Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real

domingo, 31 de maio de 2009

Exposição "Flora de Brincadeiras" em Penafiel

Esta exposição de João Pinto V. Costa, professor da nossa escola, estará disponível ao público durante o mês de Junho, na Biblioteca Municipal de Penafiel. Será uma oportunidade para apreciar um conjunto de brinquedos e miniaturas em matéria vegetal, numa amostra com cerca de 200 objectos, subordinada às temáticas de armas e jogos, culinária infantil, bonecos e representações de animais, utensílios domésticos, alfaias e engenhos agrícolas, meios de locomoção e objectos de adorno.

Na sua peregrinação pelo país, já percorreu os seguintes espaços: Escola Sec. Camilo Castelo Branco - Vila Real; Centro de Informação e Interpretação do Parque Natural do Alvão, em Vila Real e Mondim de Basto; Museu do Brinquedo de Seia, Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa; Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; Biblioteca Carmen Miranda - Marco de Canaveses; Escola EB23 de Alpendorada; Quercus - Quinta da Gruta - Maia; Biblioteca Municipal de Vila Pouca de Aguiar.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Intercâmbio

No âmbito do intercâmbio entre a nossa escola e o Agrupamento de Escolas da Sequeira, no dia 22 de Maio, os alunos do 8.º B, acompanhados pelos professores José Brandão e Marília Martins, viajaram até à Guarda. À chegada a esta cidade Beirã encontravam-se os alunos do 7.º B e os professores António Peneda e Lídia Costa. No período da manhã, os alunos visitaram a casa de um artesão de Alfaiates. No período da tarde, conheceram o Centro Histórico, visualizaram um filme sobre a Serra da Estrela e passearam pelo Parque Urbano do Rio Diz.
Os alunos demonstraram interesse e satisfação pela visita, salientando o excelente ambiente de camaradagem vivido entre todos.
Marília Martins

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Parlamento dos Jovens 2009 - Básico - Círculo de Vila Real


Um sonho e uma realidade


SESSÃO ESCOLAR

"A adolescência é um período em que o risco é uma constante (...) ", mas nem por isso os jovens deixam de arriscar e partir rumo ao desconhecido. E foi assim que os 24 alunos da nossa escola se envolveram "da cabeça aos pés" neste projecto do início até ao fim. Após várias e infindáveis horas de trabalho, iniciou-se a campanha. Foi notória a adesão vinda das 3 listas e das respectivas turmas mas, por parte da comunidade camiliana do ensino básico, não foi tão satisfatória, uma vez que apenas 133 alunos compareceram nas urnas.
Devo dizer que a campanha foi uma das melhores etapas desta marcante experiência, uma vez que todos se empenharam e se esforçaram por criar um ambiente propício a uma bela campanha. Apesar dos normais conflitos entre as listas e respectivos deputados, houve um espírito que os uniu a todos porque, no fim, íamos representar a Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco e mais tarde todo o distrito de Vila Real.
Uma vez realizadas as tão esperadas eleições, chegou finalmente o esperado dia D – o do debate. O nervosismo insistia em fazer com que toda a gente andasse de um lado para o outro a gastar os belos dos sapatinhos engraxados. Após uma hora num renhido e intenso debate tivemos 3 deputados finalistas e 3 medidas vencedoras que, acompanhadas de uma bela fundamentação nos iriam representar na Sessão Distrital. E como o senhor porta-voz da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco disse “já que o número 3 é o número da sorte, espero que nos dê sorte na Sessão Distrital”.

SESSÃO DISTRITAL

Realizar debates com mais 16 escolas é um meio privilegiado para conhecer e dar a conhecer diferentes ideais. E foi assim que aconteceu dia 9 de Março, no Instituto Português da Juventude. Com a presença do Governador Civil, do Vice-Presidente da Câmara e do Coordenador da Equipa de Apoio às Escolas, na Sessão de Abertura, os 55 deputados e a deputada Paula Barro passaram o dia em debate, com pausa para almoço, de onde saiu um belo projecto que iria representar Vila Real na Sessão Nacional.
No fim, o projecto continha as seguintes medidas, a serem discutidas mais tarde, na Sessão Nacional:
1. Implementação de uma disciplina, de carácter obrigatório para o Ensino Básico, de “Educação para a Saúde e Cidadania” com noventa minutos semanais. Esta disciplina será leccionada por um professor responsável, articulada com um grupo multidisciplinar (nutricionista, psicólogo, médico) nomeadamente para desenvolver acções de divulgação dentro da área da saúde. São eliminadas as disciplinas de Formação Cívica e Área de Projecto.
2. Aumentar os benefícios fiscais relativamente à agricultura biológica de forma a permitir o seu desenvolvimento e poder reduzir-se, deste modo, o preço dos produtos, incentivando o seu consumo; aumentar os impostos sobre os fast-food e limitar, gradualmente, a sua venda nas escolas, de forma a diminuir o seu consumo.
3. Criação de uma semana nacional dedicada à alimentação saudável durante a qual se procederia a um amplo debate e à realização, a nível escolar, de palestras e rastreios.

SESSÃO NACIONAL

O Sol ainda estava a tentar nascer quando já se sentia a emoção dos deputados de Vila Real, prestes a explodir. Um bom-dia sonoro e um abraço apertado foram o início duma inesquecível experiência que, com certeza, marcou a vida de todos. Esperava-nos dois dias atarefados, mas isso em nada influenciava a nossa boa disposição e alegria matinal. Apesar das olheiras e das poucas horas de sono, a viagem foi feita em constante debate sobre o que iria acontecer ou não, sobre o que poderíamos ou não dizer e a conhecermo-nos um pouco melhor.
Primeiro dia: o das comissões, das visitas guiadas e dos passeios de reconhecimento, dos projectos de recomendação e o das primeiras amizades e “rivalidades”. Os 128 deputados das 64 escolas participantes de todo o país, regiões autónomas e da Escola Portuguesa de Macau, foram divididos em 4 comissões, cada uma dirigida por dois deputados da Assembleia da República: a 1ª comissão foi orientada por Luís Fagundes Duarte (PS) e Ana Drago (BE); a 2ª comissão pelos deputados António Carlos Monteiro (CDS-PP) e Ana Couto/Paulo Barradas (PS); a 3ª comissão teve a presença de João Oliveira (PCP) e de Magda Borges (PSD) e a 4ª comissão foi dirigida por Ribeiro Cristóvão (PSD) e de Francisco Madeira Lopes (PEV). Nestas comissões debateram-se os Projectos de Recomendação sobre
“Alimentação e Saúde”, com entusiasmo, animação e sempre com uma resposta na pontinha da língua. Os deputados portaram-se à altura dos alunos e tiveram um sorriso amigo sempre brilhante nos seus lábios. Enquanto isso os jornalistas passaram a tarde numa visita guiada, com livre-trânsito, a conhecer todos os pontos “à casa”.
Houve tempo para trocar informações, tirar fotografias e até para nos perdermos naqueles corredores imensos cheios de arte. Após 3 horas de esforço, suor e dedicação com debates e votações à mistura saíram 4 projectos de recomendação que fizeram jus ao empenho de toda a gente. Desde deputados juniores, a deputados seniores, a professores e jornalistas era notório um olhar de satisfação e alegria, uma vez que todos estiveram à altura do desafio.
No final digerimos um belo de um lanchezinho seguido de um melodioso concerto dos “Jovens vozes de Lisboa”, na Sala do Senado. Dadas por finalizadas todas as actividades, deu-se um jantar, oferecido pela AR.
A estadia de todos foi assegurada no INATEL de Oeiras, com uma maravilhosa vista para a marinha e para a praia.

PROGRAMA JORNALÍSTICO


Segundo dia: Não se ouviu o galo a cantar, mas também não foi preciso.
Ainda começava o dia a ter uma corzinha própria para o acontecimento, e já os deputados estavam a ocupar os seus lugares na Sala do Senado, onde se iria dar, por fim, a Sessão Plenária. Tudo a postos: os deputados com o os projectos na mão, prontos a serem defendidos, os jornalistas de máquina levantada e os professores com um sorriso babado na cara.
Luzes, câmara, acção. A Sessão iniciou com os lugares na mesa a serem ocupados pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, pela Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues e o Presidente da Mesa, (eleito do círculo eleitoral de Braga), Edgar Costa.
Das sábias palavras da Ministra da Educação, todos recordaremos: “este exercício, de certo, nunca esquecerão”.
No fim do discurso de todos, cada um focando os pontos mais importantes desta experiência, o Presidente Edgar chamou a Vice-Presidente, Maria Conceição Bento (eleita do círculo eleitoral de Coimbra), o 1º Secretário, Nelson Grácio Júnior (escolhido do círculo de Beja) e a 2ª Secretária da mesa, Jéssica Corvo (do círculo eleitoral de Bragança).
À sua frente sentaram-se os verdadeiros, os senhores da palavra, os representantes dos partidos portugueses: Odete Santos do PS, Magda Borges do PSD, Mariana Alverca do BE, Heloísa Apolónia do PEV e João Oliveira do PCP, que responderam às perguntas feitas pelos juniores. Desde medidas para combater a crise até assuntos internos da AR, tudo foi questionado pelos jovens deputados. No final do período de perguntas, os deputados saíram e desejaram boa sorte a todos.
Tinha chegado finalmente o momento. O momento pelo que todos tinham esperado. O grande debate! Tudo correu às mil maravilhas. Claro que, como em todas as situações, houveram alguns desentendimentos entre os deputados, mas nada que não se resolvesse, mais tarde, no tão ansiado almoço.
Este deu-se nos claustros da Assembleia da República, onde se discutiram as decisões tomadas durante a Sessão Plenária e as que se iriam tomar, na continuação da mesma. Como não podiam ser esquecidos nem postos de parte, os jornalistas tiveram direito a um programa especial:
No primeiro dia tivemos uma visita guiada pelo Palácio de S. Bento. Esta visita foi bastante interessante e deu-nos a conhecer os “cantos da casa”. Notou-se uma expressão de admiração quando o grupo caminhou pela entrada da Sala das Sessões. Flashes por todo lado, como se fosse uma chuva de estrelas. E na verdade era. É naquela sala que as estrelas do nosso país discutem os mais emblemáticos problemas de Portugal. Alguns jornalistas sentaram-se mais atrás, outros mais à frente a ouvirem o guia e a apreciarem a beleza da sala, incluindo o enorme e maravilhoso quadro de D. Manuel I, que obviamente chamou à atenção de todos à entrada da Sala. Foi-nos explicado cada pormenor da Sala e do Palácio em Geral, aumentado consideravelmente o nosso conhecimento no que se refere a esta “casa de todos nós”.
No segundo dia tivemos a Conferência de Imprensa com o Presidente da Comissão Parlamentar da Educação e da Ciência, António José Seguro, onde tivemos direito a colocar-lhe diversas perguntas, umas mais a nível profissional e outras mais a nível pessoal, que deixaram o deveras sem palavras. A pergunta da nossa escola foi a seguinte:
«Senhor Presidente, uma vez que o país está cada vez mais em recessão, acha que a Educação e a Ciência vão continuar a evoluir, tendo em conta que os fundos monetários que suportam essa evolução podem escassear?». Obtivemos então uma resposta justificada na falta de solidificação de bases, que são o mais importante.
No fim foi-nos desejada Boa Sorte e votos de felicidade para todos!

DESPEDIDAS EM BELÉM

No fim custou somente a despedida, já que o convívio proporcionado por esta iniciativa foi aproveitado ao máximo. A oportunidade de conhecer, comunicar e discutir com pessoas diferentes foi sem dúvida enriquecedora.
Despedimo-nos com um adeus e um boa sorte a todos, apreendemos uns com os outros, e o mais importante foi que estivemos presentes, tornamo-nos jovens mais cultos e partilhamos uma experiência única. Aprendemos como funcionava o parlamento, o processo trabalhoso a que se dedicam os nossos caríssimos deputados.
Todos os deputados presentes, tal como os que foram ficando pelo caminho mostraram-se jovens interessados, e empenhados que acham que têm uma responsabilidade para com a comunidade em que vivem tomando portanto parte activa na mesma.
Ficam as saudades e vêem connosco as lembranças de todas as peripécias, que são agora motivo de conversa por aqui. Tal como na viagem de regresso. Descobrimos que muitos outros jovens partilham as nossas ideias e perspectivas mas que existem outros que tem opiniões diferentes e que a chave está na aceitação, e é a partir das ideias distintas que adquirimos conhecimentos que utilizamos agora no nosso dia-a-dia.
Esperamos no próximo ano sentar-nos novamente naquelas cadeiras e dar o nosso melhor, mostrando que o nosso país é feito de jovens preocupados que querem acima de tudo dar a sua opinião. Se conseguirmos atingir de novo este patamar, esperamos cruzar-nos com muitos dos amigos que deixamos agora para trás.

Reportagem
Bárbara Fontes

COMANDANTE
Guilherme Sousa
PILOTO
Márcia Rocha
PASSAGEIROS
Professora
Ana Rocha
Jornalista
Bárbara Fontes

Final do Concurso Nacional de Leitura de 2008/2009 - LER +

A final do Concurso Nacional de Leitura de 2008/2009 - LER + - , realizada em colaboração com a RTP , é já no próximo fim de semana (dias 30 e 31 de Maio), em Lisboa. A prova, que terá lugar no Teatro da Encarnação, será filmada pela televisão e passada em diferido no fim-de-semana seguinte.
Andreia Seara, do 12º G, estará presente nesta final, a representar os alunos do Ensino Secundário das escolas do distrito de Vila Real, depois de ter ultrapassado, com sucesso, duas provas de selecção (a nível de Escola e a nível distrital).


Boa sorte, Andreia! Estamos contigo!

Escola, Pais e Alunos: Caminhos Cruzados

No dia 23 de Maio, à tarde, os alunos do 12º D – Joana, Teresa, Alexandra, Sónia , Diogo, Rui e o Ricardo ( da esquerda para a direita da imagem) -, estiveram presentes no Auditório I da nossa Escola para participar no debate Escola, Pais e Alunos: Caminhos Cruzados, uma iniciativa conjunta da Associação de Pais e Encarregados de Esducação da nossa Escola e do projcto PES (Promoção Educação da Saúde).
Neste debate, os referidos alunos tiveram a oportunidade de apresentar as conclusões parcelares dos trabalhos de investigação – Depressão Pós-Parto e Ataques de Pânico e Medo - que têm vindo a desenvover em Área de Projecto, ao longo deste ano lectivo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fórum - Os Jovens, a saúde e a cidadania

Realizou-se nos dias 19 e 20 de Maio, no Teatro de Vila Real, o Fórum "Os Jovens, a Saúde e a Cidadania", promovido pela Equipa de Apoio às Escolas de vila Real (DREN) e a Escola Superior de Enfermagem de Vila Real.
Em representação da nossa escola, participou a turma C do 9ºano, com o projecto "Sexualidade - Informa-te para te Protegeres", sob a orientação da professora de Área de Projecto, Anabela Rego.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

U.E. P'RO FUTURO - Teatro na Escola

U.E. P'RO FUTURO
O Tratado de Lisboa e o Futuro da Europa
Exposição e Peça de Teatro


Hoje, 21 de Maio, pelas 15horas, o grupo de teatro No Mundo da Lua trouxe à nossa escola o projecto U.E. P'RO FUTURO - O Tratado de Lisboa e o Futuro da Europa, seleccionado e financiado pela Comissão Europeia.

O projecto, dirigido aos alunos de 7º e 8º anos, é composto por uma peça de teatro, uma exposição e um site (www.ueprofuturo.eu), que se complementam de forma interactiva. O tema é apresentado por dois operários, construtores que, a partir da Lenda da Europa, viajam pelos 27 países da U.E., explicando os pontos essenciais do Tratado de Lisboa e perspectivando uma Europa capaz de enfrentar o futuro.




Texto e imagem : Adelaide Jordão

Como lidar com a esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença em que a pessoa sofre de uma alteração da personalidade e um problema que só a medicação pode ajudar. Por esta razão, há que compreendê-la e procurar conhecer as melhores soluções para saber como lidar com ela.
Esta doença caracteriza-se por uma dissociação das funções psíquicas e pela perda de contacto com o mundo exterior. Afecta todas as pessoas que convivem de perto com o doente, família e amigos, assim como ao próprio.
Os seus primeiros sintomas são a diminuição, ou mesmo ausência, da afectividade, existindo um desligamento do mundo por parte do doente, que se volta para si mesmo.
Algumas destas pessoas, antes de se encontrarem nesta situação, passaram por conflitos, períodos de depressão ou stress, o que leva a perceber que a esquizofrenia foi agravada ou mesmo desenvolvida por esses problemas.
Se quem padece desta patologia estiver sob forte stress, viver num clima de medo ou tiver alterações comportamentais contínuas, tudo aquilo que poder trazer tranquilidade ao doente é sempre bem-vindo. Numa fase aguda da doença, pode ser necessário o internamento. Nestas situações, só depois de o doente ter sido sedado e se encontrar mais calmo é que os profissionais de saúde (psiquiatras, enfermeiros e psicólogos) podem fazer um trabalho mais profundo. O objectivo é fazer um trabalho de relaxamento para que a pessoa comece de novo a deixar de ter medos e pânicos de modo a que saia do seu ensimesmamento.
O doente esquizofrénico não deve ser considerado como um indivíduo isolado, mas inserido num contexto social, cultural e familiar, capaz de o influenciar, condicionando as suas atitudes e valores.
A família é indispensável a uma boa inserção social. Por esta razão, é absolutamente fundamental que esteja informada para que possa compreender a situação, de forma a atenuar a angústia face ao desconhecimento. A capacidade de adaptação e de intervenção da família pode constituir um factor determinante no tratamento.
O doente esquizofrénico depara-se frequentemente com dificuldades a nível laboral, quer pelas suas limitações, quer pela rejeição das entidades empregadoras, quer ainda pelas insuficientes condições de trabalho oferecidas. Apesar dos eventuais obstáculos, é importante que o doente se mantenha activo, se sinta realizado profissionalmente e seguro num local de trabalho que lhe é familiar.
Finalmente, the leat but not the last, a mudança de atitudes da sociedade - rejeição, visão estereotipada e marginalização do doente esquizofrénico -, contribuirá para a construção da sua identidade pessoal e reinserção social.

Ana Correia nº2,
Diana Henriques nº8,
Tatiana Rocha nº10
Tânia Cibrão nº19 – 12ºD.
Trabalho realizado no âmbito de Área de Projecto.

Regresso à Escola

Debate: O Projecto Europeu

Pela primeira vez a nossa escola aderiu à iniciativa Regresso à Escola, promovida pela Comissão Europeia, tendo recebido no dia 20 de Maio, às 10 horas, a visita da Drª Piedade Costa de Oliveira, ex-aluna da Camilo, a exercer funções nos Serviços Jurídicos da Comissão Europeia, que participou num debate sobre o Projecto Europeu com alunos do 10ºano.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Visita ao Instituto de Meteorologia de Vila Real

No dia 15 de Maio, pelas 10horas, as turmas A e B do 7º ano foram ao Instituto de Meteorologia de Vila Real. No local, começámos por ver o filme " O Tempo dos Tempos". Posteriormente observámos o processo de registo de dados, realizados de hora a hora e enviados para Lisboa. No exterior, vimos os diversos instrumentos de medição ( pluviómetro, barómetro, catavento, anemómetro, termómetro).


Texto
David Faria, 7ºA
Joana Oliveira, 7ºA
Miguel Ângelo, 7ºA
Rui Silva, 7ºA

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Intercâmbio entre 8ºB da "Camilo" e 7 ºB do Agrupamento de Escolas da Sequeira – Guarda



No âmbito de Área de Projecto e inserida no intercâmbio entre o 8.º B da nossa escola e o 7.º B do Agrupamento de Escolas da Sequeira – Guarda, realizou-se no dia 7 de Maio uma visita de estudo ao Alto Douro. O programa incluiu uma visita ao Parque Corgo, a S. Leonardo da Galafura, ao Hotel Vintage House e, ainda, à Companhia do Vinho, no Pinhão. No dia 22 deste mês será a vez do 8.º B se deslocar à Guarda.

Texto e Fotos
Drª Marília Martins

sábado, 16 de maio de 2009

Auto da Barca do Inferno

No dia 8 de Maio, catorze alunos da turma D de nono ano apresentaram uma dramatização do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, sob a orientação da professora Ana Paula Fortuna, no Átrio Principal da Escola Secundária Camilo Castelo Branco.
O espectáculo, uma mescla de época e actualidade, animado com músicas de diferentes línguas, foi apresentado em duas sessões: uma, pelas 15horas, destinada especialmente a alunos de nono ano, e outra, à noite, pelas vinte e uma horas, tendo como público-alvo os Pais e Encarregados de Educação da turma, bem como outros elementos da comunidade escolar.
Nas duas sessões, o público acolheu com agrado o trabalho destes alunos e da professora.



Texto: Drª Paula Fortuna
Fotografias: Drª Fátima Manuela (Presidente do Conselho Executivo)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Encontro sobre Psicologia Aplicada





As professoras e alunos de Psicologia da Escola Secundária Camilo Castelo Branco convidam-no(a) a participar num “encontro” sobre Psicologia Aplicada, que se realiza dia 29 de Maio, pelas 15 horas, no Auditório 1.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Prémio Traduzir 2009


No âmbito do concurso “Prémio Traduzir 2009”, instituído pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, realizaram-se, no dia 27 de Abril, as traduções dos contos/ensaios de expressão alemã, francesa e inglesa, destinada aos alunos do 11º e 12º anos, tendo cada participante concorrido numa das línguas estrangeiras à sua escolha. Participaram neste concurso os seguintes alunos:
Língua Alemã: Nuno Miguel Dias Costa, 12ºI,nº17; Língua Francesa: Stephane Mendonça Olimpio, 11º C, nº25; Língua Inglesa: Alexandra Filipa Macedo Guedes, 11ºE, nº1; Débora Nóbrega Seixas, 11º A, nº 10; Francisco José Queirós Capela de Vieira e Brito, 11ºD, nº 10; Leila Cardona Santos, 11º H, nº 12; Marta Pires dos Santos Silva, 11º H, nº 15.

Texto: Paula Seixas

quarta-feira, 6 de maio de 2009

“Um desafio chamado Europa”

No dia 5 de Maio esteve patente na Praça do Município da cidade o roadshow “Um desafio chamado Europa”que pretendeu divulgar através de um camião TIR multiusos com uma exposição, consolas multimédia, etc., o tema “Cidadania Europeia e Estratégia de Lisboa para o Crescimento e o Emprego”. Nove turmas de 7º, 9º e 12º anos deste estabelecimento de ensino foram visitar esta exposição, participar nos passatempos, e conhecer melhor a União Europeia. Todos receberam brindes e habilitaram-se ainda a ganhar uma viagem a uma capital de um Estado-Membro.



Texto e imagem: Dulce Mesquita

terça-feira, 5 de maio de 2009

A " Camilo" em Londres


Aproveitando o feriado de 1 de Maio de 2009 e o fim de semana prolongado, um grupo de professores e alunos desta escola visitou Londres numa viagem curta, mas de enorme utilidade, nas vertentes cultural, histórica e de lazer.


J. L. Ventura
Imagem: Dulce Mesquita

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Do estatuto do narrador. A propósito de "A Viagem do Elefante", de José Saramago


O habitual elefante em loja da porcelana linguística mais convencional e purista está de volta, numa provocação estética e desafio literário de não pouca relevância: é o estatuto do narrador que emerge como repto ao leitor do último “conto” – assim pretende o autor ver classificada a sua mais recente obra – do Nobel da Literatura português.
Habituados a operar com a distinção narrador-autor, com o primeiro a não ser subsumível nem tão pouco diluível no segundo, é com algum embaraço que assistimos à verdadeira osmose promovida por Saramago, entre estas duas “entidades”. Para efeitos de melhor explicitação, pensemos, ainda, na poesia e na análise centrada no “sujeito poético”: não atribuímos os pensamentos, as ideias, os sentimentos ao autor Pessoa ou Cesário Verde, por exemplo, mas referimo-nos ao “sujeito poético”, “sujeito” com o qual, de resto, os autores não têm de concordar ou se aproximar (bom, então no caso de Pessoa e seus inúmeros heterónimos, uma conciliação complexa…).
Mas o homem que gosta de quebrar as demais convenções literárias – a separação do discurso directo do discurso indirecto, com grafia adequada; os pontos de interrogação ou exclamação a concluírem frases que os reclamam; as maiúsculas nos nomes próprios, etc. – vai directo à “falsidade” das máscaras (Pessoal e Transmissível, TSF,03/11/08), um tanto mefistofélicas, que o autor coloca, escondendo-se e escudando-se, cobardemente, no seu “narrador” ou “sujeito poético”, e, pura e simplesmente, elimina o narrador, ficando o nu autor (nu). É, assim, um convite à inquietação, quanto à nossa forma de abordar/pensar o texto, que aqui se expõe.
Claro que incidindo A Viagem do Elefante sobre o já remoto séc.XVI, esta perspectiva sobre o, melhor, a ausência do estatuto do narrador, permitirá a Saramago proceder a comparações com épocas futuras (nomeadamente, aquela em que vivemos), mostrar quanto mudámos de atitude perante a vida, o mundo e os outros – “as rudes gentes destas épocas que ainda mal saíram da barbárie primeva prestam tão pouca atenção aos sentimentos delicados que raras vezes lhes dão uso. Embora já esteja a ser notada por aqui certa fermentação de emoções na trabalhosa constituição de uma identidade nacional coerente e coesa, a saudade e os seus subprodutos ainda não foram integrados em Portugal como filosofia habitual de vida”, (pág.95) – dar conta da evolução das palavras ou utilizá-las fora de época – “não sabia que entre os subordinados havia dois amantes dos pombos, dois columbófilos, palavra talvez ainda não existente na época, salvo porventura entre iniciados”, (pág.114) – baralhar e voltar a dar, exercendo, com requintado hedonismo a ironia para com os alvos mais comuns na sua obra – por exemplo, coloca na boca de um cura de uma remota aldeia portuguesa, de meados dos seiscentos, a frase dirigida à sua comunidade “lembrai-vos, o povo unido jamais será vencido”, (pág.82) – podendo, ademais, a sua abordagem narrativa, servir os intuitos mais politicamente correctos ainda que entrelaçados com humor, colocando parêntesis na história para se dirigir directamente a quem o lê – “reconheça-se (…) que um certo tom irónico e displicente (…) de cada vez que da áustria e seus naturais tivemos de falar, não só foi agressivo, como claramente injusto”, (pág.175/76).
Há, por vezes, um misto de narrador-contista-ensaísta. Saindo do cânone, a flexibilidade, a elasticidade, a inteligibilidade, a plasticidade, o humor saem, claramente, favorecidos. Mas a quantas vozes se fala, durante toda a obra? E não se objectará, também, que o autor sempre poderá buscar esconderijo no ventre das personagens que compõem a intriga, para não apor a sua assinatura a afirmações pelas quais não pretende vir a ser acusado – para seguir a lógica do raciocínio de Saramago? Não é Saramago, o Saramago narrador, por muito que não goste do substantivo adjectivo, devedor da história que começa por lhe dever mas a qual já está credora em relação a si na imaginação, na fantasia, nos factos que lhe surgem, por ela propiciados e proporcionados, já noutra “dimensão”? Não fará sentido manter a diferenciação entre aquele que está na história, a vai porfiando e revelando, e o que dela sai, mais frio e racional, exterior, e que ensaia de tudo um pouco?
Bem sei, o autor de O Memorial do Convento dirá que se fundem, e a prova provada serão os seus incontáveis aforismos, ditados populares, frases recônditas da alma abalada no fio da navalha da vida e trazidas agora ao convívio de todos, neste especialmente bem-humorado "A Viagem do Elefante".
O elefante do título é verdadeiro. Oferecido por D. João III e D. Catarina ao arquiduque Maximiliano, casado com a filha de Carlos V, e futuro Imperador. Estamos a meio do séc.XVI. O bicho irá até Valladollid, primeiro à guarda (exclusiva) de portugueses – até Figueira de Castelo Rodrigo – com a companhia vigilante de austríacos – entre esta e Valladollid; viajará, depois, para Viena, ladeado pela corte de Maximiliano. Passará tormentas, nunca irá antropomorfizar-se – embora, por uma vez, tenha ficado “triste”, (pág.120), e, por outro lado, se fale, também, na “filosofia do elefante” (pág.54), como que a dizer-nos que a procura da sabedoria não está reservada apenas para os humanos – e falará com o cornaca, seu domador, numa língua inacessível. Despedir-se-á dos humanos – “pela primeira vez na história da humanidade, um animal despediu-se de alguns seres humanos como se lhes devesse amizade e respeito”, (pág.123) - com os quais estabelece ligação, e chega mesmo a tempo de Trento para produzir um milagre (a Igreja Católica é sempre predilecto objecto de recriminação para Saramago). Como “não é todos os dias que aparece nas nossas vidas um elefante” (pág.65), a surpresa, a acomodação e o deslumbre, os aplausos e as pateadas, o carinho e a rejeição fazem parte da paleta de reacções que temos à pele – e é dessa expedição à nossa “labiríntica” alma – “ já deveríamos saber, a representação mais exacta, mais precisa, da alma humana é o labirinto. Com ela tudo é possível”, (pág.239) - que nos fala o livro. Que talvez tenha uma moral subjacente. Uma lição sapiencial, se preferirmos. “Assim é a lei da vida, triunfo e olvido” (pág.71). Quando o elefante morre, dois anos após a chegada a Viena – e passados dois anos de ter salvado uma criança da morte – os seus restos são aproveitados, e este transforma-se num…bengaleiro. Recebido em apoteose, aplaudido, com uma corte atrás, vigiado por soldados, com tratador especial, revestido de roupagens fantásticas. E, agora, bengaleiro. Vã glória, metáfora hominídea evidente. Do (da ausência de) sentido da vida (para o autor).
Das classes sociais e do cinismo, das hierarquias glosadas com engenho, do privilégio, implícito, nos seus afectos, aos mais fracos – “ que se arranjem como puderem, disse o comandante, recorrendo, à falta de melhor, a uma das frases que compõem a panaceia universal, à cabeça da qual se exibe, como exemplo acabado da mais descarada hipocrisia pessoal e social, aquela que recomendava paciência ao pobre a quem se tinha acabado de negar a esmola”, (pág.113) - da condição militar e suas fraquezas (p.ex., pág.126), dos poderes despóticos (o arquiduque que altera o nome do elefante e seu domador, de forma arbitrária), de Portugal e dos povos ibéricos e da diferença idiossincrática destes com os povos da Europa Central (esperteza e astúcia vs ordem e disciplina), dessa memória de elefante que nos leva do elefante Salomão ao sapiente rei homónimo (pag.97), da função do romancista/ficcionista (pág.226/27), da pequenez humana (págs.155 e 161), da reflexão sobre as palavras (poderá uma paisagem ser descrita por palavras? O que significa a palavra montanha para a própria montanha?, pág.241/242) e da comunidade linguística – um subjectivismo/relativismo que não foi novidade; para nós, “fora das palavras, não há nada” não é asserção válida – da natureza humana.
Mais do que ironia, o humor, uma história de milhares de quilómetros que percorremos sem cansaço nem enfado. Todo um triunfo. Para que não haja olvido.

Fora das palavras, o mundo ainda

Retomemos o ponto onde ficáramos: Subhro, mais tarde Fritz por mandamento do arquiduque Maximiliano, o cornaca, o indiano domador de elefantes, e especialíssimo companheiro de Salomão, no último conto de Saramago, tem ainda como incumbência filosofar. A reflexão sobre as palavras não é ponto menor no épico narrado. “Isto são palavras, e só palavras, fora das palavras não há nada”. Não?
Talvez o leitor, perpétuo seguidor da intriga, esteta imerso, concentrado na hercúlea viagem para Viena tropece, precisamente nas palavras, sem disso se dar conta, e ignore o enorme salto que elas – estas em concreto, do passo vindo de citar - nos propõem. E que salto teremos que dar? Ouçamos o autor (narrador): “ A verdade, se quisermos aceitá-la em toda a sua crueza, é que, simplesmente, não é possível descrever uma paisagem com palavras (…) Pergunto se vale a pena escrever a palavra montanha se não sabemos que nome se daria a montanha a si mesma”. Fora da nossa linguagem, fora das palavras não há montanhas? Nunca acederemos à realidade em si – númeno – e, sendo esse um dado (será?), não importa perscrutar essa mesma “realidade”, exercício supérfluo e condenado ao fracasso, bastando-nos a apropriação da realidade-para-nós – o fenómeno?
Bom, pelo menos é o que defende um pragmatista como Rorty, evocação imediata, reminiscência lendo Saramago. Escreveu o autor de As consequências do pragmatismo: “ Não podemos encontrar um guincho celeste que nos eleve para lá da mera coerência – mera concordância – em direcção a algo como «correspondência com a realidade tal como ela é em si». (…) Os pragmatistas gostariam de substituir o desejo de objectividade – o desejo de estar em contacto com uma realidade que seja mais do que uma comunidade com a qual nos identificamos – pelo desejo de solidariedade com essa comunidade”. Comunidade linguística, bem entendido.
A este desafio epistemológico, a esta posição pragmatista, responde com intensidade e brilhantismo Thomas Nagel, erguendo a espada da objectividade face a um redutor subjectivismo e relativismo que é, até, como o filósofo demonstrará em A última palavra, uma contradição nos próprios termos.
Observemos: “os seres humanos que têm crenças científicas ou matemáticas concordam que estas coisas são verdadeiras, sem mais, e que seriam verdadeiras quer acreditássemos nelas quer não – e, além disso, concordam que o que faz que isso seja verdade não é apenas o facto de concordarmos em dizê-lo! A única maneira de lidar com um tal slogan subjectivista é convertê-lo numa asserção específica e substantiva sobre aritmética, física ou seja o que for e ver como se sai” (pág.40). A verdade está para lá, pois, da coerência, da concordância, da solidariedade (de uma comunidade) linguística. Há mundo ainda, fora das palavras.
E o exemplo da montanha? Pois, é precisamente na montanha que Saramago se encontra com Rorty, novamente. Escreveu este último: “O que pessoas como Kuhn, Derrida e eu pensam é que é inútil perguntar se existem montanhas ou se será meramente conveniente, para nós, falar de montanhas”. Vale a pena escrever a palavra montanha (?), perguntara Saramago. Existirão montanhas, ou chamamos montanha a uma realidade apreendida por nós a que entendemos dar esse nome, ignorando – e sendo inútil investigar – se a coisa-em-si – a montanha – existe (mesmo)? Em Does Academic Freedom Have Philosophical Presuppositions? (citado por Nagel), Rorty prossegue: “isto é o tipo de coisa que queremos dizer ao afirmar que é inútil perguntar se a realidade é independente dos nossos modos de falar acerca dela. Dado que é compensador falar de montanhas, como sem dúvida é, uma das verdades óbvias acerca de montanhas é que elas já existiam antes de falarmos delas. Se não acreditarmos nisso, não saberemos provavelmente como jogar os jogos de linguagem habituais que usam a palavra montanha. Mas a utilidade desses jogos de linguagem não tem nada a ver com a questão de saber se a Realidade, tal como É Em Si, para lá do modo útil como os humanos têm de a descrever, tem montanhas”.
Thomas Nagel não desarma: “a ideia de que a objectividade não é senão solidariedade com a nossa comunidade linguística (mesmo que se alargue às coisas que a nossa comunidade linguística afirmaria serem verdadeiras, quer o tenha efectivamente dito, quer não) contradiz directamente as afirmações categóricas de que pretensamente se está a falar – afirmações como as de que há um número infinito de números primos, de que a discriminação racial é injusta, de que a água é um composto, de que Napoleão tinha menos de 1, 80m de altura”. Mas, num exercício de grande rigor (e honestidade) intelectual, Nagel traz sempre à colação o pensamento ao qual se opõe, e à exposição mais conseguida, dentro desse outro paradigma. Do ponto de vista da linguagem, é Wittgenstein quem destaca, com uma doutrina que afirma - descreve Nagel - “que, apesar da verdade do solipsismo não poder ser afirmada, se manifesta no facto de o mundo ser ainda descrito na minha linguagem, por mais que eu o descreva de modo impessoal. Não posso em verdade dizer nesta linguagem que o mundo é o meu mundo porque na minha linguagem isso é falso: o mundo existia antes de mim e teria existido ainda que eu nunca tivesse nascido, por exemplo. Mas tudo isto está a ser dito na minha linguagem, e isso mostra que, num sentido mais profundo, o mundo é o meu mundo, apesar de isso não poder ser dito”. E, no entanto…se existissem pensamentos não subjectivos, alguém teria mesmo assim de os pensar (pág.46). É a primeira resposta, breve, de Thomas Nagel, antes de desmontar o raciocínio e argumentação de Wittgenstein. É já na parte final do terceiro capítulo de A última palavra – cuja epígrafe é, precisamente, Linguagem – que o faz com inegável eloquência: “eu formularia o paradoxo dizendo que o pensamento de que as minhas palavras têm um significado qualquer é um pensamento cartesiano – um pensamento do qual não posso duvidar sem descobrir imediatamente que essa dúvida é ininteligível. Tal como não posso duvidar da minha existência, não posso ter dúvidas se todas as minhas palavras têm significado, porque, para eu duvidar disso, as palavras que uso ao fazê-lo têm de ter significado. Em essência, o argumento convida-me a concluir que talvez eu não esteja a pensar – o que constitui claramente a negação de um pensamento cartesiano. Não é impossível descobrir que algumas das palavras que estou acostumado a usar não têm significado; mas para pensar isto tenho de usar outras palavras, como palavra, que significam efectivamente qualquer coisa. No entanto, o argumento a favor do paradoxo de Wittgenstein é perfeitamente geral: se funcionar, não deixa nada de pé, incluindo ele próprio. Logo, não pode funcionar” (pág.58). Conclusão: é a lógica que exige linguagem; não o inverso; é a substância do que pensamos que reclama palavras; olhá-las, indiferentes ao seu conteúdo, à substância que nelas habita e que estas expressam é um exercício torpe. Assim, acompanhamos Thomas Nagel quando afirma que “a ordem da explicação é a inversa da presente na interpretação (errada) habitual de Wittgenstein: as práticas de seguir regras da nossa comunidade linguística só podem ser compreendidas por meio do conteúdo substantivo dos nossos pensamentos – por exemplo, dos pensamentos aritméticos. Caso contrário, serão rituais impotentes. Não conseguimos compreendê-las se as encararmos como itens de história natural” (pág.67).
Os que nos garantem, fervorosamente, que a razão é incapaz de alcançar a verdade e a objectividade fazem-no, curiosamente, por meio da razão e os que afirmam que a subjectividade é o único caminho, estão a decretar um dogma que é uma ratoeira em que facilmente se despenham. Se tudo é subjectivo, como chega a razão a tal asserção (objectiva)? Se a afirmação “tudo é subjectivo” for (apenas) uma manifestação subjectiva, que força tem ela para nos impelir a acreditar no que diz (pág.23)?
Na verdade, “não podemos criticar algo com coisa nenhuma” (pág.30). Resta-nos, deste modo, um caminho de não desistência, de resistência, trabalho, procura. A avaliação deve ser permanente e o conselho com que o filósofo nos deixa implica-nos na busca da verdade e da objectividade: “é ao avaliarmos o que é conjuntural, perspectívico, subjectivo, culturalmente relativo, que se impõem certos pensamentos como inevitáveis e correctos”; “a ideia de razão emerge da tentativa de distinguir o subjectivo do objectivo” (pág.34).
Ora, neste quadro de confiança na possibilidade da razão alcançar a objectividade e a verdade – exigindo, é certo, muito de nós – e evitando que caiamos no nada subjectivista/relativista, convém sublinhar que tal não implica uma ingénua adesão a uma pretensa omnipotência desta (da razão), sobretudo quando fechada à cultura e profundamente imanente, recusando perguntas maiores que uma certa razão considera perigosas. É precisamente por aí que Thomas Nagel não vai, e é por essa razão aberta e não dogmática que, mesmo quando discordamos, vale a pena percorrer A última palavra.


Pedro Seixas Miranda