Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

domingo, 24 de maio de 2020

Dia Internacional da Diversidade Biológica


Mensagem de Audrey Azoulay,
Diretora-Geral da UNESCO,
por ocasião do Dia Internacional da Diversidade Biológica

22 de maio de 2020
Todos os anos, entre o final de maio e o princípio de junho, a UNESCO celebra três dias internacionais importantes que representam uma oportunidade para refletirmos juntos sobre os três pilares sistémicos das alterações climáticas: a biodiversidade, o ambiente e os oceanos.
Este ano, no momento em que uma pandemia sem precedentes está a afetar o mundo desde há várias semanas, estes dias permitem-nos recordar, uma vez mais, que só com uma abordagem transversal e ambiciosa é possível construir um futuro mais sustentável do ponto de vista ecológico.
Destes três pilares, a questão da biodiversidade talvez tenha sido a mais mencionada nas últimas semanas de confinamento generalizado. O recolhimento na esfera privada e a deserção da maioria dos espaços públicos esbateram temporariamente a divisão do espaço entre o ser humano e as outras espécies.
Temos observado animais inusitados a vaguear pela cidade e, em áreas naturais inteiras, temos visto algumas espécies ressurgir dos seus esconderijos, para nidificar e se perpetuarem. Emergindo das margens invisíveis a que habitualmente a condenamos, a natureza parecia ter recuperado o seu território durante algum tempo. Dando-nos a ver, num tempo limitado, o que normalmente temos dificuldade em perceber, este parêntese confinado recordou-nos, por contraste, o que o Relatório Mundial da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES), publicado há um ano na UNESCO, já referia: o mundo dos seres vivos está a desaparecer, deixando lugar à proliferação das doenças infeciosas.
Este desaparecimento é uma ameaça direta para nós: o tecido vivo que é a biodiversidade não nos é estranho; dele dependem a nossa alimentação, a nossa saúde e o nosso bem-estar.
Assim, esta pandemia deve obrigar-nos a pensar dentro deste tecido de interdependência e a mobilizar ainda mais para nos afastarmos da trajetória destrutiva em que nos encontramos.
As soluções existem. A UNESCO está a identificá-las, a analisá-las e, sobretudo, a divulgá-las:  no dia 22 de maio, terá lugar a uma reunião on-line para difundir todo o conhecimento, todo o know-how que está a ser desenvolvido nos quatro cantos do mundo, no âmbito da Rede Mundial de Reservas da Biosfera, dos sítios Património Mundial, da Rede Mundial da UNESCO e nas comunidades indígenas que têm tanto para nos ensinar sobre outro tipo de relação com a vida.
Neste Dia Internacional da Diversidade Biológica, façamos votos para que esta crise sanitária dê um impulso decisivo no sentido da proteção da biodiversidade e façamos nosso este aforismo de Édouard Glissant, "age localmente, pensa com o mundo".

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa - 5 de maio

O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi celebrado pela UNESCO, pela primeira vez, no dia 5 de maio.


"António Vieira" da "Mensagem", de Fernando Pessoa, por Glória de Lurdes, com música de André Luiz Oliveira.


sábado, 25 de abril de 2020

Liberdade


(Des)Liberdade



Quando isto acabar,
Seja tarde ou seja cedo,
Vamos voltar a abraçar
E bem devemos ficar.

O dia de hoje é de suposta celebração,
Porém estamos acorrentados em casa
Cumprimos pena nesta prisão
Sentenciada por uma desonrada razão

Sente-se a dor dos avós
Que sozinhos moram
E quando, de longe nos veem,
De felicidade choram.

Pensemos todos juntos:
Tem prazo de validade esta desliberdade
Acaba quando acreditarmos
Que um futuro Fado bom é uma verdade.

Acrescento palavras ao dicionário,
Mas todas têm o seu sentido.
Usar a palavra “não” nesta fase,
Atrai negatividade, e isso
Deveria ser crime garantido.

Ricardo Pavão, 9.ºB

domingo, 29 de março de 2020

Sala 17


Tocou, finalmente!...

Todos saíram em alegre balbúrdia:
Era sexta-feira
Era dia 13
Eram 13 e 15!
Vamos p´ra casa
Vamos comer
Vamos bulir
Vamos sair
Vamos curtir!
Na natural desordem
Na assumida anarquia
Ninguém deu conta que aquela
Era a última aula
Que aquela vez,
Era a última vez
Na natural desordem
Da turbulenta adolescência
Ninguém ouviu a campainha chorar
A porta ranger
A janela tremer!

Ninguém verteu a primeira lágrima!
Num ápice o mundo rodou
E um manto sombrio de mim te apartou:
Bruscamente, 
Abruptamente
Brutamente!
Agora tudo mudou!
As rotinas esfumaram-se
As certezas dissiparam-se
Os abraços interditaram-se!
As salas encheram-se de vazio,
Os corredores de frio
O recreio de silêncio sombrio.
As cadeiras coloridas!...

Onde estão as cadeiras coloridas!?
O arco-íris!... 
Ainda pinta os céus!?
Tenho saudades!

Tenho saudades de um passado cancelado
Tenho saudades de um presente cortado
Tenho saudades de um futuro adiado! 
Tenho saudades de Ti!
Fugimos para casa 
Ao som de uma ordem
Sofrida
Sentida!
Não querida!
Alguém não COVIDADO impôs-nos o fardo
Este fado: 
O isolamento total para combater o inimigo mortal.
O mundo está uma confusão
A minha mente um turbilhão.

Sinto-me triste.
Umas vezes sinto-me cansado
Outras exausto
Um dia sou Leão
Outro um mero peão.
E tu, onde estás?
O que fazes com o tempo?
O que inventas para preencher o vazio?
Também sentes o silêncio do escuro?
Também sentes a melancolia do nada?
Mandaram-me para casa, 
E eu vim
Mandaram-me isolar-me
E eu cumpri!
Afastaram-me de ti
E eu só vi
E eu anuí!
Onde está o meu 9º E?
O meu 9º E, já não é!
Fragmentou-se em casas
Em cacos
Em pedaços de vozes
Em algoritmos
Em imagens virtuais
Em senhas 
Em logins
Em Apps
Em Pins.

Sou um fragmento 
Sou um caco
Uma legenda em rodapé
Uma memória
Do meu 9º E!

Está frio neste março sem pavio.
De manhã, levanto-me…
Vou à cozinha… e pronto.
Viro-me
Descanso o olhar na negra Pasta adormecida:
Percorro memórias
Revivo histórias 
Recordo episódios sentidos
Relembro dias repletos
De números, ficções e dialetos
Lembro agendas apressadas
Cumpridas por musas aladas
Que voavam para palcos inventados
Rumo a destinos sonhados!

A minha cozinha está fria.
Estou cansado do sofá
Estou cansado da net e da TV
Estou cansado do que se ouve 
Do que se vê e antevê
Levanto-me
Espreito o mundo
Pela janela da minha fria cozinha.
Lá fora faz sol!...
É a Primavera a chegar!?
É a esperança a voltar!?
O meu jardim anuncia a Esperança!?
É pequeno o meu jardim
Tem rosas e lírios
Um limoeiro raquítico
Cinco ou seis promessas de videira
E um tapete de relva esquecido.
Está triste o meu jardim:
A relva despenteada
Os lírios fechados
As rosas envergonhadas.
Mas!...

Olho
Vejo 
Reparo
Num dos quatro cantos,
Para meu espanto,
Uma fonte de cor se destaca!
É uma flor?
Abro a porta
Dirijo-me ao pátio
Desço as escadas
Em passos 
Apressados
Curiosos
Ansiosos!...
Num ápice estou ao pé de uma flor!
Não sei o nome desta flor.
Na verdade, não sei o nome de quase nenhuma flor!
Não é uma videira 
Não estrangula
Não é uma Rosa
Não tem espinhos
Não é um lírio
Não é efémera
Não sei o que é
Mas sei que é linda!...
Contemplo-a…
É forte!
Tem boas raízes
Que a ligam ao nutritivo solo.
É amistosa!
Espraia-se, mas permite que outras 
Se alimentem do Sol.
Toco-lhe!
Tem folhas verdes
Muitas folhas verdes
De um verde aveludado!
Acaricio as suas folhas e sinto o conforto de uma textura ética!
É uma flor com a divina forma do círculo
Composta por muitas pétalas elíticas.
Lindas!...
Não são todas exatamente iguais.
É bom:
A assimetria confere-lhe exotismo
A diversidade modernismo.

É única esta flor de pétalas cor -de - sol 
De pétalas de Luz
De pétalas de vida!
É linda a flor do meu jardim!...
Sou afortunado por ter este jardim!
Sou feliz porque tenho o melhor jardim do mundo!
Tenho sorte porque colori o meu jardim,
Por um acaso do Destino
Por uma bênção de Deus
Ou apenas porque sim…
Com a flor mais bonita do mundo!
Não sei como se chama
Não sei como lhe chamam
Eu vou chamar-lhe “Nonoé”
O meu”Nonoé” 
Não é pedaço
Não é estilhaço
É um todo
Em cada um!
É lembrança 
É Esperança
É estética
É ética
É um eterno em mim
É um pedaço de mim!...
O meu 9º E!...
Sonho e desejo ter um pouco de mim em todos vocês!

Ângelo Lêdo

sábado, 21 de março de 2020

Dia mundial da poesia



Dia Mundial da Poesia



Tempos sombrios 
no calendário dos dias arrastados, 
árvores em flor anunciam a primavera, 
a cada respirar percebemos a passagem 
do tempo de forma silenciosa e tímida 
como os ponteiros do velho relógio.

E eu? Em casa. 
E nós? Em casa, assim espero eu.  
Saudades dos amanheceres apressados,  
dos tempos livres,
das conversas fora de casa
com este e aquele, 
com o mundo à nossa volta. 

Saudades da rotina que antes era reclamada.  
Saudades das batatas fritas, dos sonhos
na casa da minha avó. 
Hoje, o mundo chora de saudade,  
chora de compaixão,
chora de dor e de medo. 

É preciso amar mais,  
é preciso zelar pelos nossos velhinhos.
Saudades dos beijos e abraços apertados,
garantia de um dia feliz. 
O tempo está feio, triste,
mas eu, para não enlouquecer,
prefiro ficar 
com a certeza de dias melhores, 
recheados de pensamentos bons a cada novo raiar do dia.
Quem sabe amanhã não seja um dia ao ar livre? 

Ah, sim!  
Eu quero dias ao ar livre,  
repletos de beijos e abraços 
e a minha alegre rotina de volta,
Jogar à bola,  
voltar para a escola
andar livremente pelas ruas 
sem nenhum
inimigo oculto à espreita. 
Quem sabe, amanhã?

Gonçalo Figueiredo, 9.ºB




SOBRE OS AMIGOS


Não há palavras para explicar
Como é verdadeiros amigos ter
Não há maneira de falar
Quem os iria descrever?

Tem amigos mais espertos
Também os que podem mais
Tem aqueles mais abertos
E os que têm vários ideais.

Tem amigos mais pacientes
Que aconselham sempre a gente
Tem aqueles mais inteligentes
Que para tudo usam a mente.

Na amizade não existe preconceito
Não importa o seu jeito
Só amor e respeito
Nela todo mundo é aceite

Mário Coutinho, 9º I 






Saudades

Saudades de ti
Saudades de te tocar
Saudades daquela dor
Que me põe a chorar…

Sozinha neste mundo
No meio desta multidão
Tento ser forte
Mas caio no chão.

Apesar de cair várias vezes
Levanto-me de cabeça erguida
As pessoas perguntam-me
Se eu estou bem
Mas por dentro… sinto-me perdida.

Beatriz Barreiro, 9º I 




Nunca




Nunca digas amo-te…se não te interessa.
Nunca fales sobre os sentimentos… se estes não existem.
Nunca toques numa vida… se não pretendes abrir o coração.
Nunca olhes nos olhos de alguém… se não queres vê-lo derramar lágrimas por ti.
A coisa mais horrível e cruel que alguém pode fazer
É permitir que se apaixonem por ela 
Quando não a pretendem ter.

Joana Borges, 9º B





quinta-feira, 19 de março de 2020

Dia do Pai


Poema ao meu pai

Que lindo, tão belo     
Tanto amor me dá
És o pai mais sublime
Que no mundo há.

Os seus beijos e mimos
São grandes atos de amor
São raios que brilham
E que me dão tanto calor.

Paizinho querido,
Eu vou-te dizer:
És o pai mais querido
Que eu podia ter!

Beatriz, 9.º I




O meu pai

Ó pai, tenho um segredo 
Que hoje te vou contar 
Quando vou p’ra cama à noite 
Quero contigo sonhar.

Paizinho, brinca comigo 
À bola ou ao pião 
Gosto de brincar contigo 
Pois és o meu amigão.

Sinto saudades tuas 
Quando tu vais trabalhar
Queria ficar contigo 
Em casa para brincar.

Um pai é um amigão 
Todos dizem com razão 
Ele gosta muito de nós 
Do fundo do coração.

Rafael, 9.º I





No dia do pai

Tenho um grande amigo,
Amigo do coração
É o meu pai querido 
Como ele não há… não!

Um pai, nosso amigo
Que nos ame a valer 
É o tesouro mais querido 
Que um filho pode querer.

Eduardo,  9.º I



Ao meu pai

Papá querido,
Fazes tudo por mim
Queria dizer-te obrigada
Pelo teu amor e carinho sem fim …

Quando está a chover,
Dás-me o teu brilho
Quando estou perdida,
És o meu abrigo.

Soraia, 9.º I
 

terça-feira, 17 de março de 2020

Sou Camilo!



Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de março de 1825. Foi um escritor e romancista e também historiador e tradutor. Ficou marcado e relembrado pela literatura e pela sua doçura. 
A vida familiar deste grande escritor não foi a melhor, os seus pais nunca se chegaram a casar e, quando tinha um ano, com a morte da sua mãe, o seu pai, alcunhado de “Brocas”, mas de nome Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, colocou os filhos ao cuidado de várias mulheres com as quais se envolvia amorosamente. Manuel faleceu aos 10 anos de Camilo, criando neste uma grande insatisfação no seu coração.
Durante a sua juventude e após a morte dos seus pais, Camilo e a sua irmã Carolina foram acolhidos por uma tia com residência na nossa “Bila”, Vila Real! Com a sua tia recebeu uma educação irregular dada por dois padres de província e aí se formou, no meio da pacata vida transmontana, lendo e escrevendo, até se tornar no que foi, e ainda é, na nossa escola, situada na tal “Bila” existente há mais de cento e cinquenta e anos e onde somos hoje camilianos e com muito orgulho. Por isto tudo e em tempos conturbados como os vividos no momento, não poderíamos deixar de fazer uma pequena homenagem ao nosso Patrono.
Em suma, esta é a breve história da vida de Camilo, ainda havia muito para contar, mas já está na hora de acabar, já deu para o relembrar e para sempre com a sua história ficar!
Sou Camilo e com muito orgulho!

Gonçalo Figueiredo, nº9, 9.º B






Olá!


«Eu sou Camilo». 

O que quererá esta frase dizer? Bem, penso que, basicamente, o que me vem à cabeça é que talvez signifique mencionar que admiro Camilo Castelo Branco.

Mas, na minha opinião, o principal sentido da frase, deve ser que «Sou Camilo» porque frequento, com alegria, uma escola cujo nome é o deste grande escritor, por isso, devo dizer que, para mim, ser Camilo é ser feliz.

Agora, falando um pouco sobre a biografia de Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, é importante realçar o facto de ele ter sido um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa e, principalmente no século XIX, tal como o título que lhe foi concedido pelo rei D. Luís (1º Visconde de Correia Botelho). Este escritor português foi também romancista, dramaturgo, cronista, crítico, historiador poeta e ainda tradutor.
  Para finalizar, vou deixar uma mensagem par todos: SÊ CAMILO…TU TAMBÉM!

  Ricardo Costa, 9.º B










Num belo dia de março
Nasceu um grande escritor
Que nos deixou imensas obras
Com muito esplendor.

É Camilo Castelo Branco, o nosso patrono,
Nós celebramos a sua nascença
E mesmo que já nos tenha deixado
Sente-se a sua presença.

Todos os alunos adoram este dia!
É com grande alegria…
Acordar de manhã
E não levar a mochila carregada
E ser um dia… de não fazer nada!

Este ano foi tão diferente…
O nosso “amigo” coronavírus
Não permitiu a nossa comemoração
Mas temos mesmo assim
A Camilo no coração!

E com esta me despeço.
Foi com grande dedicação
Que terminei esta tarefa…
Não foi fácil de fazer,
Mas teve de ser!

Carolina Taveira, 9º B






Sou Camilo (ou talvez não)


Sou Camilo, sim
Sou Camilo, sim senhor
Não sou romancista
Nem nenhum historiador.

Sou Camilo, sim
Sou Camilo, sim senhor
Não nasci a dezasseis
Mas a um dia superior.

Sou Camilo, talvez.
Sou Camilo, talvez não.
Não sou lisboeta
Nem quero acabar em Famalicão

Afinal… não existe semelhança
Entre mim e o Patrono 
Mas também, o que sei eu?
Ainda nem saí do nono.

Ricardo Pavão, 9º B