Divulgação informativa e cultural da Escola Secundária/3 Camilo Castelo Branco - Vila Real
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quarta-feira, 23 de março de 2016

Riscos

Atualmente, os seres humanos, nomeadamente os jovens, têm dificuldade em escolher entre serem corajosos, contornando todos os obstáculos, e conformarem-se e viverem sem qualquer tipo de ambição.
É uma verdade inegável que cada vez mais assistimos a uma sociedade egoísta, capaz de criticar e ofender todos os que revelam divergências, nomeadamente no modo de vida, nos ideais que defendem e em algumas atitudes. É sobretudo nos jovens que esta dificuldade acarreta um peso maior, uma vez que é nesta altura que nós, jovens, senhores do amanhã, decidimos o nosso futuro.
Por um lado, a nossa vida nesta fase sofre várias metamorfoses, visto que adquirimos uma densidade psicológica extremamente elevada, em que tudo nos agrada e desagrada, somos consumidos pelos sentimentos e por vezes deixamos a razão de lado. Tudo isto pode apresentar dificuldades inultrapassáveis, que frequentemente nos obrigam a conformar-nos, ou seja, a desistir. Consequentemente, podemos ir por caminhos adversos, onde o álcool, a droga, o tabaco e até mesmo o suicídio podem ser a única solução avistada. Tal é o caso de um jovem que se suicidou, em Vila Real. Claramente que esta não era a única saída, mas o meio em que estava inserido, a solidão que o envolveu e os obstáculos com que se deparou levaram-no a acabar com a vida.
Por outro lado, esta fase da adolescência e da juventude é igualmente dotada de grandes vivências, onde o convívio com os amigos, a descoberta do amor e as aventuras são, de facto, o que faz a vida valer a pena. Um exemplo disso são os jovens recém-formados que não se conformaram com a escassa oferta de emprego que o país apresenta, e emigraram.

Concluindo, em minha opinião, assumir riscos decorre não só da força de vontade de cada um, como também da sociedade em geral, uma vez que esta tem um papel fundamental na integração dos jovens na vida quotidiana.

 Inês Ferreira, n.19,11.º B

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Civismo


Ó GENTE DA MINHA TERRA

 

            Ao caminhar pelas ruas portuguesas, de norte a sul do país, é possível sentir no ar os "tão nobres" perfumes lusitanos: o cheiro dos fumeiros que se entranha nas narinas de quem os inala, o fumo da sardinhada estival que foge e se esconde por entre as vestes de quem passa e o odor da velhinha afortunada a biscoitos de amêndoa tão velhos quanto a idade que ela tenta, em vão, esconder.

            Com estes regalos olfativos vêm os visuais em tela encaminhados: um edifício, que tal como as gentes vai com o tempo murchando; casas, casebres e casarões que nunca chegaram a sê-lo, mostrando sem pudor os seus tijolos nus; ruas de Calçada pisadas por um ou outro par de pés descalços e monumentos que já foram a casa, casebre, casarão, palácio e palacete de celebridades que famosas só ficaram depois da cova.

            Em todos os exemplos acima citados é possível ver e apreciar, em primeira mão e de forma totalmente gratuita, exposições artísticas das juventudes portuguesas através dos aclamados: "Graffitis Amadores", que contêm poderosíssimas mensagens refletivas como: " O Manuel ama a Manuela" e até teorias matemáticas bastante complexas, exemplificando: " Eduarda + Catarina = BFF", sendo que BFF, segundo especialistas, é um acrónimo para "Best Friends Forever", (tradução à letra: Melhores Amigos(as) Para Sempre). Para os mais astutos há também mensagens ocultas num padrão de letras em formato arcaico, sendo consideradas (por quem as faz) um subtipo de arte abstrata. Não podemos esquecer ainda as pinturas que remetem à anatomia humana, essencialmente àquela que diz respeito à urologia.

            Sinto-me, pois, profundamente incomodada e indignada, e acho uma tremenda falta de civismo e de cultura, que o Zé da Sardinhada, o Manuel do Fumeiro e a Dona Maria dos Biscoitos de Amêndoa (quer-me parecer que as velhinhas afortunadas se chamam sempre "Dona Maria"), bem como a população, em geral, critiquem e depreciem esta desenvoltura artística dos nossos jovens.

            Soluções? Uma apenas se me apresenta: a implementação de uma ditadura artística em Portugal, com o retorno de uma PIDE renovada que mova forças contra todos aqueles que se opuserem à prática dos "Graffitis Amadores" pois, afinal, quem oprime a "liberdade de expressão" alheia não tem direito próprio à mesma.

Sara Carreta
9ºB

 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Arte contemporânea

Há cerca de uma semana fui tomar café com um amigo que já não via há muito, muito tempo. Esse meu amigo é um grande artista, é escultor. Assim, depois do café, fomos ver a nova exposição do Museu de Arte Contemporânea.
Logo à entrada estava uma escultura de chapa vermelha de grandes dimensões; percebi que era uma interpretação da forma humana e achei piada; acerca desta obra consegui mesmo conversar com o meu amigo. Os nossos bilhetes também eram engraçados; muito coloridos e o tipo de letra simples combinava realmente na perfeição. Na primeira sala estavam telas gigantescas coloridas com vários tipos de tinta: acrílico, carapinha e até aquela tinta usada para pintar as estradas. Eu gostei bastante de alguns quadros, pelas suas cores ou porque me sugeriam algo, apesar de na prática serem apenas tiras horizontais e verticais sobrepostas. Lembro-me de um que detestei mesmo, por não simpatizar de todo com a combinação de cores. Mas naquela sala, sem dúvida, havia arte. Foi quando passámos à sala seguinte que as minhas ideias se começaram, de certo modo, a confundir. Começava com um tricô gigantesco e quadrado de caniça em vermelho encaixilhado e depois passava-se abruptamente às cores neutras. Diante dos meus olhos estava “uma obra de arte”... Eram quatro panelas de pressão numa prateleira saliente da parede à esquerda de uma mais elevada que suportava quatro bolas de basquetebol. Tive que perguntar ao meu amigo, que até então não tinha pronunciado uma palavra e estava completamente absorvido, que raio de coisa era aquela. E aí percebi que eu era um doutor insensível... conservador e preconceituoso...O meu amigo artista interpretou aquela obra. O trabalho da mulher (as panelas de pressão) tem menos relevância que o divertimento do homem (simbolizado pelas bolas de basquetebol). Seguiu-se a isto uma tela branca com um círculo azul pintado no centro. E uma tela branca com um círculo cor-de-rosa pintado no centro. E uma tela branca com dois círculos amarelos pintados no centro. E uma tela branca. Ainda me esforcei por tentar interpretar... Não perguntei nada ao meu amigo e vim para casa pensar no assunto, rever o conceito de arte. Comecei por ler que ‘arte’ “tem como raiz etimológica a palavra grega techne e o conceito latino ars, que designam a técnica, a perícia, assim como a criação artística, a procura do belo” - então dois círculos pintados num amarelo que nem era nada de especial no centro de uma tela branca não são arte, uma vez que o artista não atingiu o belo... Depois li que “a arte contemporânea alterou a visão tradicional do belo e do feio, diluiu as fronteiras e as definições”, que “esta indeterminação abriu as portas ao diálogo e à convivência entre perspetivas consideradas incompatíveis, transformando a arte num território de absoluta liberdade”. Por fim li a teoria formalista, que “abandona a ideia de que há uma característica comum às diferentes formas de arte. Nelas existe, ao invés, uma característica que marca todas as experiências artísticas: a emoção estética”. “Uma obra é arte se, e só se, provocar emoções estéticas”. Clive Bell, o crítico de arte inglês, era um grande defensor desta teoria. Bell propõe que “é relevante apenas o objeto para avaliar se este é uma obra de arte ou se é esteticamente valioso”. Por exemplo, o motivo de uma pintura é irrelevante para a avaliar esteticamente. Também a contextualização histórica ou o conhecimento da intenção do artista são irrelevantes para a apreciação nas artes visuais, para Bell e para mim. Afinal, penso também que “o que provoca emoção estética é a articulação feita pelo artista das formas, das linhas e das cores, e não a temática por si escolhida”.
Quanto aos quadros dos círculos, não gosto muito deles.

Nota: as citações foram retiradas de Amorim, C. e C. Pires (2013), Clube das Ideias, Filosofia 10º ano, ensino secundário. Areal Editores, Porto.

15.11.2013
Mafalda Azevedo Perdicoúlis

Nº 20 . 10ºB

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Poço



            Ali está ele, perto do meu quintal, o poço, que dizem não ter fundo…
       Debrucei-me e vi escuro, apenas. Não queria atirar uma pedra. Era crucial, para mim, a curiosidade, aquele desejo de saber e ao mesmo tempo não saber…afinal, a curiosidade matou o gato…serei eu o gato? Ou a curiosidade que o matou? Infinitas possibilidades de alguma coisa acontecer… A minha efémera vontade, o meu desejo desistente, o meu cínico sorriso, a cicatriz marcada nos meus olhos com a intenção de mergulhar naquele poço sem fim…
       A cripta do meu coração esconde as vontades mais obscuras e proibidas, esconde-as do amor, como se fosse ácido para as mesmas. Quem me dera poder escorraçar o pensamento e a necessidade de saltar para aquele poço, só para ver se realmente não acabava! Quero que ele acabe? Talvez não…talvez ponha fim à curiosidade que me corrói por dentro, que me come viva, como se estivesse com fome.
        O espectro do poço assombrava-me durante a noite, fazia-me arrepiar até aos ossos, estes que não se sentem satisfeitos estando neste corpo. Comecei a estrebuchar. Maldito poço, maldito gato, maldita cripta!... Cansei-me, por fim. Aquela obstinada curiosidade faz acontecer o eclipse de tudo, ficando apenas uma coisa…aquela cavidade aberta no solo, que me atormenta.
       Levantei-me, pensativa, e caminhei até ao local nunca esquecido. Que escuro…e se o mundo fosse sugado para lá e ficasse retido? Sinceramente não me importava que isso acontecesse, porém continuava sem saber o que estaria lá dentro nas profundezas pretas que ainda me chamam, tentam e provocam.
       Os meus olhos reluziam, o gato espreitava com os olhos verdes e pelo preto, o meu coração acelerava devido à ansiedade, e então saltei…
Joana Carvalho, nº14,  8ºE       
08/10/13


sábado, 26 de novembro de 2011

Crónica



A Glória da Onda

Estava um dia radiante de sol, na praia da Nazaré, quando senti os meus pés molhados.
Olhei para o mar e vi que o tamanho das ondas aumentava cada vez mais.
Ouvi gritos de admiração por detrás das rochas, olhei repentinamente para a direita, e vi que o café Mindelo estava cheio de pessoas que olhavam para o largo oceano. De repente, o som de uma mota de água ecoou na minha cabeça. Fui pedir um danacol, porque o meu colesterol estava em crescimento (tinha comido uma sandes de presunto ao pequeno almoço).
Olhei com atenção para o mar e vi que um corajoso surfista iria enfrentar uma gigantesca onda.
Saquei das minhas chipmix, vai uma? E disse ao Ambrósio que me apetecia algo, útil como sempre, trouxe-me um ferrero rocher.
Inesperadamente, uma onda de aproximadamente 30 metros assaltou a multidão. Nela, de peito erguido, vinha um super Mário corajoso vestido à surfista. Atravessou aquele mini tsunami de uma forma original, como o Sumol (mantém-te original).
Quando saiu da água, foi aplaudido por todas as pessoas ali presentes. Nem passavam 5 minutos, quando os Guiness men chegaram de bué bué longe para felicitar o surfista.
Entrou para o Guiness Book, como o homem que surfou numa onda de quase 30 metros, a pura da loucura.
É assim que quero que seja a minha última crónica, grandiosa como esta onda!

Trabalho realizado por:
Alex Ramos / nº1 / 8ºA
Carlos Barros / nº7 / 8ºA
João Gonçalves / nº9 / 8ºA
José Reis / nº10 /8ºA /


Redes Sociais
Reparo que, hoje em dia, a vida é só à volta das redes sociais. As pessoas gastam mais tempo a “atualizar o seu estado” no facebook do que a praticar atividades que sejam gratificantes para o cérebro. Inconscientemente, estão a fazer regredir a sua maturidade. Mas, porquê? Será que é como uma droga que invade as muralhas da consciência fazendo-as desmoronarem-se?
Apesar de o facebook ter algumas utilidades, não serve para mais nada para além de desperdiçar tempo. As pessoas têm umas certas regras para usar no facebook, como não dizer o que lhes “vai na gana”, mas sim o que realmente interessa aos outros. Se essas regras não forem cumpridas, a pessoa é afastada e fica com a imagem social destruída.
Também existe um esquema muito rígido em relação à vida social. Se se gasta tempo a dormir e a estudar, a vida social deixa de existir, se se gasta tempo a estudar e a fazer crescer a imagem social, fica-se com sono; e se se gasta tempo a fazer crescer a imagem social e a dormir, tem-se más notas na escola.
Portanto, as pessoas vivem presas num mundo com medo do que os outros pensam, sem puderem viver num mundo livre.

Antónia Lima, n.º 3
António Morais, n.º 4
Beatriz Bento, n.º 5
José Magalhães, n.º 11

 
A Palavra


Na língua portuguesa, uma palavra (do latim parabola, que por sua vez provém do grego parabolé) pode ser caracterizada como sendo um grupo de letras ou sons de uma língua, juntamente com a ideia ligada a este conjunto. A função da palavra é representar partes do pensamento humano.
É a língua que nos une, mas é a palavra que nos ata: em Lisboa e em Paris, em Maputo e em Amesterdão, em Madrid e em Londres. A nossa Língua é sempre a mesma sendo sempre diferente.
Palavras bem ditas, palavras benditas, palavras malditas. Palavras proibidas, com medo. Palavras imaginadas, com liberdade. Palavras inventadas, como nos sonhos. Palavras duras, fortes, como a mágoa, o exílio, a morte, o adeus.
Palavra puxa palavra. Palavrório. Palavrada. Palavreio. Palavroso. Palavrão. Em poucas palavras. Palavra de honra. Palavras mágicas. Abracadabra. Em suma, palavras.
Nem todos compreendem, mas há uma diferença muito pequena na forma como usamos as nossas palavras, que poderá fazer toda a diferença na nossa atitude e, por consequência, no nosso futuro.
“Utiliza palavras suaves e argumentos fortes.”, Jardiel Poncela.
Tenho a palavra, mas não tenho palavras…

Bibiana Ribeiro, nº 6
Mª. Beatriz Patarata, nº13
Sara Gil, nº15, 8ºA


Crónica de um mendigo feliz
Na orla de um bosque, estou eu, com sessenta anos, de avental vestido, a cortar cenouras à janela. Parei, já com as mãos cansadas de tanto trabalhar e escrevo, refletindo. Olho um mendigo por baixo de uma árvore, tremendo de frio, tentando inutilmente proteger-se da chuva grossa que cai sem cessar. O céu está muito escuro, mas é hora de almoço. Dizem que este bosque, desde há duas décadas, está assombrado. O que é facto é que morreram meus conhecidos nas redondezas. Temo. Não poderei fazer nada para o auxiliar… A chuva escorre na sua face, a água pinga do seu nariz entortado pela idade. Surgem trovões. Vejo o mendigo sobressaltado, agarrado ao tronco da árvore mais próxima. Na sua expressão vejo a justificação para não vir pedir ajuda a minha casa.
Um corajoso soldado vem parar a esta orla. Veste uma vistosa capa vermelha que o protege da grande tempestade. Tem uma simpática expressão. Ao ver o mendigo, pára. O mendigo ergue a cabeça e levanta-se subitamente. Sente-se tonto, e o soldado estende-lhe a mão e agarra-o pelo antebraço. O mendigo olha para baixo como com vergonha. Parece-me dizer algo ao homem que desmonta o cavalo. Este tira a sua capa e responde-lhe com uma expressão bondosa e compreensiva. Pousa a capa vermelha sobre os ombros do mendigo. Um sorriso largo desenha- -se no rosto deste. O mendigo abraça impulsivamente o soldado… O sol surge por entre as nuvens escuras… Não poderá haver explicação para isto. O soldado monta o cavalo e acena ao realizado mendigo. Desaparece, ao longe, por entre as árvores do bosque.
Desapareceu o nobre soldado, apareceu uma luz dentro da minha alma.

Ana Leandro
Gonçalo Capela
Mafalda Perdicoulis
Nuno Montezinho
8ºA

domingo, 26 de dezembro de 2010

Da possibilidade da interpretação

1-Tendemos a conceber a sociedade do conhecimento como um lugar de encontro vertical entre os especialistas e as massas. E, no entanto, perante um momento de crise global (ocidental), complexa, permeada por um vasto leque de causas e consequências, melhor seria que a um saber muito especializado, conseguíssemos opor ou contrapor um saber global, uma ideia geral do mundo. Para isso, o uso da interpretação – para cujo treino as humanidades seriam decisivas – mais do que o manejo de estatísticas, seria determinante. Emergiria, então, uma sociedade de intérpretes, na qual a horizontalidade ganharia corpo. Eis a proposta de Daniel Innerarity para o tempo presente.
2-A partir do séc.XVI, a Europa Ocidental foi palco de uma cisão entre elites e massas, às elites promovê-los e, através do professor, que Ernst Gellner dirá estar na base da ordem social moderna, passá-los às massas descritas como ignorantes, irracionais ou vulgares.
Se a intelligentsia, pelo auto-afastamento de interesses particulares e/ou corporativos, pôde reivindicar, durante muito tempo, esse lugar tutelar do mundo, ainda que, paradoxalmente, pelo afastamento dele, a verdade é que, sobretudo a separação entre o Estado e a Cultura, com o acesso cultural a ser privatizado, não reconhecerá outro valor que não o da preferência subjectiva. A mercantilização da cultura levará a que o que conte seja o cálculo de probabilidades do que é vendável, o que mina a autoridade do critério do intelectual. Enganaram-se, porém, os que acreditavam numa absoluta homogeneização, porque aquilo que se verificou foi, antes, uma (inesgotável) multiplicidade de ofertas que pretendia chegar a todos os nichos (de mercado). Mas é certo, todavia, que as peças perenes e imutáveis dificilmente se distinguem num tempo tão acelerado em que a novidade – e, simultaneamente, seu contraponto, a obsolescência – são marca incontornável.
Zygmunt Bauman, um dos mais importantes sociólogos do nosso tempo, diz-nos que é muito possível que a glória histórica dos intelectuais mantivesse uma relação íntima com outros traços, hoje desaparecidos, que caracterizaram os tempos modernos: as grandes utopias da sociedade perfeita, os projectos de reorganização global da sociedade, a busca de critérios normativos de verdade, justiça e beleza. A alta condição dos intelectuais enquanto agentes e árbitros do progresso histórico e guardiães da consciência colectiva do auto-aperfeiçoamento da sociedade não podia sobreviver à crença no progresso nem à privatização dos ideais de auto-aperfeiçoamento.
Dizemos de outro modo: se o relativismo é erigido, desde cima, da função tutelar da sociedade, do professor, do académico, como o único dogma, como o único absoluto que rejeita todos os outros absolutos, então o eu é o único critério e então cada um de nós se sentirá, as mais das vezes, no mesmo plano para afirmar em qualquer matéria. O que esta aparentemente benigna horizontalidade, contudo, parece agora dispensar é o tal encontro com os livros e outras formas de conhecimento que poderiam levar, aí sim, a uma possibilidade de interpretação com um fundamento sólido e real.
Sem esse confronto com os livros, com as humanidades, não teremos mais do que “achismo”, mesmo que um “achismo” auto-satisfeito.
Como nos diz o sábio polaco, de Poznan, “os intelectuais pouca coisa têm a oferecer à maioria satisfeita dos países ricos, a menos que se disponham a entrar na cena cultural comercializada, apresentando as suas ideias como mais uma simples mercadoria nos centros comerciais apinhados que vendem kits de identidades prontos a montar pelo cliente”.

Pedro Seixas Miranda

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PARE, ESCUTE E OLHE

O documentário Pare, Escute e Olhe, de Jorge Pelicano, que há exactamente 15 dias podemos ver em Vila Real, antes mesmo de se estrear nas restantes salas do país, obra destinada a denunciar o tormentoso percurso por que foi e vai passando a linha (ferroviária) do Tua, e, através desse caminho penoso, mostrar o ostracismo político a que Trás-os-Montes vem sendo votado desde há muito, por diferentes desgovernos nacionais com a ajuda de uns tantos dirigentes regionais/locais, inscreve-se e deve poder ser lido à luz das mais recentes reflexões que o êxito que o género documental vem obtendo à escala global, vem gerando.
Assim, é de enorme utilidade e pertinência, a leitura de O Documentário ou a Desforra de Lumiére, quinto capítulo de O Ecrã Global, a mais recente obra de Gilles Lipovetsky
/Jean Serroy publicada em Portugal (Edições 70).
Vejamos a sistematização aí desenvolvida e confrontemo-la com a obra de Pelicano. Em primeiro lugar, Pare, Escute e Olhe participa da característica da ausência da tradicional “voz off que marcava uma autoridade”, e em certo sentido, “implicava um antigo estilo académico e pedagógico”. Ora, assinalam os ensaístas franceses, “assim recupera-se e prolonga-se o caminho dos grandes criadores do cinema do real que, interrogando a realidade por todos os meios – imagem, som, montagem – nunca confundiam a representação do mundo com uma aula de geografia”.
Um segundo aspecto que me parece comum a muito do género documental que hoje podemos ver nas salas de cinema e que está presente, igualmente, neste filme vencedor no doc Lisboa 2010 é o tom intimista. Neste documentário, esse tom é-nos dado, sobretudo, pelo bloco de apontamentos do autor, registo sensível de prosa poética, destinado a tocar, evidentemente, a emoção do espectador. À função de coordenação/encaixe/coerência da estrutura narrativa – apontamentos curtos, enxutos, directos, em vez da académica voz off – a solução encontrada tem, ainda, a vantagem de se aproximar, de se abeirar do espectador num sussurro enleante.
Em terceiro lugar, a diluição da fronteira realidade/ficção. A pura descrição, anódina, incolor, inodora, objectiva, fria, desaparece. Gostava aqui de dar como exemplo a corrosiva cena de uma habitante, idosa, de uma aldeia transmontana, prejudicada pela ausência do funcionamento da Linha do Tua – cujas sucessivas vagas de encerramento, reatamento, suspensão, reconstrução são verdadeira montanha…russa-transmontana – que estabelecendo diálogo telefónico com vista a obter, junto de alguém amigo, a medicação de que carece, vê surgir, no ecrã, do outro lado da linha, um governante – a ironia, refinada ali, de alguém que o autor denuncia ter esquecido/ignorado/desprezado uma região e seus habitantes ter atendido o telefone e, deste modo, ligado a uma anónima desesperada, lá no inifinito transmontano, temendo pela saúde…Para Lipovetsky/Serroy, “durante muito tempo, o documentário, tal como figurava na primeira parte das sessões de cinema, com uma reportagem sobre a pesca da sardinha ou sobre as danças folclóricas do Tirol (…) limitou-se ao que poderíamos chamar o seu grau zero: o da reportagem, o da descoberta neutra, anónima, ingénua, sem subjectividade, não reivindicando nenhum ponto de vista, a não ser o de quem sabe e que mostra a quem não sabe. Em relação a esta forma primitiva do género, aquilo que os grandes documentaristas introduziram, ao longo de toda a sua história, foi a noção do olhar. Um documentário torna-se, portanto, um olho acrescentado à câmara, uma escolha de ângulo e enquadramento, uma ciência do corte e da montagem que representa o mundo, interrogando-o, mostrando o que está por baixo, por vezes demasiado visível e que um olho comum não vê. O seu olhar é, então, assumidamente artístico”. Se Susan Sontag, em Olhando o sofrimento dos outros, coloca a questão ontológica da fotografia, o que é a foto, para que serve, o que esperamos dela – nomeadamente em contraponto com a pintura – Lipovetsky/Serroy investigam a relação documentário-realidade-verdade. A sua abordagem é a da complexidade e é ela que nos importa na densificação do nosso olhar (desde logo, para Pare, Escute e Olhe): “Não nos iludamos: se sempre houve na ficção elementos de real, houve sempre, igualmente, no documentário, elementos de ficção. Evidentemente que não existem dois cinemas heterogéneos, substancialmente diferentes, porque a única categoria operatória verdadeira é, aqui, a da narrativa. Nenhum filme pode escapar à dimensão primeira, irredutível, da escrita. Simplesmente, o documentário tem a especificidade de contar a realidade”.
Quarta lição a apreender da conceptualização de O Ecrã Global subsumível ao caso concreto: os personagens, ainda que reais personagens, já não são aqueles que faziam as delícias dos vendedores de posters – para afixar no quarto lá de casa ou estampar na próxima t-shirt de Verão. Hoje a estrela é-me próxima, banal, igual a mim. “Agora, a estrela está perto de mim, ela já não é o outro intocável e dissemelhante como eram as estrelas quase divinizadas de Hollywood: Jean-Pascal e não Valentino, Loana e não Greta Garbo”. Se atentarmos em Pare, Escute e Olhe, depararemos com um personagem principal – se escaparmos ao colectivo “povo transmontano” como categoria máxima da película, o que se nos afiguraria politicamente correcto, mas não revelaria parte da estratégia fílmica utilizada – de que nem o nome sabemos. Reformado da CP, espontâneo e genuíno, brincalhão, um cromo – bom – do Portugal transmontano. E porquê esta insistência nos personagens iguais a nós, e não já a fixação nos divinos, imortais de outrora? Aqui, a escrita de O Documentário ou a desforra de Lumiére, parece perder uma das mãos e é sobretudo o que a traço grosso já sublinháramos de Lipovetsky em A Era do Vazio (e que a cores berrantes ressurge no recentíssimo A Cultura-Mundo) que ressalta de novo: “a sociedade do indivíduo extremo criou o desejo de nos encontrarmos e de nos reconhecermos nos espectáculos filmados, de ver de uma outra maneira o que somos e o que vivemos”.
Os quinto e sexto elementos que gostaria de relevar estão intimamente ligados. A militância de que o documentário vive e, simultaneamente, a sua pretensão de desmistificação de um dado objecto de que se ocupa. Pare, Escute e Olhe é um filme declaradamente militante. Em favor do abandonado povo transmontano, contra o despovoamento da região, o esquecimento dos mais frágeis (os mais velhos e os mais pobres…algo que tantas vezes vimos acumulado na mesma pessoa; os que não têm automóvel, nomeadamente) pelo poder político, as promessas múltiplas, repetidas e nunca concretizadas, o provincianismo das elites nacionais (os trinta segundos filmados entre José Sócrates e António Mexia são demolidores…para os próprios, com a frase do primeiro ministro “aqui só falta cimento…” e o seu olhar de auto-comprazimento a ilustrarem como nunca o complexo pombalino e o Portugal dos Pequeninos de que fala Miguel Real em A morte de Portugal), os traidores locais…
Face á opção manutenção da linha do Tua vs Construção de Barragem, o autor assume claramente o lado da barricada: está a favor da manutenção da linha e contra a construção da barragem. Não poupa argumentos e personagens que os defendam. Não se nega, de modo algum, ao autor, como atrás fica dito, a tomada de posição, a subjectividade do olhar, aliás enriquecedor para o documentário e até para o espaço público (latu senso). A questão está em que sendo o documentário tão contundentemente parcial, obnubilando, em boa verdade, quaisquer tipos de argumentos sérios contrários à tese que esgrime, pode colocar em causa a adesão – como parece ser um dos objectivos do autor – de um público exigente que gostaria, também, de ver superada a prova de um contraditório mais claro. Não para equivaler argumentos, não para igualar minutos na controvérsia (á lá ERC); mas para que uma dada posição, o tal olhar singular – eminentemente político – tivesse um respaldo mais robusto. Não me espantou, confesso, a pergunta de Carlos Vaz Marques, no Pessoal e Transmissível, da TSF, a Jorge Pelicano, por eventuais pontos de contacto entre o seu cinema e o de Michael Moore. A apresentação claramente dicotómica – Linha vs Barragem; quase sem espaço para a terceira via da compatibilização de ambas; o maniqueísmo a partir daí; posições de agentes políticos em curtos excertos, passíveis, pois, de manipulação (de contexto);a omissão da perspectiva contrária á que se propugna, eis, pois, um conjunto de traços que poderiam estabelecer pontes – e, diríamos, fragilidades – entre os referidos autores. E, assim, aquilo a que Lipovetsky chama “prémio de satisfação reflexiva”, quer dizer, aquela sensação com que saímos da sala de cinema, aquele bem-estar de superioridade moral e de inteligência, aptos que estamos a desmontar as maiores ignomínias tecidas por trás do palco (da história, da política…) revela-se, por vezes, manto diáfano de fantasia…e simplismo: “o neodocumentário oferece ao seu público uma satisfação particular: a desmistificação, a denúncia das mentiras, o prazer de sair da caverna das ilusões. Preenche a necessidade do indivíduo contemporâneo de se sentir um sujeito livre, pensante e crítico num sistema que o impele a consumir sem parar (…) O perigo, naturalmente, é o de que esta desmistificação seja ela mesma uma mistificação”.
A partir do filme – que, já agora, convém ver – de Jorge Pelicano, fica ainda a interrogação maior, porquê o sucesso do (género) documentário (?), ou melhor, como o documentário nos explica (?), e a proposta de descodificação de Gilles Lipovetsky: “o crescimento do documentário aparece como uma resposta ao desaparecimento das grandes referências colectivas do bem e do mal, do justo e do injusto, da direita e da esquerda, assim como do desaparecimento das grandes visões para o futuro. Sem o lastro de grelhas macroideológicas a apontar o sentido da História, são as «pequenas» histórias, são todas as realidades micro e macro do mundo humano-social que ganham uma nova dignidade. Mas, órfãs das ideologias heróicas, as nossas democracias tornaram-se, ao mesmo tempo, democracias de desorientação, de insegurança e de decepção. Neste contexto de desestabilização das referências e de vazio ideológico, os factos apresentados pelo documentário substituem os sistemas de interpretação global, agora desprovidos de «realidades» imediatas mas fortes, ancoradas numa certa dimensão de factualidade. Os documentários oferecem pequenas ilhas de terra firme e sólida que tanta falta fazem aos nossos contemporâneos. Os filmes do real, tal como proliferam nos ecrãs, têm uma base comum que os torna facilmente ecuménicos. O que os fundamenta é a ideologia dos direitos do homem, alargada aos direitos da terra – protecção das espécies, preservação dos recursos naturais. Cinema de protecção com o qual toda a gente só pode estar de acordo, ele responde á sagração dos direitos do homem assim como a uma insegurança social e ecológica crescente (…) Quando já não há grandes mitos mobilizadores, resta conhecer melhor o presente para rectificar os seus desvios e excessos; quando já não se acredita nas utopias sociais, resta o refúgio num passado imaginário e idealizado; quando já não se espera revolucionar o mundo actual, este é mostrado e auscultado de perto como sendo a única coisa que nos resta para amar, detestar ou corrigir”.
Que o ciclo de cinema documental que a UTAD nos propõe para o início de Maio contemple já este conjunto de reflexões verdadeiramente contemporâneas (Manuel Maria Carrilho, DN, 08/04/10), para que de Vila Real também possa partir um cinema e um documentário cada vez mais exigentes, adultos, inteligentes e belos. E, porventura, um documentário que contemple um minimalismo e uma complexidade que a um tempo evite e a outro desminta, o peso excessivo em nós e no nosso tempo – e em nosso entender, um tanto desproporcionado - e o simplismo que o filósofo francês lhe atribui.


Pedro Seixas Miranda

sábado, 9 de janeiro de 2010

Em destaque

Enquanto esperamos pelo resultado do Concurso de Imaginação e Criatividade - Escrita em dia, promovido pela Coca-Cola Portugal, apresentamo-vos o trabalho de Marta Silva, um dos 20 finalistas seleccionados pelo escritor José Luís Peixoto, num universo de 250 trabalhos provenientes de todo o país.
Escapatória

Os autocarros passam um por um, quase ininterruptos, na paragem. Vejo-os ir e partir ao longe mas ainda nenhum me intrigou realmente - os lugares para onde vão são silenciosos e discretos, e eu estou à espera de um que me acene, de um que pestaneje sedutoramente do sinal luminoso que o anuncia.
A noite na cidade, escura e fria, é quebrada por luzes suaves que deslizam umas através das outras. As esquinas despem-se delicadamente diante dos faróis dos automóveis, nas ruas desertas as sombras diminuem e crescem com a nossa aproximação e afastamento.
Passo depressa pelas esquinas como se fugisse do nascer do sol, de mãos bem enterradas nos bolsos e os ombros rígidos contra o frio, as ruas geladas debaixo dos pés, uma após outra após outra. Se seguirmos durante tempo suficiente por uma rua, podemos ir até onde todas as ruas paralelas do mundo se unem num ponto de fuga secreto. É sossegado - os outros que lá chegam também não querem falar com ninguém. É a única razão pela qual alguém andaria tanto tempo em linha recta sem parar para... para ficar.
Não quero ficar no mesmo sítio. Respiro para dentro do cachecol para aquecer os lábios e o pescoço, não quero que o meu sangue pare de correr mas ir para casa está fora de questão. Estou farto desta cidade em que todas as ruas vão dar ao mesmo sítio, e já as percorri a todas muitas vezes, a horas diferentes em diferentes alturas do ano, conheço-lhes bem as manias. Sei onde há pedrinhas manhosas,
passeios tortos, candeeiros de rua esquizofrénicos, onde passam os passadores de droga e onde se passam os artistas de graffiti às quatro da manhã, a pintar as crianças esfomeadas de África numa explosão de rabiscos a preto e branco, sob a luz clandestina dos néons.
Mas à noite, no inverno, quando as ruas são minhas, numa zona obscura de sonho, preenchida apenas por nevoeiro e pela minha silhueta escura, posso fingir que estou a ir para outro sítio. Quando está mesmo frio ando com as luvas mais grossas, com o cachecol até ao nariz e com o gorro até às sobrancelhas, mas não fico em casa, porque ficar em casa seria desperdiçar a oportunidade maravilhosa concedida pelas nuvens, a oportunidade de pensar que vou para outro lugar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Remember Sammy Jankiis


Ao ver o Memento, a primeira coisa que salta a vista é a estrutura pouco usual da narrativa, fragmentada e sem uma ligação aparente, podemos até pensar que o filme é demasiado confuso e que não vale a pena massacrar o neurónio e vê-lo até ao fim.
Não caiam nesse erro.
A história, que retrata a vida de um doente com amnésia anterógrada (não consegue formar novas memórias), é apresentada fragmentada, em pedaços, com apenas alguns minutos para transmitir a sensação do caos e desorientação que essa patologia deve provocar aos doentes.
O protagonista vive a sua vida através de uma busca de vingança, através do desejo de castigar o assassino da sua mulher, um tal John G.; este é o único objectivo que ele consegue manter e que lhe dá uma certa direcção à vida. E certamente a vida e a demanda de Lenny continuam, processadas pelo hábito e pela rotina, por puro condicionamento, por pura repetição… Para não “spoilar” o resto do filme não vou desenvolver mais a história.
Agora o filme levanta de facto algumas questões verdadeiramente importantes sobre o papel da memória na vida e na personalidade das pessoas:
-O que nos define, o que torna a nossa personalidade única e irrepetível?
-Conseguimos viver sem novas memórias?
-Conseguiremos ser verdadeiramente autónomos, se não nos conseguimos lembrar do que é preciso fazer e do que já fizemos?
Não.
Não.
Não.
Precisamos da memória para podermos assimilar novas experiências, para aprender qualquer coisa, por mais pequena e insignificante que pareça, precisamos de novas experiências para crescermos como pessoas, e precisamos das memórias que fizemos para nos lembrarmos de como vamos reagir às tais novas experiências. Se retirarmos qualquer das memórias, mesmo deixando os outros tipos cirurgicamente intactos, a nossa personalidade não poderá manter-se irredutível.
É possível estar-se vivo mesmo sem cérebro, no entanto, eu pessoalmente não classificaria um estado de pura inconsciência sem retorno, como vida, classificaria como uma espécie de meio-termo, um purgatório entre a vida e a morte. E sem memória realmente não temos bem consciência do que nos rodeia, estaremos possivelmente, se bem que a uma escala inferior, inconscientes? Penso que sim.
A memória é sem dúvida indispensável para qualquer pessoa, para a sua qualidade de vida, para o crescimento, maturação e aprendizagem de qualquer indivíduo, sem ela não podemos ser completos, e sem dúvida que quando a memória falta, falta também sentido…

Mervin Gunda (12º I)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ser Português

Ser português é sentir a força do passado a empurrar-nos para o futuro. O grande problema é que antes de haver passado para nos orgulharmos, bravos homens tiveram que o construir e, esses sim, são os verdadeiros portugueses que não sabiam, quando empurravam a espada ou quando desbravavam mares, que isso seria imortalizado ao longo dos tempos e que, muito mais tarde, seriam ainda as razões únicas do nosso orgulho.
Temos baixado a cabeça no decurso dos anos, deixando todos passarem-nos à frente e "serem" às nossas custas. Talvez isto seja exagerado, mas revolta-me saber que fomos tanto…E agora somos tão pouco.
É essa revolta (que penso não ser só minha) que me faz acreditar na mudança; porque temos tanto em nós... e a revolução começa quando o homem pensa e pára e se dá conta, ao cerrar a mão, que isto não pode continuar.
Ser português é ter a coragem na veia, a luta no coração, o sonho na alma, o mar nos olhos e a raça em cada poro. O único limite está na linha do horizonte! Inacessível meta que nos faz viajar até morrer, nem que seja em sonhos, em esperança, em ambições...
O Futuro é consequência do Presente, não do passado! Por isso... sou português agora!

Rui Carvalhais Costa, 12°H, nº 19