Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Acordo com o chegar da noite...


«Acordo com o chegar da noite, adormeço com o clarear do dia, dou saltos pelas nuvens em direcção à praia. O dia está bom, uma forte chuvada acompanhada por um vento frio, mergulhado no profundo areal…
Tenho frio, tiro o casaco cinzento!
O amanhã é igual, o passado foi real, mas amanhã tudo vai ser novo…
A música não é mais cantada, o carro é velho, novo quando ocupado por uma rapariga nova, uma rotunda quando feita mais que uma vez cria saudade, a saudade não existe, um olhar não vê mas faz sorrir, um sorriso rasgado cria reacções não vistas mas vistas.
Nas flores reina o preto e o branco, são tão coloridas e grandes que mal se enxergam. O sol não aquece, a lua não ilumina mais, as estrelas brilham como trevas, culpa da distância que afinal vê-se mas não se sente, falta da rotunda, ausência do velho carro...»

Daniela Ramos, 11ºE

Meia-noite, quase dez horas...

«Meia-noite, quase dez horas, estou deitada na cama, a ler uma revista sentada no sofá. Fui até à casa de banho e deitei-me na cadeira em frente à televisão a comer uma sandes de pêra e um compal de manteiga.
Mais tarde, fui para a rua estava tanto frio lá dentro, que tive de despir a minha gabardina de seda feita de malha, que tinha na mão. Pelo caminho encontrei um mudo que me disse que um cego viu um coxo a correr atrás de um carro parado.
Amanhã, por volta do meio-dia, estava eu sentada num banco de pedra feito de madeira e olhei para meu relógio sem pilha e reparei que já eram sete da manhã. Hora de ir dormir!»

Marta Pinho, 11ºJ

Sou... logo sou...


«Sou a Catarina, logo sou um rapaz. A minha mãe gosta que lhe chame pai, principalmente quando estamos a ver o telejornal no Canal Panda.
Hoje fui passear o meu cão, ele não parava de miar. Estão 5 graus, está muito calor. Estou sem ideias, por isso sou muito imaginativa”

Catarina Esteves, 11ºL

Apesar de ser humano...

«Apesar de ser humano, sou um leão. Corro como um cavalo, embora com pernas. Não tenho medo e as cobras assustam-me. Falo alto, logo ninguém me ouve. Ando sozinho rodeado de gente. Mando mensagens, mesmo sem telemóvel.
Não tenho sentimentos, pelo que rio e choro. Estou atento, apesar de nunca prestar atenção. Vou às aulas, nunca estando na sala de aula.
Não tenho gato, mas brinco muitas vezes com ele. Sou popular, mas não conheço ninguém. Canto bem e sempre desafinado. Sou leitor e não sei ler e calo-me falando.»

José Luís Lopes, 11ºC

Hoje acordei ...

Hoje acordei de madrugada, ainda não eram nove horas da noite, calcei os meus chinelos de salto alto e fui andar descalça pelo chão, para sentir o seu calor frio.
Pus torrada na manteiga e chávena no café e deitei-me na minha cadeira feita de papel.
Vesti-me e fui nua para a rua, o que incomodou os vizinhos do bairro onde sou eu vivo.
Fui nadar na piscina vazia da casa de um amigo que conheci amanhã. Depois voltei para casa, onde comi água com gás e bebi um bife com batatas fritas.»

Marta Queirós, 11ºC

Texto ilógico

«De tão cansado que eu estava de repousar, levantei-me do banco de pau feito de pedra, um daqueles desfeitos numa linha de produção dos angolanos portugueses da Rússia. Esses, de tão elucidados que são, chegam a ser mais loucos que todos.
Notei que o banco tinha uma regularidade, não tinha pernas.
Dirigia-me para o meu humilde lar onde não vivo e vi um poço onde não podia cair por causa da força da gravidade. Não continuei a caminhar em movimento rectilíneo uniforme por causa da curva que descrevi, progredindo assim na rua que não existia e onde eu me encontrava.
Em seguida meti-me numa brecha no tempo e viajei tanto para o passado que até fui ter ao presente, ou melhor, ao futuro, onde os meus vizinhos não me mandaram levantar do banco estragado do jardim que não era deles, pertencendo-lhes.
De qualquer maneira, de tão cansado que eu estava de repousar, levantei-me do banco de pau feito de pedra, um daqueles desfeitos numa linha de produção dos angolanos portugueses da Rússia. Esses, de tão elucidados que são, chegam a ser mais loucos do que todos.
Notei que o banco tinha uma regularidade, não tinha pernas.
Tive um déjavú, uma daquelas coisas que nos faz pensar que já vivemos aquele momento. Contudo, este não era passageiro. Tratava-se de uma poderosamente recalcitrante obnubilação que me perturbou um pouco. Realmente, não aconteciam coisas estranhas. Até parece que num futuro próximo vou viajar no tempo ou até ver um poço onde não posso cair.»

Pedro Folgada, 11º B

Porque a Filosofia também tem um lado lúdico…

Os textos que se seguem surgiram no decorrer de uma actividade de sala de aula, em que se pretendia que os alunos construíssem textos de carácter deliberadamente ilógico. Com este exercício procurou-se levar os alunos a reconhecer a importância dos princípios e regras lógicas para uma comunicação mais organizada e racional.

Não sei para que serves...

Não sei para que serves, mas se alguma coisa sei…é o que me fazes sentir. Quanto estou contigo sinto-me vivo, original, parte de ti e de todos. Fazes-me sentir parte do mundo!
És um misto de arte e de ciência, pois estudas o que vês criando. Sinto que contigo podemos inventar tudo o que vemos e depois de criar podemos entender e partilhar o que descobrimos. Uma teoria nasce a partir do que vemos, mas só depois de formada na nossa mente, dedos, caneta e papel podemos entendê-la e dá-la a entender ao mundo.
És para cada um, o que cada um precisa que sejas. Uma inquietação na mente, uma pergunta a necessitar desesperadamente de reposta…
Sei que sou um “grão de areia”, mas até o mais pequeno “grão de areia” pode influenciar a mais bela ideia. Pois tudo merece ser visto e mesmo o nada já é alguma coisa. É assim que me sinto completo.
Se para alguns é um grão de areia, para mim és O grão de areia, que me faz acreditar no invisível, no que ainda não está lá e no que posso fazer passar a estar. Para todos os outros podes não servir para coisa nenhuma, mas para uma coisa já serviste, para me fazeres sentir completo, acordado e feliz!

André Machado, 11ºB

Qual será, então, a utilidade da Filosofia?

No momento em que se coloca a questão da utilidade da Filosofia nos dias de hoje, estamos a espetar uma facada no trabalho de Sócrates, na argumentação de Descartes, na mentalidade de Aristóteles. Realmente, mas que estúpida questão para se colocar! Não entendo quem gostaria de arredar a filosofia do mundo actual. Afinal, quem gostaria de se ver livre da própria alma, da alma do saber?

Pedro Baptista

Dia 18 de Novembro – Dia Internacional da Filosofia

Aproxima-se um dia muito importante para todos aqueles que, de algum modo, se deixaram cativar pela Filosofia.
Em 2002, a UNESCO institui a celebração do Dia Internacional da Filosofia na terceira quinta-feira do mês de Novembro de cada ano, certamente porque reconheceu a importância do questionamento filosófico para a vida do ser humano.
Este ano o grupo de Filosofia optou por dar voz aos nossos “aprendizes de filósofos” através da publicação de textos produzidos pelos alunos, no contexto da sala de aula, e como resposta a desafios lançados pelos professores.
Esperamos que sejam vosso agrado!

Construção da Árvore de Natal

Traz meias coloridas (de preferência lavadas!)

António Fortuna recebe Prémio Nacional de Poesia


O livro “Sonata ao Douro”, de António Fortuna, foi distinguido com o Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves 2010. A entrega deste galardão terá lugar nos Claustros do Governo Civil de Vila Real, no próximo dia 23 de Novembro, pelas 21 horas, em Vila Real.
Este prémio, instituído pela Editora Tartaruga e atribuído a poetas editados por esta chancela, também já distinguiu Joaquim de Barros Ferreira e António Cabral, poetas que pertenceram a escola.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Palestra " Literatura e Ciência" por António Fortuna


António Fortuna apresentará a palestra "Literatura e Ciência - A Voz da Ciência em Vitorino Nemésio", no dia 18 de Novembro (Quinta- Feira), pelas, 21h15m, no Auditório 1.
Desde já, está convidado.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Rádio

Vou hoje referir-me, brevemente, ao meio, possibilidades de caminho e de futuro, a partir do qual, semanalmente, comunico: a rádio. Faço-o a partir do estudo Os Novos Caminhos da Rádio. Radiomorphosis. Tendências e Prospectivas, um documento elaborado por Jorge Vieira, Gustavo Cardoso e Sandro Mendonça (um estudo publicado no presente ano e que pode ser encontrado on line, em www.obercom.pt, o sítio do Observatório de Comunicações).
Começam os autores por destacar a resiliência histórica da rádio: numa cultura hiperactiva, como aquela em que nos situamos, em que ao mesmo tempo estamos no computador, olhamos a TV e conversamos com o amigo do lado, a rádio não requer excesso de atenção, logo pode permanecer por ali. Logo, não a dispensamos imediatamente. A rádio é multiplataforma, ubíqua, simples, trans-hertziana e compatível com multitasking, assinalam. Tendências actuais por que passa a rádio: micro-segmentação de ouvintes; semi-automatização da programação; fusão no ambiente tecnológico em que nos movemos (nunca a rádio foi tão portátil. Nem a deixamos, nem ela nos deixa). Estas tendências recebem os nomes técnicos de, respectivamente, narrowcasting; drone station e cloud rádio. Se o radialista, o pivô, sua voz e o que diz, seu discurso, se mantêm como mais-valia de uma estação, a figura do moderador, como mediador entre ouvintes e rádio emerge, nos nossos dias. A publicidade na rádio, dada a boa audiência de que dispõe em Portugal, conjugada com baixos custos quando comparada com aqueles que resultam do investimento em outros media, vale a pena. Os anunciantes deverão ter em conta, pois, quer a publicidade na rádio, quer na internet. De resto, aqui acrescento o que dizia José Nuno Martins, num programa sobre os 75 anos da rádio pública em Portugal, realizado, há meses, na RTPN, no qual se referia a uma audiência similar da rádio quando comparada com os telejornais, isto quer ao início da manhã, quer ao fim da tarde, mostrando-se espantado por o poder político, p.ex., negligenciar essa oportunidade de fazer passar a sua mensagem, para uma verdadeira multidão.
Poderemos lançar, a partir deste estudo, ainda, um olhar sociológico que enquadre a rádio, hoje: transição de uma sociedade industrial e de broadcasting para uma sociedade assente em activos intangíveis apoiados na comunicação electrónica e na digitalização da informação; rádio hertziana como força de base tecnológica e emergência do indivíduo em rede como força de natureza sociológica; a produção e difusão de conteúdos alarga-se às seguintes plataformas: receptores fixos fornecidos por ondas hertzianas, automóvel, telemóvel, internet. Dentro da internet, os autores sublinham a urgência de equacionar a qualidade dos sites e avançar para as redes sociais. Finalmente, registo para sonhos de outros dois homens da rádio, Carlos Vaz Marques e João Paulo Menezes, que me parecem sugestivos. O primeiro, encarando a sua rádio de sonho como aquela que fosse sequência dos tempos de um cinema (quase) primitivo: ali, onde a falta de som, cinema-mudo levava a uma construção da narrativa pelas imagens, aqui, um conjunto de sons, só sons sem demais excessos palavrosos, a teceram a narração. De João Paulo Menezes, de entre um conjunto de propostas feitas em 2008, destaco estas de uma rádio de futuro:
A oferta de programas inclui propostas de ouvintes (de produtores-amadores), na lógica actual dos podcasts (e do jornalismo do cidadão, do "prosumer"); 2) Essas ofertas não obedecem a uma grelha de programas nem a uma temporalidade. Quando se liga o computador de manhã, já lá estão os principais conteúdos dessa programação, da mesma forma que determinado conteúdo pode ir imediatamente para o ar quando estiver pronto; 5) Aquilo que hoje conhecemos por podcast evoluirá para a desconstrução "ao milímetro" da oferta; poderá haver um podcast por noticiário mas sobretudo um podcast por notícia, de modo a que qualquer ouvinte construa o seu noticiário, podendo subscrever "tags" de diversas fontes sonoras (várias rádios, por exemplo) que confluem para o computador, telemóvel ou outro aparelho online.
Em casa, no carro, no trabalho e na internet, continuaremos à procura da forma única de se expressar de um (dado) comunicador, da entrevista fatal, da reportagem premiada. Acompanhando o tempo, é certo que faremos quase sempre isso quando nos apetecer, á hora a que der jeito. Mas a actualidade é também um trunfo, pelo que o modelo tradicional de rádio deverá coexistir. O problema de um excesso electrónico, deixa-o Álvaro Costa: ficando a rádio em autogestão, em piloto automático, até pela contenção de custos, em morrendo alguém, nomeadamente ao fim-de-semana, só termos conhecimento da morte, naquela estação, passados dois dias.

Pedro Seixas Miranda

Tradição do Regadinho I

Num momento em que se retoma a tradição do Regadinho, apresenta-se esta expressiva descrição presente na página Web da escola, para que as gerações mais novas conheçam estas iniciativas tradicionais e possam pôr também em prática o seu poder criativo e humorístico, bem necessário nos dias de hoje.

"O Regadinho é de tradição posterior a 1926. Com a liberdade de expressão suprimida teriam os estudantes idealizado um processo simples, divertido, crítico e atrevido de manifestarem a sua opinião, a sua contestação perante factos, pessoas e situações da vida citadina.

Vestiam-se de modo desusado, grotesco, caricato, extravagante, encarnando também um ou outro papel real, assumindo as mesmas posturas das pessoas ou das situações alvo do seu jogo. Então era o cortejo pela baixa, de muletas, de pijama, de combinação, com lençol, de fato de banho, de fraque, de cartola, descalços uns, esfarrapados outros, enpregados de mesa gentis, actuando como enfermeiros, médicos, professores, mendigos, piratas de perna de pau, senhores e senhoras da alta sociedade com todos os ademanes, casalinhos brincando aos amores, etc, etc. Havia cartazes com ditos picarescos, jocosos, irónicos, satíricos e por vezes mordazes; exibição de atrevidas minisaias, grupos acasalados, alusões caricatas, cantigas de luz de archote, danças engraçadas e piruetas.

- Pessoas havia que não escapavam nas alusões e também os intocáveis. Em 1953, pelas críticas ao dr. Carmálio que severamente tratava as meninas do Magistério Primário quanto a comportamentos sociais, desde o vestuário às relações sociais, foram censuradas todas as "piadas", pelo que nesse ano o Regadinho foi com uma rolha na boca.

- Alguns académicos vestidos a rigor faziam vai e vem de ambas as margens do cortejo, com archotes acesos numa das mãos, cantando a canção do Regadinho com acompanhamento da banda de música, ininterruptamente. . . mandões eram o Custódio e o Citrato !

- Era nos sábados de Novembro e mais tarde ao dia 30 pelas 8 horas da tarde!

-Nos tempos mais recentes, até 1988, passou para o dia 11 e à tarde."



1953


Regadinho nos anos 60. Animação das ruas da "Bila".


1968.


1972. Duas tradições de Vila Real numa só - regadinho e automobilismo.


1972 - Moda Outono-Inverno. Descapotáveis para que o frio melhor conserve as carnes!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jordi Savall

Estive este Sábado no Porto (06/11/10), na Casa da Música, a assistir a um concerto do Hespérion XXI, um agrupamento dedicado á música antiga, sob a direcção de Jordi Savall. Foi um concerto memorável, que, certamente, me acompanhará pela semana e permanecerá vivo por muito mais tempo. Savall dirige um grupo onde convivem turcos e gregos, arménios e marroquinos, franceses e espanhóis. Não é apenas uma convivência ocidente-oriente, em termos humanos. É, também, uma conjugação entre instrumentos de mundos diversos que ali se encontram. No início da segunda parte do espectáculo, Savall, com grande clarividência pedagógica, mostra o mestre que é: conta-nos, sucintamente, a história de cada instrumento, precisa o seu nome, compara o mesmo instrumento sob a égide de diferentes nacionalidades – um despique, por exemplo, entre a ney, a flauta turca, e uma outra flauta, mas arménia. Descobrimos novos instrumentos, novos nomes de instrumentos – todo o concerto foi instrumental – e novos sons (que belo o som de uma espécie de lira, do mundo árabe). Este concerto situou-nos no Império Otomano do séc. XVII. Procurou mesclar música do melhor que se tocava na corte, com o melhor da sensibilidade popular, á época. Tentou evidenciar-se o compromisso, um espírito de tolerância então existente. Este grupo combina bem, por outro lado, experiência e juventude entre os seus intérpretes, do melhor, segundo a crítica especializada, em cada uma das suas áreas. Cada composição começa numa espécie de solo instrumental, até ao culminar de uma beleza comovente de um todo enformado de uma evidente harmonia. Sem que se perca a singularidade, jamais dissolvida no conjunto, “conseguimos entender-nos”, regista, com plácida serenidade irónica, Savall. Como que a dizer-nos: na arte, ou através dela, há pontes indestrutíveis, há um entendimento universal, há uma hospitalidade recíproca. A arte, a música une, lá onde, por exemplo, a política não resolve. São as presenças reais, de que fala Steiner. Embora o Hespérion exista desde 1974, participando em todos os festivais de música, foi rebaptizado de XXI para o novo século, e bem se percebe da sua necessidade para o mundo, hoje. Sobretudo, pelo que vai de fecundo e profilático no amor devotado ao estudo exaustivo dedicado á música, ao seu contexto histórico, a toda a ecologia envolvente, procurando tornar vivificante – recuperação de música antiga, mas que procura não se fechar numa redoma para uma elite, mas popularizá-la – lendo, recuperando instrumentos – Savall utilizou dois violinos, cujo corpus principal datava do séc.XV – capazes de nos tocar ainda agora. O efeito, neste caso a partir do livro de Cantmir, músicas turcas, sefarditas, arménias, mas também ocidentais, foi muito conseguido.
Como ensina Roger Scruton, num ensaio sobre a beleza, desde Platão e Plotino (Éneadas), passando pela incorporação no pensamento teológico cristão (S.Tomás de Aquino), um trio de valores últimos justificam as nossas inclinações racionais: a Verdade, o Bem e o Belo. Na verdade, a beleza atrai. E atrai até ao Outro, e no Outro o Infinito. A cultura em que nascemos/vivemos não representa qualquer fim da história, não é a cultura. Deve, pois, estar aberta ao diálogo, conhecendo, é certo, para dialogar, as suas razões e os fundamentos últimos delas. “A inculturação pressupõe a potencial universalidade de cada cultura. Pressupõe que em todas as culturas opera a mesma natureza humana e nelas vive uma verdade comum que aspira á união (…) o propósito da inculturação só terá sentido quando se não faça a injustiça a uma cultura, quando ela, a partir da comum ordenação à verdade do homem, se abra e desenvolva através de uma nova força cultural. O que numa cultura exclui uma tal abertura e intercâmbio é, afinal, a sua insuficiência. A grandeza de uma cultura mostra-se na sua abertura, na sua capacidade de dar e receber, na sua força de desenvolvimento, de se deixar purificar e, através disso, tornar-se mais verdadeira, mais humana” (J. Ratzinger, Fé, Verdade e Tolerância, p.57).
A beleza não é mero esteticismo. É mysterium tremendum. A que não ficamos indiferentes. Que nos toca. Nos arranca. Nos move. Nos acompanha. Nos impele. A ficarmos insaciados e a perseguirmos a busca. A fazê-lo na paz. Enriquecendo-nos e enriquecendo o outro, também. A nunca estarmos sós. A termos a capacidade de empatia, no toque universal de acordes que nos inspiram. Em tempo de carestia e mágoa, o valor da beleza nunca deve abandonar-nos.


Pedro Seixas Miranda

Halloween

Para comemorar o Halloween, as professoras que integram o grupo sectorial de Inglês do 7º ano, em conjunto com os seus alunos, promoveram um Concurso de Abóboras. Deste modo, no dia 28 de Outubro, pelas 17 horas, realizou-se a exposição dos trabalhos elaborados pelos alunos assim como a eleição das três abóboras mais criativas.
Com esta iniciativa, pretendeu-se fomentar a participação dos alunos nas actividades extracurriculares; divulgar aspectos da cultura e tradição Anglo-Saxónica e motivar os alunos para a aprendizagem da língua Inglesa através de actividades diferentes e lúdicas.
Foram entregues diplomas de participação para todos e prémios para as três abóboras que mais se destacaram. Em primeiro lugar, ficou o trabalho da aluna número 12 do 7º D, Liliana Teixeira; em segundo lugar ficou a aluna número 19 do 7º D, Tatiana Vilela, e o 3º lugar foi para Georgina Monteiro, nº 10, do 7º G.
É de louvar a participação de todos os intervenientes.

prémio
2º prémio
3º prémio
As professoras de Inglês do 7º ano

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Prémio PEN Clube de Poesia atribuído a A.M. Pires Cabral

( A.M.Pires Cabral. Foto de João Costa, 2010)

O Prémio Literário do PEN Clube Português, para 2009, na área da poesia, foi atribuído ao livro “Arado”, de A. M. Pires Cabral, em ex-aequo com “O Desdobrar da Sombra seguido de Fragmentos de um Labirinto”, de Maria da Saudade Cortesão Mendes.

domingo, 31 de outubro de 2010

Do País que resiste

O estado de emergência orçamental, económico-financeiro em que vivemos, pareceu dispensar, ao longo dos últimos meses, há mais de um ano mesmo, o debate (aprofundado) sobre outros temas que não o das contas públicas. Como se, submersos na aflição económico-financeira, fosse um luxo pensar nos problemas e soluções para a saúde, educação, justiça, trabalho, ciência e tecnologia ou defesa nacional. Estamos sem governo há muito, e reagimos como se tal fosse natural dada a excepcionalidade das circunstâncias. Mas o vício de raciocínio é evidente: sem melhorias na nossa qualificação, sem reformas na justiça, sem concertação social no mundo laboral, o país manterá problemas de crescimento económico e o debate acerca das nossas contas perpetuar-se-á. Luxo, pois, é passarmos semanas a fio sem pensarmos na próxima década e no que ela nos exigirá de transformações das nossas políticas. Esta semana, para ficarmos pelo sector da Educação, aflorou-se o problema da manutenção – e respectivos termos – da disciplina de estudo acompanhado. O que esta pequenina árvore de discussão esconde – e uma árvore apenas evocada pela tal emergência financeira em que estamos, sem qualquer visão de conjunto – é a floresta que a contextualiza: fará sentido, no 3º ciclo do ensino básico, existirem 27 horas lectivas, distribuídas por 15 ou 16 componentes diferentes, a que correspondem outros tantos docentes? Quem será beneficiado com esta profusão de cadeiras e professores? Fará sentido, no meio de tanta aula e de tanto professor, as horas dedicadas ao ensino da leitura, escrita, literatura e matemática ficarem muito aquém do nível médio praticado nos países da OCDE? Mas mais importante: qual a causa de termos chegado aqui, a um número louco de disciplinas, que parece propício ao insucesso dos alunos? Em Difícil é educá-los, um recentíssimo ensaio de David Justino, ex-ministro da educação, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a resposta a esta questão aponta para um caldo de cultura assente numa lógica de grande consistência por parte dos intérpretes sindicais – os mesmos há muitos anos, com suporte social, o que noutros sectores vai rareando, e conhecedores profundos do mundo educativo – conjugado com uma grande fragilidade do poder político – uma infindável quantidade de ministros da educação desde 1974, impedindo uma lógica coerente e prolongada de reformas e mesmo um conhecimento muito aprofundado dos temas. Sobre este ponto, uma nota adicional, não despicienda: a pouca preparação, a falta de uma assessoria muito bem preparada que os políticos, nomeadamente na AR, têm, em matéria educativa e que os leva a não se documentarem suficientemente e a não decidirem com todos os dados essenciais (cabe a nota para a rede e novos intérpretes gerados na última grande luta dos docentes e que importa não perder para diálogo futuro; rede que a novas tecnologias potenciaram). Culpa do modelo que leva, muitas vezes, jotas imberbes, acabadinhos de licenciar, para o Parlamento, cuja assessoria está longe de representar qualquer ganho substantivo para o deputado ou deputados que do seu trabalho beneficiam e, logo, para a nação que representam.
Principais problemas detectados, e que aqui convém recensear, quanto ao nosso sistema de ensino, identificados a partir dos testes nacionais e internacionais aplicados aos nossos alunos: se “os resultados nos saberes que exigem menor elaboração cognitiva, onde o aluno se limita a reproduzir conhecimentos, a aplicar procedimentos de carácter rotineiro e a recorrer a raciocínios simples” poderão ser satisfatórios, já a capacidade relativamente a raciocínios mais complexos e perante situações inusuais é clara. Ou seja, não é tanto um problema de aquisição de conhecimentos quanto o de pensar os problemas. Para David Justino, há também um problema na transição de ciclos, na descontinuidade de ambientes, pelo que propõe a extensão do primeiro ciclo até ao sexto ano, como sucede em outros países, até pela questão da maturidade psicológica, bem como a ideia de prolongamento do aluno durante mais anos no mesmo espaço físico. Defensor da avaliação, demonstra como a introdução de exames não contribuiu para qualquer insucesso educativo – como aumento das reprovações, antes o inverso sucedeu.
Relativamente à questão da economia do ensino, Justino diz-nos que temos o ensino pré-primário mais caro de entre um conjunto lato de países; o Secundário tem, igualmente, um custo elevado. Mas, no seu entender, a questão não passa propriamente por diminuir os recursos afectos à Educação; antes, com este nível de recursos, conseguir que sejam mais os que dele beneficiam, o que implica um sério esforço para impedir tanto o insucesso quanto o abandono escolares. Nesse sentido, e também rumo a uma maior equidade social potenciada pelo ensino, este deve aumentar a sua exigência e as expectativas face ao aluno, puxando-o para cima e não o inverso como, no entender de muitos, tem sucedido. Quanto à questão dos custos com o ensino, sempre poderíamos dizer com Carrilho, a partir do seu último livro, que se, em alguns casos, gastamos mais em educação do que outros países, tal não deve ser visto em abstracto, esquecendo o ponto de partida dos países em comparação, negligenciando o nosso atraso relativamente a estes (e basta ver as taxas de alfabetização e nível de escolaridade com que partimos na corrida nos últimos 30 anos, para só nos referirmos a estes). Dito isto, Justino afasta e envergonha-se de frases de café como “no meu tempo é que era bom”, ou “agora nem sabem ler e escrever, nem fazer contas”, por dois motivos: um, porque as gerações mais jovens tendem, no seu global, a terem muito maior escolaridade e qualificação que as anteriores; dois, porque se a actual instrução é, ainda assim, deficitária, essa responsabilidade deve ser acometida à geração que tantas vezes produz tais críticas mais ou menos apocalípticas. Para o futuro, a ideia de que nenhuma melhoria tecnológica poderá dispensar o background cultural: não é da tecnologia que se vai à educação; é da educação que se chega à tecnologia. Demoramos, em média, quinze anos para formar os cidadãos do futuro e, manifestamente, não estamos a pensar em 2025 e em 2040 e a confrontar projectos não apenas de como o mundo vai ser, mas como gostaríamos de conformá-lo. Uma grande diversidade formativa cultural, a par de conhecimentos sólidos nas ciências, o tempo do silêncio e da reflexão como urgência face ao problema do excesso de mediatismo que pesa sobre a educação, além da disciplina, do treino, do trabalho e rigor, ingredientes indispensáveis quando estamos em um mundo em constante devir, incerto, e no qual a exposição à inovação é permanente.


Pedro Seixas Miranda

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Convite - Apresentação do livro "Discursos Académicos"


A Associação dos Antigos Alunos do Liceu Camilo Castelo Branco tem o prazer de convidar V. Exª. para o lançamento do livro "Discursos Académicos" (Em Pyjama), que inclui uma selecção dos discursos proferidos pelo Dr. Joaquim José Magalhães dos Santos (Quim Zé), por ocasião da ceia anual dos Pyjamantes e também do Sarau da associação.

O evento terá lugar no dia 6 de Novembro de 2020, pelas 17.30 horas, no Anfiteatro da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, com a apresentação de Frederico Amaral Neves.