quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Natal Multicultural
quinta-feira, 15 de julho de 2010
REFLEXÃO SOBRE A EDUCAÇÃO
Nos dias de hoje, é cada vez mais difícil impor disciplina a uma criança por parte dos pais. São estes que servem como base para a aprendizagem da criança sobre o que é aceitável ou não, e para tal têm de se mostrar compreensivos, mas ao mesmo tempo firmes, como mestres de si próprios. Decerto que essa imposição é dolorosa, pois são exercidas em momentos em que se sente a angústia da criança, mas o mais importante é verificar que após este momento se está num bom caminho. Deve-se recuperar o sentido da transmissão de gerações dos valores familiares. É necessário, para as crianças, terem referências seguras dos pais, para deste modo se poderem orientar na construção da sua personalidade. Por se dar neste momento demasiada liberdade às crianças de tenra idade, muitos jovens não respeitam os limites e valores da sociedade em que estão inseridos, fazendo asneiras e transgredindo as regras impostas. São estas crianças mimadas que podem levar a um futuro cheio de adultos com pouca maturidade. Assim, transformam-se em pessoas egocêntricas, considerando que tudo gira ao seu redor, preocupando-se apenas com o que lhes apetece. Diante disso, utilizam o ego para satisfazer as suas necessidades, que são meramente superficiais e não passam de simples desejos. Durante a fase em que frequentam o ensino escolar, não se sentem estimulados para o estudo devido à sua falta de interesse, e por esse motivo não adquirem competências ao nível linguístico e científico. Desse modo, não têm bons resultados escolares, e por vezes vêem como uma hipótese o abandono escolar. No meu ponto de vista, é necessário impor alguma ordem desde cedo, fornecendo os valores morais desde a fase da infância.
Rute, EFA C7, CLC
Enviado por Arinda Andrés
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Alunos de 12ºano dinamizam sessões de trabalho dos cursos EFA

Texto: Margarida Soares
segunda-feira, 31 de maio de 2010
NO “LICEU” VIVEM-SE NOVAS OPORTUNIDADES
Um dos pilares da Iniciativa Novas Oportunidades visa possibilitar “a todos aqueles que entraram na vida activa com baixos níveis de escolaridade, uma Nova Oportunidade para poderem recuperar, completar e progredir nos seus estudos. Não seria possível, por razões de justiça e de coesão social, abdicar do esforço da sua qualificação. Mas a verdade é que este esforço é também condição essencial para o nosso processo de desenvolvimento.” (www.novasoportunidades.gov.pt/)
Mas, o antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, entende que “o Programa Novas Oportunidades é uma «trafulhice» e uma «aldrabice» … os alunos que participam no programa Novas Oportunidades fazem um «papel», entregam ao professor e vão-se embora…E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano. Isto é tudo uma mentira.” (TSF, Notícias, 9.12.2009)
Afinal, quem tem razão?
E se ouvíssemos quem está no sistema? Incorporar nas nossas actuais percepções as experiências que por eles são vividas e sentidas, poderá ser um contributo importante para que cada um de nós construa uma opinião fundamentada.
Fomos então ouvir dez dos nossos alunos, alunos que frequentam os Cursos EFA em regime nocturno, na Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Com idades diferentes, com percursos de vida diferentes, com motivações diferentes, uns preparam-se para concluir o 9º ano, outros o 12º ano. Em tempos também eles diferentes: ano e meio, um ano, quatro a cinco meses, consoante o nível de escolaridade anterior.
A ideia de voltar à escola para completar o Ensino Básico ou o Ensino Secundário foi, para todos eles, a razão primeira para se inscreverem nos EFA:
“Era importante para mim acabar o 9º ano. Já tive dificuldades em arranjar emprego porque pediam o 9º ano.” – Trabalhador Agrícola 26 anos.
“Queria, principalmente, acabar o Secundário. É uma carta que temos que jogar para o nosso futuro, porque hoje já mesmo com a Universidade é o que se vê…” - Desempregada, 23 anos.
“Vim para acabar o secundário. Frequentei o ensino diurno na Régua, mas fiquei com disciplinas de 12º ano atrasadas, Matemática e Química…” - Operadora de Caixa, 19 anos,
O curso permite-lhes esperar mais do futuro, a nível profissional, seja para (re)entrarem no mercado de trabalho, seja para conseguirem um emprego que consideram melhor, seja, mesmo e tão só, para se tornarem profissionais mais eficientes no actual emprego.
“É mais fácil arranjar trabalho. Antigamente quem não tivesse a 4ª classe não conseguia um trabalho, o 12º ano agora funciona um bocado da mesma maneira. Para uma pessoa que não tenha o secundário completo é muito complicado.” - Desempregado 24 anos.
“Gostaria de arranjar outro tipo de emprego onde não me sujasse tanto, onde não apanhasse tanto sol.” - David, 26 anos, trabalhador agrícola.
“ Não me faz diferença para a minha progressão no emprego. Mas agora, com o que aprendi aqui, faço o meu trabalho com mais à vontade, com mais eficácia, melhor. Agora entendo as coisas de outra maneira.” - Funcionária Pública, 57 anos.
A frequência do curso, reconhecem, tem contribuído para o seu enriquecimento pessoal, sabem hoje mais do que sabiam:
“Muito do que tratamos aqui já eu sabia, aprofundo esses conhecimentos, outras coisas relembro, mas também aprendo algumas coisas novas. O saber não ocupa espaço e os EFA enriquecem o nosso saber.” - Empresária 35 anos.
“Aprendo muita coisa com os trabalhos de pesquisa e é importante aprender coisas novas, depois já pensamos de forma diferente. Quando era novo chumbei no 8ºano e depois comecei a trabalhar, ainda não tinha 18 anos. Comecei a ganhar dinheiro e depois, naquela idade, já não pensei mais em estudar. Não se pensa quando se é mais novo e depois, mais tarde, torcem-se as orelhas.” - Funcionário Público, 44 anos.
Por serem alunos dos EFA melhoraram os seus conhecimentos informáticos, o que é, admitem, imprescindível nos dias de hoje:
“Apesar de ter já feito cursos de computadores, estou a aprender mais, hoje funciono melhor com os computadores, com a internet. Para mim é importante porque na minha empresa tenho que trabalhar na área da gestão comercial, tudo através de computadores e programas informáticos.” - Empresária 35 anos.
“Gosto sobretudo dos computadores, eu não sabia nada, nadinha... E hoje todos temos que saber alguma coisa de computadores, toda a gente sabe mexer com os computadores, até os miúdos. Agora já sei ir à Internet.” – Desempregada, 37 anos.
Se são hoje cidadãos mais informados devem-no ao curso, afirmam, o que se reflecte na adopção de novas práticas, em prol não só do seu desenvolvimento pessoal, mas também do da sociedade, sobretudo as que se relacionam com a sua consciência ambiental:
“Foi o curso que me abriu os olhos para coisas que antes nunca tinha feito: ir ao teatro, às sessões da Assembleia Municipal… Hoje gasto menos água a tomar banho, na rua deito os papéis nos caixotes do lixo, separo o lixo: pôr o vidro no vidrão e o papel no papelão.” - Trabalhador Agrícola, 26 anos.
“O que aprendi aqui fez com que começasse a ter mais preocupações. Faço mais exercício físico, tenho mais cuidado com a alimentação, e isto tem a ver com os trabalhos., com o que aprendi aqui...”- Desempregado, 19 anos.
“Por causa disso, dos trabalhos, modifiquei algumas coisas na minha vida. Na poupança energética: desligar a televisão, não a deixar em stand-by, tirar o carregador do telemóvel da ficha, que antes deixava sempre ligado, nem fazia ideia que isso gastava energia.” - Trabalhador Sazonal em Restauração 26 anos.
O curso EFA é uma oportunidade única para muitos, porque lhes permite conciliar a escola com a vida profissional e familiar:
“Se não houvesse este sistema, não pensaria em voltar a estudar. Há uns anos ainda fui estudar à noite, mas desisti. Não era possível conciliar com a vida profissional, no meu trabalho estou sempre muito ocupado, se não for isto é aquilo. Não dava tempo para estudar “ - Funcionário Público, 44 anos.
“Era muito difícil noutro sistema conseguir tudo: casa, empresa… É um sistema diferente, não há testes, mas temos que ter responsabilidade, fazer os trabalhos nas aulas, para não acumular com o trabalho na empresa e em casa.” - Empresária 35 anos.
A forma como as aulas se estruturam e as boas relações com os professores e com os colegas são factores determinantes para continuarem o curso, com gosto e entusiasmo:
“Pensei que fosse uma coisa completamente diferente. É muito mais enriquecedor, temos palestras, vemos filmes e apreendemos coisas mais objectivas. Como somos avaliados pelos trabalhos, não temos testes, aprendemos não só para fazer as “fichas”, mas também tiramos ilações para a nossa vida do dia-a-dia.” – Desempregado, 24 anos.
“Gosto dos trabalhos e dos assuntos que estudo e gosto dos professores, o que é importante. Se calhar, se tivesse tido professores assim interessados de dia… também agora a minha idade é diferente. Gosto das aulas, dos colegas, dos professores, estão sempre disponíveis para qualquer coisa.” - Trabalhador Sazonal em Restauração, 26 anos.
Frequentar este curso fez nascer ou crescer nos alunos a ideia de continuar a estudar, de ir para o Secundário ou para a Universidade.
“Vou continuar a redescobrir coisas. Vou para o Secundário, enriquecer os conhecimentos. E aconselho a toda a gente.” - Funcionária Pública, 57 anos.
“Não quero ficar por aqui. Gostava de seguir Engenharia Informática, era já uma ideia anterior, mas este curso ajudou-me a consolidar esta ideia. Quanto mais trabalho com os computadores, mais me entusiasmo e mais quero saber.” - Desempregado, 19 anos.
“Tenho intenção de ir para a Universidade. Inscrevi-me nos “maiores de 23” vou fazer as provas ainda este ano. Mesmo que entre vou acabar o Secundário, porque se não conseguir acabar a Universidade e se também não acabar este curso, quando pedir um certificado só fico com o 9º ano.” - Trabalhador Sazonal em Restauração, 26 anos.
Se, em alguma medida, se revê no que foi dito pelos nossos alunos, a Escola Secundária Camilo Castelo Branco oferece-lhe a oportunidade de frequentar os cursos EFA (regime nocturno) e de poder completar o 9º ano ou o 12º ano de escolaridade.
Venha ter connosco, ajudá-lo-emos a esclarecer as suas dúvidas, quer pessoalmente, quer por correio electrónico. Neste último caso, não hesite em escrever-nos para liceunovasoportunidades@gmail.com.
sábado, 29 de maio de 2010
Dia Mundial da Biodiversidade no Viveiro dos Poetas - EFA C7
DEZ HORAS DA MANHÃ DE UM SÁBADO CHEIO DE PLANOS
Já o sol cinzelava a copa de frondosas e rumorejantes árvores, e o verde se esbatia em todas as cores, memórias de outro tempo; já a luz, em poalha de oiro, se espelhava na água ainda adormecida do rio, que regurgitava alegremente nos regatos e cantarolava no ribeiro da Quinta dos Poetas, onde uma enorme variedade e variabilidade de árvores, arbustos e flores do mais requintado e fino calibre, em magistral jogo de tamanho, cor, textura e crescimento evocavam um quadro bucólico, através da recriação nostálgica de um tempo de simplicidade e pureza, da vida no campo, ideal de “aurea mediocritas,” desta vez bem encarnado na pessoa de Maria José, uma formanda de bem com a sua profissão, viveirista e, naturalmente com a vida, pelo entusiasmo que empresta ao seu discurso, manifesto de verdadeiro sucesso e prova de que os percursos individuais são afectados pelas condições culturais, sociais e económicas. Dez horas da manhã, sábado, dia mundial da biodiversidade; foi neste agradável contexto que se inscreveu a visita ao viveiro da Quinta dos Poetas, actividade do curso NOVAS OPORTUNIDADES, EFA C7, DA ESCOLA SECUNDÁRIA CAMILO CASTELO BRANCO. Formadores e formandos, numa extensa área de 5 a 6 hectares de terreno, em que as árvores vestiram o papel de protagonistas, assistiram a uma natural e bem contextualizada explicação sobre a poda, a fecundação, a rega, o envasamento, e a sementeira; reutilizar, equilíbrio sustentável, realização profissional, liberdade, natureza, foram temas que ali ganharam visibilidade, realçados pelo emocionante tributo dos formandos, dando sugestões para uma melhor e mais justa distribuição de riquezas, respeito pelo meio ambiente, preservação de espécies, perante a impassibilidade e imperturbabilidade de imponente vegetação.
Se a expressão ensino/aprendizagem parece não ser a medula central desta actividade, não deixou, contudo, de marcar presença e até com grande impacto na motivação,na abordagem eminentemente séria e promovendo uma interessante intertextualidade no domínio da Literatura,da Física, da Botânica e de tantos outros saberes, num ambiente de à vontade e especialmente de encantamento, manifestado desta forma, tão sentida:
«É uma maravilha, acordar e ouvir os passarinhos!»
E todo este sonho se deve à iniciativa de uma jovem;ao seu apego à terra; à vontade de ser autónoma, profissionalmente, apesar de toda as vicissitudes que possam surgir.
Há que ser persistente e investir na concretização dos objectivos.
Vila Real, 22 de Maio de 2010
Texto: Arinda Andrés
domingo, 16 de maio de 2010
Os EFA passeiam no parque do Corgo, pela mão da Camilo
Terminada a caminhada, formadores e formandos descansaram por algum tempo no café “O Moinho”, ocasião propícia ao delinear de novas propostas de trabalho. Enfim, a escola veio para a rua, acompanhada pelos professores e em contacto com a natureza, numa atitude dinâmica de aprendizagem. É pena que a escritora, Alice Vieira, não tivesse participado, e confirmado que ali não houve rotina nem trabalho de corte e cola. Pelo contrário, foi um trabalho de dinamismo e criatividade.

Texto: Arinda Andrés; Fotografias: Isabel Machado
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Um sonho!… uma ambição!
As Novas Oportunidades são já uma realidade e, quer se aceite ou não, fazem parte do vocabulário e do quotidiano de muitos portugueses. De facto, as pessoas formatadas para conceber, apenas, a aprendizagem formal, encaram-nas com grandes reservas e até com desconfiança: Como é que alguém com menos de metade das horas de formação, relativamente ao ensino regular, poderá desenvolver as mesmas aprendizagens/competências? A resposta é simples! Quem procura formação nestes cursos não quer nem precisa desenvolver o mesmo tipo de aprendizagens/competências. É errado pensar que pessoas que, por diversos condicionalismos, não conseguiram concluir os seus estudos na idade “considerada própria” para o fazer, procuram, mediante um regresso ao passado, recuperar o tempo perdido e fazer o mesmo percurso.
São pessoas… com sonhos… com ambições… e que não cruzam os braços. Mas porque têm que conciliar a vida profissional com a pessoal, aumentar as qualificações é, muitas vezes, um “projecto de vida” adiado. Acreditam nas suas capacidades e sabem que nunca é tarde para “aprender”, embora cientes que, agora, o percurso tem que ser diferente. Para estas pessoas as “Novas Oportunidades” surgem como “ouro sobre azul”.
Nestes cursos o adulto obtém o reconhecimento das competências adquiridas, em contextos informais, ao longo da vida e, ao permitirem elevar as qualificações de base, são também uma forma de justiça social. Induz o reconhecimento individual da capacidade de aprender e possibilita a aquisição de competências e níveis de qualificação que promovem o sucesso e a empregabilidade.
É uma formação norteada pela valorização e mobilização de saberes culturais, científicos, tecnológicos, e, pelas práticas e experiências de vida dos formandos como forma de abordagem das situações/problema. Tem em linha de conta o ritmo de cada formando numa lógica de diferenciação, consolidação de percursos de auto-aprendizagem, reflexividade pessoal e formação individual.
“Ao longo do curso abordámos assuntos de grande utilidade, como por exemplo que as futuras gerações têm o direito de ter um ambiente, pelo menos, igual àquele que nós recebemos e que por isso temos o dever de proteger o ambiente. E hoje sei que a mudança tem que começar por mim! Após as competências desenvolvidas nos temas Abertura Moral e Ética considero-me uma pessoa mais coerente, com uma mentalidade mais aberta, que aceita melhor as diferenças e que sabe que tem de respeitar “o outro”, se quer ser respeitado. Muitas foram as reflexões…mas também as gargalhadas… Agradeço às formadoras, principalmente, pela paciência e pela preocupação em fazerem, de cada um de nós, uma pessoa melhor”, Marcos, 24 anos.
“Esta oportunidade de concluir o 12ºano, através das Novas Oportunidades foi muito importante porque de outra forma, devido à minha idade e à dificuldade em conciliar os estudos com a vida profissional e pessoal, seria impossível. Gostei muito porque me ajudou a mudar a maneira de ver e compreender o “mundo”. As formadoras promoveram o debate, a troca de experiências e de saberes, e procuraram desenvolver competências com aplicação prática, o que constituiu um verdadeiro enriquecimento para mim, com inevitáveis implicações no meu dia-a-dia”, Lucília, 52 anos.
Faz como a Lucília e como o Marcos, não desistas dos teus sonhos!...
Isabel Machado