Iniciativa do Departamento de Ciências Sociais e Humanas.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Palestra com Gonçalho Cadilhe
Iniciativa do Departamento de Ciências Sociais e Humanas.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Bonne Fête des Rois
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Concursos de Natal
1º Prémio
Sentido Natal
Os tempos vão mudando, a tradição continua sempre, mas infelizmente existem pessoas que não têm companhia nesta noite ou pessoas pobres que nem a uma sala quentinha, nem a uma boa refeição e nem a um presente podem ter direito nesse dia.
Vou contar uma história que se passou nesse tempo.
O Ricardo era um rapaz que tinha tudo o que queria e era muito feliz. O Eduardo era pobre e vivia na rua, só tinha um caderno para levar à escola, vivia sozinho (não sabia da família), e só tinha oportunidade de comer duas vezes por semana (numa instituição).
O Ricardo andava na mesma escola que o Eduardo, tinham ambos treze anos, o Ricardo gostava muito de se meter com as pessoas mais caladas, como o Eduardo e o Eduardo ficava mesmo triste por ouvir as coisas brutas e provocantes de um colega de escola.
- Eduardo! E essa roupa? Não compras outra?! Está toda rota! Ah!Ah! – provocava o Ricardo – Não te dás com ninguém, és anti-social?
O Eduardo virava as costas com os olhos em água, contido pela tristeza, e todos os dias era a mesma coisa…
Passado uns dias depois do Ricardo sair da catequese às 19.30, passou por uma rua onde viu o Eduardo a sair da instituição, o Eduardo com muita vergonha começou a correr e o Ricardo tentou apanhá-lo para falar com ele mas sem êxito.
O Ricardo não dormiu sossegado e mal dormiu a pensar no Eduardo e nas coisas brutas que lhe dizia.
No dia seguinte o Ricardo procurou o Eduardo, viu-o sozinho e foi falar com ele:
- Olá! Desculpa as coisas que te digo todos os dias, peço imensa desculpa! E agora desculpa a pergunta, és um sem abrigo?
- Sou … - disse o Eduardo com uma lágrima no olho – não tenho família, não tenho casa e está a chegar o Natal e não tenho onde ficar… O Ricardo arrependido pelas suas atitudes tentou animar o amigo e propôs u ma ideia que teve: - Sei que não somos muito amigos, mas queria mudar isso…. Se não te importares falo com os meus pais sobre a tua situação e como no meu quarto tenho duas camas, uma para o meu primo que vem no Verão passar uns dias, e a outra para mim, mas nas outras estações do ano a cama está vazia e pode ser ocupada por ti, tenho roupa que te serve e já não uso e era como se fosses meu irmão, no Natal tinhas direito a tudo que existe de bom. Pode ser? Que achas?
O Eduardo gostou da ideia e o Ricardo ligou logo para os pais, explicou-lhe a situação do amigo e os pais do Ricardo pediram para levar o Eduardo lá a casa.
2º Prémio Concurso “Sentir Natal”
Cartas em segredo
Os meus irmãos mais novos,
Gostam muito de te escrever,
E eu como sou mais velha,
Não lhes posso dizer.
Na escola e em outros lugares,
Seria muito, muito gozada,
Por isso peço-te, Pai Natal,
Não lhes digas nada.
O que eu te peço este Natal,
É paz e amor em todo o Planeta,
Mas como sei que é difícil encontrá-los,
Mando-te também uma luneta.
Sei que estranho enviar-te isto,
Mas é para encontrares a pessoas más,
Que pegam fogo às florestas,
E não as deixam em paz.
Não estou a dizer que tens má vista,
Mas é que já estás a ficar velhinho,
Deve ter sido de andares estes anos,
A entregar os presentes com tanto carinho.
Esqueci-me de te dizer,
Conheci um rapaz na semana passada,
Deu-me uma rosa branca,
Ah, estou tão apaixonada!
Falamos longas horas,
Disse-me que te conhecia,
Falou-me do espírito natalício,
Disse que o mundo já não o sentia.
Fiquei muito horrorizada,
Como pode isto acontecer?
A minha tarefa este Natal,
Vai ser por o espírito natalício a renascer.
O coração das pessoas,
Vai encher-se de alegria,
Vão cantar maravilhosas canções,
Em perfeita sintonia.
Podes estar descansado,
Ele não vai ser esquecido,
Mas não te esqueças de entregar os presentes,
Que já havias prometido.
Não te esqueças de guardar segredo,
Estas minhas cartas,
Ninguém pode descobrir,
Senão eu prendo às tuas renas as patas.
Vou sentir falta de ti,
Mas eu vou me despedir,
Já se está a fazer tarde,
E eu tenho de dormir.
Adeus querido amigo,
Até ao dia de Natal,
Vê lá se não te cansas,
Isso na tua idade só faz mal!
Márcia Nogueira, 7ºC
3º Prémio Concurso “Sentir Natal”
Sentir o Natal
O Natal …
Época do ano
Sem outra igual.
As crianças andam felizes,
As crianças dão as mãos
Esperam o Pai Natal
E festejam como irmãos.
Ouvem-se músicas natalícias,
As famílias reúnem-se,
As mesas estão recheadas de delícias.
Abrem-se os presentes,
Todos estão contentes.
A alegria paira no ar…
Esta alegria deve-se apenas a uma causa….
E essa causa é o Natal!
O meu, o teu, o Natal de todos nós!
Vamos vivê-lo, partilhá-lo e sermos felizes.
Ana Sofia Nóbrega de Oliveira, nº2, 8ºC
4º Prémio
O meu feliz Natal
Depois, eu gritava muito alto, dizendo:
- É Natal, é Natal vamos abrir as prendas!
Lá íamos todos abrir os presentes. Era tão divertido, lindo, alegre parecia um sonho.
Depois vestíamos roupas muito quentes e íamos para a rua brincar com a neve. Chegámos a fazer um grande boneco de neve.
A minha família toda junta era a coisa mais bonita do mundo.
Considerava-me a menina mais feliz do mundo, mas um dia os meus pais separaram-se e eu fui para uma instituição. Desde aí o Natal nunca mais foi o que era.
Lara Teixeira, 7ºF
Enviado por Rosa Canelas
La Navidad para mí es una época mágica porque nosotros nos olvidamos de todo el mal que nos ha pasado durante el año. Este momento también es mágico porque nos juntamos con nuestra familia que ya no veíamos hace un año y celebramos todos juntos esta noche. Me gusta la Navidad principalmente por los regalos.
Ensino Secundário
1.º Lugar: Daniel André de Carvalho - Escola Secundária do Morgado de Mateus
- Vila Real
“Carta a los Reyes Magos”
Laponia, lunes 13 de diciembre de 2010
Queridos Reyes Magos:
Me llamo Papá Noel, tengo 100 años y vivo en Laponia.
Este año he sido muy bueno: me he comido todo lo que me ponían en el plato y he recogido todos los juguetes. Por eso quería que me trajerais lo siguiente:
- Quiero que acabe la pobreza y también quiero que el Primer Ministro José Sócrates deje de ser Primer Ministro.
Me puedes dejar los regalos en mis calcetines que los encontrareis en el comedor. Para vosotros y para los camellos dejaré pastas y moscatel.
Así me despido,
Papá Noel
PD: Cuando lleguéis a mi casa, tened cuidado con mi perro, porque el dueño está arrestado.
2.º Lugar: Joana Barreiro - Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Pouca de Aguiar Sul - Vila Pouca de Aguiar
Barcelona, 2 de diciembre de 2010
Queridos Reyes Magos:
¡Ha llegado, una vez más, la Navidad! Sin duda, habréis recibido muchísimas cartas, ¿no es verdad? Creo que la gran mayoría de las cartas que recibís son de niños que quieren juguetes, muñecas, golosinas, en fin, una lista interminable de pedidos materiales.
¿Qué pasa con los sentimientos? ¿Por qué solamente en Navidad se hacen campañas de solidaridad? La gente necesita ayuda todo el año, ¿no es así? Me parece que tenemos que mostrar a nuestros hermanos menores, sobrinos, primos, vecinos, y a nosotros mismos, que hay que ayudar. Solo los seres humanos, son capaces de terminar con el hambre, con la injusticia y con la pobreza extrema…
Entonces, mi deseo más profundo para este año, es que nos ayudéis, que seáis mensajeros de paz, de alegría y de felicidad.
Tenemos tareas muy difíciles por delante, pero nada es imposible cuando lo hacemos con amor por los demás.
Votos de una feliz Navidad para todo el mundo.
Sofía
3.º Lugar: Mariana Sanches Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Pouca de Aguiar Sul - Vila Pouca de Aguiar
Carta a los Reyes Magos
Queridos Reyes Magos:
Empiezo por pedir que 2011 sea un año con tan buenos momentos como el año que está acabando.
Os pido también que nada material me falte porque lo que tengo es ya más que suficiente, pues hay gente muriendo de hambre y sufriendo malos tratos por parte de quien más aman. Sería injusto, de mi parte, si pidiese que los reyes acabasen con el hambre y con todo lo que va mal en el mundo, pues depende de todos nosotros. Os agradecería que hicieseis un lavado de cerebro a todos los habitantes de la tierra y el egoísmo y la crueldad abandonasen nuestro pensamiento.
Aguardo ansiosamente el nuevo año y con esperanza de un mundo más igual.
Saludos,
Anairam Só
Ensino Básico
1.º Lugar: Ana Sofia Martins Olival - Escola Secundária de São Pedro - Vila Real
MI DESEO
Queridos Reyes Magos:
Os escribo esta carta porque este año tengo que hacer una petición muy importante y quién mejor que vosotros para realizarla.
No voy a pedir ser muy rica, ni que el chico que a mí me gusta se enamore de mí. Quiero algo muy sencillo: os pido una estrella.
La que os pido no es como las demás, tiene una característica muy especial: no realiza deseos de las personas que la miran. Entonces, os preguntaréis que para qué quiero una estrella que no realiza deseos. Bueno, esa es la parte final y, sin duda, la parte más importante de mi petición. La estrella de la que hablo es la estrella de la esperanza. Me han dicho que en estos tiempos es una cosa muy difícil de encontrar. Así espero que consigáis traérmela.
Un saludo de la esperanzada y feliz, Ana.
2.º Lugar: Ana Sofia Nóbrega de Oliveira - Escola Secundária C/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real
Un Mundo mejor
Queridos Reyes Magos…
Este año no voy a hacer una lista muy grande…Me he dado cuenta de que este mundo está en un estado degradante. Al principio no quería creerlo, pero si es la realidad, no vale la pena, continuar pretendiendo que no la vemos.
Algunos tienen todo, otros no tienen nada…
Algunos mueren de hambre, otros en medio de la abundancia no saben lo que comer…
Algunos mueren en el frío, otros no pasan una noche sin calefacción…
Así que este año, queridos reyes magos os pido que la estrella que os ha guiado al niño, también guíe a todas las personas por buenos caminos.
Que no haya egoísmo y tampoco hipocresía, sino paz, compartir, igualdad y alegría, y que este mundo sea un mundo de verdad y de justicia.
Reyes Magos, ayudadme con esta petición, haced del Mundo, ¡un Mundo mejor, donde no haya conflictos y donde el amor reine!
3.º Lugar: Inês Duarte Carvalheira - Agrupamento vertical de Escolas Dr. João de Araújo Correia - Régua
Lunes, 13 de diciembre de 2010Queridos Reyes Magos, todas aquellas Navidades que pasé, siempre pedía un montón de cosas que necesitaba, pero me di cuenta de que en la Navidad lo más importante no es la cantidad, sino la cualidad. Así que os pido, Melchor, Baltasar y Gaspar, que esta época de vacaciones lo único que quiero es que mi hermano pueda vivir sano y muchos momentos felices conmigo. Nuestra felicidad no se logra con grandes y caros regalos, que rara vez los usamos, sino con pequeñas cosas que ocurren todos los días.
Besos:
Néh
Prémio extraordinário - LA MÁS DIVERTIDA
Patrícia Helena Silva Soares - Agrupamento Vertical de Escolas Dr. João de Araújo Correia - RéguaLunes, 13 de diciembre de 2010
Hola Reyes Magos,
Mi nombre es María, tengo 14 años y vivo en Portugal.
Os escribo porque estaba pensando cómo seriáis en la actualidad: camellos sustituidos por Ferraris, ropa ancha sustituida por las ropas de los Jonas Brothers y la estrella que utilizáis para seguir el camino correcto, sustituida por un GPS. Habrán cambiado también los regalos, oro, incienso y mirra: Baltasar ofrecería una semilla de un árbol que da de comer; Gaspar daría una gota de agua para calmar la sed y Melchor ofrecería mil euros para los regalos de Navidad.
Pensad en esta propuesta y tratad de venir este año.
Besos,
María.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Sala de estudo solidária
Agradecemos aos alunos do 8º Ano da disciplina de Educação Tecnológica as prendinhas que lá deixaram e que tornaram a Árvore dos desejos bem mais aprazível. Gostaríamos de continuar a ter a vossa artística participação!
Prometemos continuar a "animar" este vosso espaço para que nele se sintam confortáveis enquanto estudam ou fazem uma pequena pausa lectiva.
Bom ano a todos!
sábado, 1 de janeiro de 2011
Janeiro, 2011
Ou seja, se na realidade (geográfica, territorial, social, económica, política) que nos é mais próxima, identificamos o fraco crescimento populacional ou até um futuro decréscimo – mas fundamentalmente, a perda de uma sociedade mais jovem – como uma nuvem escura que pende sobre nós (sobre o factor trabalho, segurança social, capacidade de inovação, de empreendimento, de esperança), já de um ponto de vista global muitos se sentem alarmados com o crescimento de 80 milhões de pessoas anualmente. E são capazes de cruamente colocar o problema nestes termos: haverá um número excessivo de pessoas? Contesta-se, não sem razão, a própria pergunta com uma outra: pode alguma vez a pessoa ser excesso? A que ponto se degrada a nossa noção de pessoa quando esta é percepcionada como indesejada, descartável? Replicam: pois que a diminuição do número de nascimentos, em muitos países, teve a ver, muito pelo contrário, com a redescoberta, com a valorização – ou revalorização – da pessoa – pois que aquilo que esta necessita para harmoniosamente se desenvolver, não sendo mera força de trabalho como outrora, nem morrendo já necessariamente, as mais das vezes, muito cedo, implica um esforço que não condiz com a possibilidade de cada mãe, cada família, poder ter, digamos, oito ou nove filhos.
Bom, o que podemos e queremos concluir é que a questão do número de habitantes na Terra não se reconduz a um cálculo laboratorial do espaço e recursos disponíveis, chegando-se, pois, a uma conclusão sobre um quantitativo supostamente desejável de gente no nosso planeta. Não. A liberdade que nos define, a criatividade e engenho dos humanos, por um lado, fizeram com que as profecias mais pessimistas sobre a escassez de recursos não se tenha verificado – conseguimos, sempre, dar a volta; e porquê? Porque fomos criando novos instrumentos, produzindo mais, gerindo melhor – por outro lado, se não consideramos o humano supérfluo temos de fazer opções e temos essa capacidade: “Para mim, comer menos carne parece mais razoável do que dizer: “Tenham menos filhos!”, comenta, sugestivamente, Hervé Le Bras, a fechar a reportagem da National Geographic, uma revista que coloca, em muitas das peças, uma ambiguidade precisa, sopesa os argumentos dos vários prismas em confronto, não deixa de tomar partido, tem um óptimo papel e fotografia. Neste primeiro número de 2011, Robert Kunzig, o editor de Ambiente que assina este tema de capa, conclui que “há séculos que os defensores dos cenários pessimistas arremessam avisos apocalípticos aos optimistas congénitos. Até agora, em termos gerais, a história tem favorecido os optimistas: no entanto, a história não é um guia infalível para o futuro. Nem a ciência, pois esta não pode prever o resultado do confronto entre a demografia e o planeta, porque todos os factos do desafio dependem de escolhas que ainda teremos de fazer e de ideias que ainda nos surgirão”.
Esta é a primeira de várias reportagens, sobre a problemática da demografia, que a revista nos oferecerá ao longo deste novo ano. Um dos assuntos que irão, certamente, prender-nos nos próximos 12 meses.
Bom início de ano, Boa Semana.
Pedro Seixas Miranda
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
1ª eliminatória das Olimpíadas de Matemática
Categoria JUNIOR
Alex Morais Ramos
Ana Cristina Leandro
José Pedro Gonçalves
José Pedro Magalhães
Maria Beatriz Patarata
Sara Raquel Gil
Categoria A
Patricia Raquel Lopes
Categoria B
Rafael Silva
Filipe Cardoso
Enviado por A. Teixeira
Martin e Hannah
Ela evoca uma das mais célebres, interessantes, inquietantes e complexas relações (pessoais) no séc.XX: Martin Heidegger, o brilhante intelectual, um dos filósofos maiores dos últimos cem anos, o homem formado no classicismo greco-romano que tanto admirava, e crente nas figuras míticas germânicas, aderente às teses do nacional-socialismo; e Hannah Arendt, a aluna distinta, a pensadora de eleição, mais do que tudo, para o caso, a judia alemã que idolatrava o “pedagogo único” e que se vê perante um mar de contradições e angústias interiores que desafiam, como poucas, a condição humana.
A peça deixa, desde logo, a seguinte advertência, caso pensemos, exclusivamente, na biografia de Heidegger: a cultura não nos salva da barbárie.
Um homem com uma formação académica brilhante, uma cultura vasta, um profundo conhecedor dos maiores espíritos da Humanidade, um grande filósofo, não deixou de embarcar no projecto totalitário que conduziu à Shoa.
Isto reconduz-nos a uma questão que Peter Sloterdijk, em um livro polémico, “Regras para o parque humano”, coloca sobre a mesa: a crença que o projecto do humanismo – amansar a alma através dos livros, ou, se preferirmos, colocarmos as grandes obras a formar o carácter – transportava falhou. Hoje, diz-nos este autor, para lá desse momento histórico, a meio do séc.XX, que o pôs em causa, os “meios de desinibição de massas” – a saber, os telelixos, a pornografia, etc. – faz com que as cartas – leia-se, os livros – enviadas por amigos não encontrem – ou quase não encontrem – interlocutores. A solução (provocatória): o uso de antropotécnicas – leia-se, p.ex., mutações genéticas. Aí, porém, de imediato a questão do livre-arbítrio, da liberdade, ou da formação do super-homem não pode deixar de ser equacionada. E a alternativa a esse diálogo com os melhores espíritos seria, como Dante sabia, viver come brutti. Mas a advertência fica. Advertência completada, de resto, pela constatação de que o facto de Heidegger ser uma mente brilhante não o impedia de aspirar – e de nisso empenhar muito o espírito e o tempo – a salários melhores, progredir na carreira, conhecer e mover-se (também) muito naquilo a que se convencionou chamar “questões de mercearia”.
A peça retrata, principalmente, recentremos, essa perplexidade de um envolvimento amoroso entre Arendt – alemã judia – e o membro do partido nazi – Heidegger. A correspondência entre ambos não está, ainda, disponível ao grande público. Poucos a conheceram. Mas a Professora do MIT, Elzbietta Ettinger teve a ela acesso. Da leitura da obra que reflecte essa mesma troca de cartas – livro publicado em 2009, em Portugal - podemos perceber que a definição do problema é tudo menos fácil. Porque para além do rigor dos termos – a relação é amorosa, mas é, igualmente, e antes de mais nada, de Professor-Aluna; de tutoria; de admiração e veneração intelectual; de amizade; mais tarde, de interesse mútuo, paixão e admiração – nem sempre se compreende sem sobressalto o modo como Arendt desculpa o passado nada escrupuloso de Heidegger – na perseguição que ajuda a promover a alunos judeus, p.ex. -, as suas manipulações, as suas (de)negações tão pouco convincentes. O hercúleo esforço de Hannah na reabilitação da imagem de Heidegger, no pós-II Guerra Mundial, pode ainda, por outro prisma, ser tomado como afirmação de respeito próprio, de quem tenta, a seus próprios olhos, justificar um acreditar num personagem tão humanamente desagradável. E, aí, vai toda a possibilidade – no caso, impossibilidade – do altruísmo.
As hesitações, as mudanças bruscas de opinião sobre as pessoas, a relação com a mulher de Heidegger e com o seu próprio marido – uma teia de relações que cenariza, de facto, quão complexo é o mundo do humano. E para os mais optimistas, a conhecida noção de que “o amor supera o nojo”.
Uma peça que retrata uma relação que motiva mais dúvidas do que certezas, e que, por via dessas mesmas dúvidas, é tão pedagógica. Logo que esteja em reposição, convidem os alunos do Secundário a ir vê-la e a continuarem a reflexão na sala de aula. Um momento da História e de nós-outros que Primo Levi tão bem definiu como “Zona Cinzenta”.
Pedro Seixas Miranda
domingo, 26 de dezembro de 2010
Da possibilidade da interpretação
2-A partir do séc.XVI, a Europa Ocidental foi palco de uma cisão entre elites e massas, às elites promovê-los e, através do professor, que Ernst Gellner dirá estar na base da ordem social moderna, passá-los às massas descritas como ignorantes, irracionais ou vulgares.
Se a intelligentsia, pelo auto-afastamento de interesses particulares e/ou corporativos, pôde reivindicar, durante muito tempo, esse lugar tutelar do mundo, ainda que, paradoxalmente, pelo afastamento dele, a verdade é que, sobretudo a separação entre o Estado e a Cultura, com o acesso cultural a ser privatizado, não reconhecerá outro valor que não o da preferência subjectiva. A mercantilização da cultura levará a que o que conte seja o cálculo de probabilidades do que é vendável, o que mina a autoridade do critério do intelectual. Enganaram-se, porém, os que acreditavam numa absoluta homogeneização, porque aquilo que se verificou foi, antes, uma (inesgotável) multiplicidade de ofertas que pretendia chegar a todos os nichos (de mercado). Mas é certo, todavia, que as peças perenes e imutáveis dificilmente se distinguem num tempo tão acelerado em que a novidade – e, simultaneamente, seu contraponto, a obsolescência – são marca incontornável.
Zygmunt Bauman, um dos mais importantes sociólogos do nosso tempo, diz-nos que é muito possível que a glória histórica dos intelectuais mantivesse uma relação íntima com outros traços, hoje desaparecidos, que caracterizaram os tempos modernos: as grandes utopias da sociedade perfeita, os projectos de reorganização global da sociedade, a busca de critérios normativos de verdade, justiça e beleza. A alta condição dos intelectuais enquanto agentes e árbitros do progresso histórico e guardiães da consciência colectiva do auto-aperfeiçoamento da sociedade não podia sobreviver à crença no progresso nem à privatização dos ideais de auto-aperfeiçoamento.
Dizemos de outro modo: se o relativismo é erigido, desde cima, da função tutelar da sociedade, do professor, do académico, como o único dogma, como o único absoluto que rejeita todos os outros absolutos, então o eu é o único critério e então cada um de nós se sentirá, as mais das vezes, no mesmo plano para afirmar em qualquer matéria. O que esta aparentemente benigna horizontalidade, contudo, parece agora dispensar é o tal encontro com os livros e outras formas de conhecimento que poderiam levar, aí sim, a uma possibilidade de interpretação com um fundamento sólido e real.
Sem esse confronto com os livros, com as humanidades, não teremos mais do que “achismo”, mesmo que um “achismo” auto-satisfeito.
Como nos diz o sábio polaco, de Poznan, “os intelectuais pouca coisa têm a oferecer à maioria satisfeita dos países ricos, a menos que se disponham a entrar na cena cultural comercializada, apresentando as suas ideias como mais uma simples mercadoria nos centros comerciais apinhados que vendem kits de identidades prontos a montar pelo cliente”.
Pedro Seixas Miranda
sábado, 25 de dezembro de 2010
Da Família, ao Natal
Se Deus é amor, fazer a vontade Dele significa amar. E amar os (nossos) consanguíneos, pois claro, mas não nos ficarmos por aí. Como escrevia Frei Bento Domingues para o ano (novo) de 2008, o que Jesus diz é muito simples: aprendam a fazer família com quem não é da família. Será que muitos dos que vislumbram uma idade das trevas para a instituição familiar serão capazes de ver para lá do parentesco, ou, desde que os nossos estejam bem, tudo vai bem?
2-Por outro lado, olhar para a família, hoje, significa repensar papéis, contextos, mudanças que o tempo trouxe e indagar da melhor educação para cada menino (Jesus) que, mesmo que minguadamente, vai chegando a cada casa:
- é importante, em âmbito familiar, pensar e reflectir com a criança que cresce sobre o sentido que a Vida tem – ou como pode cada vida ser significativa -, significado esse que poderá ser rochedo de aconchego e superação madura das dificuldades inevitáveis, por que todos passamos?;
- é importante edificar uma educação onde a dimensão cívica esteja presente, a preocupação com a comunidade ou o bem comum – a preocupação que ultrapassa a rede dos nossos familiares e amigos -, ou devemos (apenas?) incutir a ideia de uma formidável especialização, com vista a uma boa carreira (profissional) e a uma felicidade (privadas)?;
- sobrelevarão, nas nossas preocupações quotidianas, as questões mais pragmáticas, ou a educação pela arte fará, também, sentido? E será mesmo possível uma visão eclética, polifónica da educação, ou, tendo mesmo de optar, o que faremos?;
- conseguirei formular um continuum entre instrução e educação, em que através da história, da Literatura ou das Artes consigo transmitir valores, ou tenho uma visão estanque destas duas dimensões (instrução e educação)?;
- e quando há muito a mulher se emancipou, a igualdade de género é uma urgência, o pai já não é figura distante, e é o seu papel que porventura mais em crise ficou no último
meio século, como actuar? A este propósito, em O Valor de Educar, Fernando Savater diz que ao pai se impõe, hoje, que (ainda) mantenha a referência de autoridade tão importante à estruturação da criança, mas que, simultaneamente, se maternalize. Conseguirá resgatar a autoridade entretanto esvanecida e maternalizar-se efectivamente?
Pedro Seixas Miranda
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Natal Multicultural
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
La chorale de Noël au lycée
Aos pequenos cantores e músicos que nos brindaram com uma magnífica interpretação dos seculares "Vive le vent" e "Mon beau sapin" o nosso BRAVO!
Ficamos à espera de mais.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Natal é… acarinhar quem nos acarinhou!
Os alunos da turma F do 9.º ano de escolaridade, acompanhados pelos seus professores, visitaram o Lar de Nossa Senhora das Dores no dia 14 de Dezembro, pelas 16 horas. Foram recebidos com muito carinho e atenção por parte dos utentes do lar. Estes declamaram poemas e dançaram alegremente, mostrando que a vida permanece dentro deles e para além do tempo.
Os jovens presentearam os seus “novos” amigos com uma coreografia e karaoke, e todos cantaram animadamente canções populares portuguesas.
E assim se fez Natal!
Enviado por Marília Martins e Elza Pinto
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
À Descoberta da Arte de Amadeo Souza-Cardoso e de Serralves
domingo, 12 de dezembro de 2010
O papel humanizador dos professores
Se há algo de que os alunos de Filosofia das nossas escolas secundárias não se podem queixar é do facto de terem, durante o período lectivo, uma carga enorme de argumentos e contra-argumentos relacionados com todo o tipo de questões durante as aulas. Será obra apenas dos alunos?
O papel humanizador, dedicado, mas exigente dos professores tem este traço solidário de serem eles a aprender na sua vez, mas depois dar a aprender, isto é, ensinar. Não será honrado ser-se professor, saber que se está a cultivar a cidadania nos alunos, esperando que ela germine, um contexto muito maior do que simplesmente dar a conhecer matérias?
No entanto, como se costuma dizer, nem tudo são rosas. Cultivar não é sempre sinónimo de conseguir, nem de vencer. O último passo, para colher os frutos, neste caso as flores, trata-se de as cortar gentilmente e calmamente, sempre tendo cuidado com os espinhos. A responsabilidade futura de um professor situa-se na condição que o trabalho por ele desenvolvido influenciará sempre o futuro dos alunos, e para uma rosa abrir é preciso ser-se delicado.
Assim, este trabalho requer cuidado, tempo e muita disponibilidade, pois o futuro e a responsabilidade que os professores têm sobre o futuro dos alunos, apesar de não serem os únicos, será determinante no futuro do país.
Pedro Baptista, 11ºB
Eu confio em vós, para que este futuro aconteça.
Eu, como mero estudante e aprendiz da vida, partilho a opinião de muitos sábios de que educar é das mais importantes formas de estruturar o carácter de uma pessoa e de definir os seus valores.
Como todos deverão saber, e bem melhor do que eu, a tarefa de educar é enorme e, ao contrário de muitos de vós, poucos terão a coragem e a preocupação de o fazer bem.
Para um mundo melhor não será de valor termos pessoas bem formadas, educadas e com vontade de fazer o acertado? Não será melhor alguém de carácter forte, com ganas de evoluir? Alguém capaz de habitar esta Terra e torná-la melhor? Pois, para isto é preciso começar do princípio, pela formação da pessoa, dar-lhe as bases necessárias para que ela possa suportar o peso da mudança, o peso do amanhã. O tipo de pessoa em que nos tornaremos depende dos valores dentro de nós e só uma educação apropriada nos dará os valores necessários para que o amanhã nasça radiante.
Eu confio em vós, para que este futuro aconteça.
«Permita-me, querida amiga, que comece este livro dirigindo-me a si para lhe prestar um tributo de admiração e para lhe dedicar estas páginas. Chamo-lhe “amiga” embora possa ser também um “amigo”, uma vez que me dirijo a todos e a cada um dos mestres. Optar pelo feminino, nesta ocasião é mais do que um piscar de olhos ao politicamente correcto. Em primeiro lugar, porque o ensino elementar neste país está maioritariamente a cargo do sexo feminino; em segundo, por uma razão íntima, que fica suficientemente esclarecida com a dedicatória da obra e que porventura está subjacente, como oferta de amor, à própria intenção de a escrever.
No que respeita à admiração, tão-pouco há a pretensão oportunista de adulação. Considero professores e professoras como a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático.»
Dedicatória da obra: “ Para a minha mãe, a minha primeira professora”.
Os testes de avaliação fazem parte da rotina escolar de professores e alunos e não raras vezes estão na origem de sentimentos de desagrado, quer por parte de alunos que são obrigados a realizá-los, quer por parte de professores que também não podem escapar à obrigação de corrigi-los…
Ainda assim, os frequentemente “mal-amados” testes podem reservar-nos agradáveis surpresas!
Neste caso, tratou-se da feliz união entre um excerto da obra “O Valor de Educar” de F. Savater, uma tarefa designada pela professora e a disponibilidade intelectual manifestada pelos alunos. Por fim, uma palavra de agradecimento a todos os alunos que reconhecem o valor de educar!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Dia Mundial dos Direitos Humanos
O Dia Mundial dos Direitos Humanos comemora-se no dia 10 de Dezembro, aprovado pela Assembleia das Nações Unidas em 1948. Resultou da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos que procura alertar toda a Humanidade na luta pela Paz e pela boa convivência entre as diferentes nações, raças, credos e ideologias. O vídeo, realizado pelos alunos das turmas A e E do 9.º ano com o professor de História, procura lembrar na Comunidade os Direitos Fundamentais do Homem... para que nunca se esqueçam !
Projecto «Histórias com História»
O projecto «Histórias com História» é um projecto anual que procura promover trabalhos de investigação no campo da História. No vídeo, apresentam-se pequenos projectos realizados pelos alunos das turmas A e E do 9.º ano sobre temáticas ligadas aos finais do século XIX e primeiras décadas do século XX, menos exploradas em aula e nos manuais escolares.
