Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real
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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Impressões

Uma viagem, uma partida


Hoje acordei e lembrei-me de si, recordei-me que já passaram exatamente três meses desde que partiu.
Em primeiro lugar, acho que ainda não aceitei que os verões passados na sua casa da aldeia na companhia da avó acabaram; é assustador pensar que nestas férias, quando entrar na sala, já não vai lá estar para me abraçar e partilhar as suas histórias comigo...
Em segundo lugar, tem sido cada vez mais difícil ir a Arnadelo, pois ver as suas amigas, entrar no seu quarto, no jardim, faz emergir em mim uma saudade inexplicável… Sinto que há algo que me faz falta. Há três meses que nada consegue consolar-me por completo.
Na verdade, a partida de alguém deixa-nos sempre mais sensíveis e sozinhos.
Lembrar-me da maneira como lutou e nunca desistiu até ao último segundo, faz-me ter ainda mais orgulho da mulher maravilhosa que me viu crescer e me ajudou a ultrapassar todos os momentos menos bons pelos quais passei.
Efetivamente, é impossível não me orgulhar de si: criou oito filhos, com “garra” e determinação, fazendo com que nada lhes faltasse e, acima de tudo, fez com que sempre fôssemos uma família unida, que apesar de todas as adversidades venceu e a deixou orgulhosa. Sabemos que, embora hoje em parte incerta, está a olhar por nós e a acompanhar o nosso percurso.
Hoje, que já não está aqui, pergunto-me porque é que não parei o tempo naquelas tardes soalheiras enquanto conversávamos naquele que era o nosso banco, o nosso refúgio, no seu jardim...

Maio 2015
Eva Fontinha, 10.º B

Aprender Português: o fim de uma etapa


 No 10.º ano a disciplina de Português revelou-se muito importante, devido à quantidade de conhecimento adquirido. Vamos referir, muito sinteticamente, algumas impressões que retemos na memória.
Em primeiro lugar, aprendemos a compreender e interpretar textos do domínio transacional e dos media No decorrer do primeiro trimestre lemos o livro intitulado “ O Carteiro de Pablo Neruda”, de António Skármeta. Relativamente ao primeiro período, a atividade realizada de que mais gostámos foi a leitura do livro anteriormente referido.
Seguidamente, no segundo período, estudámos textos de carácter autobiográfico assim como o tema Poetas do Século xx, no qual analisámos obras poéticas singulares. De todos os poemas lidos o que nos cativou mais foi “Porque”, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Ainda neste período, efetuámos a leitura de um dos volumes do “Diário” de Miguel Torga.
Finalmente, no terceiro período, lemos e interpretámos vários contos. Tivemos ainda o prazer de receber a Doutora Elisabete Matos, que foi convidada pela nossa professora para a realização o projeto LER CONSIGO. Na nossa opinião, a visita da Dra. Elisabete foi deveras interessante e apreciámos muito a sua disponibilidade para poder comparecer na nossa aula.
Concluindo, este ano foi muito importante a nível da disciplina de Português devido aos conhecimentos adquiridos que nos ajudaram a desenvolver as nossas capacidades cognitivas.

Patrícia Martins, Nº 24. 10.ºB
Helena Pires, Nº 15, 10.ºB


Apesar de ser a nossa língua materna, aprender Português ajuda-nos a desenvolver as nossas capacidades de oralidade e de interpretação.
Em primeiro lugar, o Português contribuiu para o nosso desenvolvimento pessoal a nível da oralidade, isto é, ao longo deste ano lectivo, com a preparação das orais para esta disciplina, foram aparecendo dificuldades que nos fizeram procurar ajuda, principalmente junto da nossa professora. No momento da apresentação do nosso esforço e trabalho sentíamo-nos, frequentemente, inseguros e com “medo do público”, ou seja, dos nossos colegas, uma vez que era a primeira avaliação oral desta etapa da nossa vida. Contudo a professora sempre afirmava que éramos capazes de fazer melhor e que estávamos a preparar-nos para o futuro.
Em segundo lugar, aprender a interpretar textos de diferentes tipologias durante este ano ajudou-nos a descobrir mais facilmente sentidos implícitos de palavras e frases o que contribuiu, também, para a nossa vida fora da escola, ou seja, para sabermos decifrar e compreender textos que nos são apresentados no dia a dia.
Assim, a aprendizagem adquirida durante este décimo ano vai ajudar-nos a desenvolver melhor o próximo ano, visto que conseguimos enriquecer o nosso conhecimento.
Concluindo, o Português é a base de todas as formas de expressão e é uma ferramenta fundamental em todas as etapas da vida.

Carina Matos, n.º5, 10.ºB
Francisco Calejo, n.º14, 10.ºB

 A escola tem como objetivo impulsionar os alunos para a vida e prepará-los para possíveis obstáculos que poderão encontrar no futuro.
 Particularmente, a disciplina de Português ajuda-nos a desenvolver capacidades, como por exemplo, a de compreensão, interpretação e leitura. Sentimos que evoluímos, relativamente ao ano anterior, sendo que esta evolução se reflete a nível da socialização e na forma como interpretamos um texto.
Após um difícil e trabalhoso ano letivo chegamos, finalmente, ao fim de uma etapa da qual saímos enriquecidos, no que respeita a conhecimentos, e preparados para enfrentar um novo ano.
Concluindo, podemos afirmar que Português é importante na nossa vida ajudando-nos nos vários parâmetros que referimos.


11 de Junho de 2015

Helena Carvalho, nº16 10.ºB
Ricardo Rodrigues, nº25 10.ºB

domingo, 9 de março de 2014

Transforma a Terra

  
      Negócios, trabalho, dinheiro, poder… quatro das muitas preocupações que dominam a sociedade atual, enquanto o planeta que nos criou, o planeta que nos acolheu morre nas nossas mãos. E com ele morremos nós…
             Acho que o que está à nossa volta é um reflexo, um espelho do que guardamos no nosso interior. Desordem, caos, sujidade… não é o que fazemos que é errado, o errado é a nossa maneira desordenada, caótica e suja de pensar. Só mudando o pensar da humanidade é que podemos melhorar os nossos atos, salvar o planeta e salvarmo-nos de nós mesmos.
              A maneira poluída de pensarmos, de agirmos, a maneira desfigurada com que enfrentamos obstáculos é, provavelmente, a verdadeira causa desta degradação.
               Assim como nos destruímos uns aos outros a cada dia através de insultos, mentiras, guerras sem causa, desgraçamos também o chão que pisamos no qual, eventualmente, um dia vamos acabar por cair.
                Transforma-te a ti mesmo.
                Transforma os outros.
                Transforma a Terra.


Sara Moura, nº23, 7º B

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Das praxes

Tema I: "Num texto expositivo-argumentativo, de 200 a 300 palavras, exponha a sua opinião sobre As praxes no âmbito universitário, apresentando dois argumentos e ilustrando cada um deles com um exemplo."

            A problemática gerada à volta das praxes, está cada vez mais projetada na nossa sociedade e discutida entre as bocas mais autoritárias.
            A praxe, em si, deveria representar um momento de adaptação e integração dos jovens universitários na vida académica. A verdade é que o conceito de "praxe" foi levado ao seu extremo e atualmente implica a humilhação, a violência, o contraste entre poderes e estatutos dos alunos.
            Diariamente somos confrontados com notícias relativas ao assunto, divulgadas pelo acontecimento de uma desgraça. Vemos jovens nos parques a serem alvos de atitudes vândalas e violentas por parte de estudantes mais velhos, que põem em causa a integridade física e psicológica dos seus colegas.
            Na minha opinião, o conceito moral de "praxe" afasta-se da realidade. Eu acredito e aceito a existência de uma semana ou mês de atividades produtivas, de integração dos novos alunos num novo ambiente. Oponho-me à produção artística que é pintar e perfumar os caloiros com ovos, peixe, farinha… atos de profundo vandalismo! Não podemos consentir que a praxe universitária se transforme num atentado à humanidade e individualidade que, num futuro próximo, se poderia repercutir em problemas graves como, por exemplo, admitir o retorno de comportamentos fascizantes.
            Considero necessário e urgente que se tomem medidas, que se instalem limites e que se controle a sociedade jovem e selvagem que cresce neste mundo!

Antónia Nascimento 11ºF nº2
6 de fevereiro de 2014
In, Teste de Avaliação de Português, Grupo III


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FÉRIAS E TRABALHO

Nas viagens que as férias por vezes propiciam, há quem aceite integralmente o menu disponibilizado pela agência onde tratamos de tudo, pelos guias oficiais, pelos locais obrigatórios, onde serão vistas e ouvidas as imagens e palavras obrigatórias e indispensáveis. Há quem preferira a aventura solitária, mais ou menos programada, à descoberta de locais virgens que o folheto turístico deixa de lado e com que se surpreende os que por ali passaram sem terem visto. Há quem prefira a terceira via e encontre um equilíbrio perfeito entre as duas tendências anteriormente descritas. Mas muitos menos serão, creio, aqueles que, em férias, quando se deslocam a uma cidade/vila/aldeia o fazem para…ver trabalhar. Surpreendido?
Aceitemos a sugestão de Alain de Botton (Alegrias e Tristezas do Trabalho) e pensemos nessa categoria especial que são os observadores de navios cargueiros. Pensem bem neste prazer: ir a uma cidade, em busca de um porto, para, sem qualquer finalidade ou utilidade (eminentemente prática), perceber, estudar, captar, minuciosamente, todos os passos, tudo o que diz respeito a estes navios. Como um coleccionador.
Porque há tão poucos interessados em descobrir os segredos dos navios cargueiros? Botton não é supérfluo na explicação: “tal não se deve apenas ao facto de serem difíceis de localizar e assustadoramente difíceis de identificar. Algumas Igrejas de Veneza também se encontram situadas em locais recônditos, o que não impede que sejam visitadas por um grande número de pessoas. O que torna os navios e os portos invisíveis é um preconceito descabido que leva a que se considere peculiar expressar sentimentos fortes de admiração por um petroleiro ou por uma fábrica de papel, ou, na realidade, por quase todos os aspectos do mundo do trabalho”.
Por isso, os que correm os museus de nome para dizerem que lá estiveram, que por lá passaram – como dizia Carrilho, muito na senda de Lipovetsky, quando tudo é cultura então nada é cultura, e hoje o desconhecimento da grande cultura e, simultaneamente, a sua veneração é uma marca do tempo – não se julguem em outro patamar quando comparados com os observadores de navios. Bem pelo contrário: “Como parecem frívolos os frequentadores de museus, quando comparados com eles, na procura impaciente da cafetaria, na atracção que sentem pelas lojas de recordações, na prontidão com que utilizam os assentos. Muito raramente alguém terá passado duas horas sob uma chuvada intensa diante de Hendrickje banhando-se no rio munido apenas de uma garrafa-termo com café para se aquecer”.
Estes observadores de navios cargueiros são, ainda, detentores de uma resistência psicológica anti-mundana que os faz especialmente atractivos a quem não verga perante todas as normas comunitárias/culturais/societárias: “tão-pouco receiam parecer excêntricos quando a sua curiosidade o exige. Não hesitam em se agachar para poder observar os propulsores dos navios. Adormecem a pensar em que ponto do oceano é que um determinado petroleiro se encontrará naquele momento. O poder de concentração destas pessoas lembra o de uma criança pequena que pára no meio de uma rua de comércio muito movimentada e se baixa para poder examinar, com a atenção de um erudito bíblico que folheia as páginas de um livro em pergaminho velino, um resto de pastilha elástica colado ao pavimento ou o modo de fechar da algibeira do seu casaco. Também são como as crianças pequenas a maneira como fazem tábua-rasa das ideias convencionais sobre o que poderá constituir um bom emprego, valorizando sempre o valor intrínseco de uma profissão, sobrepondo-se aos benefícios relativos em termos materiais, considerando que a função de operador de guindaste num terminal de contentores é particularmente invejável em virtude da posição vantajosa que lhe permite um bom posto de observação dos navios e docas”.
Talvez a paixão sobre a qual vimos falando pareça agora, a uns tantos, um impulso vanguardista. Do que se trata, ao invés, é de um regresso ao passado: “o passatempo dos observadores de navios remonta aos hábitos dos viajantes anteriores à época moderna, que, quando chegavam a um novo país, tinham tendência para mostrar uma curiosidade muito particular pelos seus celeiros, aquedutos, portos e oficinas, convictos de que a observação do trabalho podia ser tão estimulante como assistir a qualquer coisa num palco ou observar o mural de uma capela”.
Não é apenas nas próximas férias e revisão do seu conceito que falamos: falamos, sobretudo, do repensar o trabalho – aqui concebido em forma de beleza, seu valor intrínseco e, no homem, como continuidade da Criação.

Pedro Seixas Miranda