
sexta-feira, 14 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ivan Simões em destaque no Pentatlo Moderno

Ricardo Frade e David Pereira, um duo vencedor
Os alunos Ricardo Frade (10ºJ) e David Pereira (10ºH) obtiveram o 1º lugar no concurso "II Mostra Musical do Eixo Atlântico", na classe C de música de Câmara, participando em duo. Este concurso transfronteiriço teve lugar em Vilagarcía de Arousa, no dia 8 de Maio, e reuniu participantes procedentes dos municípios da Galiza e Portugal que superaram as fases prévias, no mês passado, nas localidades de Mirandela e Vila Real. quinta-feira, 6 de maio de 2010
De Moral até Madrid
Texto: Ana Irene, 9ºD; Fotografias: Professores e alunos
quarta-feira, 5 de maio de 2010
"FOIREFOUILLE DU MUGUET 2010 AU LYCÉE"
realizadas propositamente para esta "feira" por uma artesã de Vila Real. Os compradores tiveram direito a uma senha que lhes possibilitaria o tal bolo de chocolate.
Imagens: Brízida Azevedo
Legendas: João Costa
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Um sonho!… uma ambição!
As Novas Oportunidades são já uma realidade e, quer se aceite ou não, fazem parte do vocabulário e do quotidiano de muitos portugueses. De facto, as pessoas formatadas para conceber, apenas, a aprendizagem formal, encaram-nas com grandes reservas e até com desconfiança: Como é que alguém com menos de metade das horas de formação, relativamente ao ensino regular, poderá desenvolver as mesmas aprendizagens/competências? A resposta é simples! Quem procura formação nestes cursos não quer nem precisa desenvolver o mesmo tipo de aprendizagens/competências. É errado pensar que pessoas que, por diversos condicionalismos, não conseguiram concluir os seus estudos na idade “considerada própria” para o fazer, procuram, mediante um regresso ao passado, recuperar o tempo perdido e fazer o mesmo percurso.
São pessoas… com sonhos… com ambições… e que não cruzam os braços. Mas porque têm que conciliar a vida profissional com a pessoal, aumentar as qualificações é, muitas vezes, um “projecto de vida” adiado. Acreditam nas suas capacidades e sabem que nunca é tarde para “aprender”, embora cientes que, agora, o percurso tem que ser diferente. Para estas pessoas as “Novas Oportunidades” surgem como “ouro sobre azul”.
Nestes cursos o adulto obtém o reconhecimento das competências adquiridas, em contextos informais, ao longo da vida e, ao permitirem elevar as qualificações de base, são também uma forma de justiça social. Induz o reconhecimento individual da capacidade de aprender e possibilita a aquisição de competências e níveis de qualificação que promovem o sucesso e a empregabilidade.
É uma formação norteada pela valorização e mobilização de saberes culturais, científicos, tecnológicos, e, pelas práticas e experiências de vida dos formandos como forma de abordagem das situações/problema. Tem em linha de conta o ritmo de cada formando numa lógica de diferenciação, consolidação de percursos de auto-aprendizagem, reflexividade pessoal e formação individual.
“Ao longo do curso abordámos assuntos de grande utilidade, como por exemplo que as futuras gerações têm o direito de ter um ambiente, pelo menos, igual àquele que nós recebemos e que por isso temos o dever de proteger o ambiente. E hoje sei que a mudança tem que começar por mim! Após as competências desenvolvidas nos temas Abertura Moral e Ética considero-me uma pessoa mais coerente, com uma mentalidade mais aberta, que aceita melhor as diferenças e que sabe que tem de respeitar “o outro”, se quer ser respeitado. Muitas foram as reflexões…mas também as gargalhadas… Agradeço às formadoras, principalmente, pela paciência e pela preocupação em fazerem, de cada um de nós, uma pessoa melhor”, Marcos, 24 anos.
“Esta oportunidade de concluir o 12ºano, através das Novas Oportunidades foi muito importante porque de outra forma, devido à minha idade e à dificuldade em conciliar os estudos com a vida profissional e pessoal, seria impossível. Gostei muito porque me ajudou a mudar a maneira de ver e compreender o “mundo”. As formadoras promoveram o debate, a troca de experiências e de saberes, e procuraram desenvolver competências com aplicação prática, o que constituiu um verdadeiro enriquecimento para mim, com inevitáveis implicações no meu dia-a-dia”, Lucília, 52 anos.
Faz como a Lucília e como o Marcos, não desistas dos teus sonhos!...
Isabel Machado
quinta-feira, 29 de abril de 2010
EM ABRIL, FOMOS A BENIDORM
Éramos um grupo de 4 professoras (que, nos últimos dias, ascenderam ao estatuto de zombies) e 48 alunos, quase todos do 10º ano, desta nossa Escola Camilo Castelo Branco.
Mas valeu a pena, quanto mais não seja pela paragem em Cuenca: uma pequena cidade construída numa paisagem de cortar a respiração, tal é o vigor das formas de relevo cársico, onde as “Casas Colgadas”se debruçam, perigosamente, sobre profundos canyons.
Cuenca
DIA 2
O dia foi passado no Terra Mítica, um parque de diversões e temático, onde fomos transportados para o mundo mítico das civilizações do Mediterrâneo, com as suas antigas lendas e mistérios.
Descemos o Nilo, numa montanha russa de água; experimentámos a fúria de Tritón, num espectacular Water Slide; viajámos na montanha russa, durante 35 segundos, a mais de 100 km/h, com cambalhotas de 360º e uma queda livre de 31 metros de altura; descemos ao Inferno Romano e transformamo-nos numa bola girando 60Km/h; recriámos o voo de Fénix, numa aterradora queda livre de 54 metros; entrámos na escura Pirâmide do Terror, onde múmias e monstros em carne e osso nos fizeram gelar o sangue, já para não falar da nossa fuga final, em direcção à luz da saída, perseguidos pelo homem da moto-serra.
Felizes…mas molhados que nem patos.
Depois do banho…almoço no Império Romano.
DIA 3
Depois da longa noite anterior, que começou bem com um assalto geral à máquina de gelados do hotel durante o jantar, bem precisávamos de uma viagem mais demorada, que nos permitisse dormir pelo menos, uma horita. Mas não porque o Mundo Mar era já ali ao lado: um parque temático marinho.
Espantámo-nos com papagaios a conduzir carros; maravilhámo-nos com as caudas dos pavões; rimo-nos com as brincadeiras dos macacos; admirámo-nos com a elegância dos pinguins; assistimos, encantados, a shows de golfinhos e de leões-marinhos e vivemos a experiencia única de nadar com eles. O banho com os leões-marinhos
Depois de mais uma noite de muitas horas não dormidas mas antes vividas, desta vez tivemos mais sorte: hora e meia, que deu para dormir um pouco, para chegarmos ao Oceanário em Valência.
Viajámos pelos principais mares e oceanos do planeta; pudemos admirar mais de 500 espécies subaquáticas diferentes; abrimos os olhos de espanto perante a cor e os sons dos oceanos; tiritamos de frio com as águas gelados do fundo dos mares; mergulhámos num túnel de acrílico e quase tocamos nos tubarões que se passeavam, serenamente, por cima das nossas cabeças; batemos palmas, entusiasmados, aos saltos mortais dos golfinhos.
Como saltam os golfinhos
A"Conga": operação de contagem, à saída do oceanário…não fosse algum fugir.
Todos…junto ao Oceanário.
Dia 5
Mais uma viagem de 1 horita e mais um sonito reparador até à cidade de Elche, para conhecermos, durante a manhã, o Huerto del Cura, um jardim botânico.
Vimos a maior concentração de palmeiras em toda a Europa, um palmeiral com origem fenícia, com mais de 2000 anos; mais ou menos a mesma idade tem o busto da Dama de Elche, descoberto nesta cidade em 1897, cuja reprodução observámos porque o original, demasiado valioso, se encontra num museu de Madrid; Abrimos os olhos em direcção ao céu para apreciarmos a Palmeira Imperial, cujo nome se deve à Imperatriz Sissi da Áustria, um candelabro vegetal constituído por um conjunto de uma palmeira-mãe rodeada por palmeiras mais pequenas, os seus filhos, com 165 anos.
A tarde foi tempo de ficarmos na piscina do hotel, de irmos até á praia, de passearmos ou fazermos compras em Benidorm. Enfim, um tempito para as professoras verem, finalmente, “a loja desamparada”…
DIA 6
Longa viagem em direcção à nossa cidade.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Silêncio...
Silêncio do marulhar
das ondas do mar.
Silêncio da tua voz
no meu olhar.
Silêncio da brisa
que toca e molda
o meu rosto.
Silêncio de forma
fugidia, desfeita
no dia a dia.
Silêncio
do tique - taque de relógio
na casa vazia dos meus avós.
sombra-presença de todos nós.
Silêncio
no povoado
abandonado
sem vida e sem gente,
onde estamos sós.
Silêncio
em moldura de xisto,
cenário de sol refulgente,
lampejo de sol poente
em estilhaço de vidro,
de janela ausente
Silêncio de gente
que passa de costas
voltadas, formas de vida
diluída,
ao virar da esquina;
espia de desencontros,
em postigo de escombros
Silêncio de corpo
dorido, abandonado
em jornal esquecido,
embrulho colocado
em chão molhado,
substância ausente,
outrora gente, ao abrigo
da multidão, indiferente.
Silêncio de casas
de portas abertas
escancaradas, abandonadas
ruas estreitas;
vestes desfeitas, esfarrapadas
vidas paradas
ausência de rosto
que o tempo marcou
no fundo de escadas
em vão…
Silêncio de corpo,
adormecido,
dorido, transido
de frio
ao abrigo
da solidão.
Silêncio……
!!!!!!!!
A. Andrés
terça-feira, 27 de abril de 2010
Concurso jogos didácticos
Os professores da mediateca poderão prestar qualquer esclarecimento adicional.
Cada aluno pode concorrer com apenas um jogo inédito ou recolhido, indicando a(s) área(s) ou disciplina(s) a que se destinam. Os trabalhos podem ser entregues até dia 18 de Junho de 2010, inclusive, aos professores da mediateca que os guardarão em pasta ou caixa apropriada a designar, ou enviados por email para: mediatecaccbvr@gmail.com.
Os trabalhos serão avaliados por um júri integrado por professores que se norteará pelos seguintes critérios: Correcção ortográfica, morfológica e sintáctica; Objectivo; Originalidade e criatividade; Carácter educativo do jogo.
O júri seleccionará os melhores trabalhos, distinguindo-os com a atribuição de diplomas, prémios a designar posteriormente e a publicação no blogue da Escola. A entrega dos prémios ocorrerão em momento a determinar.
O júri é soberano para a resolução de eventuais casos omissos neste regulamento.
Que a imaginação e a capacidade de trabalho vos propiciem o sucesso.
Participai! Partilhai connosco os vossos bons momentos de criatividade!
Rosa Canelas
Fernando Pessoa por Patxi Andión e Ana Moura
Texto e filme: João Costa
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril
É incrível como, um dia que aparentemente para a maioria seria “ mais um”, se acabou por tornar um marco de extrema importância na História de Portugal.
Em 1974, vivia-se uma ditadura governada por Marcelo Caetano. Desta forma, o povo português enfrentava um clima de grande tensão e instabilidade, numa luta incansável pela liberdade.
Os pensamentos da sociedade eram, constantemente, oprimidos e censurados pelos apoiantes do regime, as paredes tinham ouvidos, ninguém podia falar sem ser escutado. Até com os pensamentos era preciso ter cuidado não viesse a PIDE levantar cabelo!
Os jornais e as notícias, como os conhecemos hoje, são uma realidade bastante jovem, ao contrário do que a maioria pensa. Crónicas políticas, humor acerca de pessoas importantes, entre muitos outros exemplos, eram estritamente proibidas. Já para não falar que qualquer artigo, antes da sua publicação, tinha que passar a prova do “ lápis azul” e poucos eram aqueles que saíam ilesos.
Farto de tanta opressão, o exército organizou uma revolta. Após horas e horas de preparação exaustiva e minuciosa, “ E depois do adeus” de Paulo de Carvalho, “ Grândola Vila morena” de Zeca Afonso e colaborações anónimas deram o mote, aconteceu o tão ilustre “ 25 de Abril”.
O exército estava armado, porém não houve qualquer tipo de violência, uma das características que mais se destacam desta revolução política. À medida que os soldados iam passando pelas ruas com as suas espingardas, mulheres foram colocando cravos nos canos das suas espingardas, como símbolo de paz.
O 25 de Abril de 1974 foi uma data memorável, prova-nos que a perseverança e a coragem nos podem conduzir aos destinos mais improváveis. Portugal, aos poucos, recuperou a sua liberdade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010
A Tempestade de Shakespeare por Marta Silva

Marta Silva embrenhada na "Tempestade".
Também com um toque de cineasta!
Actores convidados.

25 de Abril

Escultura alusiva ao 25 de Abril, no átrio da entrada principal, realizada pelos alunos de Artes.


Texto e fotos: João Costa
O 7º B foi às compras
O desafio constava de uma ida às compras ao hipermercado Jumbo, na condição de um jovem que tinha deixado a casa dos pais por ter de ir estudar na Universidade. Era necessário adquirir os bens de consumo para uma semana, tendo apenas 50€ para gastar nessas compras.
Saímos da escola eram 9:45 Horas e, acompanhados pela nossa professora de Ciências e pela nossa Directora de Turma, fomos de CorgoBus até ao Shopping,. Quando lá chegámos, dirigimo-nos logo para a zona do Jumbo e já lá estava, para participar na mesma actividade, uma turma de sétimo ano da Escola Secundária/3 de Morgado de Mateus.
Depois de sabermos quais eram as regras e os objectivos, a turma foi dividida em dois grupos: o grupo dos números pares e o grupo dos números ímpares, os primeiros estiveram acompanhados pela professora de Ciências da Natureza e os segundos pela professora de Geografia e Directora de Turma.
Iniciámos então a tarefa. Cada grupo tinha um carrinho de compras e foi colocando lá dentro os produtos que achou mais necessários. Às vezes, houve alguma discussão, porque nem todos concordavam em comprar os mesmos produtos, principalmente no grupo dos “pares”…
Depois das compras feitas, os grupos dirigiram-se para a caixa número cinco, para simular o pagamento. Os resultados foram bastantes diferentes: o grupo dos “pares” conseguiu “comprar” todos os produtos de primeira necessidade e gastou apenas 47€; o grupo dos “ímpares” foi muito mais gastador, tendo ultrapassado o orçamento disponível em mais do dobro. No carrinho deste segundo grupo havia produtos de primeira necessidade, mas também muitas guloseimas, petiscos e bebidas.
Foi um mero acaso, mas deu-se a coincidência de o primeiro grupo ser governado por raparigas, por elas estarem em maioria, e o segundo por rapazes, porque quase não existiam raparigas.
Depois de feito o registo das compras e de emitido o respectivo talão, os produtos seleccionados foram levados por uma empregada novamente para o interior da loja, para serem colocados de novo nas respectivas prateleiras. Essa foi a parte pior…
O grupo dos “pares” estava de parabéns! Os “ímpares” perderam o desafio, e foi justo, porque foram um bocado desgovernados, só podiam gastar 50€, mas gastaram 120€.
Seguidamente, os alunos e os professores deslocaram-se para o auditório do NERVIR, onde o gerente do Jumbo falou com as duas turmas e teceu alguns comentários sobre o nosso comportamento como consumidores, tendo-nos recomendado algumas formas para poupar e para encontrar os produtos com a melhor relação preço/qualidade.
Depois de ouvirmos o director do Jumbo, a nossa delegada de turma, em nome de nós todos, agradeceu e pediu desculpas por eventuais prejuízos.
Esta actividade cativou-nos, porque ir às compras com os colegas é sinal de diversão, mas também nos fez pensar no muito que temos de aprender se algum dia tivermos de governar uma casa.
Alunos da turma B, do 7º ano.
Podes ir as compras,
mas com precaução,
não metas tudo no carro,
enorme pode ser o talão!!
Compra apenas o necessário,
Para sobreviveres,
Compra fruta, carne e peixe,
E qualquer coisa para beberes…
Escolhe do bom e do barato,
Olha para as promoções,
Se não no fim ficas
a contar os tostões
Já sabes o que fazer,
Cuida bem da tua alimentação,
Se não, é a barriga a crescer,
E o teu dinheiro não!!!
Patrícia Peixoto, 7ºB
20/4/10
Cervantes e Shakespeare
Seguidamente foram lidos excertos da obra de Cervantes pelas alunas da professora Elza Pinto, do 8ºA, Bárbara Santos e Andrea Fariñas. Por fim, foram igualmente interpretados excertos das obras de Shakespeare (Hamlet e The Merchant of Venice), por dois alunos da professora Emília Correia.
Uma das muitas ilustrações de D.Quixote exposta no átrio principal.

Dramatização e leitura de Cervantes.
Maria Beatriz Marabuto. 11ºG
Fotografia de João Costa
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Palestras - Semana da Leitura
De acordo com o programa da Semana da Leitura, foram hoje apresentadas, pelas 16h30m, no Auditório 1, as palestras Shakespeare, uma escrita intemporal, pela professora Delfina Rodrigues, e D. Quixote de la Mancha ou o romance como questão de si mesmo, pela professora Adelaide Jordão.
Sobre a primeira prelecção, a autora respondeu ao porquê de continuar a estudar Shakespeare, tendo em conta todos os estudos existentes da obra de Shakespeare. A resposta talvez possa ser encontrada na qualidade plástica da obra de Shakespeare de continuamente se renovar e actualizar através do próprio leitor.
Quanto à segunda palestra, a autora dissertou sobre a reflexão centrada na identidade romanesca a partir do romance seminal D. Quixote de la Mancha. Assim, segundo palavras de Augusto Abelaira, "o romance não está em crise porque está emcrise". Essa é a lição que o romance de Cervantes vem sublinhar. A identidade do romance define-se pela sua perpétua crise e reinvenção, evidente na apropriação paródica e irónica da novela de cavalaria Amadis de Gaula.
Em cada palestra, foram interpretados textos dos autores visados nas palestras por um grupo de alunos do 10ºI. Os textos de Shakespeare foram apresentados na versão original e na tradução dos próprios alunos.
Leitura por Tânia Rego.
Reportagem: João Costa
Semana da Juventude
Eleição Miss e Mister Escolas
- Miss - Escolas 2010 - Cátia Azevedo ( 12ºA)
- Mister - Escolas 2010 - Diogo Gonçalves (11ºB)
- 1ª Dama de Honor 2010 - Cassandra Cunha (10ºF)
- Olimpíadas de Matemática
Equipa Vencedora ( Ana Catarina Mota, André Cipriano Sousa, André Abraão e Maria Inês Pereira - alunos do 7ºF)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
ENTREVISTAS IMAGINÁRIAS - GEORGE STEINER
2. A este propósito, ainda, das mudanças suscitadas pelo avanço científico (genético), como observa as provocações do filósofo alemão Peter Sloterdijk, em REGRAS PARA O PARQUE HUMANO [REGELN FUR MENSCHENPARK], quando assinala que o humanismo como utopia de domesticação humana por meio da leitura falhou, face às técnicas de desinibição das massas? Isto, também e por outro lado, à luz das reflexões do Prof. Steiner sobre a relação entre barbárie e cultura. Com esta pergunta: estamos destinados a utilizar antropotécnicas – genéticas – para domesticar o Homem? E aí, que espaço para a liberdade humana? Têm razão Alvin e Heidi Tofler quando nos dizem que a grande questão dos próximos 50 anos é a definição do humano (o que é humano? o que é o humano?)?
3. Voltando a MY UNWRITTEN BOOKS, é lá que escreve: “o que subjaz à crise das humanidades é a erosão da religião organizada”. Gostava que desenvolvesse esta ideia.
4- Reflecte, igualmente, sobre as transformações cerebrais que as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC´S) podem e estão a introduzir em todos nós e, consequentemente, também ao nível do ensino. “Certas ideias fundamentais, quase imutáveis desde a Antiguidade Clássica, estão em processo de transformação”. A que ideias, em concreto, se refere?
5- Explica as circunstâncias históricas, sociais, culturais que fazem com que seja muito difícil proceder a comparações entre vários sistemas de ensino, de diferentes latitudes mundiais. Em todo o caso, relaciona a educação inglesa com o anti-intelectualismo reinante no país (que, no entanto, levou a que o cepticismo para com a abstracção e a retórica impedissem os totalitarismos de desaguar na Grã-Bretanha); com ironia, refere-se ao prestígio e importância que a educação e os professores tiveram ao longo da História Francesa (“O Juízo Final será, suspeito, um concurs presidido por examinadores franceses”). Para finalizar, e sobre os EUA, “ao nível realmente de topo, a formação universitária americana é incomparável”. Fale-nos destas experiências, Professor.
6- Em termos políticos, a Democracia é alvo de várias referências suas. Vê-a como um regime que permite a passividade – e o senhor Professor nunca votou – e o desinteresse. E denuncia um mercado livre, de massas, que nivela o ensino por baixo. É mais incisivo e provocador, inclusivamente: “a justiça social não é solidária da excelência. Nivela por baixo (…) A democracia desconfia da solidão (…) O igualitarismo pode reduzir a educação de massa a uma impostura”. Ora, perante tal diagnóstico, o que deve um político fazer, em sua opinião, para não deixar de lado a justiça social e, simultaneamente, a excelência no ensino? São mesmo incompatíveis estas duas realidades (simultâneas)? Também escreve que a esmagadora maioria das pessoas não tem preocupações políticas (maxime, liberdade de expressão) desde que as necessidades mais básicas estejam satisfeitas, e que mesmo em regimes opressivos a criatividade não deixou de florir. A dificuldade – mesmo em termos políticos – aguça o engenho?
7- Em Portugal, tem-se aludido a experiências educativas não europeias – como Coreia do Sul ou Singapura – como estimuladoras na melhoria – na qualidade e exigência – no ensino português. Como olha para tais realidades (sabendo-se, por outro prisma, das taxas de suicídio jovem na Coreia do Sul)? Quais os limites da competição, da exigência, da importância da escola? Que opinião tem – e esta é outra questão muito discutida em Portugal – sobre a publicação de rankings sobre os desempenhos dos alunos, por cada escola?
8- Em O Silêncio dos Livros, mostra-se muito céptico quanto ao futuro do livro. Pessoalmente, rejeita qualquer outra forma de lidar com o livro que não o modo tradicional? Não vê qualquer potencialidade no e-book ou no audiolivro, p.ex? Apesar dos livros, a memória de algumas ideias da Antiguidade Clássica puderam, como reconhece, manter-se. A memória, e essa civilização que esta continha, estão mesmo condenados a desaparecer? Gosta do mundo em que vive ou perdeu, em definitivo, a paciência para gerações que, como diz num livro de entrevistas com o Prof. Ramin Jangenbloo, precisam, incessantemente, de mais e mais notas de rodapé para conseguirem compreender os clássicos, de que é tão devoto?
9- Há escassos meses foi reeditada, em Portugal, a sua autobiografia (intelectual), Errata. No nosso país, escreveu-se que o Senhor Professor é muito admirado (também) por ser sinónimo de uma época que já não regressa – uma época em que o menino é formado num ambiente trilingue, obrigado a decorar versos de Homero, tem aulas com uma pequena escocesa especialista em Shakespeare, vai todos os Sábados com o pai a um museu, em diferentes cidades, onde a errância judaica o obriga a viver, formando, como diz, um verdadeiro Talmude Secular, capaz de lhe proporcionar alguma sabedoria – um Mestre de um mundo desaparecido (um mundo em havia tempo para o tempo, em que as línguas clássicas eram valorizadas, em que a memorização tinha uma grande importância, em que a Alta Cultura, mesmo por quem não a praticava, era considerada). Reconhece que é uma Autoridade no mundo em que esta – no sentido de auctoritas – se perdeu? Ou, ao invés, esta admiração pelo saber enciclopédico e profundo do Prof. Steiner não é um reconhecimento, paradoxalmente, dos valores do conhecimento, do estudo, do classicismo, do cosmopolitismo? Ou, ainda, uma autopercepção de uma cultura vazia – mas o tópico da decadência não acompanhou tantas épocas? O que singulariza esta, neste âmbito? – que o deve colocar numa redoma de vidro, por o Senhor Professor ser uma excepção ao espírito do tempo? Mas essa autocompreensão não seria, afinal, sinónimo de uma postura mais exigente e autocrítica do que seria de esperar da sociedade que critica?
10- Algumas das intuições que assume em Presenças Reais – um livro de uma grande sensibilidade, belíssimo e, permita-me a provocação, citado por inúmeros teólogos – vão contra o que chama de politicamente correcto. Gostaria de confrontá-lo com a hipótese por si aventada de, para além das explicações culturais/sociológicas que nos mostram inúmeros constrangimentos à mulher, ao longo dos tempos, de um eventual menor poder de criação (artística) feminina estar relacionado com o facto de a mulher criar biologicamente, dar à luz. Gostava que nos pudesse explicar esta intuição que corajosamente assume nesta obra.
11- Os actuais líderes europeus têm alguma Ideia de Europa (para citar o título de uma outra sua fascinante obra)? Que fronteiras para o alargamento da UE, que base para um entendimento comum, que relações com os EUA, como vê a integração turca na Europa? Conseguiremos ainda sentarmo-nos num café europeu, ou a americanização de que fala far-nos-á prescindir ou esquecer o fardo pesado – o legado de poetas, filósofos, pedagogos – que carregamos? Algum dia – e o tópico das humanidades em perda não poderá levar a essa repercussão? – estaremos numa situação de “amnésia criativa”, de que fala, quando fala dos EUA?
12- Em After Babel, defende que perante as dificuldades que a nossa espécie foi passando, o uso do contra-factual – “e se…” – ou do tempo verbal no futuro – “irei, farei”, etc. – ajudou a ultrapassar dificuldades do – daquele – presente. Mas em várias obras, a reflexão sobre a música leva-o a apreender os muros em que esbarramos, quando esbarramos na linguagem. A música como forma de tocar a transcendência. Sabemos que não gosta de partilhar o privado, mas, ainda assim, arriscamos: o que anda a ouvir? E das entrevistas a Ramin Jangenbloo: porque é que o Otelo de Verdi é superior ao Otelo de Shakespeare? É explicável por palavras?
13- Na última vez que esteve em Portugal, em conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, abordou os limites da ciência. Quais os grandes limites - que conclusões se puderam ali extrair – que impendem sobre a ciência, na actualidade?
14- Vamos terminar como começámos, pela educação. Gostávamos que nos contasse um pouco dessa experiência de que fala quando escreve: “nunca tive alunos mais exigentes e mais originais do que dos meus alunos em horário pós-laboral na Universidade de Nova Iorque”.
Muito Obrigado
Pedro Seixas





