quinta-feira, 24 de maio de 2012
Entrevista
Dia 18 de maio, a Mediateca da ESCCB realizou outra das suas
actividades constante do PAA: a entrevista ao treinador da equipa de futebol de
Vila Real, Abel Ferreira.
O público, sobretudo cerca de 50 alunos e 5 professores, acompanhou
com interesse e participou com agrado na atividade conduzida por José Manuel
Costa.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Leonor e Raquel andavam preocupadíssimas, pois não sabiam
como realizar o trabalho de português. Depois de lerem muitas revistas e de
consultarem imensas fontes, chegaram à conclusão de que não existia nenhum assunto,
nem nenhuma personagem que lhes provocasse algum interesse. No meio de tantos
papéis e de alguma desilusão, encontraram um anúncio publicado por volta de
1960, que enunciava a existência de uma cadeira mágica capaz de trazer do
passado qualquer pessoa. Este assunto agradou-lhes, uma vez que existiam
imensas personagens históricas, que continham uma vida muito interessante para
ser explorada, Sem mais demoras, saíram as duas juntas, em direção ao Museu
Nacional, onde procuraram a cadeira. Depois de tanto procurarem, foram
encontrá-la numa sala de arrumos completamente vazia. Rapidamente realizaram
todos os procedimentos para voltar a dar vida ao famoso Vasco da Gama
(personagem escolhida por elas devido feitos realizados por ele na
antiguidade). Após esperarem breves minutos, foram maravilhados com o mágico
fenómeno que ocorria mesmo ali, à frente dos seus olhos. Não tiveram tempo para
contemplar a imagem que estava diante dos seus olhos, pois ouviram-se passos no
corredor. Pegaram em Vasco da Gama e fugiram pela porta das traseiras apanhando
o primeiro táxi que apareceu. Foi no táxi que começou o trabalho destas duas
raparigas. Começaram por lhe explicar tudo o que aconteceu e depois partiram
para a entrevista. Começaram por lhe perguntar: 10ºA
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Exercício físico, um benefício essencial para o nosso bem-estar
Entrevista com a nutricionista Libânia BragaO nosso corpo é uma máquina que precisa gerar a energia necessária à realização das nossas actividades. Sendo assim, é indispensável que o “combustível”, neste caso a alimentação, seja adequado. Se utilizarmos alimentos inadequados ou de maneira errada, o rendimento baixa e o nosso desempenho fica comprometido.
Para tentar conhecer os perigos de uma má alimentação, em especial por parte dos jovens, os métodos e procedimentos utilizados numa avaliação de diagnóstico, o conceito de alimentação saudável e as relações entre desporto e nutrição, fomos entrevistar uma nutricionista. A pessoa entrevistada chama-se Libânia Raquel Gonçalves Braga, é Dietista, formou-se na Escola Superior de Saúde Jean Piaget e exerce profissão na DREN há um ano, fazendo o acompanhamento, em termos nutricionais, da Escola Secundária Henrique Medina e do Agrupamento de Escola das Marinhas, em Esposende.
Grupo Três - Um das profissões mais faladas nos nossos dias é a de nutricionista. Quais são exactamente as funções e o âmbito de actuação de um nutricionista?
Libânia Raquel - O Nutricionista/Dietista é um profissional de saúde, cujo objectivo essencial consiste na aplicação das ciências da nutrição no tratamento de doenças e na promoção da saúde, a nível individual e colectivo. Na sua prática, o Dietista pode assumir diferentes funções, em três grandes áreas de intervenção. Na Área Clínica, é responsável pela avaliação nutricional, pela determinação das necessidades nutricionais, pela planificação e supervisão de planos alimentares, pelo aconselhamento nutricional, em consulta ou durante o internamento; neste âmbito, colabora com equipas multidisciplinares de saúde na definição de protocolos e estratégias que promovam a recuperação/melhoria na saúde nutricional e funcional dos doentes.
Na Área Comunitária ou de Saúde Pública, está directamente envolvido na promoção da saúde e na prevenção da doença, mediante o estabelecimento de políticas que conduzam à promoção de hábitos alimentares saudáveis, tendo em vista a saúde nutricional das populações. Finalmente, na Área de Restauração Pública e Colectiva, é responsável pela organização e gestão de serviços de nutrição e dietética em instituições hospitalares e não hospitalares (empresas, etc.) e intervém na gestão da restauração pública e colectiva, proporcionando refeições de qualidade e equilíbrio nutricional a indivíduos ou grupos. Em suma, o Nutricionista / Dietista aplica os seus conhecimentos e competências profissionais em diversos contextos: promoção da saúde, terapêutica, segurança alimentar, administração e gestão dos serviços de alimentação e dietética.
GT - O nutricionista/dietista é cada vez mais procurado nos dias de hoje. Na sua opinião, e de acordo com a sua experiência profissional, essa procura está associada com a busca da imagem ideal, ou com a prevenção de problemas de saúde?
LR – Inicialmente, deparei-me com algumas situações em que era apenas por mera questão de visual, pela busca da aparência física “ideal”. Actualmente, embora me continue a deparar com estas motivações, noto que as pessoas procuram um dietista sobretudo por questões de saúde, pois estão cada vez mais alertadas para os problemas de saúde que advêm, por exemplo, da obesidade, e pelo bem-estar físico e mental (“corpo são, mente sã”…).
GT - Ainda de acordo com a sua experiência, quem procura mais as consultas de nutricionismo? Jovens? Adultos? Pessoas de meia-idade? Idosos?
LR - O meu tempo de experiência nesta área ainda não é muito, mas nas áreas em que trabalhei tenho encontrado um pouco de tudo. Inicialmente, na área da Nutrição Clínica encontrava pessoas de todas as idades - os jovens para manter a forma física, os adultos para perda de peso e prática de vida saudável, e os idosos porque de repente apareceu a Diabetes, o Colesterol ou a Hipertensão e precisam de ajuda para aprenderem a comer e a lidar com estas patologias. Actualmente, como estou na área escolar, apenas os jovens.
GT - Numa primeira consulta, aquando da avaliação de diagnóstico, que procedimentos adopta habitualmente?
LR - Depende dos casos. Inicialmente faz-se uma pequena entrevista sobre os dados pessoais, os dados socioeconómicos, a história clínica e uma avaliação dietética que consiste em avaliar a história alimentar (recordação das 24 horas anteriores). Posteriormente, faz-se a avaliação antropométrica. Mediante o diagnóstico obtido, processa-se a elaboração do plano alimentar adequado às necessidades nutricionais que cada pessoa exige.

GT - O que se entende por “alimentação saudável”?
LR - De uma forma geral, a Roda dos Alimentos ajuda a clarificar esse conceito. Uma alimentação saudável deve ser completa (deve-se comer alimentos de cada grupo e beber água diariamente); equilibrada (deve-se comer uma maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão, de forma a ingerir o número de porções recomendado); variada (deve-se comer alimentos diferentes dentro de cada grupo, variando diariamente, semanalmente e nas diferentes épocas do ano).
GT - Existe uma “dieta-padrão” ou cada pessoa deve seguir o seu próprio regime alimentar? No caso de existir uma “dieta-padrão”, em que consiste exactamente?
LR - Não, não existe uma dieta padrão, cada pessoa tem o plano alimentar adequado às suas necessidades energéticas. Estas são calculadas através da avaliação antropométrica e do tipo de actividade física que cada pessoa exerce. Por exemplo, duas mulheres com a mesma idade, peso e altura, mas com profissões diferentes (uma é secretária e não faz qualquer tipo de exercício físico, outra tem um trabalho muito activo e pratica ginásio duas vezes), embora possam ter a mesma avaliação antropométrica, são completamente distintas a nível de necessidades energéticas diárias. A senhora sedentária precisa de muito menos calorias por dia do que a senhora que pratica exercício físico, que necessita de mais calorias por gastar muito mais energia do que a anterior.
GT - Como se mantém o peso ideal?
LR - O peso ideal mantém-se com a prática de uma alimentação saudável associada à prática de exercício físico.
GT - A partir de uma certa faixa etária (15-18 anos), os jovens vão cada vez mais preterindo a alimentação saudável (em casa ou nas cantinas escolares), a favor de uma alimentação rápida e inadequada, recorrendo, na maior parte das vezes, ao fast-food em qualquer restaurante ou café. Em termos da saúde futura (e presente…), este comportamento alimentar pode trazer sequelas? Se sim, quais?
LR – Sim, sem dúvida alguma, poderão vir a desenvolver várias patologias associadas aos maus hábitos alimentares, como obesidade, diabetes, colesterol, hipertensão, entre outras.

GT - Na sua opinião, o que poderá estar na base deste comportamento alimentar? Que estratégias se podem/poderiam utilizar no sentido de alterar/corrigir estes hábitos alimentares errados?
LR - Estando eu ligada a esta área, o que verifico é a falta de educação alimentar. Começamos a aprender a comer desde os primeiros meses de vida, e se essa educação falhar, falhará posteriormente e leva a estes comportamentos. Cada vez mais os pais têm menos tempo para estar com os filhos e para preparar uma refeição saudável e muitas vezes recorrem ao "Fast-Food" e isto passa a ser um hábito que se vai adquirindo e dificilmente se muda. O problema da ausência de adolescentes nas cantinas escolares deve-se por vezes à falta de controlo das ementas escolares, e falta de opções para elaborar pratos diferentes com a mesma qualidade visual (porque os olhos também comem) e de forma saudável.
GT - Actualmente, o assédio dos media e da moda afirma padrões estéticos muitas vezes fora do alcance de um corpo normal e saudável. Emagrecer torna-se, então, uma obsessão. Isto reflecte-se cada vez mais na nossa sociedade, sobretudo nos jovens, que, frequentemente, se submetem, de moto próprio e sem qualquer acompanhamento de um especialista, a rigorosas dietas. O que pensa dos produtos diet e light? E dos produtos “Sem” (sem açúcar, sem gorduras, …)?
LR- É uma questão que muitos alunos me colocam, “porque é light ou diet então posso comer/beber porque não faz mal”. Os Diet são produtos em que há eliminação de um ou mais ingredientes da fórmula original, ou seja, são aqueles cuja composição acompanha as necessidades físicas, metabólicas, fisiológicas e/ou doenças específicas. Por isso, um alimento diet não significa necessariamente que tenha menos calorias. Nesses casos estão incluídas dietas como restrição de açúcar, sal, colesterol, gorduras, proteínas, glúten, entre outras. Os produtos diet que excluem alguns componentes do produto original vão acrescentar outros para manter a mesma consistência e sabor o que por vezes torna o alimento mais calórico. Nos alimentos light há redução mínima de 25% na quantidade total de um ou mais ingredientes, o que não significa que um alimento light tenha mais calorias que o diet, já que depende do nutriente que teve a redução da quantidade, por exemplo, açúcares, gordura saturada, gorduras totais, colesterol e sódio comparados com o produto tradicional ou similar de marcas diferentes. Por isso, o ideal é, sempre que possível, não optar por nenhum deles mas sim pelos originais de forma regrada.
GT - O que pensa das dietas de emagrecimento miraculosas anunciados nas revistas, na televisão e até nas farmácias?
LR - Discordo completamente. Infelizmente há muita procura desse tipo de dietas de emagrecimento pois são de fácil acesso a nível monetário e têm um enorme impacto a nível de resultados rápidos. Muitas das pessoas quando nos procuram exigem um bom resultado num curto espaço de tempo, e por vezes não pensam na saúde mas sim no objectivo que é perder peso seja da forma que for, daí que frequentemente recorram a essas dietas e suplementos desconhecendo os efeitos nocivos para a saúde.
GT - Que problemas que estas dietas espartanas podem causar em termos de saúde (a curto e médio prazo)?
LR -Vários problemas. A curto prazo, podem desenvolver-se, por exemplo, desordens a nível intestinal (quando há a utilização de laxantes), e, em muitos casos, a longo prazo, podem surgir graves problemas intestinais por destruição da flora. Noutros casos, o descontrolo total do que é saudável e do limite de emagrecimento, leva à anorexia; a falta de informação sobre, por exemplo, os suplementos que se tomam, pode conduzir à deficiência de vitaminas e minerais indispensáveis para o crescimento e manutenção do equilíbrio do organismo e, a longo prazo, pode gerar sérios problemas de saúde.
GT - Pensa que factores psicológicos omnipresentes nas sociedades mais desenvolvidas, como o stress, a pressão no trabalho e na escola, a depressão, entre outros, podem, de algum modo, estar relacionados com a obesidade e os distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia?
LR - Sem dúvida alguma, e cada vez mais. As pessoas vivem num stress constante e por vezes “vingam-se” na comida, quer comendo demasiado, quer deixando de comer radicalmente.
GT - Muitas vezes, seguir uma dieta alimentar adequada não é suficiente para se conseguir manter o peso ideal. Então há que associá-la, também, à prática regular do exercício físico, nomeadamente a prática desportiva. Em termos de manutenção do peso ideal, que contributos adicionais pode trazer a prática regular do exercício físico?

GT - Para mantermos um peso saudável e evitar doenças graves, qual o exercício físico mais adequado e que duração deve ter?
LR - Depende muito de pessoa para pessoa, das suas necessidades e possibilidades. Mas de uma forma geral, a caminhada, cerca de 20 a 30 minutos por dia, seria indicada para qualquer pessoa, embora, como é óbvio, dependa de pessoa para pessoa o tipo e a duração de cada exercício.
GT - Quando um jovem pratica desporto com regularidade, que dieta alimentar deve seguir (incluindo a quantidade e a periodicidade)?
LR - Tal como explicado anteriormente, os planos alimentares são feitos de acordo com os dados de cada um (peso, altura, idade e tipo de actividade física) por isso é impossível responder a esta questão dessa forma. Mas posso dar dois exemplos de dois casos do mesmo sexo mas com actividades diferentes: Um rapaz de 18 anos, mede 1,80m, pesa 72 kg e pratica atletismo diariamente cerca de 1hora por dia. O outro, com 17 anos, mede 1,65m, pesa 80kg e pratica apenas Educação Física duas vezes por semana. Para o primeiro rapaz, que está com o peso ideal para a sua altura, teria que elaborar um plano de 2730 Kcal (kilocalorias) devido à actividade que pratica ser muito intensa, daí precisar de mais energia para desgastar. Para o segundo rapaz, que está com peso a mais, cerca de 20kg, teria que elaborar um plano para perda de peso. Mesmo tendo em conta que só prática exercício duas vezes por semana, o plano dele seria de cerca de 1800Kcal diárias devido ao excesso de peso e ao exercício físico ser moderado.

GT - Existem cuidados especiais a ter em conta, em termos alimentares (comida e bebidas), antes, durante e depois da actividade desportiva?
LR - Sim, existem. No que diz respeito à comida, deve-se ter em conta alimentos de fácil digestão; no que diz respeito à bebida, aconselho sempre água. É muito importante a hidratação de um desportista, por vezes existem falhas graves que levam a casos sérios de desidratação.
GT - Se a actividade desportiva implicar a participação em competições, os cuidados a ter com a alimentação alteram-se? Se sim, de que modo?
LR - Hoje em dia, recomenda-se aos atletas que a sua alimentação seja composta de cerca de 65% de hidratos de carbono e de menos de 20% de gorduras. Muitos atletas de competição aumentam a sua reserva de energia ingerindo ainda mais hidratos de carbono, durante os dias que antecedem a prova. Esta “carga de hidratos de carbono” garante que os seus músculos acumulem glicogénio, uma substância altamente energética que fornece aos músculos as reservas de que necessitam e os prepara para a sua actividade. A informação acerca da quantidade de energia e dos nutrientes dos alimentos, que pode ser encontrada nos rótulos das embalagens, é frequentemente apresentada em kilojoules e em kilocalorias: 4,2 kJ = 1 kcal,.etc.
GT - A vontade de comer alimentos com açúcar antes de uma competição pode prejudicar o desempenho/rendimento do atleta?
GT - Hoje em dia, o mercado coloca ao dispor dos atletas uma enorme variedade de produtos, nomeadamente, Should I be using any sports drinks, vitamin supplements, amino acid supplements, energy bars or salt pills?bebidas energéticas, suplementos vitamínicos, suplementos de aminoácidos, barras energéticas ou comprimidos de sal. O que pensa destes produtos?
Neste momento devem estar a questionar-se sobre a identidade do Grupo Três. Pois bem, somos alunas do 12º ano, e constituímos o grupo de trabalho de Área de Projecto da Turma C, que está a desenvolver um projecto subordinado ao tema “Desporto e Nutrição – da teoria à prática”. Com esta entrevista pretendemos sensibilizar / alertar toda a Comunidade Escolar, e em particular os alunos da nossa escola, para a importância de uma alimentação adequada e mostrar que a prática desportiva ou o exercício físico regular aliados a uma alimentação correcta e equilibrada são indispensáveis para um estilo de vida saudável.

Área de Projecto, 12ºC
Ana Meireles, nº1, Joana, nº7, nº8, Vânia Cima, nº16,Vânia Monteiro, nº18
quinta-feira, 10 de março de 2011
Entrevista aos professores António Teles e Tiago Carvalho
De acordo com a estrutura da entrevista, procedemos, inicialmente, à apresentação dos professores. Tarefa a cargo de dois alunos.
Prosseguimos com perguntas orientadas e constantes do guião. Ao professor António Teles, colocamos uma questão sobre a possibilidade de haver relações de semelhança entre os processos usados por Giotto nas suas pinturas iniciais e os graffiti.
O professor lembrou que no tempo do pintor italiano não havia sprays, nem paredes para pintar. Indicou as diferenças que particularizam essas práticas quer ao nível dos materiais, quer da intenção comunicativa. A seguir, reportou-se aos riscos de os graffiteurs poderem ser apanhados pela polícia.
Por sua vez, o professor Tiago Carvalho informou os alunos sobre o processo de construção de Veneza. Nas suas palavras, Veneza estava construída sobre uma base feita de madeira, mergulhada na água, sobre a qual as casas estão edificadas. No que respeita à construção comparou esta cidade à nossa capital, especificamente à baixa pombalina. Acrescentou também que antigamente Veneza era constituída por 65 ilhas e actualmente por 117.
Entretanto, chegou o professor Ricardo Santelmo que já esteve diversas vezes em Veneza. Respondeu a questões livres sobre esta cidade. Da sua intervenção destacamos a referência a um dos problemas de Veneza: a subida do nível das águas e, ainda, a necessidade de o evitar. Disse-nos que estão a investigar a diversos níveis uma solução para tão grave problema, nomeadamente a possibilidade de construir uma barragem, embora as consequências de uma possível tempestade possam ser desastrosas, destruindo tudo.
Depois de estarem esclarecidas as nossas questões e dúvidas, agradecemos aos professores.
7ºD
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Entrevista a Rui Silva, árbitro de futebol
Inicialmente, José Costa, o entrevistador, apresentou Rui Silva e divulgou os aspectos mais relevantes da sua carreira de árbitro.
Seguiu o guião da entrevista composto por 1 dezena de perguntas, a que o entrevistado respondeu criando com o público uma relação de empatia que é obrigatório realçar.
Findo este período, formandos e professores colocaram, uma a seguir a outra, várias perguntas ao entrevistado que sustentou uma comunicação participada, explicitando as situações a que os presentes aludiam.
Desta entrevista resultou uma clara demonstração da necessidade de formar para a cidadania, da importância da vontade e do trabalho no percurso de um profissional, e no caso, também de um árbitro que queira firmar a sua carreira com dignidade.
CURSO EFA C8, CLC
quinta-feira, 4 de março de 2010
Entrevista a uma Educadora de Infância recém-formada
“Em que outro lugar receberias um sorriso do tamanho do mundo todas as manhãs?”Uma Educadora de Infância marca uma criança indelevelmente, uma vez que o primeiro contacto com esta figura é essencial para um desenvolvimento escolar saudável e com sucesso.
Para podermos saber um pouco mais sobre esta profissão, convidámos Sílvia Matias, uma Educadora com pouca experiência mas com uma grande vontade de trabalhar e pôr em prática tudo o que aprendeu.
Sílvia tem 23 anos, e está a terminar o mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico. Ainda não está a exercer a profissão, mas já teve contacto com crianças, em várias instituições, nas quais estagiou.
- Que razões a levaram a optar pelo Curso de Educação Pré-escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico?
- Quando entrei para a universidade, frequentei o antigo curso de Educação de Infância. No decorrer do 3º ano, e com a entrada em vigor do Tratado de Bolonha, o curso mudou de nome, passando a designar-se de Curso de Educação Básica. Não ficando satisfeita com a licenciatura, e como tinha a oportunidade de tirar o Mestrado, optei pelos dois níveis de ensino – Pré-Escolar e 1º Ciclo. Sempre gostei muito de crianças, e considero este tipo de trabalho louvável e dos mais importantes. Em que outra profissão poderia pôr laços no cabelo, fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs? Em que outro local te diriam todos os dias “és linda!”? Em que outro trabalho te abraçariam para te dizerem o quanto te querem? Em que outro lado te esquecerias das tuas tristezas para atender ao joelho esfolado ou ao coração afligido? Onde receberias mais flores? Onde mais poderias iniciar na escrita uma mãozinha, que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro? Onde poderias ensinar a ler? Em que outro lugar receberias um sorriso do tamanho do mundo todas as manhãs? Em que outro sitio te fariam um retrato grátis? Em que outro lugar as tuas palavras causariam tanta admiração? Em que outro trabalho te receberiam de braços abertos mesmo depois de teres faltado um dia? Onde poderias assistir no 1ª fila à execução de grandes obras de arte? Onde poderias aprofundar os teus conhecimentos sobre a Ciência? Em que outro lugar derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes? Enfim…. os que menos têm são os que mais nos dão!
- Que Universidade frequentou? Ficou satisfeita com as condições que aí lhe foram proporcionadas?
- Frequentei a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). De um modo geral, sim, fiquei satisfeita. Contudo, o plano de estudos da antiga Licenciatura, no meu entender, estava melhor elaborado, no que diz respeito às unidades curriculares, ou seja, tinha disciplinas devidamente orientadas para a prática. Além disso, penso que temos pouca metodologia.
- Quais foram as maiores dificuldades que sentiu no decorrer do Curso? Conseguiu superá-las?
- Não lhes vou mentir, nunca tive dificuldades que me tirassem o sono. Embora tenha deixado uma cadeira para trás (Matemática 3), muito por culpa do professor, que foi posteriormente retirado da leccionação, consegui melhorar a nota no momento do exame.
- Visto que com o Tratado de Bolonha teve a oportunidade de contactar durante o estágio com crianças dos dois níveis de ensino (Pré-Escolar e 1º Ciclo), em que nível gostou mais de trabalhar?
- No Pré-Escolar, claro. De facto, no 1º Ciclo as coisas são mais fáceis devido aos documentos publicados pelo Ministério da Educação (competências essenciais e programas), que nos indicam todos os passos a tomar, e aos livros que vêm já com complementos de fichas de trabalho. Quanto ao Pré-Escolar, as únicas publicações do Ministério da Educação são as orientações curriculares, tudo o resto é elaborado por nós. No que concerne ao trabalho propriamente dito, as crianças dos 3 aos 6 anos são muito mais puras, mais verdadeiras no que fazem e no que dizem.
- Qual foi o pior momento a que esteve sujeita durante o estágio?
- Antes de mais, quero referir, que nunca tive medo de estar à frente de uma turma e de ser observada pelas professoras. Contudo, conseguir controlar o grupo/turma e impedir que o caos se instalasse, foi um aspecto que demorou algum tempo a dominar e que requereu da minha parte a utilização de múltiplas estratégias.
- Em que instituições estagiou?
- Graças a Deus, um dos motivos que me leva a ter alguma consideração pela UTAD foi o esforço desta em conseguir inserir-nos, logo no segundo ano, em instituições. Nesse ano e no seguinte, tive a oportunidade de passar em observação e cooperação pela Biblioteca infanto-juvenil do CIFOP, pelo Bairro São Vicente Paula (Jardim de Infância e 1º Ciclo), pela Santa Casa da Misericórdia, pelo Jardim de Infância de Mateus e pelo Jardim de Infância de Nogueira. No que diz respeito ao estágio, em 1º Ciclo, estive na Escola Carvalho Araújo, e, em Pré-escolar, no Jardim de Infância da Araucária.
- Pelo que acabou de nos dizer, já colaborou, então, com instituições de Solidariedade social (IPSS), e de rede pública. Que diferenças notou entre elas?
- Relativamente ao grau de profissionalismo das professoras/educadoras, nada tenho a dizer, todas elas agiram adequadamente, não olhando ao tipo de instituição em que estavam a leccionar. Quanto às infra-estruturas e materiais existentes, de facto as IPSS estavam melhor ornamentadas.
- O que espera encontrar nesta profissão?
- Espero encontrar muito trabalho, não só com as crianças, mas também com os adultos pertencentes à comunidade envolvente, que muitas vezes, ao não entenderem o nosso trabalho, nos colocam obstáculos. Paralelamente, haverá também o trabalho de secretária, de papelada. Espero ter momentos bons e maus, que irão marcar a minha vida, embora continue a considerar aliciante que o desenvolvimento e aprendizagem de muitos pequeninos me digam respeito a mim.
- Quais são as suas expectativas para o futuro?
- Neste momento, como devem saber, não são as melhores. Mas não vou perder a esperança nem desesperar por não leccionar. A formação que tenho neste momento e as expectativas de fazer uma formação contínua permitem-me ser competente noutros tipos de serviços, ligados à educação (que não apenas a leccionação), por exemplo, trabalhar em Câmaras Municipais, hospitais, cadeias, museus, centros de estudo, segurança social, etc.
Após termos entrevistado Sílvia Matias, sabemos um pouco mais sobre o Curso de Educação Pré-escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico e o mundo do trabalho a que dá acesso. Ficámos também a conhecer as ideias e os ideais desta jovem recém licenciada. Desejamos-lhe um futuro promissor.
Daniela Alves, 10º I
Entrevista a Ana P.C. Ribeiro
Ana Paula Carvalho Ribeiro, Encarregada de Educação, mãe e gerente de uma empresa, a Lubrinor, fala-nos em primeira mão de alguns dos pormenores da sua vida.
Bem, a idade ainda não pesa.
A ideia de envelhecer não a preocupa?
Não, envelhecer não existe, só para quem tem medo.
Com o tempo, o que aprendeu sobre si própria?
Aprendi a conhecer-me e aperfeiçoar-me para enfrentar novos desafios.
Positivo.
É ambiciosa?
Sim.
Como vê a sua família as suas ambições profissionais?
Vê bem, pois se não fosse ambiciosa não teria o que tenho hoje.
Isso deu-lhe motivação para seguir em frente?
Sim.
Não.
Gosta do que faz?
Sim, muito.
O que sente quando fazem elogios ou criticas ao seu trabalho?
Desde que as críticas ou elogios tenham fundamento e que sejam construtivas, aceito-as.
Houve algum momento em que sentiu que estava a realizar um sonho?
Quando chega ao fim do dia e vai para casa em que pensa?
Fazer o jantar e estar junto da minha família. Mais tarde, planeio o dia seguinte.
Além da família e do trabalho, quais são os seus outros prazeres na vida?
Viajar e passear, gosto muito de conhecer novas culturas e lugares.
E o que não dispensa, por mais sobrecarregada que tenha a sua agenda?
Um apelo das minhas filhas.
É perfeccionista?
Tento ser.
Um defeito e uma qualidade que a definam.
Um defeito é ter pouca paciência, qualidade é saber perdoar.
Andreia Matos
Inês Martins, 10ºE
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Entrevista a Manuel da Silva Grilo ao serviço da ONU, no Chade
No nosso país, a actividade desta organização é pouco divulgada. Dela apenas se conhece o que os media transmitem: grandes títulos e imagens que muitas vezes parecem distorcer a realidade. Para tentarmos conhecer um pouco melhor as actividades desta organização internacional, resolvemos entrevistar alguém que esteve no terreno ao serviço da ONU.
A pessoa escolhida para a nossa entrevista é o oficial superior da PSP, Manuel da Silva Grilo, cuja última missão no estrangeiro foi precisamente ao serviço da ONU, no Chade, República Centro Africana, de Junho 2008 a Junho de 2009.
P. Senhor Subintendente, pode-nos apresentar um breve resumo do seu trajecto profissional?
R. Sou um oficial superior da Polícia, actualmente na PSP de Vila Real. Entrei para a Corporação em 1980, com a categoria de agente e fui subindo na hierarquia, até ao actual posto de Subintendente. Desempenhei funções de comando de Esquadra, em várias cidades, prestei serviço no Corpo de Intervenção e fui docente na Escola de Polícia. Tenho uma licenciatura em Filosofia, pela Universidade Católica, outra em Direito pela Universidade de Coimbra e um Mestrado em Patologias Psicossociais. Fui Adido de Segurança na Embaixada Portuguesa na República de S. Tomé e Príncipe e a minha última missão no estrangeiro teve lugar no Chade, ao serviço da ONU.
R . Quando era mais novo, nunca pensei participar em missões da ONU. Primeiro, porque a organização nunca foi muito divulgada no nosso país (e portanto é pouco conhecida); depois, porque a selecção para as missões, no caso das forças de segurança, é feita pela hierarquia, de entre um universo de centenas de indivíduos que reúnem condições para serem seleccionados. Estes pressupostos, contribuíram para um certo alheamento da minha parte, relativamente às missões da ONU.
R. A juventude de todas as épocas tem sempre latente o sonho de partir à aventura, conhecer novas culturas, novas gentes. As missões da ONU são uma oportunidade de aventura e ao mesmo tempo desenvolvem os valores de solidariedade, liberdade, espírito de sacrifício, respeito pelos direitos humanos, contra o racismo e a discriminação. Enquanto jovem, não consegui materializar esse sonho, no entanto não ficou esquecido. Quando surgiu a oportunidade, o espírito de aventura veio ao de cima e ofereci-me para servir nas missões da ONU.
R. Cada missão tem a sua própria especificidade: se é humanitária ou de manutenção de paz; se se localiza no continente europeu ou em África. Assim, é ministrada uma formação teórica, sobre os cenários possíveis que se podem encontrar. Quanto ao treino para lidar com as situações, esse faz parte da formação policial de base. Mas, quando se chega à missão, durante o primeiro mês, a estrutura da missão ONU ministra o treino necessário, desde a condução de veículos todo o terreno, em ambientes hostis, até à orientação no terreno desértico.

P. Quais eram as condições em que se encontrava o contingente da ONU no Chade?
R. Uma missão é constituída por uma parte logística, assegurada pelo staff internacional, ou seja, pelos funcionários permanentes da ONU, e uma parte operacional, constituída pelos vários contingentes, dos diversos países, representados na missão. Assim, se houver dez nacionalidades, há dez contingentes, ou seja, as nacionalidades presentes agrupam-se em contingentes. Porém, as funções são distribuídas de acordo com as qualificações de cada um e não por se pertencer a um contingente de determinado país. Quando cheguei ao Chade, o pessoal da ONU ainda se encontrava concentrado na capital, N´djamena, a dar formação aos futuros polícias chadianos que iriam dar protecção aos refugiados. Depois da minha chegada, foram-me atribuídas as funções de Chefe das Operações e desde logo comecei a planear o envio dos polícias da ONU para os campos de refugiados e, em poucas semanas, a maioria deixou a capital em direcção aos campos de refugiados.
R. As missões da ONU, para além dos funcionários permanentes e contratados, são sempre constituídas por pessoas de várias nacionalidades. No meu gabinete, por exemplo, tinha dois adjuntos, um coronel de Madagáscar e um coronel do Senegal, para além de um comissário da Costa do Marfim e um capitão do Iémen; todos eles eram muçulmanos.
R. Os refugiados, aproximadamente meio milhão, são quase na totalidade oriundos do Sudão, mais propriamente da região do Darfur, e por isso são considerados estrangeiros no Chade. Sem a protecção da ONU, a maioria destas pessoas não sobrevivia devido ao ambiente hostil, à falta de recursos e aos ataques das milícias muçulmanas sudanesas. Quando cheguei à zona de missão, grande parte dos refugiados já tinha assistência de organizações humanitárias voluntárias, que prestavam assistência. No entanto, a segurança daquelas populações era praticamente inexistente, havia inúmeras queixas de violações, homicídios, roubos e muita violência, dentro dos campos de refugiados. A partir da chegada da ONU, só muito esporadicamente ocorriam crimes.
P. O Darfur, juntamente com outras regiões adjacentes, é considerado uma das zonas mais violentas do Mundo. Durante a missão, alguma vez se encontrou numa situação perigosa, na iminência de ser ferido ou mesmo em risco de perder a vida?R. Uma das minhas funções era inspeccionar o serviço prestado pelos polícias da ONU nos campos de refugiados. A deslocação era feita por avião durante duas horas para uma cidade secundária do Chade e a partir daí por helicóptero para a localidade mais próxima; depois continuava em viatura todo o terreno até aos campos de refugiados. Um dos campos de refugiados estava situado a cerca de 50 quilómetros da localidade mais próxima e o trajecto era feito em terra batida. Por duas vezes a viatura em que seguia esteve na mira de roquetes das milícias que nos abordaram em plena savana, no meio do nada, porém acabaram por deixar passar a viatura depois de verificarem que não transportávamos armas pesadas.
R. A esse nível, nunca presenciei tais atrocidades. No entanto, presenciei comportamentos violentos para com as crianças nas escolas corânicas. Por diversas vezes, vi crianças de 4 e 5 anos a serem chicoteadas violentamente por adultos por não saberem recitar os versículos do Corão. Este tipo de violência é tolerada pelas sociedades islâmicas, faz parte da sua cultura. Outro comportamento estranho para nós, ocidentais, é o facto de obrigarem os alunos das escolas corânicas a mendigar pelas ruas durante um período do dia, sendo o produto da mendicidade distribuído pelo professor e pelo pai do aluno.
P. Durante a missão, aquilo de que senti mais falta foi da minha família.
R. A intervenção da ONU no Chade foi extremamente importante para a protecção do meio milhão de refugiados sudaneses que se encontravam no Chade. Sem essa intervenção, milhares de pessoas não teriam sobrevivido. Para além disso, a ONU muito tem contribuído para encontrar uma solução política para o regresso dos refugiados ao seu país.
Tiago Grilo, nº 26, 10ºB
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Entrevista a uma aluna universitária de Enfermagem
A entrevista tem como objectivo dar a conhecer um pouco da vivência no Ensino Superior e as mudanças do Ensino Secundário para o Ensino Superior.
M&C: Em que medida os seus pais, familiares e/ou amigos condicionaram a escolha do Curso que está a frequentar?
A.R.: Tive um bom apoio familiar, quando disse que ia seguir o Ensino Superior. Sempre foi desejo dos meus pais que eu fosse para o Ensino Superior. Nunca disse o que é que gostaria de seguir, porque não sabia muito bem, era uma grande responsabilidade… Mas, quando chegou a
M&C: Sabendo que, à entrada do Ensino Superior, os alunos têm de enfrentar múltiplos obstáculos, nunca pôs em causa a decisão de seguir um Curso Superior?
A.R.: O Ensino Superior é um obstáculo por várias razões. Nó temos de ter casa, temos de ter sítio, não é? … Há Cursos que não existem na nossa cidade e há as propinas que serão sempre um grande senão, porque não são baratas. Depois também temos as exigências do Curso em si. São três factores que, se nos deixarmos afectar por eles, nos podem impedir de fazer seja o que for. Temos é que saber trabalhá-los. Por exemplo, ninguém chega ao 12º ano e se lembra de dizer de repente “Ah!!, afinal vou para o Ensino Superior!” É uma coisa que tem de ser pensada. Depois vamos vendo as opções e trabalhando de forma a podermos estar preparados para isso. Só é um obstáculo se nós deixarmos que seja. Se estivermos realmente motivados, não é.
M&C: O Ensino Secundário é já um nível de ensino exigente. Sabendo isto, não teve receio em relação às exigências que o Ensino Superior lhe viria a colocar?
A.R.: O Ensino Secundário é exigente, quando chegamos lá (risos). Aí, achamos que o Ensino Básico até era fácil… Chegamos ao Ensino Secundário e dizemos: “Ai, meu deus, o Ensino Secundário é tão difícil!”. Mas depois chegamos ao Ensino Superior e “Ai, meu deus, o Ensino Secundário era tão fácil!”. Quando frequentava o Secundário, sabia que o Ensino Superior ia ser mais exigente. Ninguém no Secundário nos vai dizer que o degrau seguinte é fácil, muito pelo contrário, os professores dizem que se o Ensino Secundário é difícil, então o Ensino Superior mais difícil é, ou melhor, mais exigente é. Apesar de tudo, não tive medo, porque era aquilo que eu queria. Sabia que não ia ser fácil, mas também sabia que não ia ter dificuldades, tive foi de ter um ritmo diferente… Se um aluno, no Secundário, tiver um ritmo de estudo regular, quando chegar ao Ensino Superior tem apenas de aumentar esse ritmo. O segredo é não pensarmos que o Ensino Superior é um quebra-cabeças. Se soubermos isto e já levarmos um ritmo de trabalho do Secundário, é só mantê-lo e reforçá-lo. Quem se esteve sempre a baldar no Secundário e, mesmo assim, conseguiu entrar numa Universidade, dificilmente irá adquirir ritmo de trabalho. O Ensino Superior é uma coisa que fazemos por nós mesmos, porque queremos, por isso a responsabilidade é nossa. Tudo o que fazemos é por opção pessoal, daí a responsabilidade que temos que assumir. Por isso é exigente, é, mas não é nenhum bicho, nem nenhum monstro.
M&C: Que diferenças encontrou entre os dois níveis de ensino – o Secundário e o Superior?
A.R.: Como respondi na pergunta anterior, o Secundário é mais fácil. Para aquela disciplina, temos aqueles livros e é a única coisa que precisamos de estudar. No Ensino Superior já não é bem assim. As aulas são diferentes (na forma como são dadas), os horários são diferentes: no Secundário, estava habituada a um horário fixo durante todo o ano lectivo. Agora, não: há semanas em que tenho bastantes aulas e outras em que consigo ter uns furos, digamos assim. A exigência é diferente, é mais… é um nível superior… O ensino é muito mais especializado e virado para uma área específica. À partida, sabemos que o Ensino Superior vai ser diferente e mais exigente. Mas se queremos atingir os nossos objectivos, não podemos desanimar logo à primeira, não é? Normalmente, o primeiro ano nunca é fácil, porque é uma grande mudança, mas uma pessoa habitua-se e acaba por conseguir lidar com essas diferenças todas.
M&C: E quanto aos métodos de ensino? São distintos dos métodos utilizados no Secundário? Se sim, quais prefere?
A.R.: Não há um que eu prefira, porque são diferentes. No Ensino Superior, temos as aulas que os professores nos dão, com uso de PowerPoint ou textos, e a bibliografia facultada; depois, orientados pela bibliografia, vamos pesquisar o que queremos. Sobretudo agora, com Bolonha, os professores dão-nos a base e nós temos de ir procurar o resto. Há um grande trabalho por parte do aluno. Essa parte é particularmente diferente.
M&C: Como são as relações entre professores e alunos?
A.R.: As relações são boas. Os professores disponibilizam-se para nos ajudar, mas o Bolonha veio exigir de nós uma grande autonomia e sentido de responsabilidade. De vez em quando, temos de nos dirigir aos professores para tirar dúvidas. Até agora, nunca tive um professor que se recusasse a responder a uma pergunta. Claro que eles não nos vão dizer onde está a solução, apenas nos ajudam a chegar lá. Um dia, mais tarde, quando estiver no meu trabalho, não vou poder pegar no telefone para perguntar “Professor, olhe, estou com uma dúvida, o que vou fazer?”. No Ensino Superior, os professores dão-nos as bases, nós temos que fazer o resto.
M&C: Em que mediada a relação entre colegas constitui um factor favorável no processo de aprendizagem?
A.R.: Se tivermos amigos, eles vão puxar por nós, não é? Um amigo que nos passe a mão pelas costas e nos diga “Pronto, não te preocupes”, não é um amigo. Amigo é aquele que nos avisa “Olha que estás a fazer asneira…”. Claro que ter amigos melhora as coisas, mas não são os amigos que vão fazer o trabalho por nós, temos que ser nós a fazê-lo. As relações… criamos amigos para toda a vida. Aquilo que se diz na Universidade é verdade: aqui, nós fazemos amigos para toda a vida, especialmente no período de estágio, que é quando nos apercebemos melhor disso. Os amigos são uma grande ajuda, mas o trabalho tem de ser essencialmente nosso.
M&C: Em que consiste a vertente prática do seu Curso?
A.R.: A vertente prática é realizada em contexto de ensino clínico, ou seja, no estágio, onde o intenso ensino clínico vai corresponder às temáticas que foram leccionadas nas unidades curriculares. Não é a matéria que eu aprendi nas aulas que vai ser trabalhada no final de cada ano no hospital ou num Centro de Saúde…
M&C: Como lida diariamente com o sofrimento dos doentes?
A.R.: Esta pergunta não é propriamente fácil (risos). Como é que se lida com o sofrimento de alguém? Tentamos fazer o melhor para aliviar esse sofrimento e às vezes basta estar disponível para ouvir o doente, porque aquilo de que muitos precisam é de alguém que os ouça, que esteja um bocadinho, cinco, dez minutinhos, a falar com eles, a ouvi-los. Há pessoas com dores, que estão em fase terminal… nunca é fácil… Mas o facto de terem alguém que lhes dê um pouco de atenção durante cinco minutos, pode significar tudo para uma pessoa doente. Claro que não podemos ir para casa a pensar no senhor x que está como está, ou na senhora y. Embora não seja fácil, nós também temos que criar defesas e saber separar as coisas.
M&C: Quando contactou pela primeira vez com um doente, qual foi a sua reacção?
A.R.: A primeira vez que me atribuíram um doente estava nervosa e ao mesmo tempo ansiosa. Acho que é normal, porque se trata de uma pessoa de quem vamos cuidar. Nesse dia temos verdadeiramente a noção da responsabilidade que é fazer uma assistência. Além disso, queremos fazer o melhor, queremos dar sempre o melhor, não é? Queremos que esse doente, e todos os outros doentes que vamos ter dali para a frente, tenham sempre o melhor que lhes podemos dar enquanto profissionais de saúde.
M&C: Recorda-se de algum doente, ou situação, que a tenha marcado particularmente? Porquê?
A.R.: Assim, de repente, não me recordo de nenhuma situação em particular, porque são tantas pessoas…mas lembro-me de uma senhora, no meu primeiro ano: quando eu e os meus colegas nos fomos embora (estávamos a estagiar) a senhora virou-se para nós, a chorar, e disse “Obrigada pela vossa atenção. Obrigada pelo carinho”. Como já tive oportunidade de referir, o que as pessoas querem, muitas vezes, é um pouco de carinho, alguém que esteja um bocadinho com elas, não é? As pessoas não têm que nos agradecer, nós estamos lá para trabalhar, mas o facto de fazerem isso, às vezes melhora o nosso dia em muitos aspectos. Quando conseguimos arrancar um sorriso de alguém que está a sofrer, a nossa auto-estima melhora, porque um sorriso não se dá de qualquer forma, sobretudo por parte de alguém que sofre.
M&C: O facto de lidar com pessoas doentes faz com que tenha uma visão diferente do mundo?
A.R.: Não, em particular. Acho que qualquer pessoa que esteja frente a frente com alguém que esteja doente fica diferente. Não começa a ver flores nem um mar de rosas em todo o lado, mas tem a noção de que, se calhar, precisa de reavaliar as coisas a que dá importância. Se vivêssemos um pouco mais o dia de hoje, em vez de estarmos constantemente a pensar no amanhã, a nossa existência seria um bocadinho melhor. Todos os dias vemos nos telejornais imagens de pessoas que sofrem, mas ver as pessoas a sofrer mesmo à nossa frente é diferente, toca-nos de tal forma que nunca mais esquecemos. Aconteça o que acontecer, vamos sempre lembrar-nos disso.
M&C: Em que medida o Curso que está a frequentar está, ou não, a corresponder às suas expectativas.
A.R.: Agora que estou no 4º ano, na fase final do meu Curso, posso dizer que está a corresponder àquilo de que eu estava à espera. Se calhar foi um bocadinho mais exigente do que esperava, exige muito de nós a vários níveis, mas sinto que as coisas correram bem e que o Curso nos prepara para o que nos vai acontecer lá fora, no mundo do trabalho. Há experiências que, claro, são independentes do Curso em si. Passámos por ensinos clínicos para que ninguém nos prepara mas, no geral, acho que o Curso nos dá as bases necessárias para podermos ser bons profissionais.
M&C: Em termos profissionais, quais são as suas expectativas?
A.R.: Uma pergunta complicada. Toda a gente sabe que a Enfermagem não está nos seus melhores dias (a comunicação social tem falado disso e recentemente houve mais uma greve). Parece haver enfermeiros a mais, os hospitais estão cheios... Quais as minhas expectativas profissionais? Não penso ficar em Vila Real, porque quero trabalhar e não vou ficar à espera de uma vaga para poder ficar em casa. O que não quero é ficar desempregada. Se arranjar trabalho por cá, óptimo, se não, paciência. Portugal é grande e o Mundo lá fora ainda maior. Vou começar a pensar seriamente em ir para fora, porque, já que tenho de sair, então que saia mesmo. Mas só quando tiver os papéis na mão a dizer que sou licenciada em Enfermagem e estiver em condições de me puder candidatar aos hospitais, Centros de Saúde e outras instituições é que realmente vou tomar uma decisão.
M&C: Obrigado pela sua colaboração e pelo tempo dispensado para a entrevista.
Cláudia Sofia Cigre Fernandes, nº 8, 10º I
Mónica Isabel Teixeira da Fonseca, nº 17, 10º I
ENTREVISTA COM A Dra. FERNANDA BOTELHO
A nossa entrevistada é nossa professora de Filosofia e Directora de Turma. A Dra. Fernanda Botelho formou-se na Universidade do Porto. Começou a leccionar aos 21 anos, tendo agora 15 anos de serviço. Escolhemos esta docente da Camilo por acharmos ser uma pessoa cuja experiência profissional pode interessar a alunos da nossa faixa etária.Rafael e Vanessa - Nutriu desde sempre um interesse especial pela Filosofia ou despertou tardiamente para esta área do saber?
Fernanda Botelho - O meu interesse pela filosofia nasceu da sabedoria popular, das histórias que a minha mãe me contava em criança e que me levavam a fazer perguntas. Claro que na altura desconhecia o que era a filosofia, pelo que esta é uma reflexão que só posso fazer a posteriori, mas terão sido essas histórias que me levaram a sentir curiosidade pelo saber.
RV - Houve alguém (ou algo) na sua vida que a tenha influenciado na opção pela docência e, em particular, pelo ensino de Filosofia?
FB - Já em criança gostava de brincar “às escolas”, facto que, confesso, não agradava muito aos meus amigos, que preferiam outro tipo de brincadeiras.
Como não é fácil decidir um caminho profissional, também tive as minhas indefinições. Cheguei a pensar em Direito, História, Relações Internacionais, mas o interesse pela filosofia, desenvolvido ao longo do Ensino Secundário, acabou por ser determinante. Ingressei por vocação no curso de Filosofia, mas não se tratou de uma escolha pacífica, pois sofri muitas pressões no sentido de alterar a minha decisão. O ataque de que a filosofia era alvo no plano institucional (na década de 90 chegou a falar-se da extinção da Filosofia do currículo do Ensino Secundário) fragilizava ou ameaçava o meu futuro profissional e fundamentava a opinião de amigos e familiares que contestaram, à época, a minha escolha profissional.
RV - Alguma vez pensou em leccionar outra disciplina que não fosse Filosofia? Se sim, qual?
FB - Sempre gostei muito de História, pelo que também me veria a leccionar esta disciplina. Mas a ausência de barreiras em Filosofia, o facto de não possuir um objecto de estudo bem delimitado, tal como acontece no campo das ciências, significa, a meu ver, uma mais-valia, que o professor de Filosofia deve saber aproveitar. Ainda que por vezes sejamos acusados de “falar de tudo, sem saber especificamente nada”, ou então se diga que “A filosofia é a disciplina com a qual, ou sem a qual, se fica tal e qual”.
RV - Sendo professora de Filosofia, considera que possui uma visão diferente do Mundo?
FB - Pelo menos tento… A postura de flexibilidade e abertura e a prática constante de uma atitude não dogmática deverão ser as linhas de força de qualquer projecto de vida.
RV - A nível profissional, como encara os problemas que se colocam na sua vida?
FB - Encaro os problemas como oportunidades de afirmação da liberdade pessoal e não como obstáculos intransponíveis.
RV - Já alguma vez pensou ter sido um erro ter optado pelo ensino? Se sim, porquê?
FB - Confesso que os últimos tempos não têm sido fáceis mas, apesar de tudo, considero ter feito a opção correcta.
RV - Participou em alguma das manifestações levadas a cabo pelos professores contra as políticas do governo anterior, no âmbito da Educação? Se sim, quais as razões que a moveram?
FB - Participei em duas manifestações de professores, uma de âmbito nacional e outra regional. Entendi, na altura, que os professores estavam a ser alvo da arrogância e prepotência do Ministério da Educação, incapaz de entender que é impossível efectuar quaisquer reformas sem o apoio dos professores.
Afirmações do género “Perdi os professores, mas ganhei os portugueses” suscitaram a minha indignação e conduziram-me a tais protestos.
No entanto, também considero que houve, por parte dos Sindicatos e Movimentos associados à contestação das políticas do governo anterior, erros estratégicos e excessos de linguagem, que em nada dignificaram a profissão docente. Por isso, afastei-me das contestações e decidi seguir o meu próprio caminho.
Ao fim de quatro anos de contestações e com a assinatura do acordo de entendimento entre Sindicatos e o actual Ministério da Educação, acentuou-se o meu niilismo em matéria de reivindicações sindicais…
RV - Neste momento o ensino não vive os seus melhores dias. Acha, mesmo assim, que os jovens que pretendem vir a enveredar pela docência devem continuar a alimentar o seu sonho? O que lhes aconselharia e porquê?
FB - Freud terá dito um dia que há três tarefas impossíveis: educar, governar e psicanalizar. Mas tal não o impediu de aplicar o método psicanalítico, conduzir a formação de psicanalistas e optar pelo governo inglês, em detrimento do governo da Alemanha nazi. Não quererendo enveredar por pessimismos educativos ou por pedagogias românticas, questiono: Não deverá um professor ficar contente quando um jovem adolescente afirma ter o sonho de ser professor? Por que razão, de imediato, o disssudimos de tal intento?
RV - Na sua opinião, em que medida a disciplina de Filosofia é importante para a formação dos jovens?
FB - A Filosofia tem vivido ameaçada pela possibilidade de desaparecer do currículo do Ensino Secundário, o que a meu ver seria um erro grosseiro. É evidente a existência de um certo mal-estar por parte de alguns sectores socioprofissionais, uma recusa, uma crítica e, frequentemente, uma avaliação preconceituosa da Filosofia e da Filosofia enquanto disciplina escolar.
Claro que a minha convicção é outra: a escola é o espaço privilegiado para a concretização de uma filosofia enraizada, para a concretização do papel vigilante e actuante da Filosofia na sociedade. Neste sentido, os conteúdos filosóficos a ensinar não devem constituir um fim em si mesmo, mas devem estar direccionados para algo mais, para um impacto vital na formação dos alunos.
Se os jovens podiam viver sem filosofia? Sim, podiam. Mas não seria a mesma coisa! …
RV - Acha que a Filosofia deveria ser abordada desde o 7º ano, não de uma maneira tão específica como no 10º ano, mas de uma maneira mais geral ou talvez como disciplina opcional?
FB - Defendo que a Filosofia pode e deve ser desenvolvida desde muito cedo, logo no ensino pré-escolar, com comprovadas vantagens em termos de autonomia de pensamento e sentido crítico. Matthew Lipman deu início, na década de 70 do século XX, ao Movimento da Filosofia para crianças, que inspirou muitos professores, que levaram a cabo projectos destinados a desenvolver as competências básicas de raciocínio.
RV - Há quatro anos que lecciona nesta escola. Na sua opinião, quais são os aspectos positivos e negativos deste estabelecimento de ensino em relação às condições de que dispõe para trabalhar?
FB - Quanto aos aspectos positivos selecciono aquilo a que chamo uma “cultura de escola” assente no valor essencial da entreajuda e para a qual procuro activamente contribuir.
Em termos de aspectos negativos, saliento a necessidade urgente de obras, quer no edifício principal, quer nos “provisórios, mas mais do que definitivos” anexos. A falta de salas é também um problema, que urge superar para que seja possível concretizar projectos extracuriculares, como Clubes.
Rafael Silva, nº24
Fotografia: Rafael e Vanessa
Entrevista a ex-aluna
“vale mais não conseguir de que nunca chegar a tentar. Portanto: tentem!”Conceição Aleixo é uma ex-aluna da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Tendo escolhido a área de Humanidades, entrou para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro no ano de 2002. Licenciou-se em Línguas Estrangeiras Aplicadas, vertente de Comunicação. Apesar de ter estagiado e trabalhado alguns anos em jornalismo, é actualmente professora de Espanhol numa escola do Porto. Esta é a nossa entrevistada.
D&V - Com que idade entrou no então chamado Liceu Camilo Castelo Branco?
R: Entrei com 15 anos.
R: Na altura, escolhi Humanidades, não para fugir à Matemática, mas para entrar na Universidade. Queria ir para Direito ou Jornalismo. É claro que com o tempo acabou por não ser bem assim.
D&V- Gostou de andar no liceu?
R: Muito. Foi dos melhores tempos da minha vida. Apesar dos altos e baixos, normais na adolescência, e de alguns problemas por que a minha turma passou, nomeadamente o falecimento de uma colega, consegui aproveitar bem o tempo de liceu, tanto nos estudos como no lazer.
D&V - Fez parte da Associação de Estudantes?
R: Não fiz directamente parte da A.E, visto que não fazia parte da lista, mas o meu melhor amigo sim e, no meu 12º ano, acabei por trabalhar e cooperar com a Associação.
D&V - Gostou de colaborar com a A.E.?
R: Gostei muito. Foi uma experiência diferente, e acho que é sempre importante os jovens aderirem a várias actividades, principalmente aquelas que têm um carácter organizativo e implicam o assumir de responsabilidades.
D&V- Quando entrou para a faculdade teve algum receio em relação ao curso que escolheu?
R: Bastante. Aliás, eu acho que os jovens têm de escolher a área de estudos muito cedo, o que condiciona a posterior escolha do curso. Eu escolhi Humanidades, apesar de adorar Matemática. Acabei por não entrar em Jornalismo, e entrei num curso que me pareceu mais adequado aos meus objectivos. Entrei no curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas, na UTAD, que é um curso de línguas mas com vertente empresarial, direccionado para a comunicação, mas, obviamente, tive receio de que aquilo não fosse bem o que queria.
D&V- Enquanto frequentou esse curso, em algum momento pensou mudar?
R: Várias vezes pensei nisso, mas estava a gostar do curso, portanto decidi terminar e depois tirar outro.
D&V - Do que gostou mais na Faculdade? Quais as suas disciplinas preferidas?
R: As disciplinas de que gostei mais foram aquelas que representavam um desafio maior, ou seja, aquelas nas quais era difícil tirar boa nota, tipo Direito, Inglês (último nível) e Economia. Ou seja, soube-me melhor tirar 17 a Direito de que 20 a Informática, porque foi a disciplina mais difícil do nosso curso.
Quando ao que gostei mais na faculdade, é difícil de dizer… gostei muito do que aprendi em termos curriculares, mas gostei ainda mais do que aprendi socialmente. A Faculdade faz-nos crescer muito e, é claro, gostei muito da diversão que também faz parte da vida de um estudante universitário.
D&V- Quando fez o seu estágio, como foi lidar com os alunos?
R: Eu não fiz estágio na área do ensino. Apenas fiz estágios curriculares durante o tempo lectivo, no meu primeiro ano. Mas fiz estágio em jornalismo numa revista que saía com o Jornal de Notícias. Após isso, fiz vários outros estágios também relacionados com a comunicação e o turismo. Ou seja, comecei a aprender o que é trabalhar mal entrei para a Universidade, com 18 anos.
D&V- Quando acabou o estágio, foi fácil arranjar emprego?
R: Quando acabei o curso, consegui logo trabalho, como assistente editorial numa revista de vinhos. Mais tarde, saí dessa revista e fiquei três meses no desemprego. Foi então que o ensino entrou na minha vida, ao ser convidada para dar aulas de Inglês nas actividades extra-curriculares a alunos do 1º ao 4º ano do 1º Ciclo.
D&V- Neste momento ainda está a exercer a sua profissão como professora?
R: Sim, este ano fiquei colocada numa escola no Porto, a leccionar Espanhol.
D&V- Teve algumas dificuldades em ensinar e lidar com os alunos?
R: Sim, eu passai quatro anos a trabalhar em jornalismo, e quando comecei a dar aulas, como não tinha formação em ensino, foi complicado.
D&V- Prefere leccionar no Básico ou no Secundário?
R: Depende das turmas. Infelizmente, o mau comportamento e o desinteresse existe quer no Básico, quer no Secundário. Mas, quando os alunos sabem o que quer em relação ao futuro e são ambiciosos, é possível criar um bom ambiente de trabalho e construir uma relação de amizade entre professor e alunos. No Secundário, devido à minha idade, tenho de ser mais firme no início, mas depois consigo conquistar a confiança dos alunos, muitos dos quais têm quase a minha idade.
D&V- Como é leccionar uma língua estrangeira?
R: Por vezes não é fácil. O Inglês é uma disciplina em que os alunos sentem muitas dificuldades, e o Espanhol é uma disciplina relativamente nova em termos curriculares e pouco divulgada. Para além disso, como a nível fonético é parecida com o Português, há a tendência de se pensar que é fácil, e não é bem assim...
D&V- Quais são os seus objectivos para o futuro?
R: Neste momento estou a tirar o Mestrado em Ensino de Inglês e Espanhol, o que me vai dar habilitação própria para leccionar. Mas quero também tirar outro curso.
D&V- Actualmente, muitos professores estão sem colocação. Tem receio de ficar desempregada?
R: Por enquanto não, visto que há poucos professores de Espanhol, mas continuo a trabalhar para ter cada vez mais opções e evitar o desemprego.
D&V- Tem preferência por alguma escola? Porquê?
R: Eu gosto muito da escola em que estou e não me importava de ficar lá novamente no próximo ano lectivo. Mas, se for outra, não me importo. Gosto de desafios.
D&V- Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário?
R: Aconselhava-os a serem ambiciosos (que é o que falta actualmente) e a não se contentarem com o mínimo; a trabalharem e não desistirem daquilo que querem. Não aceitem o Não. Como costumo dizer, vale mais não conseguir de que nunca chegar a tentar. Portanto: tentem!
Virgília Camões, nº22 , 10º I
Fotografia: Virgilia Camões
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Entrevista a um antigo aluno
J&T - Como antigo aluno do Liceu, que recordações levou desta escola?
- Essencialmente boas recordações. Relembro a maioria de todos os professores e funcionários, que ainda hoje me cumprimentam e me conhecem, e especialmente a memória de todos os amigos/as que fiz durante a minha passagem pela escola secundária. Foram anos importantes que ajudaram a definir a pessoa que sou hoje. Tentei aprender com todos e a retirar o melhor de cada um. Todos os professores foram importantes na minha formação e todos os meus colegas me ajudaram a crescer. Sem dúvida que passei muitos momentos divertidos durante esses anos.
J&T - Já teve oportunidade de visitar a escola? Acha que algo poderia ser melhorado?
- Já tive oportunidade de visitar a escola após a minha saída e penso que ela tem melhorado a nível das condições. Na minha opinião, ao nível de estruturas é das melhoras escolas das proximidades e penso que actualmente está ainda melhor. Em relação a esta questão, penso apenas que a possibilidade de as turmas serem menores poderia ajudar a melhorar os resultados. De resto, penso que os alunos têm todas as condições para atingir um bom nível de ensino.
J&T - Seguiu para a universidade?
- Sim, posteriormente ao Secundário segui para o Ensino Superior, tendo entrado na UTAD, por opção pessoal.
J&T - As bases que adquiriu no Secundário foram adequadas às exigências do Ensino Superior?
- Por culpa minha, talvez não tenham sido as mais adequadas, uma vez que queria seguir Letras e não optei por essa área no Secundário, apesar de ter tido essa hipótese. Mas penso que, de uma ou outra forma, todos os professores me ajudaram. Como é natural, uns mais que outros, mas todos conseguiram despertar em mim o hábito de estudo que me tem sido muito útil e indispensável no meu curso. Por isso encontro-me agradecido a todos eles. E tendo em conta o que vejo na universidade, penso que o Ensino Superior necessitava de muitos deles.
J&T - Que curso está a frequentar?
- Sou finalista do curso de Ciências da Comunicação.
J&T - Qual é a profissão que pretende exercer no futuro? Porquê?
- Neste momento já estou a estagiar como jornalista. É a profissão com que sonhava quando era mais novo, a par de jogador de futebol (risos), e por isso estou motivado por as coisas estarem a correr bem. Porquê? Porque acho que os profissionais desta área desempenham um papel fulcral na sociedade actual, porque a comunicação sempre me despertou muita curiosidade e porque dizem que tenho jeito (risos).
Texto:
João Moreira, Nº17, 10ºB
Tiago Relvas, Nº25, 10ºB
Entrevista com o Sr. Valério, responsável pela cantina da escola
- Quais são as suas funções no que diz respeito à alimentação aqui, na escola?
- Na sua opinião, que papel deve desempenhar a escola na educação da dieta alimentar dos alunos?
- As escolas têm um papel fundamental, especialmente as escolas básicas. Os alunos chegam aqui, com cerca de 12 anos, e já trazem hábitos alimentares pouco saudáveis. Como já referi anteriormente, nós
- Sinto-me muito bem, orgulhoso por trabalhar nesta área, até porque sempre procurei ter uma alimentação saudável. Nós compramos os
- Eu vejo isto como um péssimo hábito, que tem a ver exactamente com o que disse há pouco: são aqueles maus hábitos que já vêm de trás... Encaro a situação com alguma tristeza, mas a própria escola deveria fazer algo mais do que aquilo que faz, refiro-me mais propriamente ao controlo das saídas.
- Temos cá gente muito bem esclarecida acerca das questões alimentares e portanto há uma percentagem elevada de alunos que sabem aproveitar a cantina, não desperdiçando a sopa, as saladas, os legumes, e por aí fora. De certeza que existem escolas que não têm a qualidade alimentar que nós temos.
- Há uns anos atrás, a cantina desta escola foi considerada como a melhor do país…
- Num universo de quatrocentas e oitenta escolas, foi considerada a melhor, o que é óptimo, um imenso orgulho! Nessa altura, dei imensas entrevistas, desde a televisão, à rádio, e a nossa escola andou mesmo lá no alto!
- Podemos encontrar na escola algumas máquinas com alimentos não muito saudáveis, como é o caso daquela que se encontra ao pé do bar. Acha correcta a presença dessas máquinas? Porquê?
- Acho incorrecto, sou fortemente contra isso, porque a própria máquina funciona como um chamariz e leva muitos alunos a comer esse tipo de alimentos em vez de irem ao bar. Por exemplo, os alunos do sétimo ano, que à partida não saem da escola, se não tivessem lá a máquina não comeriam esses alimentos e iriam ao bar.
- O que pensa de alguns dos alimentos que os alunos consomem hoje em dia fora da escola, como por exemplo os chamados panikes’s e as bebidas enlatadas?
- Eu sou contra as bebidas enlatadas, porque todo o mundo sabe os malefícios que elas têm, basta olhar para os ingredientes que estão lá para ver. Relativamente aos panikes’s, uma vez ou outra não acho mal, eu também gosto de comer uma pizza de vez em quando e quanto a isso não creio que seja por aí que vamos prejudicar a nossa alimentação. Mas nunca devemos fazer disso um hábito.
- Concorda com a afirmação: “Somos o que comemos”?
Perfeitamente, sempre concordei e, vindo de alunos com a vossa formação, penso que não há dúvidas.
- Como pessoa atenta a uma alimentação saudável, que conselho daria aos alunos?
- O meu conselho é que pensem bem antes de pedirem, antes de comprarem, e sobretudo que não cometam asneiras alimentares diariamente.
Entrevista realizada por
José Miguel Cunha, nº 18