não é supérfluo na explicação: “tal não se deve apenas ao facto de serem difíceis de localizar e assustadoramente difíceis de identificar. Algumas Igrejas de Veneza também se encontram situadas em locais recônditos, o que não impede que sejam visitadas por um grande número de pessoas. O que torna os navios e os portos invisíveis é um preconceito descabido que leva a que se considere peculiar expressar sentimentos fortes de admiração por um petroleiro ou por uma fábrica de papel, ou, na realidade, por quase todos os aspectos do mundo do trabalho”.
Por isso, os que correm os museus de nome para dizerem que lá estiveram, que por lá passaram – como dizia Carrilho, muito na senda de Lipovetsky, quando tudo é cultura então nada é cultura, e hoje o desconhecimento da grande cultura e, simultaneamente, a sua veneração é uma marca do tempo – não se julguem em outro patamar quando comparados com os observadores de navios. Bem pelo contrário: “Como parecem frívolos os frequentadores de museus, quando comparados com eles, na procura impaciente da cafetaria, na atracção que sentem pelas lojas de recordações, na prontidão com que utilizam os assentos. Muito raramente alguém terá passado duas horas sob uma chuvada intensa diante de Hendrickje banhando-se no rio munido apenas de uma garrafa-termo com café para se aquecer”.
Estes observadores de navios cargueiros são, ainda, detentores de uma resistência psicológica anti-mundana que os faz especialmente atractivos a quem não verga perante todas as normas comunitárias/culturais/societárias: “tão-pouco receiam parecer excêntricos quando a sua curiosidade o exige. Não hesitam em se agachar para poder observar os propulsores dos navios. Adormecem a pensar em que ponto do oceano é que um determinado petroleiro se encontrará naquele momento. O poder de concentração destas pessoas lembra o de uma criança pequena que pára no meio de uma rua de comércio muito movimentada e se baixa para poder examinar, com a atenção de um erudito bíblico que folheia as páginas de um livro em pergaminho velino, um resto de pastilha elástica colado ao pavimento ou o modo de fechar da algibeira do seu casaco. Também são como as crianças pequenas a maneira como fazem tábua-rasa das ideias convencionais sobre o que poderá constituir um bom emprego, valorizando sempre o valor intrínseco de uma profissão, sobrepondo-se aos benefícios relativos em termos materiais, considerando que a função de operador de guindaste num terminal de contentores é particularmente invejável em virtude da posição vantajosa que lhe permite um bom posto de observação dos navios e docas”.
Talvez a paixão sobre a qual vimos falando pareça agora, a uns tantos, um impulso vanguardista. Do que se trata, ao invés, é de um regresso ao passado: “o passatempo dos observadores de navios remonta aos hábitos dos viajantes anteriores à época moderna, que, quando chegavam a um novo país, tinham tendência para mostrar uma curiosidade muito particular pelos seus celeiros, aquedutos, portos e oficinas, convictos de que a observação do trabalho podia ser tão estimulante como assistir a qualquer coisa num palco ou observar o mural de uma capela”.
Não é apenas nas próximas férias e revisão do seu conceito que falamos: falamos, sobretudo, do repensar o trabalho – aqui concebido em forma de beleza, seu valor intrínseco e, no homem, como continuidade da Criação.

Pedro Seixas Miranda

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Partida

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Enviado por Paulo Santos

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cerimónia de Entrega do Diploma e Prémio de Mérito

Dr. Vitor Lousada no discurso de abertura.

O local do reencontro e da cerimónia.

12ºA

12ºB

Drª Fátima Manuela, Directora da Escola, e Francisco António Nogueira Gonçalves, Prémio de Mérito.

12ºC

12ºD

12ºE


12ºF

12ºG

12ºH

12ºI

12ºJ



Drª Fátima Manuela, Directora da Escola, e Tânia Elisa Carvalho Correia, Prémio de Mérito ( Curso Profissional ).
Felicidades a todos
Fotos e legendas: João Costa

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dia do Diploma

Dia 8 de Setembro, pelas 10 horas, decorrerá a cerimónia de entrega dos Diplomas relativos aos cursos do ensino secundário terminados no ano lectivo 2009-2010.

sábado, 21 de agosto de 2010

Palavras

OS SONS ANDAM NO AR
À ESPERA DE QUEM OS AGARRE,
VOU GUARDÁ-LOS NAS PALAVRAS
À PROCURA DA MÚSICA DOS MEUS SENTIDOS.


torce por isso

torce por isso,
não vá o enguiço,
fazer-te submisso
e de improviso
sem lei nem siso
pernicioso juízo
riso indeciso
toque impreciso
ledo sorriso,
prolixo
sem compromisso
estaladiço,
sem fé nem juízo
falta de aviso
conciso
torce por isso!

Toque impreciso

A. Andrés