Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Visita à Biblioteca da Escola

Dia 2 de Novembro, primeiro bloco da tarde, segundo tempo. A professora Julieta Pinto levou-nos a uma visita à Biblioteca CCB, enquadrada nas comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.
Fomos recebidos pela professora Adelaide Jordão, a coordenadora da biblioteca. Foi impecável connosco, na minha opinião. Sentámo-nos em círculo e a professora Adelaide Jordão explicou-nos o funcionamento da biblioteca, onde se encontravam os livros por temas... e mostrou-nos um documento, uma descrição de um incêndio feita por um ex-aluno desta escola, datado de 1849. 161 anos atrás! E na caixa de onde saiu este “papel” havia muitos mais... “Uma autêntica caixa do tesouro”, dizia a professora Adelaide Jordão, “mas mais moderna”. De seguida, o senhor Roberto levou-nos aos arquivos. O primeiro tinha até um cheiro bizarro, de um produto para conservar os livros antiquíssimos que estavam lá guardados. Estavam lá também máscaras e outros artigos das ex-colónias. A meio daquela sala estava uma secretária. Passámos ao segundo arquivo. Mais pequenino, este. Livros de grego, português... e livros de ponto desde 1923 até 1973.
No final, tirámos uma fotografa de conjunto. Tocou e... deixámos aquela biblioteca... mais que centenária.

Mafalda Azevedo Perdicoúlis
7ºA, Nº12

Filosofia e Humor... com umas pitadas de monty python!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Porque amanhã é o Dia da Filosofia

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

Acordo com o chegar da noite...


«Acordo com o chegar da noite, adormeço com o clarear do dia, dou saltos pelas nuvens em direcção à praia. O dia está bom, uma forte chuvada acompanhada por um vento frio, mergulhado no profundo areal…
Tenho frio, tiro o casaco cinzento!
O amanhã é igual, o passado foi real, mas amanhã tudo vai ser novo…
A música não é mais cantada, o carro é velho, novo quando ocupado por uma rapariga nova, uma rotunda quando feita mais que uma vez cria saudade, a saudade não existe, um olhar não vê mas faz sorrir, um sorriso rasgado cria reacções não vistas mas vistas.
Nas flores reina o preto e o branco, são tão coloridas e grandes que mal se enxergam. O sol não aquece, a lua não ilumina mais, as estrelas brilham como trevas, culpa da distância que afinal vê-se mas não se sente, falta da rotunda, ausência do velho carro...»

Daniela Ramos, 11ºE

Meia-noite, quase dez horas...

«Meia-noite, quase dez horas, estou deitada na cama, a ler uma revista sentada no sofá. Fui até à casa de banho e deitei-me na cadeira em frente à televisão a comer uma sandes de pêra e um compal de manteiga.
Mais tarde, fui para a rua estava tanto frio lá dentro, que tive de despir a minha gabardina de seda feita de malha, que tinha na mão. Pelo caminho encontrei um mudo que me disse que um cego viu um coxo a correr atrás de um carro parado.
Amanhã, por volta do meio-dia, estava eu sentada num banco de pedra feito de madeira e olhei para meu relógio sem pilha e reparei que já eram sete da manhã. Hora de ir dormir!»

Marta Pinho, 11ºJ

Sou... logo sou...


«Sou a Catarina, logo sou um rapaz. A minha mãe gosta que lhe chame pai, principalmente quando estamos a ver o telejornal no Canal Panda.
Hoje fui passear o meu cão, ele não parava de miar. Estão 5 graus, está muito calor. Estou sem ideias, por isso sou muito imaginativa”

Catarina Esteves, 11ºL

Apesar de ser humano...

«Apesar de ser humano, sou um leão. Corro como um cavalo, embora com pernas. Não tenho medo e as cobras assustam-me. Falo alto, logo ninguém me ouve. Ando sozinho rodeado de gente. Mando mensagens, mesmo sem telemóvel.
Não tenho sentimentos, pelo que rio e choro. Estou atento, apesar de nunca prestar atenção. Vou às aulas, nunca estando na sala de aula.
Não tenho gato, mas brinco muitas vezes com ele. Sou popular, mas não conheço ninguém. Canto bem e sempre desafinado. Sou leitor e não sei ler e calo-me falando.»

José Luís Lopes, 11ºC

Hoje acordei ...

Hoje acordei de madrugada, ainda não eram nove horas da noite, calcei os meus chinelos de salto alto e fui andar descalça pelo chão, para sentir o seu calor frio.
Pus torrada na manteiga e chávena no café e deitei-me na minha cadeira feita de papel.
Vesti-me e fui nua para a rua, o que incomodou os vizinhos do bairro onde sou eu vivo.
Fui nadar na piscina vazia da casa de um amigo que conheci amanhã. Depois voltei para casa, onde comi água com gás e bebi um bife com batatas fritas.»

Marta Queirós, 11ºC

Texto ilógico

«De tão cansado que eu estava de repousar, levantei-me do banco de pau feito de pedra, um daqueles desfeitos numa linha de produção dos angolanos portugueses da Rússia. Esses, de tão elucidados que são, chegam a ser mais loucos que todos.
Notei que o banco tinha uma regularidade, não tinha pernas.
Dirigia-me para o meu humilde lar onde não vivo e vi um poço onde não podia cair por causa da força da gravidade. Não continuei a caminhar em movimento rectilíneo uniforme por causa da curva que descrevi, progredindo assim na rua que não existia e onde eu me encontrava.
Em seguida meti-me numa brecha no tempo e viajei tanto para o passado que até fui ter ao presente, ou melhor, ao futuro, onde os meus vizinhos não me mandaram levantar do banco estragado do jardim que não era deles, pertencendo-lhes.
De qualquer maneira, de tão cansado que eu estava de repousar, levantei-me do banco de pau feito de pedra, um daqueles desfeitos numa linha de produção dos angolanos portugueses da Rússia. Esses, de tão elucidados que são, chegam a ser mais loucos do que todos.
Notei que o banco tinha uma regularidade, não tinha pernas.
Tive um déjavú, uma daquelas coisas que nos faz pensar que já vivemos aquele momento. Contudo, este não era passageiro. Tratava-se de uma poderosamente recalcitrante obnubilação que me perturbou um pouco. Realmente, não aconteciam coisas estranhas. Até parece que num futuro próximo vou viajar no tempo ou até ver um poço onde não posso cair.»

Pedro Folgada, 11º B

Porque a Filosofia também tem um lado lúdico…

Os textos que se seguem surgiram no decorrer de uma actividade de sala de aula, em que se pretendia que os alunos construíssem textos de carácter deliberadamente ilógico. Com este exercício procurou-se levar os alunos a reconhecer a importância dos princípios e regras lógicas para uma comunicação mais organizada e racional.

Não sei para que serves...

Não sei para que serves, mas se alguma coisa sei…é o que me fazes sentir. Quanto estou contigo sinto-me vivo, original, parte de ti e de todos. Fazes-me sentir parte do mundo!
És um misto de arte e de ciência, pois estudas o que vês criando. Sinto que contigo podemos inventar tudo o que vemos e depois de criar podemos entender e partilhar o que descobrimos. Uma teoria nasce a partir do que vemos, mas só depois de formada na nossa mente, dedos, caneta e papel podemos entendê-la e dá-la a entender ao mundo.
És para cada um, o que cada um precisa que sejas. Uma inquietação na mente, uma pergunta a necessitar desesperadamente de reposta…
Sei que sou um “grão de areia”, mas até o mais pequeno “grão de areia” pode influenciar a mais bela ideia. Pois tudo merece ser visto e mesmo o nada já é alguma coisa. É assim que me sinto completo.
Se para alguns é um grão de areia, para mim és O grão de areia, que me faz acreditar no invisível, no que ainda não está lá e no que posso fazer passar a estar. Para todos os outros podes não servir para coisa nenhuma, mas para uma coisa já serviste, para me fazeres sentir completo, acordado e feliz!

André Machado, 11ºB

Qual será, então, a utilidade da Filosofia?

No momento em que se coloca a questão da utilidade da Filosofia nos dias de hoje, estamos a espetar uma facada no trabalho de Sócrates, na argumentação de Descartes, na mentalidade de Aristóteles. Realmente, mas que estúpida questão para se colocar! Não entendo quem gostaria de arredar a filosofia do mundo actual. Afinal, quem gostaria de se ver livre da própria alma, da alma do saber?

Pedro Baptista

Dia 18 de Novembro – Dia Internacional da Filosofia

Aproxima-se um dia muito importante para todos aqueles que, de algum modo, se deixaram cativar pela Filosofia.
Em 2002, a UNESCO institui a celebração do Dia Internacional da Filosofia na terceira quinta-feira do mês de Novembro de cada ano, certamente porque reconheceu a importância do questionamento filosófico para a vida do ser humano.
Este ano o grupo de Filosofia optou por dar voz aos nossos “aprendizes de filósofos” através da publicação de textos produzidos pelos alunos, no contexto da sala de aula, e como resposta a desafios lançados pelos professores.
Esperamos que sejam vosso agrado!

Construção da Árvore de Natal

Traz meias coloridas (de preferência lavadas!)

António Fortuna recebe Prémio Nacional de Poesia


O livro “Sonata ao Douro”, de António Fortuna, foi distinguido com o Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves 2010. A entrega deste galardão terá lugar nos Claustros do Governo Civil de Vila Real, no próximo dia 23 de Novembro, pelas 21 horas, em Vila Real.
Este prémio, instituído pela Editora Tartaruga e atribuído a poetas editados por esta chancela, também já distinguiu Joaquim de Barros Ferreira e António Cabral, poetas que pertenceram a escola.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Palestra " Literatura e Ciência" por António Fortuna


António Fortuna apresentará a palestra "Literatura e Ciência - A Voz da Ciência em Vitorino Nemésio", no dia 18 de Novembro (Quinta- Feira), pelas, 21h15m, no Auditório 1.
Desde já, está convidado.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Rádio

Vou hoje referir-me, brevemente, ao meio, possibilidades de caminho e de futuro, a partir do qual, semanalmente, comunico: a rádio. Faço-o a partir do estudo Os Novos Caminhos da Rádio. Radiomorphosis. Tendências e Prospectivas, um documento elaborado por Jorge Vieira, Gustavo Cardoso e Sandro Mendonça (um estudo publicado no presente ano e que pode ser encontrado on line, em www.obercom.pt, o sítio do Observatório de Comunicações).
Começam os autores por destacar a resiliência histórica da rádio: numa cultura hiperactiva, como aquela em que nos situamos, em que ao mesmo tempo estamos no computador, olhamos a TV e conversamos com o amigo do lado, a rádio não requer excesso de atenção, logo pode permanecer por ali. Logo, não a dispensamos imediatamente. A rádio é multiplataforma, ubíqua, simples, trans-hertziana e compatível com multitasking, assinalam. Tendências actuais por que passa a rádio: micro-segmentação de ouvintes; semi-automatização da programação; fusão no ambiente tecnológico em que nos movemos (nunca a rádio foi tão portátil. Nem a deixamos, nem ela nos deixa). Estas tendências recebem os nomes técnicos de, respectivamente, narrowcasting; drone station e cloud rádio. Se o radialista, o pivô, sua voz e o que diz, seu discurso, se mantêm como mais-valia de uma estação, a figura do moderador, como mediador entre ouvintes e rádio emerge, nos nossos dias. A publicidade na rádio, dada a boa audiência de que dispõe em Portugal, conjugada com baixos custos quando comparada com aqueles que resultam do investimento em outros media, vale a pena. Os anunciantes deverão ter em conta, pois, quer a publicidade na rádio, quer na internet. De resto, aqui acrescento o que dizia José Nuno Martins, num programa sobre os 75 anos da rádio pública em Portugal, realizado, há meses, na RTPN, no qual se referia a uma audiência similar da rádio quando comparada com os telejornais, isto quer ao início da manhã, quer ao fim da tarde, mostrando-se espantado por o poder político, p.ex., negligenciar essa oportunidade de fazer passar a sua mensagem, para uma verdadeira multidão.
Poderemos lançar, a partir deste estudo, ainda, um olhar sociológico que enquadre a rádio, hoje: transição de uma sociedade industrial e de broadcasting para uma sociedade assente em activos intangíveis apoiados na comunicação electrónica e na digitalização da informação; rádio hertziana como força de base tecnológica e emergência do indivíduo em rede como força de natureza sociológica; a produção e difusão de conteúdos alarga-se às seguintes plataformas: receptores fixos fornecidos por ondas hertzianas, automóvel, telemóvel, internet. Dentro da internet, os autores sublinham a urgência de equacionar a qualidade dos sites e avançar para as redes sociais. Finalmente, registo para sonhos de outros dois homens da rádio, Carlos Vaz Marques e João Paulo Menezes, que me parecem sugestivos. O primeiro, encarando a sua rádio de sonho como aquela que fosse sequência dos tempos de um cinema (quase) primitivo: ali, onde a falta de som, cinema-mudo levava a uma construção da narrativa pelas imagens, aqui, um conjunto de sons, só sons sem demais excessos palavrosos, a teceram a narração. De João Paulo Menezes, de entre um conjunto de propostas feitas em 2008, destaco estas de uma rádio de futuro:
A oferta de programas inclui propostas de ouvintes (de produtores-amadores), na lógica actual dos podcasts (e do jornalismo do cidadão, do "prosumer"); 2) Essas ofertas não obedecem a uma grelha de programas nem a uma temporalidade. Quando se liga o computador de manhã, já lá estão os principais conteúdos dessa programação, da mesma forma que determinado conteúdo pode ir imediatamente para o ar quando estiver pronto; 5) Aquilo que hoje conhecemos por podcast evoluirá para a desconstrução "ao milímetro" da oferta; poderá haver um podcast por noticiário mas sobretudo um podcast por notícia, de modo a que qualquer ouvinte construa o seu noticiário, podendo subscrever "tags" de diversas fontes sonoras (várias rádios, por exemplo) que confluem para o computador, telemóvel ou outro aparelho online.
Em casa, no carro, no trabalho e na internet, continuaremos à procura da forma única de se expressar de um (dado) comunicador, da entrevista fatal, da reportagem premiada. Acompanhando o tempo, é certo que faremos quase sempre isso quando nos apetecer, á hora a que der jeito. Mas a actualidade é também um trunfo, pelo que o modelo tradicional de rádio deverá coexistir. O problema de um excesso electrónico, deixa-o Álvaro Costa: ficando a rádio em autogestão, em piloto automático, até pela contenção de custos, em morrendo alguém, nomeadamente ao fim-de-semana, só termos conhecimento da morte, naquela estação, passados dois dias.

Pedro Seixas Miranda

Tradição do Regadinho I

Num momento em que se retoma a tradição do Regadinho, apresenta-se esta expressiva descrição presente na página Web da escola, para que as gerações mais novas conheçam estas iniciativas tradicionais e possam pôr também em prática o seu poder criativo e humorístico, bem necessário nos dias de hoje.

"O Regadinho é de tradição posterior a 1926. Com a liberdade de expressão suprimida teriam os estudantes idealizado um processo simples, divertido, crítico e atrevido de manifestarem a sua opinião, a sua contestação perante factos, pessoas e situações da vida citadina.

Vestiam-se de modo desusado, grotesco, caricato, extravagante, encarnando também um ou outro papel real, assumindo as mesmas posturas das pessoas ou das situações alvo do seu jogo. Então era o cortejo pela baixa, de muletas, de pijama, de combinação, com lençol, de fato de banho, de fraque, de cartola, descalços uns, esfarrapados outros, enpregados de mesa gentis, actuando como enfermeiros, médicos, professores, mendigos, piratas de perna de pau, senhores e senhoras da alta sociedade com todos os ademanes, casalinhos brincando aos amores, etc, etc. Havia cartazes com ditos picarescos, jocosos, irónicos, satíricos e por vezes mordazes; exibição de atrevidas minisaias, grupos acasalados, alusões caricatas, cantigas de luz de archote, danças engraçadas e piruetas.

- Pessoas havia que não escapavam nas alusões e também os intocáveis. Em 1953, pelas críticas ao dr. Carmálio que severamente tratava as meninas do Magistério Primário quanto a comportamentos sociais, desde o vestuário às relações sociais, foram censuradas todas as "piadas", pelo que nesse ano o Regadinho foi com uma rolha na boca.

- Alguns académicos vestidos a rigor faziam vai e vem de ambas as margens do cortejo, com archotes acesos numa das mãos, cantando a canção do Regadinho com acompanhamento da banda de música, ininterruptamente. . . mandões eram o Custódio e o Citrato !

- Era nos sábados de Novembro e mais tarde ao dia 30 pelas 8 horas da tarde!

-Nos tempos mais recentes, até 1988, passou para o dia 11 e à tarde."



1953


Regadinho nos anos 60. Animação das ruas da "Bila".


1968.


1972. Duas tradições de Vila Real numa só - regadinho e automobilismo.


1972 - Moda Outono-Inverno. Descapotáveis para que o frio melhor conserve as carnes!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jordi Savall

Estive este Sábado no Porto (06/11/10), na Casa da Música, a assistir a um concerto do Hespérion XXI, um agrupamento dedicado á música antiga, sob a direcção de Jordi Savall. Foi um concerto memorável, que, certamente, me acompanhará pela semana e permanecerá vivo por muito mais tempo. Savall dirige um grupo onde convivem turcos e gregos, arménios e marroquinos, franceses e espanhóis. Não é apenas uma convivência ocidente-oriente, em termos humanos. É, também, uma conjugação entre instrumentos de mundos diversos que ali se encontram. No início da segunda parte do espectáculo, Savall, com grande clarividência pedagógica, mostra o mestre que é: conta-nos, sucintamente, a história de cada instrumento, precisa o seu nome, compara o mesmo instrumento sob a égide de diferentes nacionalidades – um despique, por exemplo, entre a ney, a flauta turca, e uma outra flauta, mas arménia. Descobrimos novos instrumentos, novos nomes de instrumentos – todo o concerto foi instrumental – e novos sons (que belo o som de uma espécie de lira, do mundo árabe). Este concerto situou-nos no Império Otomano do séc. XVII. Procurou mesclar música do melhor que se tocava na corte, com o melhor da sensibilidade popular, á época. Tentou evidenciar-se o compromisso, um espírito de tolerância então existente. Este grupo combina bem, por outro lado, experiência e juventude entre os seus intérpretes, do melhor, segundo a crítica especializada, em cada uma das suas áreas. Cada composição começa numa espécie de solo instrumental, até ao culminar de uma beleza comovente de um todo enformado de uma evidente harmonia. Sem que se perca a singularidade, jamais dissolvida no conjunto, “conseguimos entender-nos”, regista, com plácida serenidade irónica, Savall. Como que a dizer-nos: na arte, ou através dela, há pontes indestrutíveis, há um entendimento universal, há uma hospitalidade recíproca. A arte, a música une, lá onde, por exemplo, a política não resolve. São as presenças reais, de que fala Steiner. Embora o Hespérion exista desde 1974, participando em todos os festivais de música, foi rebaptizado de XXI para o novo século, e bem se percebe da sua necessidade para o mundo, hoje. Sobretudo, pelo que vai de fecundo e profilático no amor devotado ao estudo exaustivo dedicado á música, ao seu contexto histórico, a toda a ecologia envolvente, procurando tornar vivificante – recuperação de música antiga, mas que procura não se fechar numa redoma para uma elite, mas popularizá-la – lendo, recuperando instrumentos – Savall utilizou dois violinos, cujo corpus principal datava do séc.XV – capazes de nos tocar ainda agora. O efeito, neste caso a partir do livro de Cantmir, músicas turcas, sefarditas, arménias, mas também ocidentais, foi muito conseguido.
Como ensina Roger Scruton, num ensaio sobre a beleza, desde Platão e Plotino (Éneadas), passando pela incorporação no pensamento teológico cristão (S.Tomás de Aquino), um trio de valores últimos justificam as nossas inclinações racionais: a Verdade, o Bem e o Belo. Na verdade, a beleza atrai. E atrai até ao Outro, e no Outro o Infinito. A cultura em que nascemos/vivemos não representa qualquer fim da história, não é a cultura. Deve, pois, estar aberta ao diálogo, conhecendo, é certo, para dialogar, as suas razões e os fundamentos últimos delas. “A inculturação pressupõe a potencial universalidade de cada cultura. Pressupõe que em todas as culturas opera a mesma natureza humana e nelas vive uma verdade comum que aspira á união (…) o propósito da inculturação só terá sentido quando se não faça a injustiça a uma cultura, quando ela, a partir da comum ordenação à verdade do homem, se abra e desenvolva através de uma nova força cultural. O que numa cultura exclui uma tal abertura e intercâmbio é, afinal, a sua insuficiência. A grandeza de uma cultura mostra-se na sua abertura, na sua capacidade de dar e receber, na sua força de desenvolvimento, de se deixar purificar e, através disso, tornar-se mais verdadeira, mais humana” (J. Ratzinger, Fé, Verdade e Tolerância, p.57).
A beleza não é mero esteticismo. É mysterium tremendum. A que não ficamos indiferentes. Que nos toca. Nos arranca. Nos move. Nos acompanha. Nos impele. A ficarmos insaciados e a perseguirmos a busca. A fazê-lo na paz. Enriquecendo-nos e enriquecendo o outro, também. A nunca estarmos sós. A termos a capacidade de empatia, no toque universal de acordes que nos inspiram. Em tempo de carestia e mágoa, o valor da beleza nunca deve abandonar-nos.


Pedro Seixas Miranda

Halloween

Para comemorar o Halloween, as professoras que integram o grupo sectorial de Inglês do 7º ano, em conjunto com os seus alunos, promoveram um Concurso de Abóboras. Deste modo, no dia 28 de Outubro, pelas 17 horas, realizou-se a exposição dos trabalhos elaborados pelos alunos assim como a eleição das três abóboras mais criativas.
Com esta iniciativa, pretendeu-se fomentar a participação dos alunos nas actividades extracurriculares; divulgar aspectos da cultura e tradição Anglo-Saxónica e motivar os alunos para a aprendizagem da língua Inglesa através de actividades diferentes e lúdicas.
Foram entregues diplomas de participação para todos e prémios para as três abóboras que mais se destacaram. Em primeiro lugar, ficou o trabalho da aluna número 12 do 7º D, Liliana Teixeira; em segundo lugar ficou a aluna número 19 do 7º D, Tatiana Vilela, e o 3º lugar foi para Georgina Monteiro, nº 10, do 7º G.
É de louvar a participação de todos os intervenientes.

prémio
2º prémio
3º prémio
As professoras de Inglês do 7º ano